SIGA O COLETIVIZANDO!

Mostrando postagens com marcador Projeto Nacional de Desenvolvimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Projeto Nacional de Desenvolvimento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O PCdoB, a Juventude e a Classe Trabalhadora – III - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB

“Tudo muda o tempo todo no mundo”
Lulu Santos – Zen Surfismo
O sindicalismo classista acumulou exponencial influência no decorrer da última década, após a criação da CTB. É esse patamar atual – exatamente – o que está em xeque, e por isso se exige que o sindicalismo classista atue ainda mais organizadamente junto à sua base, a fim de mobilizá-la em defesa dos seus direitos, de suas entidades e da sua representação no legislativo. Primeiro, porque é preciso tirar lições da experiência concreta que o povo faz sobre o erro de desconhecer a política, ignorância que lhe tem afetado de modo cada vez mais duro. Segundo, pois pode ser uma eleição em que ainda é possível às representações classistas se dirigirem de modo pleno e organizado para a ampla maioria de suas bases e para o povo. Quem melhor falará para as nossas bases, senão nós?!
Por Paulo Vinícius Santos da Silva*
Em terceiro lugar, porque devemos responder à questão de como as vias de acumulação de forças – luta de ideias, de massas e político-eleitoral – se entrelaçam com nosso crescimento orgânico e eleitoral. Por que decrescemos em influência eleitoral em grandes municípios? Como a crise de legitimidade e a derrota na esquerda nos afeta, e que laços devemos ter com o povo? Objetivamente há um natural desnível quando vemos as influências eleitorais possíveis a partir de espaços de governo/parlamento, luta social, intelectualidade/cultura. É preciso sabedoria e realismo para não embarcarmos num eleitoralismo marqueteiro de quinta, desconhecendo muitas vezes a nossa influência real e potencial, acabando nem lá, nem cá, deixando de falar para quem devemos e podemos. Será que não é possível uma via orgânica de crescimento eleitoral, inclusive dirigindo esforços de recrutamento de lideranças de esquerda?
Congresso eleito de 2014

Ou seja, é preciso destapar o bloqueio natural da “democracia burguesa” que impede a projeção político-eleitoral de lideranças populares, notadamente juvenis e de trabalhadores(as), no curso de uma eleição que amplia a necessidade de o Partido dirigir-se ao povo. Uma parte disso pode ser respondida no primeiro turno, com uma candidatura própria, persistindo o quadro mais amplo de fragmentação da esquerda. Uma candidatura nacional é possibilidade de o PCdoB falar direto ao povo. Mas é decisivo montar chapas que encarnem a dimensão do atual peso institucional conquistado, da força de nosso crescimento na classe trabalhadora e o nosso celeiro de quadros juvenis, e ampliar a cesta de votos do PCdoB na Câmara dos Deputados. Temos condições para afirmar esse lastro classista e nele expressar a sua diversidade, projetando lideranças mulheres, negras, LGBTT, do campo e da cidade, da cultura e da intelectualidade, expressas nas candidaturas, feitas de pessoas reais e diversas. Se não ousarmos, notadamente quanto às candidaturas de trabalhadores(as), poderemos perder um espaço importante e sob ameaça, em que progredimos, mas que precisa se reforçar quanto à sua capacidade de sair da luta corporativa e econômica, lançando-se à luta política e dirigindo-se a toda à sociedade.
Essa ousadia passa por enfrentar a necessidade da renovação geracional, da ampliação dos espaços sindicais às mulheres e da preocupação crescente com a nossa capacidade de representar a nossa base inclusive na composição geracional, de gênero e no entrelaçamento das lutas dos direitos humanos com a luta dos trabalhadores. Parte dessas orientações já foram aprovadas nos Encontros Sindicais Nacionais do PCdoB. Isso é um movimento necessário, que em nosso meio ocorre já atrasado, sob o ataque da direita. Não adianta escandalizar-se quando parte da juventude e dos trabalhadores(as) ouve a direita, precisamos é falar pra nossa base. Em vez da fragmentação devemos afirmar a síntese expressa na constituição da Classe, a união das pautas e o reconhecimento das lideranças que temos projetado.

Para enfrentar tais desafios, urge o fortalecimento das Secretarias Sindicais, de Juventude e de Organização, aprofundando a política de quadros voltada às lideranças intermediárias. Que o PCdoB se dirija ao povo brasileiro através de um veículo unificado e de massas periódico que torne mais nítidas suas posições. E para os(as) comunistas na luta dos trabalhadores, urge ousar libertar-se da pirâmide invertida, reconhecer que ela desabará. Ter a coragem de pô-la sobre sua verdadeira base, dirigir-se aos trabalhadores(as), à juventude, às mulheres, chamá-los a defender a democracia e posicionar-se no decisivo embate em que o povo possa outra vez decidir o destino do Brasil.
*Milita em Brasília. Sociólogo e Bancário, é egresso da UJS

O PCdoB, a Juventude e a Classe Trabalhadora – II - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB

O Socialismo como necessidade histórica e o papel da Classe Trabalhadora
“Tudo, tudo o que existia. Era ele quem o fazia. Ele, um humilde operário. Um operário que sabia. Exercer a profissão.”
Vinícius de Morais, O Operário em Construção

Amplia-se a centralidade da Classe Trabalhadora para a Humanidade, ela, classe que já é central para o Partido Comunista, por sua história e sentido. Mas também pelas mudanças tecnológicas que avançam para a precarização do trabalho e para uma escalada de substituição do trabalho vivo, no curso da 4ª Revolução Tecnológica. O sistema capitalista, no curso de sua crise, aprofunda a polarização social. Apenas 1% da humanidade possui mais riqueza que os 99% restantes, a maioria dos quais parte da Classe Trabalhadora, produtora da riqueza e da economia real. Nos dizeres de Engels, “a classe dos trabalhadores assalariados modernos, os quais, não tendo meios próprios de produção, estão reduzidos a vender a sua força de trabalho para poderem viver”.
Por Paulo Vinícius Santos da Silva*
Cumpriu-se – infelizmente – a previsão marxista da inevitável concentração de riqueza e polarização social sob o capitalismo. Mais do que nunca, o socialismo é necessidade histórica, de libertar a humanidade do jugo parasitário do capitalismo financeiro, jugo que ameaça a vida na Terra, e também o nosso Brasil. O socialismo pontua como sociedade organizada em favor das amplas maiorias, que busca elevar o desenvolvimento à condição de Ciência, utilizando-se do Estado e do Mercado, tendo em conta a complexidade da humanidade e o desafio de redefinir a relação da espécie humana com a natureza, a fim de assegurar a própria sobrevivência da espécie.

O retrocesso civilizacional e em curso no país é parte do esquema geral da subordinação de todos os interesses da humanidade à Ditadura do capital financeiro, com a exclusão de um potencial ator de primeira grandeza no mundo multipolar. O caráter subalterno, rentista e corrupto de nossa classe dominante ficou exposto no Golpe que depôs a Presidenta Dilma, antecipando a atual ofensiva de direita contra a CLT, a Constituição de 1988 e as políticas públicas de Lula e Dilma. Por que?
Ora, do Orçamento da União se reserva religiosamente (com FHC, Lula e Dilma) quase a metade para despesas de juros e amortização da dívida pública. Ora, agora, com o “teto de gastos”, a fatia que é uma banda poderá tranquilamente crescer (e viva à “responsabilidade fiscal”). Por isso que pagamos tamanhos juros em empréstimos pessoais, cartões, financiamentos e dívidas, por isso o empresário tanto paga e deve aos bancos. Cada família a receber a sinistra visita da fome, cada choro de pai e mãe demitido, a destruição dos serviços públicos, o abandono da velhice na Reforma da Previdência, a juventude sem trabalho e sem estudo, a morte na fila do médico, as mentiras do Partido da Imprensa Golpista, a escola sucateada, a professora mal paga, a mordaça e a lavagem cerebral da “teologia da prosperidade” e do ódio, tudo, tudo isso e o Golpe só existem para aprofundar a já vergonhosa supremacia da especulação financeira sobre a economia real, sobre quem trabalha e produz. É por isso que sobressaem como objetivos destacados unir a Classe Trabalhadora a uma ampla frente de classes e setores sociais para resgatar a Democracia violentada e isolar o rentismo parasitário que ameaça a Nação Brasileira.
Vivemos um cenário de destruição de direitos, precarização e terceirização, que se soma à desindustrialização, à queda dos investimentos, à reprimarização e aos intentos de desmonte do Banco Central, do BNDES, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, do sistema ELETROBRÁS e das Universidade Públicas. Isso é feito a mando de fora, para destruir qualquer chance de Desenvolvimento, é uma expedição punitiva de uma ocupação estrangeira.
Pirâmide invertida, representatividade política e autonomia financeira

Essa situação de terra arrasada afeta o movimento sindical de múltiplas e decisivas formas. O ataque brutal promovido pela Deforma Trabalhista não está ainda mensurado, mas aponta para uma fragmentação das categorias pela terceirização ilimitada, o que nos obriga a aprofundar a consciência da unidade da classe trabalhadora por ramos, rompendo com o corporativismo. Precisamos romper com as barreiras que ainda separam trabalhadores(a) com as mesmas funções e locais de trabalho. A Deforma quer quebrar o papel dos sindicatos como representação unificada dos trabalhadores(as). Devemos ampliar e lutar incansavelmente pela unidade e a representação do conjunto dos trabalhadores(as).
Devemos ousar também nas respostas à crise do Financiamento Sindical. Para além de um criterioso estudo de racionalização econômica, precisamos refletir sobre alternativas organizativas que monetizem uma base que já possuímos, para responder ao problema financeiro pelo fortalecimento dos laços com nossa base. Dado o exponencial crescimento dos últimos 10 anos, o sindicalismo classista se depara com uma realidade nova em três aspectos: 1) uma base social maior, no campo e na cidade, cerca de 10% das entidades sindicais do país; 2) as mudanças tecnológicas que afetam em profundidade o mundo do trabalho; 3) o ataque sem precedentes contra a organização sindical. É preciso um estudo abrangente sobre a composição do proletariado brasileiro, as mudanças do seu perfil, sua subjetividade e a nossa maneira de nos relacionarmos com a nossa classe na nova realidade, que de acirramento a luta de classes e ofensiva da direita.
Diante de tais problemas, exige-se da vanguarda para a Classe uma praxis virtuosa. Segundo nosso 4º Encontro Sindical, isso passa por superar a pirâmide invertida:
A pirâmide invertida (muitos militantes na cúpula sindical e poucos na base) acaba sendo o caldo de cultura para o burocratismo sindical, para o espírito de rotina e o rebaixamento do trabalho sindical. Esse engessamento da vida partidária e sindical afunila os espaços para o surgimento de novas lideranças e estimula a prática da reeleição indefinida dos mesmos dirigentes. Em alguns casos, esse fenômeno gera fadiga de material, desgaste na base e mesmo derrotas eleitorais”.
A torre de marfim em que se rodiziam as principais funções – geralmente em mãos masculinas – nas direções sindicais, ironicamente também nos distancia de nossa base, é topo e fim de carreira, impede a existência de uma corrente de opinião nítida da Classe Trabalhadora, assim como uma base eleitoral que nos assegure a legalidade e maiores espaços à disputa da hegemonia. Por isso o projeto CTB é decisivo, um passo adiante na consciência da classe para si, um processo que carece da direção comunista consciente, de prioridade e investimento.
A busca da unidade das centrais sindicais evidenciou limites, divisões e problemas que terão novos contornos com a mudança geral promovida pelo ataque ao movimento sindical. Devemos nos preparar para as mudanças nas categorias e entidades, sem temor de avançar como força organizada. É essa perspectiva estratégica de reforço dos laços com a Classe que deve animar o movimento sindical classista para estreitar seus laços com o movimento juvenil e de mulheres numa ofensiva consciente para a ação na juventude trabalhadora, em especial em categorias-chave.
*Milita em Brasília. Sociólogo e Bancário, é egresso da UJS

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O PCdoB, a juventude e a Classe Trabalhadora - I - Paulo Vinícius Silva - Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB

Tribuna de Debates do 14º Congresso do PCdoB
Juventude e Classe Trabalhadora, o PCdoB e o Projeto Nacional de Desenvolvimento - I
(Título original).

PAULO VINÍCIUS SANTOS DA SILVA


Na medida em que vençamos o golpe, o PCdoB chegará ao seu centenário vitorioso. Ainda assim, no momento atual, é notável o rol de vitórias que acumulamos, haja vista termos enfrentado incomparáveis pressões para nos afirmar na vida brasileira. A formação do núcleo marxista-leninista na Conferência da Mantiqueira, em 1943, marca um ponto de partida, uma visão nacional própria, que se prova na crise do movimento comunista do 20º Congresso do PC soviético, em 1956. Da Carta dos Cem, outra vez pequenino, sem a URSS; depois, sangrado no Araguaia, nos Estados, na Lapa, mantendo a bandeira do socialismo mesmo com a queda do Leste, quem diria, foi exatamente essa raiz que sobreviveu. São, afinal, os, as comunistas do Brasil.

Representamos os comunistas na urna eletrônica em todo o território nacional. Fizemos muito pelo Brasil, através dos governos de Lula e Dilma. Com Flávio Dino e o povo do Maranhão travamos uma Histórica batalha do desenvolvimento e da democracia. Somos o Partido das líderes mulheres. No que pese o inclemente tiroteio, somos reconhecidos pelo trato republicano e ético e podemos olhar o povo olhos nos olhos. O PCdoB foi o primeiro a denunciar o golpe contra a Presidenta Dilma e a hastear a bandeira das Diretas Já, mas defende seja levantada por uma Frente Ampla. Estamos firmes na luta, em defesa do Brasil, da Democracia e dos direitos do povo.

Dois êxitos importantes, após o fim da Ditadura de 1964, foram a criação da União da Juventude Socialista e da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, feitos dos comunistas, mas também resultado do apoio de aliados e de lideranças independentes. Têm especial importância nesse desafio de ligar o Partido às massas. São organizações amplas, de luta, da juventude e da classe trabalhadora, e classistas. A direção nelas se exercita pela política justa, combativa e capaz de unir amplas massas do povo, não se faz por decreto, e obedece sua institucionalidade autônoma própria, estutária. A CTB tem sentido especial para o Partido da classe trabalhadora, é nosso maior legado orgânico após 2003, e alcançou grande dimensão.

São esses movimentos escadas para a consciênca popular ascender da luta corporativa mais simples, pelo salário e pela saúde no trabalho, pela solidariedade, pela liberdade e contra qualquer discriminação. São como colunas do lastro de classe de nosso Partido: a juventude filha da classe e a própria classe trabalhadora. Contém em seu seio as mulheres, o movimento negro e comunitário, a luta pelo respeito à diversidade. São os espaços de formação das lideranças intermediárias e de base a fisionomia e o modo de fazer política do PCdoB.

Mas é nesses espaços que enfrentamos desafios à expansão partidária e à nossa afirmação eleitoral que constituem a própria defesa da nossa legalidade. E é a partir desses espaços que devemos dar resposta ao dilema e ao escândalo que nos causa o avanço das posições de extrema direita entre jovens e trabalhadores e a nossa forma de organizar-nos é parte da resposta. Aqui também se explicitam dois graves gargalos que tem impedido o avanço da ligação do Partido com o povo, que ocorrem num momento da vida dos e das militantes quadros intermediários: na juventude, quando da passagem da condição estudantil para o mundo do trabalho; entre trabalhadores(as), quando precisamos projetar as lideranças consolidadas para a sociedade como um todo, e em especial a política eleitoral.

Nos dois casos, formamos as lideranças até um certo momento, e depois há um desvio movimentista que prejudica a militância, a liderança e mesmo os projetos de vida. Muitos se perdem, infelizmente. E uma grande parcela, precarizada, terceirizada, informal e desempregada fica sem política, e são parte cada vez maior da classe trabalhadora. Solucionar esse gargalo significa ter mais tempo na formação desse contingente e a ampliaçao de nosa ligação com o povo.

Nosso projeto juvenil exclusiviza a luta estudantil. À militância juvenil falta o coroamento da juventude socialista: o ingresso no mundo do trabalho e na vida adulta. É a hora da opção de ser comunista, que poderá ser perene, ou perder-se. Uma efetiva ligação com o povo se faz com o tempo, com a vida, a partir de uma disciplina pessoal e coletiva que estimule uma vida mais completa e sustentável como coluna para uma consciência e ações livres. É a liberdade que a profissão, o trabalho e a saúde conferem.

O ideal do e da militante comunista na juventude deve ser uma vida completa, autônoma, que lhe permita exercer sua opção ideológica por toda a vida. Há que responder à incômoda pergunta de Renato Russo: “O que você vai ser quando você crescer?” para ter independência necessária e manter a ideologia adquirida ainda na escola, na universidade. Esse enfoque é necessário e contribui para o sentido de viver e lutar, elemento subjetivo destacado para o resgate da juventude exposta a fenômenos como a dependência química, a violência e a pobreza.

Só uma parte da militância terá atividade política integral, e deve ser uma minoria. Muito mais gente deve ser do Partido no meio do próprio projeto de desenvolvimento, na sociedade, pelo trabalho, com diferentes contribuições à causa a partir do lugar de cada um(a) no mundo. E a arte é fazê-lo de modo a ampliar nossa vinculação com amplas massas do povo. Ou seja, vida militante real na vida real, tarefas correspondentes às categorias de pertencimento (filiados(as), militantes e quadros) e uma vinculação profunda com o povo brasileiro.

Assim, a juventude que trabalha, que estuda, que nem trabalha nem estuda, do campo, da cidade, da periferia, a juventude negra, vítima diária do estado policial desde a escravidão, a maioria proporcional de desempregados, as jovens mulheres que lutam contra o machismo, essa geração vem encontrar no nosso Partido uma escola de formação política e de vida. Face a essa diversidade, o trabalho da UJS não pode terminar na luta estudantil, deve desenhar um capítulo novo à juventude, e formar seus melhores filhos e filhas para a Classe Trabalhadora, estimulando que floresçam por toda a vida as convicções semeadas nas lutas desde o grêmio estudantil. Por isso, também, há que romper com uma visão estanque que não estabelece a continuidade de laços entre a juventude e a classe trabalhadora e entre a educaçao e o trabalho.

Indicações preciosas ao nosso trabalho juvenil foram dadas por Che Guevara - que há 50 anos deixou a vida, mas jamais deixou nossa luta. Ele dizia que

“coloca-se para todo(a) jovem comunista ser essencialmente humano, ser tão humano que se queira chegar ao melhor do ser humano, purificar o melhor do ser humano através do trabalho, do estudo, do exercício da solidariedade continuada com o povo e com todos os povos do mundo”. E “lutar para melhorar, por ser primeiro lugar. Claro que todos não podem estar em primeiro, mas sim estar entre os primeiros(as), no grupo de vanguarda. Ser um exemplo vivo, ser o espelho em que se mirem os companheiros(as) que não pertençam às juventudes comunistas”.
14º Congresso da UJS, junho de 2008, em São Paulo

É a esse desafio mais completo que somos chamados, a uma formação integral, poder lutar pela vida inteira, no trabalho, no desevolvimento brasileiro. Um passo adiante no projeto da UJS após o Relançamento. Precisamos de uma juventude que tenha como consignas estudar, trabalhar e lutar por toda a vida, e ser felizes com a nossa luta. Isso não guarda contradição, mas impulsiona a conquista de mais espaço não só nas entidades, mas na sociedade e na vida política do país. É uma das tarefas da Revolução Brasileira.

Seguiremos com a reflexão em artigo voltado ao debate sobre a Classe Trabalhadora.

Paulo Vinícius Santos da Silva – Milita em Brasília. Sociólogo e Bancário, é egresso da UJS e membro da Executiva Nacional da CTB e do Sindicato dos Bancários de Brasília.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Seminário das Juventudes Partidárias na Câmara dos Deputados debaterá a 2ª Conferência Nacional de Juventude nesta quarta, 05/10


No dia 5 de Outubro haverá em Brasília o Seminário das Juventudes Partidárias que irá debater a 2ª Conferência Nacional de Juventude.
O seminário discutirá e apontará diretrizes unitárias para a 2ª Conferência Nacional de Juventude e, se possível traçará uma agenda para os debates sobre Reforma Política e os marcos Legais das PPJ, em especial o Estatuto da Juventude.

O Seminário reunirá as juventudes partidárias do campo democrático popular JPT/JSPDT/JSB/UJS/JPL/JPMDB, e tem por objetivos:

  • Contribuir para o debate político e os desafios da 2ª Conferência Nacional de Juventude
  • Debater o papel da juventude e sua importância para o desenvolvimento do país;


  • Discutir o protagonismo juvenil em meio às discussões da reforma política e dos marcos legais.
  • Fortalecer a temática juvenil impulsionando a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude.
A juventude precisa afirmar ainda mais o seu direito de participar como sujeito estratégico do projeto de desenvolvimento nacional, o que exige avanços no Marco Legal da Juventude, com a aprovação do Plano Nacional e do Estatuto da Juventude, em tramitação no Congresso Nacional. 

É fundamental que 2ª conferência defina quais são os direitos da juventude, as políticas e programas prioritários para garanti-los, além de apontar mecanismos de participação, assegurando o envolvimento do maior número possível de jovens brasileiros, respeitando sua pluralidade e incluindo as comunidades tradicionais.

O interesse da juventude deverá ser debatido de acordo com sua importância perante o desenvolvimento do país. Assim, defenderá propostas relacionadas à Educação e Cultura, como: o primeiro emprego, 10% do Produto interno Bruto (PIB), 50% dos recursos do fundo social do pré-sal e Banda larga.

A 2ª Conferência Nacional de Juventude acontecerá entre os dias 9 e 12 de dezembro de 2011 em um cenário repleto de novos desafios. A Conferência será norteada por três temas principais: Juventude - Democracia, Participação e Desenvolvimento Nacional; Plano Nacional de Juventude: prioridades 2011-2015; e Articulação e Integração das Políticas Públicas de Juventude. 


Programação


Data: 05/10/2011
Local: Auditório Freitas Nobre - Câmara dos Deputados - Brasília - DF


09:00h - Reforma Política, marco legal das PPJ, direitos e participação juvenil;


Henrique Fontana, relator da Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados;
Manuela D'ávila, relatora da Comissão Especial do Estatuto da Juventude;
Domingos Neto, presidente da Frente Parlamentar da Juventude;
Severine Macedo, Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal;

15:00h - Juventude e o Projeto Nacional de Desenvolvimento

Ângela Guimarães, Secretária-adjunta da SNJ e coordenadora da 2ª Conferência Nacional de Juventude
Daniel Iliescu, Presidente da UNE;
Gabriel Medina, presidente do CONJUVE;
Representante do IPEA;
Renato Meireles, Diretor do DataPopular;

Coordenação: JPL e JPDT

Sistematização: JPT e UJS.


Fonte: UJS (www.ujs.org.br)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Renato Rabelo, Presidente do PCdoB: É urgente a luta por uma nova ordem, o socialismo!

Renato Rabelo: É urgente a luta por uma nova ordem, o socialismo! - PCdoB. O Partido do socialismo.


O sistema capitalista e o modelo neoliberal, vigente nas últimas décadas, entraram em um grande impasse, desmoralizando seus apologistas que pregavam sua infalibilidade. Especialmente após a crise econômica e financeira desencadeada a partir de meados de 2007, com epicentro no sistema financeiro dos Estados Unidos, evidenciam-se os limites históricos do capitalismo.É mais nítido do que em qualquer outro período histórico o abismo que separa o capitalismo e o imperialismo das aspirações da humanidade, e torna-se indispensável e urgente a luta por uma nova ordem internacional e por um novo sistema econômico e social – o socialismo. O capitalismo não é uma formação política, econômica e social eterna.

Cada vez mais os povos e os trabalhadores se aproximarão da encruzilhada histórica: capitalismo – com suas crises e guerras – ou um sistema social superior, cuja alternativa é o socialismo. Neste sentido é essencial extrair ensinamentos das experiências vividas.

Temos convicção que uma das grandes lições que se deve extrair das primeiras experiências de construção do socialismo no século 20 é a ideia de que não há modelo único de socialismo, nem caminho universal de conquista do poder político. As revoluções vitoriosas do século passado, cada uma delas – na Rússia, na China, no Vietnã, em Cuba – seguiram caminhos próprios.

Cada povo e cada força revolucionária construirão seu próprio rumo ao socialismo, e construirão este sistema de acordo com sua realidade nacional. De um modo geral, a correlação de forças prevalecente no mundo ainda é estrategicamente desfavorável do ponto de vista do amadurecimento das condições para as lutas pela superação revolucionária do capitalismo, da construção de uma nova sociedade.

No entanto, importantes transformações políticas que vêm marcando a conjuntura internacional indicam que se estão processando avanços na situação mundial que melhoram as condições para lutar e que se intensifica a acumulação revolucionária de forças.

A luta anti-imperialista assume maiores dimensões, aparece como a marca da época, tendência capaz de mobilizar grandes contingentes, de desatar energias criadoras e revolucionárias dos povos.Em nosso país, o Partido Comunista do Brasil, PCdoB, orientado pelo seu programa, está convicto que a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento é o caminho brasileiro para o socialismo.

Um projeto nacional que fortaleça a economia nacional, promova o desenvolvimento social do povo brasileiro, amplie a democracia e as reformas estruturais como a reforma agrária, a reforma urbana, a tributária, a reforma política e da educação entre outras, e promova a integração das nações sul-americanas e a solidariedade internacional. Por isso, o PCdoB tem contribuído para construir alianças necessárias para as transformações avançadas no sentido democrático, progressista e popular.

Temos dado um aporte significativo para os êxitos do novo período político nacional, aberto com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e continuado com a vitória da primeira mulher para a presidência da República em 2010. O Novo Projeto Nacional deu seus primeiros passos com o ex-presidente Lula, e nossa luta é que avance agora no governo Dilma Rousseff. Mas, a luta pelo socialismo, só vai prosperar em nosso país se houver uma esquerda forte e um PCdoB cada vez maior e influente.

O PCdoB é um partido de vida e ação permanente, que trata do aperfeiçoamento partidário constantemente, avançando na organização de sua militância. O Partido mantém uma escola nacional de quadros onde tem formado militantes e lideranças para a atividade política, teórica e partidária. A doutrina, a política e os objetivos do partido estão definidos em seu programa Socialista e em seu Estatuto partidário.

Após o episódio emblemático da queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética, levando à apostasia uma grande leva de partidos comunistas e socialistas no mundo, o PCdoB, ao contrário, reavivou sua identidade comunista e atualizou seus princípios revolucionários, anti-imperialistas e anticapitalistas.

O Partido também apoia a publicação de uma revista teórica e de informação – a Princípios -- que completou 30 anos, divulgadora das ideias marxistas e progressistas, com uma extensa rede de colaboradores em todos os domínios do conhecimento científico e cultural de nosso país. O site Vermelho, sob direção do PCdoB, é hoje um conceituado espaço de difusão e debate de ideias avançadas, propagador do programa partidário, por duas vezes campeão do premio IBest.

O PCdoB tem bancadas parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, que gozam de respeito e influência, sendo seus parlamentares chamados a contribuir em temas relevantes e em momentos decisivos, numa demonstração de suas capacidades e experiência. Na crise mais aguda do então governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, Aldo Rebelo foi chamado a disputar a presidência da Câmara dos Deputados, porque na base do governo é quem reunia melhores condições para afastar a ameaça da vitória da oposição.

O Partido Comunista vai assim ocupando espaços políticos importantes, na área do esporte como fator de inclusão social e na conquista de dois importantes eventos mundiais como a Copa do Mundo de futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016. Na formulação de um novo marco regulatório para a exploração do petróleo com a importante contribuição da Agencia Nacional de Petróleo.

Na área da Cultura, com os Pontos de Cultura, do cinema nacional, na Ancine e na área da Ciência e da Tecnologia, com o trabalho feito na Finep e agora no Conselho Nacional de C&T. Além do trabalho em nível federal, são muitas as contribuições de lideranças comunistas em prefeituras e governos estaduais.

O PCdoB não mudou de trincheira e ousa lutar! Está empenhado na organização dos trabalhadores e contribui na construção da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB – lutando pela unidade em mobilizações conjuntas e concretas do movimento sindical brasileiro. No âmbito dos jovens, parcela significativa da população brasileira, o PCdoB é força dirigente da União da Juventude Socialista – UJS – organização nacional fundada há mais de duas décadas, com 120 mil filiados.

A UJS tem papel protagonista entre os estudantes universitários e secundaristas, mantendo a UNE e a UBES como entidades únicas dos estudantes, em defesa dos seus direitos e anseios, com diretorias plurais compostas de representantes de vários partidos. O PCdoB também tem uma atividade destacada entre as mulheres, onde o Partido organizou a União Brasileira de Mulheres – UBM – entre os que lutam contra as discriminações e manifestações de racismo – UNEGRO e tem significativa militância em defesa da causa das minorias indígenas do país. A situação do Brasil atual é insólita e favorável para as forças democráticas e populares.

O governo Dilma inspira confiança e esperança, com a emergência de setores médios e na elevação da autoestima do povo. O desafio maior do novo governo, entretanto, consiste em manter relativamente unida a ampla base política, heterogênea, em torno do avanço democrático, nacional e popular, em cujo centro esta o PT, e ser independente na formulação de uma política econômica que mantenha um crescimento acentuado e contínuo, voltada para os interesses nacionais e do povo.

Duas grandes tarefas se colocam:
1) fortalecer a coalizão de governo, superando práticas hegemonistas e exclusivistas para o êxito da frente governista; 
2) redirecionar a política macroeconômica, por uma orientação desenvolvimentista e de progresso nacional e social.


Publicado originalmente na Caros Amigos

Coletivizando no Youtube