SIGA O COLETIVIZANDO!

Mostrando postagens com marcador Stalin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stalin. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de março de 2024

Especial, pevezando -> Frente Ampla e Unidade Popular para unir o Brasil e vencer o fascismo - Paulo Vinícius da Silva



8 de janeiro de 2023, Brasília, retomada simbólica do Planalto

Os três grandes: Stalin, Roosevelt e Churchill

George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo - Pedro Oliveira 

E a defesa de Dimitrov contra Goring e Goebbels (em inglês)- Portal Vermelho
George Dimitrov, herói dos trabalhadores e da luta contra o nazifascismo


Xi Jinping: Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade - Discurso completo em Davos - Portal Vermelho




Conversa Afiada com o saudoso Paulo Henrique Amorim e João Vicente Goulart: Por que Jango não resistiu? Como Jango pôde aceitar a Frente Ampla com Lacerda?



Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da Silva (1)


A unidade é a bandeira da esperança.
João Amazonas





Frente Ampla e Unidade Popular? Paulo Vinícius 'da Silva (2)

Si vis pacem, para bellum. Se quer paz, prepare-se para a guerra.
Provérbio latino


Coletivizando: Frente Ampla e Unidade Popular! Paulo Vinícius da Silva (3)
"O fascismo no Poder (...) é a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro." E ainda: "O fascismo é o Poder do próprio capital financeiro. (...) É preciso salientar de modo especial este caráter verdadeiro do fascismo porque a dissimulação da demagogia social deu ao fascismo, numa série de países, a possibilidade de arrastar consigo as massas da pequena burguesia desajustadas pela crise, e até alguns setores das camadas mais atrasadas do proletariado que jamais seguiriam o fascismo se tivessem compreendido seu verdadeiro caráter de classe, sua verdadeira natureza." (Dimitrov)



Aldo Arantes: Frente de esquerda ou Frente ampla? -PCdoB 


De fato aí reside a divergência central de nossas opiniões. Enquanto Altman nega as alianças feitas por Lula e Dilma considero que o erro não esteve nas alianças mas sim em não compreender seu caráter transitório. E, em função disto, não ter se preparado para quando elas não mais interessassem às partes.

Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição


O Brasil vai votar Lula Lá - versão de Fischia il vento e Katiusha, canções da resistência ao nazi-fascismo - Paulo Vinícius da Silva

João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB - Ricardo Abreu (Alemão)

Amazonas observa que “é preciso estabelecer o limite da fronteira, no campo ideológico, para abordar a luta pela unidade do proletariado mundial”.

O oportunismo de direita, para Lênin, é a política reformista de conciliação de classes, a subordinação dos objtetivos maiores de emancipação dos trabalhadores aos objetivos menores e imediatos.

Logo a seguir, no texto que estamos analisando, Amazonas cita dois casos concretos de traição à classe operária e ao movimento comunista, “o Partido da ‘Sinistra’, da Itália [surgido da dissolução, pela maioria, do antigo Partido Comunista Italiano] e, no Brasil, do “Partido Popular Socialista [PPS], herdeiro do Partido Comunista Brasileiro [PCB], que renegou os símbolos, o marxismo-leninismo; e se tranformou em um partido de traição aberta ao comunismo”.


Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá! Paulo Vinícius da Silva




Lamentavelmente, é um pensador pouco compreendido, diria até desconhecido, assim me parece, e isso a despeito do monumental esforço de popularização e compilação de sua obra feito por Stalin após a sua morte. Por isso, superficialmente, como estímulo ao seu estudo, e para sistematizar minhas próprias opiniões, cito o que penso aspectos essenciais no pensamento revolucionário de Lênin.

Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius da Silva
Crítica e autocrítica são coisas de comunista. Rogério Lustosa definiu como nos relacionamos com a crítica e autocrítica. Dizia: "nós devemos ser os mais severos críticos de nossos próprios erros". Longe de indesejável, esse processo é ápice, é o controle dos resultados pelo próprio coletivo, é quando operário(a) e jovem pode questionar de igual para igual dirigentes e líderes partidários. As direções todas, eleitas de baixo pra cima, também todas hão de ser avaliadas no processo normal do Centralismo Democrático, o funcionamento do PC.







Roda Viva | Marcelo Gleiser | 11/03/2024


O Roda Viva recebe o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser. "O despertar do universo consciente: Um manifesto para o futuro da humanidade" é o título do novo livro de Gleiser, que une física, filosofia, biologia, química, religião e muito mais para questionar: como estamos nos relacionando com o planeta? O que é preciso fazer para salvar nossa civilização? O lançamento da obra está marcado para o dia 12 de março no Rio de Janeiro e dia 14 em São Paulo. Mas antes o autor estará no Roda Viva!



quinta-feira, 15 de junho de 2023

Apenas começamos - Paulo Vinícius da Silva e Flauzino Antunes




E nossa história não estará

pelo avesso, assim, sem final feliz:

teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver,

temos muito ainda por fazer.

Não olhe pra trás, apenas começamos.

O mundo começa agora.

Apenas começamos. (Metal contra as Nuvens, Legião Urbana)


É longa e complexa a História dos Comunistas nas suas relações com o povo. Também no Brasil, os 101 anos de nossa existência foram marcados por, ao menos, 65 anos de ilegalidade. Comunistas de envergadura, com compromisso absoluto com o nosso povo, estivessem no PCB, PCdoB, MR8 ou na AP, viram-se bloqueados pela Ditaduras em seu contato com o povo, com a classe trabalhadora, com a juventude e a intelectualidade. Esse contato com o povo é tão importante que Kim Il Sung dizia: “O povo é o nosso Céu”. 


A Política é muito mais ampla que o estado, o governo, os mandatos, e não se reduz à institucionalidade. O fascismo se levanta precisamente quando a burguesia manda às favas seu “compromisso” com a democracia, e por isso bloqueia nosso contato com o povo, por propaganda, por mentira, por ditadura, por lei. Transformar democracia e institucionalidade burguesas em democracia popular exigirá muito mais que uma participação minoritária em um ou vários governos. 

A questão central é a nossa relação com o povo, e a Classe Trabalhadora é universal, diversa, é a coluna vertebral da Nação e do Povo Brasileiro. Daí ser essencial perguntarmos: que Classe Trabalhadora é essa de quem pretendemos ser vanguarda.


Quem é a Classe Trabalhadora?

A geração que compunha o bônus demográfico em 2012 e que engrossou as manifestações de 2013 continua em 2023 como a grande maioria da População Economicamente Ativa - PEA -, e imensa participação no mercado de trabalho nacional, tendo sofrido os impactos da regressão trabalhista. Atualmente, a PEA conta com 107.127.000 pessoas (abril/23), de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc)(1) do IBGE. A População Ocupada - PO - conta  98.031.000 de pessoas e a População Desocupada - PD - tem cerca de 9.095.000 de pessoas. Ou seja, 8,48% da PEA estão em desocupação plena. 

É preciso ver com maior atenção o universo daqueles que perderam seus direitos e que enfrentam as maiores dificuldades, num quadro em que o setor formal da economia tem a marca do empobrecimento, das perdas salariais e inflacionárias decorrentes da destruição da negociação coletiva e do fim da política de valorização do salário mínimo. No universo da População Ocupada, 35.943.000  pessoas trabalham na informalidade, sem carteira assinada. Somados à População Desocupada, chegam a 45.038.000. Essa fotografia ainda não traduz a situação. Quando somamos a esse conjunto as pessoas desalentadas - 3.769.000 - e as pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas - 5.053.000 - chegamos  a quase 54 milhões (2) de trabalhadores e trabalhadoras na precariedade, informalidade, no desemprego, e ainda faltam muitos invisibilizados pela mais extrema miséria! É nesse universo, considerados como Ocupados, que estão os informais e os trabalhadores de aplicativos! Assim, 50,27% da População Economicamente Ativa vive um presente sem direitos e pode acabar num futuro de vulnerabilidade e pobreza.


Ainda de acordo com a PNADc, fazendo um recorte geracional, verificamos que as pessoas de 18 a 39 anos, são  65,1% da População Desocupada. Segundo a economista Marilene Oliveira, com dados do primeiro trimestre de 2022 (3), a juventude entre 20 e 29 anos contava com 47,8% entre os trabalhadores informais. Mas a pesquisadora nos informa que o recorte etário de 20 aos 49 anos compõe  68,4% de todos os informais. Assim, a geração de jovens de que saíram às ruas em Junho de 2013 e seus filhos compõem hoje a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras sem direitos, previdência, sem amparo algum. Não é à toa estar aí a maior distância dos partidos e sindicatos! É essa maioria da classe trabalhadora, sem direitos e organização que, curiosamente, merece a atenção da indústria cultural, das igrejas do pentecostalismo de negócios, e mesmo das milícias, do narcotráfico e das bigtecs que, assim, promoveram o sequestro da identidade de classe da maioria dos trabalhadores, comprometendo o futuro do Brasil. Esse é o campo aberto para a propaganda fascista.


Mas a tragédia não se resume aos precarizados(as), desempregados(as) e informais. Ao analisar os trabalhadores formais, vemos a fragilidade gritante decorrente da perda de representação sindical, expressa nas taxas de sindicalização em sua baixa contínua ao longo dos últimos anos. Em 2020, três anos após a Deforma Trabalhista, o Brasil de Fato já noticiara que:

“entre os anos de 2012 e 2019, os sindicatos perderam cerca de 3,8 milhões de filiados no Brasil. Desse modo, em 2019, das 94,6 milhões de pessoas ocupadas no país, apenas 11,2%, ou seja, 10,6 milhões de trabalhadores, eram filiados a um sindicato, de modo que esta é a menor taxa de sindicalização desde 2012, quando 16,1% dos trabalhadores brasileiros eram sindicalizados”. (4)


Veja os quadros comparativos por agrupamento de atividade econômica e por região:

Em 2019, tínhamos apenas 11,2% sindicalizados e 88,8% de não sindicalizados, considerando toda a população ocupada. Ora, é amplamente sabido que a filiação sindical se dá no âmbito da formalidade, e não do total da população ocupada, então o dado é melhor. Mas a realidade é que representamos uma pequena parcela, cerca de 11% de toda a população ocupada, no melhor cenário.

A unidade é indispensável, desde as centrais até os sindicatos. Colocar a pirâmide sobre sua base de trabalhadores é inadiável, mas não basta, pois trazer os formais para os sindicatos é apenas um primeiro passo para que possamos atingir toda a classe e em especial a parcela mais jovem e sem qualquer direito.

É a partir desse distanciamento do movimento sindical de quem deveria representar que se baseiam as teses da pulverização dos interesses da classe e da falta de futuro do movimento dos trabalhadores(as). Representando uma minoria da Classe, decrescem as lideranças e os resultados eleitorais da bancada trabalhista. Daí, também decorre o senso comum, de que essa relação com o povo seria “mediada” pelos movimentos sociais, sem lastro de classe, e a partir da incorporação desses movimentos pela representatividade no estado e nos governos, a partir de “políticas” públicas.

Em verdade, se formos olhar de frente a Classe Trabalhadora como um todo, nela encontraremos a raça, o gênero, todas as diversidades, mas o inverso não é verdadeiro. Não há histórico de uma revolução socialista liderada pelos “movimentos sociais”. A História ilustra o inverso, a centralidade do trabalho como mote para a representação e a inclusão da  totalidade do povo na construção da Nação, com a marca indelével do leninismo. É preciso resgatar esses ensinamentos.


"Ligação com as massas como condição fundamental para o trabalho dos sindicatos" (5)

As principais lições de Lênin quanto aos movimentos sociais e à ação dos comunistas são relativamente simples, até, se não as ignorarmos. 


Primeiro, o movimento social, se é o fim em si mesmo, não chega a lugar nenhum. O movimento social que não se vincule à classe revolucionária, trabalhadora, sem a perspectiva generalista da luta do poder, perde-se. Lênin não fez essa crítica ao movimento negro, nem ao movimento LGBTQIA+, à juventude, ou ao movimento das mulheres. Tal crítica foi dirigida com inaudita dureza ao movimento sindical, o movimento da classe trabalhadora, e em especial à sua direção, no célebre e mal citado livro “Que Fazer” (“Sonhos, acredite neles”, aff…) e em outras obras. 


A segunda lição, daí decorrente, é o papel imprescindível da consciência comunista avançada e organizada, sem cuja direção, sem cujo trabalho de base, sem cuja ligação com o povo, com os não comunistas, não há vanguarda de nada, nem de ninguém. A perspectiva do poder só pode vir “de fora”, ele dizia.  Mas esse “de fora”, para dirigir, para ser vanguarda, essa consciência precisa ser feita do mesmo povo que se quer dirigir, viver o que se predica. É preciso ir sempre ao imenso manancial do povo, não ficar fechados em nós mesmos.


Ou seja, guiados pelo espontâneo, pelo corporativo, pelos interesses do momento, guiados por indivíduos não se chega à CONSCIÊNCIA, nem ao PODER. É essa força da maioria do povo que permite chegar, manter e transformar o poder de Estado. Por isso, o rabo não deve balançar o cachorro. O espontaneísmo e o pragmatismo prometem vitórias, mas não as entregam. 


Além disso, há a importância da questão nacional, especialmente nos países da periferia do capitalismo, as colônias de ontem e de hoje, para quem o tema tem um sentido bastante distinto do nacionalismo burguês. Recentemente, sofremos muito com o abastardamento da Bandeira Nacional, já denunciado por castro Alves no poema O Navio Negreiro: 

“Existe um povo que a bandeira empresta

P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!..(6)


Arrancar esta bandeira da mão dos traidores é indispensável, mas não é mero ato simbólico, é o resgate material e espiritual de nossa Nação humilhada. Essa responsabilidade é da classe trabalhadora, em primeiro lugar. Há que lembrar de outra contribuição, do mais fiel seguidor de Lênin, ensinamento que pudemos viver na pele nos últimos anos…Em seu último discurso público, no XIX Congresso do PCUS, em 1952, alertava Stalin: 

Antes, a burguesia julgava-se líder das nações, cujos direitos e independência defendia e colocava “acima de tudo”. Hoje não resta um vestígio sequer desse “princípio nacional”: a burguesia vende por dólares os direitos e a independência das nações. A bandeira da independência e da soberania nacionais foi jogada fora. Não há dúvida de que cabe a vocês, representantes dos partidos comunistas e democráticos, recolhê-la e conduzi-la adiante, se vocês querem figurar como os patriotas de seus países e tornar-se a força dirigente das nações. Não há mais ninguém que possa fazê-lo. (7)


O sofrimento nacional, longe de dividir a nossa gente, precisa aproximá-la. A Nação é a Classe Trabalhadora, é o nosso povo.  Apenas uma visão consciente do movimento, a sua firme adesão aos interesses maiores da classe universal produtora da riqueza construída pela humanidade, defendendo o internacionalismo a partir de nossa Nação em perigo, de nosso povo tão judiado, só desta maneira atingiremos a libertação nacional, a ruptura com o jugo do imperialismo e a construção da verdadeira Nação - que é seu povo. Em um mundo em crise, não percamos a ambição de ver com nossos próprios olhos a primeira etapa da transição ao socialismo. Sim, com as características de hoje, com a classe na sua diversidade, mas jamais um voo de galinha face a um abismo.

Por que não somos eleitos? Se nossa relação com a classe trabalhadora legitimar a liderança, o voto, a defesa e a vitória face aos ataques à Nação e aos direitos da classe trabalhadora, só se essa relação ganhar força nas ruas e nas redes poderemos projetar uma representação eleitoral à altura dos desafios de assegurar o êxito do nosso governo, a vitória da Democracia e o resgate do Brasil aviltado. Será preciso vencer nas ruas e nas redes, e para isso, é preciso um giro em direção à Classe Trabalhadora real.

Mesmo já tendo conquistado o poder, em 1922, Lênin advertia ao movimento sindical classista do primeiro país aonde a Classe Trabalhadora chegou ao poder:

“Um dos maiores e mais terríveis perigos para um Partido Comunista, numericamente modesto, e que na qualidade de vanguarda da classe operária dirige um enorme país que efetua (no momento sem gozar ainda do apoio direto dos países mais adiantados) a transição para o socialismo, é o perigo de ficar afastado das massas, o perigo de que a vanguarda avance demasiadamente longe sem “a frente estar alinhada”, sem conservar uma estreita ligação com todo o exército do trabalho, isto é, com a imensa maioria da massa operária e camponesa."(5)

Isso foi dito com os bolcheviques já no poder… Imagina nós, que estamos só na beira… Imagina se o perigo for ficar atrasado e alheio ao sofrimento do povo…


Lutar desde Brasília é muito duro. Somos pequenos e assumimos imensa responsabilidade de representação nacional. Doeu, sermos porta-vozes de ameaças vãs aos poderosos, enquanto avançava o Golpe; ver o vácuo que sustentava nossos inflamados discursos. Não foi sempre assim, e precisamos estar conscientes de que as marchas de junho de 2013 ainda hoje não foram compreendidas profundamente. Já sabemos, contudo, que elas foram a eclosão da Guerra Híbrida, sob a direção do imperialismo estadunidense e a partir da traição de elementos apátridas, desmoralizados e corruptos, num contexto de revolução tecnológica, da internet, das redes sociais e da telefonia. Se olharmos nossa Classe Trabalhadora real, miraremos a geração que participou de tais protestos, e reconheceremos a pá de cal lançada sobre nossas esperanças, a tragédia imposta ao nosso maior bônus demográfico e, talvez, o comprometimento do futuro do Brasil. 


Aqueles eventos marcaram uma ruptura ainda atual entre a direção nominal da juventude, dos estudantes e da classe trabalhadora e seus representados. Desde então, abriu-se um fosso que só tem se ampliado. Perdas coletivas, de direitos, perda de recursos materiais dos sindicatos, perda de representação política e institucional dos trabalhadores(as); perdas individuais, do emprego, da microempresa, do nome limpo, dos entes queridos, da saúde física e mental, da perspectiva, da família, do direito de amar, do futuro. Cada perda dessas é a falência do Projeto Nacional de Desenvolvimento, que é feito da vida das pessoas. 


E para quem aspira a ser vanguarda da libertação do Brasil, o mais doloroso é a perda do apoio daqueles e daquelas por quem lutamos, a desconcertante solidão de ver o proletariado apontar para a própria cabeça a arma do fascismo. É sob essa luz que devemos enxergar a vitória estratégica da eleição de Lula e Alckmin, graças à Frente Ampla. Só lutaremos com todas as nossas forças e inteligências pelo êxito da missão do Governo Lula (Reconstruir e Transformar o Brasil), se disputarmos a opinião pública, a organização popular, a classe trabalhadora. Há que construir uma trincheira que impeça qualquer derrota e preparar novas vitórias, num mundo mais perigoso e em mudança acelerada. Não é hora de tapinhas nas costas, é hora de trabalho duro, de corrigir os erros, de assentar os alicerces da esperança a partir do instrumento consciente que possa unir e liderar a Classe trabalhadora. Do contrário, como assegurar que não haverá um novo retrocesso?


É preciso lembrar quem somos, olhar nossa classe nos olhos e caminhar para um futuro que só a classe trabalhadora poderá conquistar. Dói a picada, mas o que salva como nossa vacina é libertar o Brasil e construir o Socialismo. Como está no Programa do PCdoB: o Fortalecimento  do Brasil é o Caminho, o Socialismo é o Rumo. E não haverá futuro sem o Sindicalismo Classista Organizado desde a Base, como força motriz do resgate da Classe Trabalhadora.

NOTAS

 1) PNAD Contínua - Divulgação: Maio de 2023 Trimestre móvel: fev-mar-abr/2023 Quadro Sintético - fev-mar-abr_2023.xlsx (ibge.gov.br) <https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Mensal/Quadro_Sintetico/2023/pnadc_202304_quadroSintetico.pdf>

2) 53.860.000 de trabalhadores, grosso modo, reúnem População Desocupada, Setor privado sem carteira, Trabalho doméstico sem carteira, Desalentados, Empregadores sem CNPJ, Trabalhadores(as) Por conta própria sem CNPJ e Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas 

3) O mundo do trabalho e a informalidade - DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar <https://www.diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91166-o-mundo-do-trabalho-e-a-informalidade> 

4) Queda na taxa de sindicalização: o que esses dados falam? André Barreto, 4 de Setembro de 2020, Brasil de Fato <https://www.brasildefatope.com.br/2020/09/04/queda-na-taxa-de-sindicalizacao-o-que-esses-dados-falam>

5) Sobre o Papel e as Tarefas dos Sindicatos nas Condições da Nova Política Econômica - Resolução do CC do PC(b) da Rússia - V. I. Lênin  - 4 de Janeiro de 1922 <https://www.marxists.org/portugues/lenin/1922/01/04.htm> 

6) Castro Alves, O Navio Negreiro, Jornal de Poesia <http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves01.html> 

7) Discurso na Sessão de Encerramento do XIX Congresso do PCUS -  J. V. Stálin - 14 de Outubro de 1952 <https://www.marxists.org/portugues/stalin/1952/10/14.htm>





domingo, 19 de julho de 2020

George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo - Pedro Oliveira - E a defesa de Dimitrov contra Goring e Goebbels (em inglês)- Portal Vermelho


George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo

Ao desmascarar o fascismo – ameaça que continua presente hoje em vários países e inclusive no Brasil –, Dimitrov apresentou uma tática de luta política inigualável.
por Pedro Oliveira

Publicado 19/07/2020 13:03 | Editado 19/07/2020 14:33


Normalmente costuma-se comemorar e relembrar datas redondas relacionadas a grandes líderes e fatos da história da humanidade. Agora mesmo, acabamos de celebrar os 75 anos da Vitória da Guerra Patriótica da União Soviética contra o Nazismo, que na verdade decidiu a II Guerra Mundial, com a realização em Moscou de um grandioso desfile referenciado em uma parada militar igualmente inesquecível, ocorrida em 1945, na Praça Vermelha.

Entretanto, as circunstâncias históricas atuais, tanto no mundo quanto no Brasil, fazem-nos lembrar da luta contra o nazismo e o fascismo, em seus primórdios, quando Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha. Em junho deste ano de 2020, recordamos o nascimento de uma figura emblemática desta luta encarniçada e de grande projeção estratégica para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo: o registro dos 138 anos do nascimento do líder comunista búlgaro George Dimitrov.

Ninguém melhor do que Bertolt Brecht para pontuar este artigo com os versos do seu poema


“Ao Camarada Dimitrov”, quando lutou diante do Tribunal fascista em Leipzig.

———————————————–
“Camarada Dimitrov!
Desde o dia em que lutastes diante do tribunal fascista
a voz do comunismo,
cercada pelos bandos de matadores e bandidos da SS,
através do ruído dos chicotes e cassetetes,
fala bem alto e nítida
no centro da Alemanha.”
————————————————

Na noite de 27 para 28 de fevereiro de 1933, agentes do recém-empossado novo chanceler da Alemanha, Adolf Hitler, sorrateiramente atearam fogo ao Reichstag, em Berlim – o Parlamento do país –, a partir de um local onde as ruas próximas eram vigiadas fortemente pela polícia política do nazismo, e acusaram os comunistas como autores do atentado.

Alguns dias depois, foram presos militantes comunistas, assim como o dirigente e membro do Comitê Executivo da Internacional Comunista e do Comitê Central do PC Búlgaro, George Dimitrov, ao lado de alguns de seus camaradas que estavam na Alemanha. A polícia nazista tomou também a providência de prender um militante holandês, chamado Van der Lubbe.

Dimitrov foi indiciado por ter supostamente participado do plano do atentado ao Reichstag. Na ocasião, foi instaurado um processo jurídico-político – que passou para a história como uma gigantesca farsa nazifascista do Tribunal de Leipzig – para criminalizar os comunistas e desencadear feroz repressão contra as massas populares na Alemanha. Nesse processo, Dimitrov, não aceitou interpostos defensores e assumiu sua própria defesa. Rejeitou o estatuto de réu e transformou-se em acusador do Terceiro Reich e dos seus juízes.


O roteiro da peça farsesca montada pela propaganda hitlerista não havia previsto tal desfecho. Os chefes do Partido “Nacional-Socialista” alemão (NSDAP), sob o comando de Hitler, tinham a convicção plena de que os comunistas haveriam de sucumbir diante da condução do processo instaurado sob precárias condições prisionais e por obstáculos apresentados pelo Tribunal à defesa dos réus. O processo culminou com um julgamento por tribunal, como de fato aconteceu.

Todo o julgamento estava montado para consagrar o novo governo hitlerista e para se transformar num elemento decisivo para a criminalização e perseguição dos comunistas e, por consequência, de toda e qualquer oposição. A transmissão das sessões do Tribunal pelo rádio testemunhava a certeza que o novo governo tinha em relação a um desfecho do processo favorável ao nazismo. Os hitleristas não contavam é com a coragem e a grandeza moral do dirigente da Internacional Comunista.


O revolucionário búlgaro desmontou os alicerces da acusação e desmascarou, uma por uma, as testemunhas apresentadas, mesmo quando duas delas foram nada mais nada menos do que dois dos mais destacados dirigentes nazistas e ministros do Terceiro Reich: Herman Göering e Joseph Goebbels.


O tipógrafo e sindicalista, nascido há 138 anos – completados no mês de junho passado, em Kovachevtsi, uma localidade búlgara — primeiramente confrontou-se com o general do Exército nazista, que perdeu completamente as estribeiras. Göering saiu totalmente desacreditado com sua conduta de acusador. Já o ministro da Propaganda, Gobbels (recentemente imitado por um dos membros do governo Bolsonaro que acabou demitido por seu desempenho grotesco no episódio), nem mesmo recorrendo a toda a sua retórica, foi capaz de levar a melhor perante Dimitrov.

Com argumentos sólidos e firmeza inabalável, o dirigente comunista deixou evidente, aos olhos do mundo, que os nazistas, e tão-somente eles, beneficiavam-se do incêndio do Reichstag, e que o único golpe que se preparava era o de Hitler rumo ao poder absoluto.


————————————————

“(…)Voz que pôde ser ouvida em todas as nações da Europa,

que através das fronteiras ouvem o que vem


do escuro, elas mesmas no escuro,

mas também pôde ser ouvida

por todos os explorados e espancados e


incorrigíveis lutadores

na Alemanha.”

————————————————–


Desta maneira, Dimitrov protagonizou a primeira grande derrota ao nazismo, dentro de seus próprios tribunais, em Leipzig e posteriormente, em Berlim. Com isso, o dirigente comunista deu forte impulso à formação de uma ampla frente antifascista em nível mundial. Foi um grande exemplo dado à juventude e ao movimento operário e sindical para o combate ao pior inimigo dos povos naquela época: o nazismo.

Ao desmascarar o fascismo – ameaça que continua presente hoje em vários países e inclusive no Brasil –, Dimitrov apresentou uma tática de luta política inigualável: a síntese que fez em pleno tribunal da tática dos comunistas representa ainda hoje um lema mobilizador para os revolucionários de todo o mundo: trabalho de massas, luta de massas, resistência de massas, frente única, nenhuma aventura!

Em seu informe ao VII Congresso Mundial da Internacional Comunista, pronunciado em 13 de agosto de 1935, Dimitrov asseverou que os comunistas “são partidários da frente única, defendem, desenvolvem e fortalecem o movimento de frente única, visto que este movimento de frente única é um movimento de luta contra o fascismo e a reação, e será sempre a força motriz que empurra os governos de frente única para lutar contra a burguesia reacionária. Quanto com maior força se desencadeia este movimento de massas, tanto maior será a força que possa oferecer ao governo para lutar contra os reacionários. E quanto melhor organizado pela base, este movimento de massas, e maior seja o número dos órgãos de classe da frente única situados à margem do Partido nas empresas entre desempregados nos bairros operários, entre gente simples da cidade e do campo, tanto maiores serão as garantias que se terão contra uma possível degenerescência da política do governo de frente única”.


—————————————————

“(…) Com avareza utilizas, camarada Dimitrov, cada minuto
que te é dado, e o pequeno lugar que
ainda é público, utiliza-o
para todos nós.
Mal dominando a língua que não é a tua
sempre advertido aos gritos,
várias vezes arrastado para fora,
enfraquecido com as algemas,
fazes repetidamente as perguntas temidas.
Incriminas os criminosos e
leva-os a gritar e te arrastar e assim
confessar que não têm razão, apenas força.”

————————————————————

Apesar de derrotado jurídica e politicamente no julgamento do incêndio do Reichstag, a máquina nazista conseguiu empulhar em certa medida a população e, uma semana após, propagandeando o perigo dos comunistas, do que o incêndio seria a prova, chegou a uma vitória eleitoral vital para consolidar o poder de Adolf Hitler. A prisão havia sido utilizada não somente para angariar votos nas eleições gerais, que se realizaram em 5 de março de 1933, mas também para desencadear uma série de atos para garantir poderes ditatoriais ao nazismo.

Hitler conseguiu aprovar uma lei, em 23 de março daquele mesmo ano, que permitia a centralização total do poder em suas mãos e impunha o controle sobre a administração civil do governo e do Judiciário, banindo ou dissolvendo todos os partidos políticos, à exceção (como não poderia deixar de ser) do Partido Nazista.

Ao mesmo tempo, medidas racistas contra os judeus foram tomadas e todas as greves e as organizações sindicais dos trabalhadores colocadas na ilegalidade.

Imediatamente após a prisão de Dimitrov, a bancada comunista no Reichstag desencadeou uma grande campanha nacional e internacional em defesa do líder comunista romeno.

O processo do tribunal de Leipzig, como ficou conhecido, durou de 21 de setembro a 23 de dezembro de 1933, e transformou Dimitrov numa personalidade mundial.

——————————————————

“(…) Embora não tão visíveis
milhares de combatentes, mesmo os
ensanguentados em suas celas
que podem ser abatidos
mas nunca vencidos.
Assim como tu, suspeitos de combater a fome,
acusados de revolta contra os exploradores,
incriminados por lutar contra a opressão,
convictos da causa mais justa.”

Bertolt Brecht

—————————————————————-

Dimitrov consolidou-se como um líder destacado do Partido Comunista da Bulgária e um dos principais organizadores do movimento comunista internacional, dirigindo a Terceira Internacional Comunista. Ele seguiu nesta nobre tarefa até a dissolução da Internacional Comunista, o Comintern, em 1943. Após a Segunda Grande Guerra, Dimitrov voltou à sua terra natal, a Bulgária, onde exerceu a função de primeiro-ministro do país até sua morte em 1949.

Na edição de agosto/setembro de 1949, da Revista Problemas do Partido Comunista do Brasil, PCB na época, Dominique Desanti publicou uma tradução do Depoimento de Dimitrov e parte do diálogo travado por Dimitrov com seus algozes nazifascistas, que aqui reproduzimos:

———————————————————-

Extratos do depoimento de Dimitrov perante o tribunal nazista

“É verdade que sou um bolchevique, um revolucionário proletário. (…)

É verdade igualmente que, na qualidade de membro do Comitê Central do Partido Comunista búlgaro e do Comitê Executivo da Internacional Comunista, sou comunista dirigente e responsável. De bom grado, responderei integralmente por todos os atos, decisões e documentos de meu Partido búlgaro e da Internacional Comunista. Mas é precisamente por essa razão que não sou um aventureiro terrorista, um putschista, um incendiário.

Aliás, é perfeitamente verdadeiro que sou favorável à revolução proletária e à ditadura do proletariado. Estou firmemente convencido de que essa é a única saída, o único meio de salvação contra a crise econômica e a catástrofe guerreira do capitalismo.

E a luta pela ditadura do proletariado, pela vitória do comunismo, é, sem dúvida alguma, o conteúdo de minha vida. Desejaria viver ainda ao menos 20 anos para o comunismo e depois morrer tranquilo. Eis precisamente por que sou adversário decidido do terror individual e do putchismo.

E isso não por considerações sentimentais e humanitárias. De acordo com a nossa doutrina leninista, as decisões e a disciplina da Internacional Comunista, que são, para mim e para todo verdadeiro comunista, lei suprema, estou, do ponto de vista da atividade revolucionária, no interesse da revolução e do comunismo, contra o terror individual, contra as aventuras putchistas.

Sou sinceramente partidário, admirador do Partido Comunista da União Soviética, porque esse Partido dirige o maior país do mundo – uma sexta parte do globo – e constrói tão heroica e vitoriosamente o socialismo, sob a direção de nosso grande chefe Stalin”.

O processo movido pelos nazistas para a derrota do comunismo mostraria ao mundo a flagrante pusilanimidade dos homens de Hitler, o heroísmo sereno dos revolucionários.

George Dimitrov, esse homem que arrisca a cabeça, esse homem que ama apaixonadamente a vida em todas as suas manifestações, é o único protagonista do drama para o qual convergem as vistas do mundo. Göering, no papel de testemunha, esbraveja, injuria, perde o controle, ordena aos guardas (ele como testemunha) que agarrem o acusado. O búlgaro desafia, antes de se deixar segurar:

“Tendes medo de minhas perguntas, Sr. Presidente?”

Goebbels, outra testemunha, blasona: “Não é a mim que ele fará perder a paciência”. Mas, também desta vez, Dimitrov fica com a razão. Dir-se-ia que ele próprio preparou esse processo, onde arrisca a vida, para dizer à face do mundo essas palavras essenciais:

“Defendo minhas ideias, minhas convicções comunistas. Defendo a razão de ser de minha vida. Eis por que cada frase que pronuncio é, por assim dizer, carne da minha carne e sangue de meu sangue. Cada uma de minhas palavras exprime a minha indignação contra o fato de que um crime tão anticomunista seja atribuído aos comunistas”.

“Diante do avanço do fascismo, o Comitê Executivo conclama todos os Partidos Comunistas a tentarem mais uma vez estabelecer uma frente única com as massas operárias socialistas”.

Dimitrov desmonta também o próprio processo, apontando a incoerência da acusação e a manobra malévola de apontarem como responsável pelo incêndio o comunista holandês de base, há pouco chegado na Alemanha, desempregado, Van der Lubbe. (…)

Obrigados a libertar os acusados, com exceção de Van der Lubbe, os nazistas libertaram igualmente, por pressão da URSS, Dimitrov, que se dirigiu a Moscou. Em 1935, foi eleito Secretário-Geral da Internacional Comunista, em cuja posição permaneceu até a sua dissolução em 1943. Os informes de Dimitrov continuarão modelos de clara análise leninista. Os objetivos que ele propunha ao Partido Comunista e à classe operária da França, no Congresso de 1935, a 2 de agosto, continuam ainda sensivelmente iguais aos que objetivamos:

“Obter a efetivação da frente única não somente no domínio político, mas também no domínio econômico para organizar a luta contra a ofensiva do capital, quebrar, com seu entusiasmo, a resistência oposta à frente única pelos chefes reformistas”.

Em 1920, atravessando a Europa inteira, Dimitrov penetrou finalmente na URSS. No dia seguinte, era introduzido ao escritório de Lênin.

O responsável pelo proletariado búlgaro sentia seu coração bater apressadamente. Noites inteiras ele examinou frase por frase dos escritos desse homem cujos olhos estreitos e cuja fronte imensa pareciam dissecá-lo, penetrar nele. Não houve grandes frases: Fale-me da Bulgária, pediu Vladimir Ilitch.

Dimitrov fez uma exposição veemente e completa: a miséria, as lutas, a união, a força do proletariado búlgaro, parecia-lhe que nada poderia vencer o entusiasmo dos operários, sem a revolução…

“Eu o aconselho a não se deixar arrastar”, disse Lênin lentamente com sua voz sem ênfase.

E se pôs a falar da Bulgária. Dimitrov via se desfazerem suas ilusões, via surgirem as lacunas que ele havia dissimulado; tinha superestimado as vitórias de seu povo, subestimado as forças da reação. A união com o campesinato não estava feita, os campos não seguiam as reivindicações das cidades e os operários na Bulgária constituíam ainda uma parte muito fraca da população.

“A situação pode ainda se agravar”, concluiu Vladimir Ilitch. Depois conduziu seu hóspede, há tanto tempo aguardado, ao Congresso dos Sindicatos Soviéticos. Uma ovação os recebeu.

———————————————————–

Décadas depois desses acontecimentos, suas lições permanecem, alertando e orientando os povos frequentemente ameaçados por forças fascistas recorrentes.

Durante a ditadura militar implantada em 1964 no Brasil, particularmente depois de 1968, quando ela lançou mão do AI-5, brutalizando o tratamento a seus opositores, com torturas, assassinatos e prisões indiscriminadas, forças resistentes, como o PC do B, indicavam a seus membros e aliados, como a Ação Popular, AP, a leitura do livro “O incêndio do Reichstag”, para se armarem da ideia de que, no enfrentamento da ditadura, eventualmente em tribunais de exceção, a melhor defesa é o ataque, sob a forma de denúncia política.

Ainda agora, quando grupos fascistizantes, ligados a Jair Bolsonaro, fazem repetidas ameaças de fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, os democratas de uma maneira geral e os comunistas em particular não devem diminuir a importância dos grandes fatos históricos e não podem perder de vista que a consolidação do poder absoluto de Hitler na Alemanha, nos anos 1930, veio após um incêndio criminoso do Parlamento alemão.

* Este artigo contou com as observações críticas de dois dirigentes comunistas — Haroldo Lima e Luciano Siqueira — aos quais agradeço profundamente.

Referências bibliográficas

Fundação Mauricio Grabois – Departamento de Documentação e Memória

Fundação Dinarco Reis – Fundação de Estudos Políticos , Econômicos e Sociais

The Diary of Gergi Dimitrov 1933—1949, Edited by Ivo Banac, Yale University Press


Autor

Pedro Oliveira
Jornalista e membro da diretoria da Fundação Maurício Grabois e do Comitê Estadual do PCdoB de Pernambuco.


O Coletivizando reproduz a seguir, trecho das obras escolhidas de Dimitrov, volume I, em que o dirigente operário alemão enfrenta no Tribunal Alemão os Ministros Goring e Goebbels, vale a pena:

 















Coletivizando no Youtube