SIGA O COLETIVIZANDO!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática - Portal Vermelho

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática - Portal Vermelho

O professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachussetts, Noam Chomsky, elaborou uma lista das "10 Estratégias de Manipulação" através da mídia. O Vermelho publica abaixo.

Manipulação da mídia

A manipulação da mídia

10 Estratégias de Manipulação

Por Noam Chomsky

A estratégia da distração
.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").


Criar problemas e depois oferecer soluções

Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

A estratégia da gradualidade


Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

A estratégia de diferir

Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais.

Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

Manter o público na ignorância e na mediocridade


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

Reforçar a autoculpabilidade

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avançosacelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico.

O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Fonte: Argenpress, reproduzido por Adital

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Globo fura a Folha e revela primeiras informações sobre a "Joana D'Arc" Dilma - Portal Vermelho

Globo fura a Folha e revela primeiras informações sobre a "Joana D'Arc" Dilma - Portal Vermelho

O jornal Folha de S. Paulo sofreu nesta sexta-feira (19) sua segunda e mais vergonhosa derrota em torno do episódio da liberação dos documentos militares sobre a atuação de Dilma Rousseff na resistência à ditadura. Primeiro, o jornal foi derrotado em sua intenção declarada de utilizar os documentos militares como arma eleitoral para prejudicar Dilma. Os documentos só foram liberados depois que a petista já havia sido eleita presidente. Agora, o jornal foi furado pela concorrência. Apesar de ter obtido os papéis com antecedência, a Folha viu o Globo revelar em primeira mão informações contidas na papelada produzida pela ditadura.

Amnésia midiática: como o Tigre Celta virou um Haiti financeiro - Portal Vermelho

Amnésia midiática: como o Tigre Celta virou um Haiti financeiro - Portal Vermelho

Nos anos 80 e 90, a palavra “Irlanda” era pronunciada com a reverência reservada aos quitutes finos nos banquetes neoliberais. O “ajuste irlandês”, iguaria produzida a partir de uma receita de cortes brutais nos gastos públicos, demissão em massa de funcionalismo e isenções maciças de impostos, era vendido nas praças de alimentação do mundo pobre como o cardápio da hora.

Por Saul Leblon, na Carta Maior

EUA preparam lei para censurar a internet no mundo inteiro - Portal Vermelho

EUA preparam lei para censurar a internet no mundo inteiro - Portal Vermelho

Um projeto de lei em tramitação no Congresso americano pode pôr a internet sob total controle dos interesses dos Estados Unidos. Se aprovada, a lei — batizada como Combating Online Infringement and Counterfeits Act — daria poder à Casa Branca de mandar bloquear qualquer site ou domínio que hospede conteúdo violando direitos autorais.

As ameaças à privacidade na rede mundial não param por aí. Segundo o jornal The New York Times, diretores do FBI, a polícia federal americana, já se reuniram com executivos da Google e do Facebook, entre outras empresas, para discutir uma proposta que torne mais fácil grampear internautas.

Os agentes querem reforçar uma lei de 1994 chamada Communications Assistance for Law Enforcement Act, para enquadrar mais as empresas do mundo on-line. Segundo essa lei, as operadoras de telecomunicações e os provedores de internet e banda larga devem estar sempre dispostas a cumprir ordens judiciais que exijam escutas telefônicas, e o FBI quer estendê-las também a gigantes como Google e Facebook, já que as pessoas cada vez mais usam suas ferramentas para se comunicar on-line.

Para o advogado especializado em direitos autorais na era digital Renato Opice Blum, essa movimentação ilustra muito bem a difícil tarefa dos governos de legislar em cima da rapidez da tecnologia. “O legislador precisa buscar o equilíbrio. Há sites que contêm coisas ilegais, mas também apresentam conteúdo legal”, diz Blum. “O YouTube, por exemplo. Pode apresentar conteúdo que viole copyright, mas também tem muitos vídeos legítimos. Por isso, é preciso que a lei dose seu veneno, ou sua vacina.”

De acordo com o advogado brasileiro, a lei brasileira prevê o fechamento e responsabilização civil e criminal de sites pela chamada "infração por contribuição". Mas, explica Blum, “é preciso separar o que é legal e ideal na mesma plataforma. É preciso ter um meio-termo, que no Brasil é a ação inibitória, a qual permite retirar de um site o conteúdo que viole direitos, mas não fechar o site em si.”

Nos Estados Unidos, entidades defensoras da liberdade de expressão já iniciaram os protestos contra o projeto de lei, apresentado pelo senador democrata Patrick Leahy, do estado de Vermont. A Electronic Frontier Foundation (EFF), por exemplo, chegou a compilar uma lista de sites que terão de sair da rede se o projeto for aprovado. É o caso de páginas como o Rapidshare ou o Mediafire, que permitem uploads dos próprios usuários, ou blogs de MP3 e sites de remixes musicais.

Para a EFF, hoje, apesar da repressão, ainda há um equilíbrio entre "as punições devido ao copyright violado e à liberdade dos sites de inovar". Com a nova lei (sem falar na iniciativa do FBI), os grupos de defesa das liberdades civis on-line acreditam que será instaurada de vez uma censura prévia na rede.

Na opinião de Brian Contos, diretor de Estratégia de Segurança Global e Gestão de Risco da McAfee, o projeto americano de fato gera preocupações em relação à censura. “-Há sempre uma preocupação com o que é censurado agora e o que será censurado depois. Pense nos filmes. Censura-se uma cópia pirata hoje, daqui a pouco um blog com posts negativos sobre filmes amanhã e no dia depois de amanhã pode ser um site de um estúdio concorrente produzindo um filme parecido”, diz Brian.

Ele acredita que qualquer lei sobre esse assunto só dará certo se houver discussões bem mais detalhadas envolvendo todos os setores. “Me parece que há algo podre aí, e é preciso debater se realmente isso deveria ser feito e, em caso positivo, como deveria ser feito.”

O professor de Direito David Post, da Universidade de Temple, também atacou duramente a medida. "Se virar lei, o projeto alterará fundamentalmente a política americana sobre a expressão na internet e criará um perigoso precedente com sérias consequências em potencial para a liberdade de expressão e a liberdade da internet global”, diz. Segundo ele, o projeto de Leahy prevê a ação do governo contra os domínios — "mesmo que tal nome de domínio não esteja localizado nos Estados Unidos".

Fonte: Barão de Itararé

Emiliano José: Mídia, golpes e tortura - Portal Vermelho

Emiliano José: Mídia, golpes e tortura - Portal Vermelho

No Brasil a Casa Grande não descansa. E a principal voz da Casa Grande no Brasil é a mídia hegemônica, aquele grupo de poucas famílias que se pretende o intérprete da realidade brasileira, apesar de há muito ter deixado de sê-lo.

A um jornalismo sério, que tivesse compromisso com a história, a um jornalismo que tivesse alguma ligação, tênue que fosse, com a idéia de democracia, que se preocupasse com a educação das novas gerações, caberia discutir a monstruosidade da tortura, mostrar o que ela tem de lesa-humanidade. Mostrar que qualquer processo que envolva tortura não merece qualquer crédito. Mas esse não é o jornalismo brasileiro. O artigo é de Emiliano José.

Talvez pudéssemos inverter um pouco a ordem das coisas: que tal, ao invés de divulgar o relato de processos do STM sobre pessoas covardemente torturadas, como o faz agora o secretariado da mídia golpista brasileira, perguntássemos sobre qual o papel dessa mesma mídia na implantação da ditadura militar?

Por Emiliano José*

Não seria algo elucidativo, educativo para as novas gerações? Que tal compreender a verdadeira natureza de nossa mídia hegemônica para, então, entender por que, nesse momento, usando processos inteiramente submetidos à ordem castrense, ao terror ditatorial, tenta atingir a presidente da República, recentemente eleita, numa espécie de vingança pela derrota que sofreu? Perguntar por que ela não se conforma com essa nova derrota, a terceira derrota da mídia nas últimas eleições, derrotada pela opinião pública brasileira. Com que direito quer um terceiro turno, ilegítimo, revelador apenas de seus ressentimentos?

Eu insisto: no Brasil a Casa Grande não descansa. E a principal voz da Casa Grande no Brasil é a mídia hegemônica, aquele grupo de poucas famílias que se pretende o intérprete da realidade brasileira, apesar de há muito ter deixado de sê-lo. Não vou retroceder muito no tempo. Não vou esmiuçar o papel destacado de nossa mídia na tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas. O quartel-general do golpe era permanentemente orientado pela mídia. A mídia hegemônica de então e o golpe já quase consumado foram derrotados pelo suicídio do presidente.
O que pretendo mesmo é refrescar a memória ou informar um pouco que seja sobre o papel de nossa mídia no golpe de 1964. Não se trata apenas de ela ter elaborado todo o discurso que deu sustentação ao golpe contra o presidente Jango Goulart. Não se trata disso somente.

Trata-se do fato, por demais evidente, e há vasto repertório bibliográfico a respeito, de que a mídia participou diretamente das articulações golpistas. Ela derrubou Goulart lado a lado com os militares golpistas. Reuniu-se com eles para preparar o golpe. Não tem como se defender disso. É algo que hoje já pertence à história.

Com isso se quer dizer, e creio que é preciso insistir nisso, que a mídia hegemônica brasileira foi um ator fundamental na construção de uma ditadura sanguinária, terrorista no Brasil, a mesma que vai torturar covardemente homens, mulheres, crianças, que vai desaparecer com pessoas depois de desfigurá-las, provocar suicídios, que será capaz de todas as crueldades, perversidades para garantir a sua continuidade no poder por 21 anos.

A Rede Globo, criada lá pelos finais de 1969, não foi uma simples iniciativa empresarial. Foi um empreendimento político. Com a Rede Globo pretendeu-se unificar o discurso da ditadura, justificar tudo ela pretendesse, inclusive os assassinatos, o terrorismo que ela praticava cotidianamente. Inúmeras vezes assistíamos, no Jornal Nacional, notícias dando conta do atropelamento de companheiros, da morte de um militante por outro, versões montadas pela repressão para justificar a morte nas masmorras da ditadura. A Rede Globo encarnava e ecoava a voz do terror, foi criada para tanto.

E o grupo Globo é apenas parte de toda uma estrutura midiática que deu sustentação à ditadura, embora talvez, então, a parte mais importante. Não é difícil lembrar do terrível, do terrorista general Garrastazu Médici, ditador, que dizia que bastava assistir ao Jornal Nacional para perceber como tudo caminhava às mil maravilhas no Brasil. O Jornal Nacional era o diário oficial da ditadura.

Por isso, não há como nos surpreendermos com a tentativa, canhestra, de tentar desqualificar a presidente Dilma, pinçando aspectos do vasto processo buscado nos arquivos do STM, como a matéria de 19 de novembro, de O Globo. Não nos surpreendemos, mas não há como não nos indignarmos. É a voz da ditadura que volta, são os mesmos métodos que voltam, embora, agora, por impossibilidade, a tortura física não possa voltar.

A um jornalismo sério, que tivesse compromisso com a história, a um jornalismo que tivesse alguma ligação, tênue que fosse, com a idéia de democracia, que se preocupasse com a educação das novas gerações, caberia discutir a monstruosidade da tortura, mostrar o que ela tem de lesa-humanidade, mostrar a necessidade de evitar que ela exista, inclusive nas cadeias brasileiras de hoje. Mostrar que qualquer processo que envolva tortura não merece qualquer crédito. Mas, não.

O jornalismo realmente existente vai pinçar aspectos no processo que eventualmente desgastem a presidente da República. Nos próximos dias, a mídia golpista vai se debruçar sobre isso, podem anotar. É a tentativa do terceiro turno, evidência do ressentimento pela terceira derrota – a mídia perdeu em 2002 e 2006, quando Lula venceu, e perdeu agora, com a vitória de Dilma. Não se conforma, A Casa Grande não descansa.

Nem sei, nem vou procurar saber sobre todo o processo que envolveu a presidente. Escrevi vários livros sobre a ditadura, inclusive sobre Carlos Lamarca e Carlos Marighella, que tangenciam organizações revolucionárias pelas quais a presidente Dilma passou – e que orgulho ter militado em organizações revolucionárias. Não me detive, no entanto, na trajetória específica da presidente Dilma Roussef, nem caberia.

Mas será que os jornalistas que têm feito o papel de pescadores de leads e subleads negativos, de títulos desqualificadores da presidente têm alguma noção do que seja a tortura? Imagino que não, até porque só obedecem ordens, a pauta é previamente pensada, ordenada, e depois se faz a matéria.

Repito aqui o que escrevi em um dos meus livros, valendo-me das contribuições do psicanalista Hélio Pellegrino. A tortura nunca é mero procedimento técnico destinado à coleta rápida de informações. É também isso, mas nunca apenas isso. Ela é a expressão tenebrosa da patologia de todo um sistema social e político, expressão da ditadura militar de então. Ela visa à destruição do ser humano.

À custa de um sofrimento corporal inimaginável, teoricamente insuportável, a tortura pretende separar corpo e mente, instalar a guerra entre um e outro, semear a discórdia entre ambos. O corpo torna-se um inimigo – com sua dor, atormenta o torturado, persegue o torturado. A mente vai para um lado, o corpo sofrido para outro. O torturado fica exposto ao sol e à chuva, ao desabrigo absoluto, sem chão, entregue às ansiedades inconscientes mais primitivas. E apesar disso, tantas vezes, tantos de nós, quando não fomos trucidados e mortos na tortura, resistimos a esse terror, e saímos inteiros, ou quase inteiros, dessa situação-limite.

O que vale um processo feito sob a ditadura? O que valem declarações tiradas sob tortura? Responderia que valem apenas para revelar o que foi o terror, para revelar o que fizeram com as vítimas desse terror. Por que nos impressionamos e nos indignamos tanto com as vítimas do nazi-fascismo, inclusive nossa mídia, impressão e indignação justas, e somos, lá eles como costumam dizer os baianos, tão condescendentes com o terror da ditadura, com as torturas dos assassinos do período 1964-1985?

Eu compreendendo por que a mídia age assim com a nossa memória histórica, e já o disse antes: age assim pela simples razão de que ela tem tudo a ver com a gênese da ditadura, porque dela não pode se apartar, lamentavelmente. Por isso, nos preparemos para a luta dos próximos dias: ela vai buscar nos porões da ditadura o que possa servir aos seus propósitos de lutar contra o governo democrático, republicano e popular da presidente Dilma. E nos encontrará onde sempre estivemos: na luta intransigente, isso mesmo, intransigente, a favor da democracia, dos direitos humanos, e contra toda sorte de crimes contra a humanidade.

*Emiliano José é jornalista, escritor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Militar preso confessa ter atirado contra jovem homossexual no RJ - Portal Vermelho

Militar preso confessa ter atirado contra jovem homossexual no RJ - Portal Vermelho

O delegado titular da 14ª delegacia de Polícia Civil do Leblon, na zona sul do Rio, disse que um militar admitiu ter atirado contra o estudante Douglas Igor Marques, 19 anos, logo após a Parada Gay, na segunda-feira (15). De acordo com o delegado, a confissão foi feita informalmente, e os dois militares suspeitos de terem agredido o estudante já estão presos administrativamente. Eles devem começar a prestar depoimentos ainda na tarde desta quinta-feira.

O autor do disparo foi descoberto com a ajuda de um exame balístico realizado pelo Exército, que apontou que a arma em posse do militar havia sido utilizada. Segundo a polícia, Ivanildo Ulisses Gervasio e Jonathan Fernandes da Silva, que têm a patente de 3º sargento do Exército, alegaram terem sido "desafiados" pelo estudante.

O delegado pretende agora que a vítima reconheça os agressores. "Eles vão ser colocados junto com outros militares de aparência semelhante e a gente vai fazer a identificação direta. De qualquer forma, o autor dos disparos já admitiu que foi ele", afirmou.

O titular da delegacia do Leblon disse ainda que que as investigações apontam para motivação homofóbica: "A conduta dos militares é reprovável. A motivação é homofóbica, não há dúvida quanto a isso".

De acordo com o delegado, mesmo que os militares tivessem a intenção de retirar os jovens do parque, eles agiram de forma agressiva: "No depoimento das testemunhas fica claro que eles se manifestaram de maneira preconceituosa o tempo todo".

Ele confirmou que o militar vai responder na justiça civil por tentativa de homicídio duplamente qualificado "por motivo torpe", não dando chance à vítima. Além disso, os militares serão julgados por desvio de conduta pela justiça militar.

Em depoimento, jovem diz ter visto agressão

Um jovem de 16 anos que esteve na 14ª delegacia de Polícia Civil do Leblon, na zona sul, para depor sobre a agressão contra um jovem na Parada Gay do Rio, ocorrida na madrugada de segunda-feira, disse que presenciou um militar atirando.

De acordo com ele, o agressor estava fardado e abordou o grupo quando eles estavam próximos às pedras do Arpoador. Ele contou que o agressor disse: "Vocês são uns veadinhos. São uma vergonha para a família de vocês.". Ao dizer isso, segundo a testemunha, ele teria atirado contra a barriga de Douglas.

"Aconteceu o que não era para acontecer. Fomos vítima de preconceito. Esperamos justiça", disse o jovem, que também presta depoimento sobre o caso.

O jovem baleado após a Parada Gay do Rio, Douglas Igor Marques, 19 anos, chegou na delegacia junto de quatro testemunhas e da mãe. Ele foi ferido por um tiro na barriga, mas passa bem.

Fonte: Portal Terra

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Centrais sindicais vão ter espaço em programação de rádio e TV - Portal Vermelho

Centrais sindicais vão ter espaço em programação de rádio e TV - Portal Vermelho

As centrais sindicais vão ter horário gratuito na emissoras de rádio e TV para discutir matérias de interesse de seus representados; transmitir mensagens sobre a atuação da associação sindical e divulgar a posição da associação em relação a temas político-comunitários. A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou nesta quarta-feira (17) proposta que assegura às centrais sindicais 10 minutos semanais de transmissão gratuita em emissoras rádio e televisão.

A proposta original, de autoria da deputada Manuela D´Ávila (PCdoB-RS), previa 10 minutos diários de programação sindical em rádio e TV, sete vezes mais que o texto aprovado. O texto aprovado é um substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV-SP).

Para a deputada Manuela, o projeto, apresentado por ela a pedido da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “dialoga com todos os segmentos para construir uma proposta ampla e democrática que possibilite aos trabalhadores terem voz nas rádios e emissoras de TV".

O presidente da CTB, Wagner Gomes, espera que a matéria seja aprovada nas outras comissões. Se isso acontecer, ele adianta, será motivo de muita comemoração, “porque representa grande ganho para o movimento sindical e a sociedade”. Ele destaca o papel da mídia nas últimas eleições, quando o empresariado fez campanha aberta pelo candidato tucano, desequilibrando a disputa.

“A mídia é meio importantíssimo para levar para o conjunto da sociedade as nossas ideias e ações”, diz o líder sindical, acrescentando que “a medida amplia a democracia porque é a garantia de que os trabalhadores se manifestem e sejam ouvidos tanto quanto os empresários e permitirá à população ouvir os dois lados – o empresariado, que é dono dos meios de comunicação, apesar de ser uma concessão do Estado, e os trabalhadores, que não possuem os veículos de comunicação e nem espaço para se manifestar”, analise Gomes.

Mais duas votações

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, sem necessidade de ser votado pelo Plenário, ainda será analisada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, de Comunicação e Informática e de Constituição e Justiça (CCJ).

As transmissões deverão ser em bloco ou em inserções de 30 segundos a um minuto, no intervalo da programação normal das emissoras. O texto estabelece também que os programas produzidos pelas centrais sindicais deverão ser transmitidos entre as 6 horas e as 22 horas das terças-feiras.

A proposta obedece a regra do Código Brasileiro de Telecomunicacões que estabelece as obrigações das radiodifusoras e estabelece que as emissoras de rádio e televisão terão direito a compensação fiscal pela cessão do horário gratuito.

De Brasília
Márcia Xavier
Com agências

Cinquenta milhões de estadunidenses passaram fome em 2009 - Portal Vermelho

Cinquenta milhões de estadunidenses passaram fome em 2009 - Portal Vermelho

Informação oficial divulgada nesta semana revela que cerca de 15% dos lares dos Estados Unidos experimentaram uma escassez de alimentos em algum momento, devido à pobreza e à falta de recursos financeiros.

Isso é equivalente a cerca de 17 milhões de residências, ou aproximadamente 50 milhões de pessoas, indica um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA na sigla em inglês) na segunda-feira (15).

A cifra recorde inclui cerca de 17 milhões de crianças.

Os resultados também revelaram que cerca de um quinto da população estadunidense participou de pelo menos um programa federal de assistência alimentar em 2009.

A assombrosa cifra de 34 milhões de pessoas que foram classificadas como portadoras de "insegurança alimentar" conseguiu obter os benefícios do Programa de Assistência de Nutrição Suplementar (SNAP), conhecido antes como cupom de alimentos (Stamp food) na média mensal do ano passado.

Cerca de seis milhões de lares também relataram ter recebido alimentos de emergência de um serviço de armazenagem de alimentos gratuitos. A cifra duplicou desde 2007.

Segundo o USDA, os mais afetados pela fome são os negros e os latinos.

A segurança alimentar diminuiu de maneira constante nos Estados Unidos desde que a recessão econômica começou oficialmente em fins de 2008

Fonte: Cubadebate

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Comentarista da Globo reclama: "qualquer miserável tem um carro" - Portal Vermelho

Comentarista da Globo reclama: "qualquer miserável tem um carro" - Portal Vermelho

O comentarista da RBS — retransmissora da Globo Santa Catarina —, Luiz Carlos Prates, atribuiu as mortes e problemas no trânsito no país à ampliação de crédito para a aquisição de automóveis. Em comentário exibido na edição de segunda-feira (15) do noticiário local, Prates afirmou que atualmente "qualquer miserável tem um carro".

Sinal dos tempos: BB vai comprar banco nos Estados Unidos - Portal Vermelho

Sinal dos tempos: BB vai comprar banco nos Estados Unidos - Portal Vermelho

Celso Lungaretti: Para Folha, ouro de tolo é vitória da sociedade - Portal Vermelho

Celso Lungaretti: Para Folha, ouro de tolo é vitória da sociedade - Portal Vermelho

Em 2009 a Folha tentou envolver Dilma num sequestro que não houve, além de usar como ilustração uma ficha falsa que encontrou na web.

Simancol é o que mais falta para o jornal da ditabranda: mancheteia triunfalmente a obtenção do que queria usar durante a campanha eleitoral e agora não lhe servirá de quase nada.

Foi garimpar, só encontrou ouro de tolo e ainda tenta apresentá-lo com uma "vitória da sociedade". Me engana que eu gosto.

Finda a eleição presidencial, o Superior Tribunal Militar, como Deus e o mundo sabiam que faria, liberou para a Folha de S. Paulo o processo a que Dilma Rousseff respondeu durante a última ditadura, quando foi presa como dirigente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares e barbaramente torturada.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (16), por 10 votos a 1.

Ou seja, nada mais houve do que o cumprimento integral da determinação do presidente do STM, Carlos Alberto Soares: evitar que desse processo falacioso e arbitrário, sem valor jurídico nenhum, fosse extraída munição propagandística contra a candidata em campanha.

Pois só os bem informados sabem serem totalmente inconfiáveis as conclusões dos Inquéritos Policiais Militares da ditadura, contaminados pela prática generalizada da tortura, bem como as sentenças dos julgamentos de cartas marcadas que eram encenados em auditorias militares, com gritante cerceamento do direito de defesa.

Para a maioria da população, poderia passar por verdade o que nada mais era do que a versão forjada pelos déspotas a respeito dos resistentes que, heroicamente, os combatiam. Daí a inconveniência de tal assunto ser escarafunchado em meio ao tiroteio eleitoral.

Após o pleito, com ou sem a ação da Folha, os documentos seriam mesmo liberados.

Não adiantou o jornal espernear no STM e até no STF: não conseguiu acesso em tempo hábil e ficou impossibilitado de produzir algum factóide eleitoral.

Da próxima vez, que vá atrás das informações no momento certo e seguindo suas próprias pistas, ao invés de correr atrás das revelações alheias — no caso, a matéria de capa da revista Época sobre Dilma, que foi de onde a Folha tirou a informação de que o processo da VAR-Palmares estava temporariamente indisponível.

Agora, para justificar a batalha de Itararé que fingiu estar travando, será obrigada a soltar alguma reportagem baseada no processo de Dilma.

Pela qualidade atual do jornalismo da Folha, canto a bola desde já: vai ser imensamente inferior à da Época.

Mas ninguém se surpreenderá, pois vexame é prato de todo dia na espelunca da alameda Barão de Limeira...

Para quem quiser conhecer os detalhes desta comédia de erros (mais uma!), eis o passo a passo:

"Folha" trava batalha jurídica para obter munição contra Dilma

"Folha" pressiona STM: vale tudo para difamar Dilma

STF bate com a porta na cara da “Folha

E vale a pena ler de novo outro tiro pela culatra da Folha contra Dilma, em abril/2009, quando o jornal saiu com a credibilidade em frangalhos:

Só faltou a "Folha" dizer: ela é comunista e come criancinha

"Folha" admite mais erros crassos na reportagem sobre sequestro do Delfim

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor

Fonte: Náufrago da Utopia

Desoneração: de que e para quem? - Portal Vermelho

Desonera�çã�o: de qu�e para quem? - Portal Vermelho

O atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participa da equipe de transição, comentou a possibilidade de redução dos tributos sobre a contratação de funcionários, como ferramenta de combate à guerra cambial. Economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese) alerta sobre as consequências da medida e o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) critica a proposta.

Reprodução

O ministro Paulo Bernardo defende redução dos tributos sobre a contratação de funcionários.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Bernardo afirmou que o Ministério da Fazenda já possui estudos no sentido de desonerar a folha e que a vontade política da nova presidente pode destravar a questão. "A Dilma quer avançar na desoneração da folha. Já tem estudos sobre isso na Fazenda. Seria basicamente fazer o que tentamos quando estávamos discutindo a reforma tributária", disse Bernardo.

Debate preocupante

A discussão sobre desoneração da folha de pagamento para empresas privadas é preocupante pela forma como está colocada, avalia Carlindo Rodrigues de Oliveira, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese). O debate está direcionado a encargos sociais, com eventual redução da contribuição previdenciária patronal e do salário-educação. Os objetivos da medida seriam gerar empregos e incentivar a formalização de contratações, mas isso não é consensual entre especialistas, diz Oliveira.

A aprovação de medida similar logo no início do governo teria impacto parecido com o da Reforma da Previdência, aprovada logo no início do governo Lula, que desagradou sua principal base social, os trabalhadores.

Fala do atual ministro do planejamento leva ainda a acreditar que a desoneração poderia ser uma alternativa à necessária Reforma Tributária, que ele considera de difícil aprovação: "vamos apostar na reforma tributária, mas tem uma chance altíssima de juntar tanta gente contra a ponto de impedir que aconteça. Enquanto isso, é mais fácil avançar com as reformas micro", afirmou Bernardo.

Presidente da CTB diz que centrais combaterão qualquer proposta de corte de recursos para as áreas sociais.
Pauta "requentada"

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, trata-se de uma pauta "requentada", que as centrais já combateram uma vez e combaterão de novo, se for necessário. O presidente da CTB, explica que os impostos e contribuições que recaem sobre a força de trabalho são para financiar o seguro-desemprego, a Previdência e outros benefícios. Wagner Gomes defende que "desonerar folha de pagamento significa cortar recursos para essas finalidades, é menos dinheiro para as áreas sociais. Evidentemente somos contra, não podemos ter outra posição".

A redução dos tributos e encargos pagos pelas empresas sobre o salário dos trabalhadores foi uma promessa de campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff. Entre as propostas, está a redução de 20% para 14% do salário a contribuição patronal para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O salário-educação, equivalente a 2,5% também poderia ser eliminado, segundo o jornal O Estado de S.Paulo. Não há informações sobre formas de compensação das perdas. As medidas ajudariam a reduzir o chamado "custo Brasil" – termo cunhado para se referir a encargos e exigências de legislação do país – e que poderia até atenuar a "guerra cambial" instalada no país. Com preços mais baixos, as exportações poderiam ser mais competitivas, dizem os defensores da alteração.

"É preocupante o debate, porque se for haver redução da contribuição do INSS, é preciso dizer qual será a nova fonte de financiamento para suprir isso", alerta Carlindo Rodrigues de Oliveira. "Não se pode deixar o impacto negativo por conta da Previdência", contesta.

Sem consenso

Para o economista do escritório regional de Minas Gerais do Dieese, a ideia de que a medida é positiva para a geração de empregos não é consensual entre estudiosos do mundo do trabalho. Ele avalia que tende a haver impacto maior sobre a formalização, mas mesmo assim a proposta pode não ser o fator mais decisivo.

"Simplesmente o fato de a economia voltar a crescer com certa pujança nos últimos anos já significou aumento das contratações com carteira assinada", lembra Oliveira. Em 2008 e 2010, anos de mais aceleração econômica, o país registrou recordes de contratações em diversos meses. O acumulado no ano era de 932 mil postos formais criados até setembro, o que indica que, até o fim de 2010, o número deve ultrapassar 1 milhão, segundo o Ministério do Trabalho.

"Ainda assim, desde que não signifique redução de direitos, a medida pode ser interessante. A incidência poderia ser sobre o lucro líquido ou sobre o faturamento das empresas", aponta. A avaliação de Oliveira é que, por ter sido explicada genericamente e sem detalhes, a possibilidade é tão preocupante.

A avaliação é de que a desoneração da folha de pagamento poderia funcionar se não colocasse em risco os recursos da Previdência Social nem parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – destino dos recursos advindos da contribuição social salário-educação, se a mudança fosse outra.

Argumento falso

Já Wagner Gomes é incisivo: "o argumento dos empresários é falso. A mão de obra no Brasil é uma das mais baratas do mundo. Para aumentar a competitividade das empresas e os investimentos o governo tem de mexer é nos juros, reduzindo as taxas e os encargos da dívida interna, pois o Estado transfere aos credores da dívida interna em pagamento dos juros muito mais do que gasta nas áreas sociais. Reduzir os juros, tornando-os mais civilizados, deve ser o primeiro passo do governo. Não dá para continuar pagando as maiores taxas de juros do mundo. É isto que tem de ser mudado."

A tabela abaixo, extraída de um documento do Dieese, corrobora os argumentos do presidente da CTB. O custo da mão de obra na indústria brasileira é menor inclusive que nos chamados "tigres asiáticos" (Coreia, Singapura e Taiwan), com nível de desenvolvimento parecido e, todavia, com um nível de competitividade e taxa de crescimento econômico superiores.

Confira a tabela:

TABELA 1: Custo horário da mão de obra manufatureira em 2007
Países selecionados US$
Alemanha 37,66
Reino Unido 29,73
França 28,57
Estados Unidos 24,59
Espanha 20,98
Japão 19,75
Coreia 16,02
Singapura 8,35
Taiwan 6,58
Brasil 5,96
México 2,92
Fonte: U.S Department of Labor, Bureau of Labor Statistics, 2009.
Elaboração: DIEESE

Da redação, Luana Bonone e Umberto Martins, com informações da Rede Brasil Atual e RBS

Preconceito dói, cabra da peste! Miguel Rios

JC OnLine

O papo é pop


Publicado em 05.11.2010, às 14h57

Por Miguel Rios
Preconceito é difícil de sair da gente. Volta e meia, a gente se surpreende, se flagra, e até se orgulha, dizendo, pensando, compartilhando algum estigma contra o outro
Preconceito é difícil de sair da gente. Volta e meia, a gente se surpreende, se flagra, e até se orgulha, dizendo, pensando, compartilhando algum estigma contra o outro

Uma nova vilã, daquelas malvadas ao extremo, que dissemina e atrai ódio, de nível igual ou pior que qualquer Odete Roitman ou Nazaré Tedesco, está na mídia. É aquela garota lá do Twitter que nos ofendeu, nós nordestinos, nos indignou mais uma vez, nos fez relembrar preconceitos que pareciam estar se esvaindo, que se mostram ainda vigorosos, que machucam mesmo quem finge não ligar, quem tenta se mostrar acima.

Outra vez, doeu. Outra vez, ele voltou. Aliás, nunca se foi. Só estava mais quieto, nestes tempos de maior patrulha, de menos tolerância com os intolerantes.

Preconceito é difícil de sair da gente. Volta e meia, a gente se surpreende, se flagra, e até se orgulha, dizendo, pensando, compartilhando algum estigma contra o outro.

Mas se é na nossa pele que arde aí nos enfurece. Não pode, não se aceita, é absurdo, é opressor, ultrapassado, injusto.

A pele dos nordestinos queimou. Estigmas e estereótipos queimam mesmo.

A pele de qualquer tuiteiro do Maranhão à Bahia ainda está, no mínimo, coçando. Tem aquele cara que posta dia após dia, insistente, resistente, mensagens contra a autora do ataque, sedento por não deixar barato.

"Como posso ser inferior?", pensa ele. "Sou inteligente, universitário, bonito, uso roupa boa, dentição completa, tenho laptop, carro, amigos no exterior, viajado, falo inglês, comecei no espanhol, já planejo meu MBA. Vou ter sucesso garantido! Como se pode dizer que sou inferior? Como se eu fosse um pobre qualquer, um mundiça desses, pipoca da vida, um beira-canal, que só serve para se apertar em ônibus, sujar a praia. Esse bando de assalariado farofa..."

E a roda do preconceito gira:

"Como posso ser farofa?", pensa um dos assalariados. "Ando de ônibus, moro em subúrbio, mas curto bandas legais, livros legais, filmes de arte. Tenho amigos descolados. Somos questionadores do status quo, dos padrões impostos pela sociedade de consumo. Tenho potencial. Farofa eu? Farofa e pipoca é essa negada ignorante, de gosto ruim, que curte pagode e axé, jeito marginal, enchendo o mundo com som alto de funk de CD pirata. Tenha dó!"

E gira...

"Sou negro sim, mas sou lindo! Curto o meu som e meu jeito moleque. Orgulho de raça, de gostar do que eu gosto, das raízes, de saber dançar melhor que branco. De morar onde moro. De me virar e arranjar algum para meu pai e minha mãe. Eles dois que me criaram com esforço e dignidade. Me fizeram um homem, homem mesmo. Se eu ainda fosse um desses veados safados podiam até falar. Aquilo é que é nojeira. Mas eu não tenho do que me envergonhar."

"Sexualidade não define caráter. O que eu faço na intimidade não é da conta de ninguém. Sou decente. Sou homem igual a qualquer outro. Ninguém se envergonha de estar ao meu lado. Sou másculo, não dou pinta, tenho um namorado sem trejeitos também. Não escandalizamos. Podemos frequentar qualquer ambiente. O problema são essas bichinhas afetadas, estes travestis que sujam a barra dos gays. Um horror."

Continua a girar:

"Se dou pinta é porque eu quero. Essa tropa enrustida de metidos a macho fala mal, mas faz as mesmas coisas que eu entre quatro paredes. E tem inveja do meu sucesso. Tenho jeans Diesel, perfumes Armani, óculos Roberto Cavalli. Até minhas sandálias de praia são de grife. Por isso, não me junto. Morram de inveja, bichas pobres, roupa de sulanca, classe D!"

E a roda vai girando, criando novos julgamentos, batendo neste e naquele, se aproveitando de ideias preconcebidas, crendices, rancores...

Você já teve um dia em que se assemelhou à vilã lá do Twitter, aquela babaca, estúpida, condenável, que te revoltou tanto quando jogou o ácido supercorrosivo do preconceito sobre seu orgulho? Você já destilou desprezo sobre alguém? Eu já.

Pense na fulana do Twitter, pense na queimadura, pense em como dói, pense em como cicatriza demorado.
Pense nela antes de carimbar, com raiva, agressão e afinco, loura de burra, rapaz rico de playboyzinho, negro de maloqueiro, gay de molestador devasso, gostosa de piranha, pobre de ignorante, sertanejo de atrasado, gente da capital de pedante.

Pense bem quando tua veia discriminatória, aquela que pulsa toda vez que vem o desejo de diminuir o outro pela ilusão de se autofortalecer, saltar.

"Sociedade norte-americana está dividida e desorientada" - Portal Vermelho

"Sociedade norte-americana está dividida e desorientada" - Portal Vermelho

Cientista político e analista internacional, o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, em entrevista à revista digital “La Onda Digital”, fala sobre a derrota de Obama no Congresso, a guerra cambial e os prováveis efeitos que a crise econômica ainda trará.

As eleições parlamentares americanas ocorridas no dia 3 de novembro deixaram o presidente Barack Obama e o Partido Democrata em uma situação extremamente difícil ao perderem a maioria no Congresso para os republicanos.

Em entrevista a revista uruguaia “La Onda Digital”, o cientista político e analista internacional, Luiz Alberto Moniz Bandeira, analisa as perspectivas de Obama após esse fracasso. O intelectual brasileiro também fala sobre a crise econômica global na Europa e na América Latina.

Moniz Bandeira, 74 anos, nasceu na Bahia e atuou por vários anos como jornalista e ativista político. Formado em Direito e doutor em Ciências Políticas pela USP, é professor universitário no Brasil e no exterior, especializado em política internacional.

La Onda Digital: Afirma-se que o recente derrota dos democratas nas eleições legislativas norte-americanas deve-se ao fracasso das políticas econômicas de Obama. Você acredita que Obama já está politicamente acabado?
Moniz Bandeira: A derrota eleitoral do presidente Barack Obama era perfeitamente previsível. Sua política, em geral, era muito inconsistente. Não conseguiu – ainda – realizar metade das suas promessas de campanha. Conseguiu aprovar somente a reforma do sistema de segurança social e da regulação do sistema financeiro, o que desagradou os republicanos.

Mas por outro lado, intensificou a guerra no Afeganistão, a retirada das tropas do Iraque foi parcial, ou melhor, uma piada, uma vez que os Estados Unidos continuam a ocupar o país com 50 mil soldados. Ninguém pode dizer que está politicamente acabado. Na política você não pode dizer isso. Dependerá das circunstâncias.

La Onda: O que vai acontecer com os EUA?
Moniz Bandeira: A crise é uma crise global profunda, mas o epicentro está localizado nos Estados Unidos. Os próximos anos serão muito difíceis, tanto economica e financeiramente quanto social e politicamente. A sociedade está profundamente dividida e confusa. A crise é, talvez, muito pior do que a desencadeada pelo crash de 1929. Agora, com a desvalorização do dólar, acontece algo semelhante a crise do início do anos 1930.

Nos Estados Unidos, milhões de investidores empobreceram e milhares de bancos e outras instituições financeira tornaram-se insolventes. O grande grupo bancário J. P. Morgan, com seus vastos recursos, foi afetado, os créditos esgotaram-se e os Estados Unidos não foram capazes de financiar o pagamento de dívidas da Alemanha.

O crack de 29 de outubro de 1929, em Nova York, difundiu-se e afetou profundamente os países europeus, evidenciando o profundo entrelaçamento das suas economias no sistema capitalista mundial.

França, Inglaterra e todos os países da Commonwealth (exceto o Canadá), a Irlanda, os países escandinavos, a Austrália, Nova Zelândia, Iraque, Portugal, Tailândia e alguns países sul-americanos (Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), acompanhados Grã-Bretanha, abandonaram o padrão ouro em 1931.

A desvalorização do dólar está à beira de deflagrar uma guerra cambial, que abrange, na realidade, a guerra comercial, como ocorreu em 1930. E o que pode acontecer nos Estados Unidos também é imprevisível. A situação é muito repentina, em rápido processo de mutação.

A injeção de 600 bilhões de dólares, feita pela FED para fornecer liquidez suficiente para o mercado e dar ao país maior competitividade no mercado internacional não vai resolver os problemas dos EUA. A depreciação do dólar não fará necessariamente a economia dos EUA crescer. Irá ao certame do Mercosul, terão que aumentar as tarifas aduaneiras para impedir o dumping que os EUA querem promover no mercado mundial. A guerra comercial, como resultado da guerra cambial, será um desastre.

La Onda: A baixa presença dos cidadãos nas urnas mostra que os jovens e os afrodescendentes não votaram em massa nesta ocasião, como quando Obama foi eleito presidente. Eles estão desapontados com Obama?
Moniz Bandeira:
Sim, os jovens e os afrodescendentes estão obviamente desapontados com o tímidas reformas do presidente Barack Obama, que não se afastou, de modo geral, da linha política do ex-presidente George W. Bush. Não houve mudança significativa em sua política internacional. Apesar de algumas pálidas iniciativas em relação à Cuba, manteve a política de Bush em relação a Israel e a questão palestina. Ele recuou e aceitou o golpe militar em Honduras.

E também intensificou operações no Afeganistão, onde durante os dois anos de seu governo (2009-2010), 741 soldados norte-americanos morreram, mais do que nos oito anos anteriores, desde que o presidente George W. Bush começou a guerra em 2001, e cuja soma foi de 620 vítimas. Até agora, para 2010, o total de soldados americanos mortos no Afeganistão é de cerca de 1371 e a guerra continua.

La Onda: Nos Estados Unidos e na Europa, a crise econômica está fazendo a extrema direita ganhar posições e avançar eleitoralmente. Os setores progressistas não têm um projeto viável para sair da crise da economia?
Moniz Bandeira: A crise econômica está levando a direita, mas não a direita radical, a ganhar posições eleitorais, embora alguns governos tenham de fazer certas concessões em certos casos, tais como a imigração. Mas o avanço da direita é devido ao fato de que também os partidos que seriam considerados progressistas e de esquerda não oferecem nenhuma solução para os problemas da atualidade.

A crise econômica ainda é muito grave e ainda não acabou, o que faz intensificar as lutas sociais em quase todos os países europeus. Mas a verdade é que os partidos de centro-direita e de centro-esquerda quase não se diferenciam e os partidos mais de esquerda, vivem no passado, historicamente ultrapassados, e suas propostas não são coerentes com as novas circunstâncias econômicas, sociais e políticas apresentados no século XXI.

A classe trabalhadora segue existindo, mas não é o mesma do tempo de Marx e Lênin. O desenvolvimento tecnológico tem mudado a estrutura do capitalismo e das próprias classes sociais.

La Onda: O pensamento norte-americano é o pensamento único?
Moniz Bandeira:
Eu não acho que o pensamento americano pode se tornar o pensamento único. A crise econômica e consequentemente social, irá produzir diferenças políticas e de maneiras de pensar. As circunstâncias em que os povos vivem são muito diferentes e não aceitarão o pensamento americano. E além disso, é necessário ter claro que os EUA estão em uma acentuada decadência, o que pode durar décadas ainda, mas é inevitável que mais cedo ou mais tarde o seu domínio imperial chegará ao fim.

La Onda: Diz-se que os setores republicanos que agora ascendem ao Congresso buscarão uma reforma conservadora, o que significa via livre para as guerras no Irã e no Afeganistão e a promoção do livre mercado. Será que isso pode ser possível com Obama?
Moniz Bandeira: O Departamento de Defesa dos EUA empregava em outubro de 2009 um total de 193.674 de contractors (mercenários contratados por empresas privadas militares – Militares Empresas Privadas [PMCs]) – no Iraque e no Afeganistão, o número equivale ao de soldados regulares, de acordo com o serviço de pesquisa do Congresso.

No entanto, menos de 5% dos mercenários eram americanos e uma quantidade menor ainda, de iraquianos. Os restantes 88% vieram de outros países, tais como Fiji, Chile, Nepal e Nigéria. O que acontece é uma terceirização da guerra, a guerra como negócio para grandes empresas, mas mesmo assim, há um limite, porque a crise econômica e financeira não vai permitir que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, continue a gastar recursos para financiar companhias militares privadas.

Quanto à promoção do livre mercado, o governo dos EUA vai insistir apenas para expandir seus negócios e reduzir seus déficits comerciais permanentes. Contudo não sei se vai ter êxito completo, porque países como Brasil e Argentina e outros irão resistir. Se eles aceitassem, seria suicídio nacional, o fim das suas indústrias e, inclusive, de sua agricultura, porque a dos EUA é subsidiada.

La Onda: Alguns vencedores na eleição dos EUA apoiaram o golpe em Honduras, mostraram-se hostis aos governos da Venezuela e da Bolívia, propõem militarizar a fronteira com o México e paralisar toda a abertura proposta a Cuba. Podemos esperar um novo período de confronto com a América do Sul?
Moniz Bandeira: Tensões na América do Sul tendem a se incendiar. E uma potência é mais perigosa quando está perdendo a sua hegemonia, como ocorre com os Estados Unidos, quando expande o seu poder, seu domínio em outras regiões.

La Onda: Dada a recente vitória do de Dilma no Brasil e a morte de Kirchner na Argentina, podemos esperar mudanças no curso da integração sul-americana?
Moniz Bandeira:
O triunfo de Dilma Rousseff no Brasil e a morte de Kirchner não vão produzir mudanças no processo de integração da América do Sul. A morte de Kirchner, infelizmente, é uma grande perda, mas acho que Cristina Kirchner vai conduzir o progresso com Dilma Rousseff.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

EUA: quem está por trás da ascensão do ultraconservador Tea Party - Portal Vermelho

EUA: quem está por trás da ascensão do ultraconservador Tea Party - Portal Vermelho

“A hora do chá.” Esta frase costumava evocar mansões inglesas, reuniões de britânicos distintos ao redor de uma mesa de chá servido em xícaras de porcelana por um mordomo seguramente chamado James. Agora não.

Por Juan Gelman*, no Página/12
Tradução: José Carlos Ruy

Agora surge na mente o Tea Party, o setor ultradireitista dos EUA, com um think-tank que difunde pensamentos muito antigos. Denomina-se Liberty Central (LC) e, para honrar seu nome, promove com orgulho a intolerância, o racismo, a rejeição ao aborto e aos casamentos gays.

É dirigido por Ginni Thomas, esposa do juiz Clarence Thomas, membro da Suprema Corte, e abriga 54 “agrupamentos amigos”, entre eles a ultracatólica Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma réplica independente da TFP fundada em 1960, em São Paulo (Brasil) pelo político, jornalista e escritor Plínio Correa de Oliveira.

Plínio odiava a Revolução Francesa, o protestantismo, o catolicismo liberal, o marxismo, claro, e acreditava que a Inquisição espanhola foi a “mais bela página da história da Igreja” porque, enquanto durou, “a Igreja Católica foi expurgada de hereges”.

A TFP americana não fica atrás: em sua lista de amigos figuram Proprietários de Armas dos EUA – organização que insiste em que cada cidadão estadunidense deve ter sua metralhadora ou ao menos um revólver – Projeto de Soberania de Missouri – que propugna a insurreição armada para derrubar o governo – e 52 outros aderentes. Sempre esteve vinculada com a direita mais radical, incluindo a Fundação Internacional pela Liberdade (IFF, na sigla em inglês).

A IFF foi criada nos anos Reagan e é conhecida sobretudo pelo apoio ao regime de apartheid na África do Sul. Mas seu ativismo ocupou outras frentes. Segundo o pesquisador Richard Bartholomew, “a TFP teve um papel no golpe de estado brasileiro de 1964 e há indícios de que, no Uruguai, recebeu explosivos do agregado militar da embaixada do Brasil para atacar lugares onde os comunistas se reuniam. O diretor da revista chilena da TFP, Jaime Guzmán, se tornou um dos ideólogos do regime de Pinochet” (//barthnotes.wordpress.com, 25-2-08). A homônima argentina foi criada por Mario Amadeo e seu líder mais famoso foi Cosme Beccar Varela.

A TFP/EUA se dedica, entre outras coisas, a recrutar jovens mediante práticas curiosas como as militares da Idade Média. Em julho passado promoveu um “chamado à fidalguia cavalheiresca” em um acampamento na Louisiana. Segundo a página eletrônica do grupo, “foram ensinadas algumas técnicas novas como o uso da lança e a ARQUERIA medieval.

Os combates com espadas de UTILERÍA tiveram grande êxito, assim como as simulações de guerra no bosqaue tropical que rodeia a propriedade” (www.tfpstudentaction.org , 18-7-10). Não fica claro se estes exercícios são brutais nem se especifica o número de braços e pernas quebrados durante sua realização.

O Tea Party se apresenta como um movimento popular, mas não se conheceria seu súbito sucesso sem as fortunas do bilionário do petróleo David H. Koch ou de Rupert Murdoch, dono do extenso império midiático News Corporation, que controla o grupo de canais Fox e Sky, os jornais diários The Wall Street Journal, The Sun, Times e apoiaram a uns 150 candidatos de extrema direita na recente eleição americana.

Todos eles se opõem ao aborto, alguns até em casos de estupro. Querem sobretudo uma política mais dura em todos os planos, mais liberdade de mercado, menos impostos, diminuição dos poderes do governo e do orçamento federal. Sharron Angle, uma dessas candidatas, exigiu a extinção do Departamento de Educação (como se chama o Ministério de Educação nos EUA) e do Organismo de Proteção Ambiental.

O apoio do Tea Party aos candidatos não foi só midiático. Koch, dono de uma fortuna pessoal de US$ 3,6 bilhões e dono com seu irmão Charles do megapolio Koch Industries, com faturamento anual estimado em 100 bilhões de dólares (www.newyorker.com, 30-8-10), destinou enormes somas de dinheiro, através da fundação Americans for Prosperity, que preside, e da Freedom Works que financia, para alimentar as campanhas eleitorais dos candidatos do Tea Party. Todos estão sob a bandeira republicana e pode-se imaginar que fazem parte de uma luta interna pelo controle do partido.

O ex-juiz e pastor da igreja New Millenium de Little Rock, Wendell Griffen, definiu assim a ideologia do Tea Party: seu “patriotismo” consiste em “um ataque constante à ideia de que os EUA acolham pessoas de qualquer nacionalidade, crença e origem étnica”; seu supremacismo branco subliminar é um velho câncer do país, nunca eliminado porque em todas as épocas da história dos EUA os políticos o usaram para ganhar o apoio da maioria branca” (ethicsdaily.com, 1-11-10). As crises econômicas dão origem, às vezes, a expressões de movimentos populistas, e nem todos são de esquerda!

* Juan Gelman é poeta e jornalista argentino

Coletivizando no Youtube