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sábado, 18 de abril de 2026

Capitalismo é quando a Economia melhora e você continua pobre - Domingo, 19/4. às 8h30 - Fórum Sindical com Juliane Furno, Maria Frô e Paulo Vinícius da Silva


A economia brasileira está crescendo, o emprego melhorou e a inflação está mais controlada.
Mas, mesmo assim, a sensação dos brasileiros é outra: o dinheiro não chega até o fim do mês.
A renda entra… e já sai.
E cada vez mais gente vive com a impressão de que está correndo — mas sem sair do lugar.
Isso não é só percepção.
Hoje, mais de 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida.
Quase um terço já está atrasando contas.
E, quanto menor a renda, maior o peso dessa dívida.
Ou seja: o problema não está só em quanto você ganha —
mas no que acontece com o seu dinheiro depois que ele chega.
Uma parte crescente da renda não vira consumo nem melhora de vida —
vira pagamento de juros, cartão de crédito e, mais recentemente, apostas.
A gente entrou em um momento em que o crédito, que deveria ajudar, começa a aprisionar.
Em que o consumo depende da dívida.
E em que o crescimento da economia não se traduz automaticamente em bem-estar.
Neste Fórum Sindical, a economista Juliane Furno e o sociólogo e diretor do Sindicato dos Bancários do DF, Paulo Vinicius da Silva, discutem:
Por que tanta gente está endividada mesmo com a economia melhorando
O peso real do endividamento das famílias
O impacto dos juros altos no dia a dia
Como o crédito virou uma engrenagem da desigualdade
E como as bets estão acelerando esse processo
A falta de esperança dos jovens precarizados, viciados no tigrinho e endividados
👉 Se a economia vai bem, por que o brasileiro continua endividado?
Se você sente que o dinheiro nunca é suficiente, este vídeo vai te mostrar o porquê.
—
📅 Domingo, 19/04, às 8h30
🎙️ Apresentação: Maria Frô
📌 Inscreva-se no canal para mais análises sobre economia real
📌 Compartilhe com alguém que também sente que o dinheiro “some”
 
#Economia​ #Endividamento​ #Brasil​ #Dinheiro​ #Juros​ #Dívida​ #Bets​ #Crise​ #Renda​

terça-feira, 10 de março de 2026

BANQUEIROS GANHAM,BRASIL PAGA! Fórum Sindical, 15/3, Ladislau Dowbor, Maria Frô e Paulo Vinícius da Silva


ASSISTA: <https://youtu.be/up8tR6lEyWUi> 



A ditadura dos juros: por que os bancos ganham enquanto o Brasil paga
Neste episódio do Fórum Sindical, o economista Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP e especialista em sistema financeiro e desenvolvimento econômico, analisa os efeitos dos juros altos no Brasil, a expansão do rentismo e o impacto da política monetária sobre crescimento, desigualdade e investimento produtivo.

O Brasil cresceu 2,3% em 2025, mas o consumo das famílias e os investimentos perderam força. Ao mesmo tempo, a taxa de juros elevada levanta um debate central: quem ganha e quem perde com os juros altos?

Segundo Dowbor, o avanço da financeirização global da economia transfere recursos da produção para o sistema financeiro, ampliando desigualdades e limitando o crescimento econômico e minando a soberania do país. A Blackrock, por exemplo, opera um montante de 14 trilhões de dólares, duas vezes o orçamento público dos Estados Unidos!

No debate também participa Paulo Vinícius da Silva, dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Sociólogo, trazendo a visão dos trabalhadores do sistema financeiro e do crédito no país.

Neste programa você vai entender:

Como os juros altos impactam o crescimento da economia

O que é rentismo e financeirização

Quem ganha com a dívida pública

Como os juros afetam emprego, crédito e investimento

O debate econômico que deve marcar as eleições de 2026

📌 Assista e participe do debate sobre economia brasileira, juros, desigualdade e desenvolvimento.
Apresentação: Maria Frô
Não perca, neste domingo,  15/03 às 8h30

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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Lágrima de urubu?! Não tenho pena, não! Paulo Vinícius da Silva



A 270ª reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) ocorrerá nos dias 6 e 7 de maio de 2025 e definirá a taxa de juros SELIC, acreditem, no patamar de 14,25%,  com viés de alta! 

 "O Comitê segue avaliando que o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta." (Ata da 269° Reunião do COPOM.)

Observe: "o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta." 

Ou seja: o cenário permite ver a desaceleração da atividade econômica, que desacelera graças aos juros da política monetária. E explica: reduzir a atividade econômica é elemento necessário para a  inflação entrar na meta.

Então, é assim:

- O COPOM atende ao mercado, em defesa do desemprego, por um crescimento menor e contra os salários. Isso não é "Independência", isso é sabotagem descarada.      

- O Congresso pega o dinheiro do governo Lula e não permite que ele execute, sendo o Poder Executivo;  -  As estatais seguem sob a cartilha neoliberal, sob as mais diversas pressões, de acionistas privados, de interesses privados, sob duro escrutínio para não cumprirem seu papel fundamental de impulsionar o desenvolvimento e a industrialização do Brasil;

 - A Imprensa é o primeiro nível de fake news contra o governo. Os grandes veículos de Imprensa, no geral, são parte de conglomerados econômicos no Brasil e no exterior, primeiros interessados nos JUROS ALTOS, pois a mesma taxa Selic que remunera o investimento dos mais ricos é a taxa que impactará nos juros cobrados, o custo do crédito, que onera os mais pobres. Por isso, o grande êxito do Real e do capitalismo financeiro, rentista parasitário brasileiro é esse: eles lucram com renda, e nós, trabalhamos.

Estamos sob guerra híbrida , que no campo comunicacional funciona a la gabinete do ódio. As plataformas digitais ocidentais são dos 1% mais ricos, então eles lêem o que quiserem sobre nós. Funcionamos dentro da rede "deles". Nenhum estado pode ser soberano hoje sem ter sua própria soberania digital. Não definimos as curtidas, eles definem. E ainda há um terceiro nível, que é o das milícias digitais, sempre associadas a interesses estrangeiros, a exemplo dos Bolsonaro.

- O "mercado" empareda o governo explícitamente para que não distribua renda, não gere empregos, não diminua a desigualdade, não dê os direitos aos trabalhadores, não se reduza a jornada. E o mercado é pouca gente, mesmo. E tá "dominado, tá tudo dominado" de tal modo, que esses possíveis consultáveis do Boletim Focus, tornam isso "ortodoxia", "responsabilidade fiscal". E até o Galípolo aplica. O consenso econômico é de extrema direita antes do seu despontar, em junho de 2013. O fascismo é função do imperialismo e da concentração de capital, da desigualdade. Eles não precisam mais da democracia, eles querem o Coringa na Presidência. É grana. É por isso que o COPOM tem a pachorra de dizer que seu papel na luta contra a inflação é jogar água fria na economia, diminuir o surgimento de empregos, não crescer o salário, e assim eles soam como a música de Baiano e os Novos Caetanos (Chico Anísio e Arnaud Rodrigues):

"Urubu tá com raiva do boi

E eu já sei que ele tem razão

É que o urubu tá querendo comer

Mas o boi não quer morrer

Não tem alimentação

O mosquito é engolido pelo sapo

O sapo a cobra lhe devora

Mas o urubu não pode devorar o boi

Todo dia chora, todo dia chora".

Claro que essa elite financeira odeia o Lula. Odeia-nos a todos que trabalhamos, produzimos, fazemos o Brasil. Eles parasitam a economia real e têm lucros imorais que vêm do trabalho e do endividamento do povo. Não podia jamais o COPOM virar um ente que em plena luz do dia, pudesse dizer impunemente que a saída é tirar dos pobres, dar mais aos ricos, essa agenda de horror e morte que eles querem eterna. Precisamos nos insurgir contra esse novo regime colonial de escravização do povo brasileiro. A agenda do Primeiro de Maio ilumina o caminho a seguir: 

- Redução da jornada, sem redução salarial;

– Fim da carestia;

– Isenção do IR até R$ 5 mil;

– Menos juros, mais empregos;

– Igualdade salarial entre homens e mulheres (lei 14.111).

É preciso ampliar a unidade no campo popular para assegurar a Frente Ampla. Sem a luta do povo, os obstáculos são intransponíveis para qualquer governo. O neoliberalismo é a própria forma do capitalismo nessa época. Precisamos de ambas: a unidade ampla de todas as forças sociais que apoiam o governo - sem ilusões -  e a mobilização das forças populares em defesa de uma agenda econômica de desenvolvimento, soberania, democracia e emprego, salário, uma vida melhor para todos. 

Lágrimas de urubus não devem nos comover. Muito bem ensina A Internacional: 

"Abomináveis na grandeza/ 

Os reis da mina e da fornalha / 

edificaram a riqueza / sobre o suor de quem trabalha. // 

Todo o produto de quem sua/ 

a corja rica o recolheu / 

querendo que ela o restitua/ quer só o que é seu. 

Menos Juros, Mais Empregos! Classe Trabalhadora, vamos nos unir!

quinta-feira, 13 de março de 2025

Os juros altos escravizam o Brasil - Paulo Vinícius da Silva




O dinheiro de quem não dá é o trabalho de quem não tem. Berimbau. Vinicius de Moraes



A luta contra os juros altos marca o Brasil desde o Plano Real, e não é à toa. A constituição do mercado da dívida pública foi o mecanismo principal que deu ao parasitismo do capital financeiro uma lucratividade semelhante, substituindo os lucros escandalosos obtidos pela hiperinflação, que era razão de instabilidade econômica, social e política. Ademais, o PSDB cunhou em FHC, ministro de Itamar, o título de “criador do Real que derrotou a inflação”, beneficiando-se do pavor na memória coletiva brasileira. 


Desde 2003, o Brasil tenta desmontar essa bomba, não é uma tarefa fácil. Se vacilarmos, a direita dá o Golpe. Isso expressa a duradoura dominância do capital financeiro parasitário como topo da pirâmide de classes brasileira, que é o fundamento principal da ascensão política da extrema direita aqui e além.



Lembro, ainda quando era Diretor da UNE, da bandeira “Mudança da Política Macroeconômica” nas manifestações de 2003 a 2014. Certo, era uma palavra de ordem difícil, mas queria se opor ao “Tripé Macroeconômico” do Plano Real, intocado até agora, qual seja: Regime de Metas de Inflação, Câmbio Flutuante e Taxa SELIC. Desta última é que deriva o custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas. Ora, para o indivíduo pode parecer muito melhor ter uma rentabilidade alta sem pregar um prego e com garantia do Tesouro, do que produzir o que quer que seja. Por isso dói nos parasitas, acreditem, o crescimento do emprego no Brasil, que atingiu patamares históricos sob Lula.


Quem produz, trabalha e consome - especialmente as pequenas e médias empresas e a classe trabalhadora - tem de pagar taxas de juros exorbitantes, em juros compostos, sob a forma de capitalização das tabelas PRICE e SAC. O Agronegócio tem o Plano Safra, não passa por isso, tem juros subsidiados, menores, para plantar monocultura e exportar commodities in natura. Assim, o Brasil tem financiado através dos bancos públicos a expansão do agronegócio, mesmo com as gritantes evidências do prejuízo ambiental e social que parte do setor promove.


O salário, se cresce, cresce pouco, já os juros das dívidas, crescem muito, especialmente se em caso de atraso. Não dá para alcançar. As medidas de redução do patamar dos juros - no cartão, por exemplo - são importantes, mas insuficientes diante da armadilha criada no Banco Central por seu Presidente anterior, Roberto Campos Neto,que fez tudo para deixar o dólar subir e os juros também. Há um bloco social gritando dia e noite a favor da manutenção e do aumento de juros. São poucos, mas detém imenso poder e emparedam o governo. A imprensa empresarial vive de renda no sistema financeiro.


Enquanto isso, adoecem os bancários da Caixa, do BB, BRB, BASA, BNB, BANPARÁ, BANRISUL, etc no ingrato ofício de ser pressionado a vender o crédito num patamar de juros altíssimo. Você acha que um bancário na China ou nos EUA empresta para seus clientes  a taxas MENSAIS? Não, o juro é ANUAL. No Brasil, os juros são divulgados por mês para o cliente não dar um infarto na hora de fazer um empréstimo. 


Por um lado, o sistema financeiro ganha sem fazer nada, especulando com o valor do dólar, ganhando um absurdo com títulos públicos. Por outro, o mesmo sistema financeiro impõe um patamar de juros tão alto, que surge uma nova servidão diante de dívidas que não param de crescer. Brasileiro é bom pagador, e sofre, e paga muito, e empobrece, e quebra. 


A luta de classes permite ver, como disse Vinícius, que “O dinheiro de quem não dá é o trabalho de quem não tem”. São inseparáveis os ganhos históricos no setor financeiro com a escravidão por dívida promovida com as taxas É dívida que faz um motorista de aplicativo se submeter a um regime de 14 horas de trabalho diário. E é a SELIC tão elevada que depois se multiplica para virar as taxas de juros cobradas no crédito. 


O sistema financeiro, desse modo, a classe dominante escravista brasileira: cruel, burra e infecunda, a viver do trabalho alheio. Quem ganha tanto com juros altos, especulação financeira sem riscos, com garantia e vantagens no imposto de renda só poderia odiar a Presidenta  Dilma, quem baixou as taxas de juros. Foi esse crime perfeito que se radicalizou com o Golpe de 2016, com a Ponte Para o Futuro de Temer e o governo Bolsonaro. Virou a farra do boi. E caiu no colo do Lula. 


Por isso, o grande acerto do programa de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, lançado pelo Presidente Lula. Ele, que denunciou tanto os juros altos, deu com a cara no muro formado pelo mercado financeiro, pela mídia empresarial e pela coalizão dos políticos a seu serviço. Não é menos verdade que sequer pôde Lula contar com os maiores bancos públicos, o BB e a Caixa. Os lucros demonstram, o patamar dos juros também, as metas mais ainda: o sistema gira sozinho como uma imensa bomba de sucção, retirando recursos da economia produtiva para esterilizá-los e pagar caro por isso, sem produzir um cibazol partido e desindustrializando o país. Nem os bancos públicos trabalham contra esse sistema. 


Lula e Haddad acharam um jeito: se baixar o patamar de juros para os trabalhadores formais, é possível baixar de modo geral os juros. Também poderão fazer a portabilidade de dívidas com juros menores. Mas isso demonstra as mãos atadas, por um lado, e a persistência de Lula, por outro. Resta saber se os bancos públicos, especialmente a Caixa e o BB, cumprirão o que prometeram nos discursos do lançamento do programa de crédito consignado para trabalhadores formais. Lágrimas de crocodilo não me sensibilizam. Queremos saber o tamanho da redução do spread, antes de comemorar. Aí sim.





É nesse contexto que na terça-feira, 18/3/2025, realizam as centrais sindicais atos públicos nas sedes do BACEN em Brasília e São Paulo às 10h (por enquanto). Se você deve, você é nosso convidado(a). As centrais também discutem o desafio de unificar o Primeiro de Maio. Se o Banco Central ajudar na redução da taxa SELIC, ajudará imensamente o Brasil, mas essa é uma batalha a ser vencida nas redes e nas ruas, uma das páginas mais importantes da construção da Frente Popular no seio da Frente Ampla. Essa é uma clivagem importante. Na Frente Ampla couberam inclusive os neoliberais. Só a união dos que trabalham e produzem pode libertar o Brasil da especulação parasitária e destrutiva, da nova escravidão por dívida e da burrice capitalista que ameaça a vida na Terra. Vencer o neoliberalismo é fundamental para libertar as imensas potencialidades da Nação Brasileira e deve ser o elemento de coesão das parcelas mais avançadas na Frente Ampla.




terça-feira, 24 de setembro de 2024

Banco Central: guardião da estagnação econômica, do desemprego e da concentração de renda - Luis Carlos Paes



A Sobrevivência dos Mais Gordos (2002): Jean Galschiot

Ao participar de debate no canal Ópera Mundi após a reunião do Copom, na semana passada, que elevou a Selic em 25 pontos, o renomado economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, afirmou que a política de juros altos é uma circunstância da “guerra entre a Faria Lima e o resto do país” ao ser provocado pela pergunta: “por que o Brasil tem hoje a segunda maior taxa de juros real do mundo, perdendo apenas para a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia? Por que temos uma economia de guerra se não estamos em guerra?”


Os acontecimentos que se sucederam à crise de 2007/2008 desmoralizaram por completo a lógica da macroeconomia neoclássica. Esta teoria pressupunha que a ampliação da base monetária levaria obrigatoriamente à inflação, sendo o único remédio para combatê-la a adoção, pela autoridade monetária, de taxas de juros mais elevadas.


O ex-diretor do Banco Central do Brasil (Bacen), ex-presidente do BNDES e um dos idealizadores do Plano Real, o economista André Lara Resende, no prefácio de seu livro “Camisa de Força Ideológica – A Crise da Macroeconomia” afirma: “...Com o advento do Quantitative Easing, a teoria monetária foi obrigada a fazer uma revisão mais profunda e explícita do que recorrentemente fez desde seus primórdios. ... o dogmatismo fiscalista e a ortodoxia monetária passaram a ser questionados. Primeiro, por economistas mais periféricos em relação aos centros do poder e do prestígio, depois por grande parte das organizações internacionais, como o Banco Mundial, o BID, o FMI e também alguns bancos centrais, como o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu. Finalmente, até os papas da ortodoxia nos Estados Unidos reconheceram a necessidade de revê-los. No Brasil, curiosamente ainda não. ... sem nos livrarmos da camisa de força ideológica da macroeconomia dominante, não há como repensar um projeto de retomada do crescimento.”


Em tempos de Fake News, o Bacen continua a adotar uma falsa teoria, já superada, que só atende aos interesses dos rentistas, parcela da sociedade brasileira, no topo da pirâmide social, que compreende menos de 0,1% da população brasileira.


Na medida, em que o País começa a se aproximar de um crescimento, ainda pequeno, de 3%, o desemprego cai e a renda das famílias tem uma leve recuperação os senhores diretores do Banco Central, salvaguardas do rentismo, decretam que o PIB, o emprego e a renda dos que estão no piso da pirâmide social não podem crescer pois a inflação poderia, na crença destes senhores, subir um pouco além do centro da meta de inflação, estipulada em 3% para os anos de 2024, 2025 e 2026.


E assim, a atual diretoria do Bacen e um punhado de tecnocratas, prisioneiros da camisa de força ideológica, continuam sabotando o crescimento da economia real e transferindo bilhões de reais dos cofres públicos para a especulação financeira, é o conflito a que se refere o professor Belluzzo.


Pergunte a qualquer brasileiro racional, por mais humilde que seja, se ele prefere o desemprego com uma inflação de 3%, ou se prefere o emprego e a possibilidade de um maior crescimento do País, mesmo que a custa de uma inflação um pouco mais elevada?


Assim, toda a nossa solidariedade e apoio ao presidente Lula que, com sobeja razão, desde o ano passado, faz um duro combate à Roberto Campos Neto e aos demais diretores do Bacen nomeados por Bolsonaro, todos comprometidos com o rentismo. 


Neste final de ano, Lula terá a oportunidade de trocar três novos diretores, inclusive o presidente do Banco, que somados aos quatros já indicados anteriormente, garantirá uma maioria folgada em relação à diretoria que ele recebeu do inominável. Esperamos que aproveite bem a oportunidade e indique nomes comprometidos com um novo projeto de desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável, incompatível com o rentismo exacerbado.


Fortaleza, 23 de setembro de 2024


Luís Carlos Paes de Castro, engenheiro, analista aposentado do Banco Central e presidente do PCdoB no Ceará

terça-feira, 6 de março de 2012

Centrais do DF e estudantes realizam ato no Banco Central: "Juros Não! Trabalho, Saúde e Educação"

Paulo Vinícius Silva

As centrais sindicais unidas do Distrito Federal (CTB, Força, CGTB, UGT e NCST) e o movimento estudantil (UNE, UBES, UESB) estão decididos a não dar sossego às reuniões do COPOM que definem a taxa de juros. Prova disso foi a manifestação de cerca de 1000 participantes que lotou a frente do Banco Central nesta terça-feira às 9h00, que teve como tema "Juros Não! Trabalho, Saúde e Educação".

O protesto iniciou-se ainda na segunda-feira (05/03), com uma panfletagem denunciando à população o problema dos juros altos, realizada na Rodoviária do Plano Piloto. O ato desta terça (06/03) manteve a tônica, com a exigência por uma queda mais rápida dos juros, a crítica aos cortes orçamentários nas áreas de saúde e educação e a denúncia dos impactos negativos dessa política monetária que reúne superávit primário elevado, juros altíssimos e política de câmbio para a indústria nacional e a qualidade dos empregos.
Além das centrais sindicais, o ato contou com o Sindicato dos Aposentados e com o movimento de mulheres, mas foi graças à mobilização estudantil, capitaneada pela UBES e com o apoio da UNE, que o ato se tornou um sucesso de público, com a presença de escolas importantes do Distrito Federal que levaram a maioria dos  participantes para essa primeira manifestação. Segundo Matteus Diniz, da UBES, "a luta das centrais sindicais contra essa política monetária também é a luta dos estudantes, porque é por causa dessa política do passado, e num contexto de crise, que são cortados recursos da saúde e da educação, e que se nega a reivindicação de 10% do PIB para a Educação". O Presidente da UJS-DF, Tiago cardoso, reforçou a importância da luta dos estudantes ao lado dos trabalhadores da educação, nesse momento em que o compromisso real do governo deve ser medido em função do financiamento da educação pública.

Para o Presidente da CTB-DF, Moysés Leme, "a política de juros altos sangra o trabalhador brasileiro, e é necessário que a Presidenta Dilma reafirme seus compromissos com o desenvolvimento brasileiro". Para Mário Lacerda, do SAEP-DF, "é fundamental aproximar ainda mais o movimento dos estudantes e dos trablhadores para fortalecer a luta por um pacto pelo emprego e pela educação de qualidade, o que só se fará com recursos". Já Paulo Vinícius, da Executiva Nacional da CTB, destacou que "o impacto dos juros é sentido nas casas de todos, quando um pai de família não pode comprar um material escolar, ou corta na alimentação e no vestuário, porque os juros comem um pedaço importante do seu salário, e a culpa dissop é dos senhores reunidos no BC, que definem a táxa que é referência para todas as demais. O BC é uma mãe para os banqueiros, que pegam dinheiro lá fora a 0,25% e vem aqui ganhar 10,5% nas costas de quem produz".

Epaminondas, da Força Sindical-DF, valorizou a consciência fos participantes, numa unidade que foi "dos estudantes do ensino médio até aos aposentados". E Ubiraci, Presidente Nacional da CGTB destacou os impactos negativos da atual política monetária para a desindustrialização, exposta pela abrupta queda do crescimento da produção industrial nacional e do PIB.

As centrais e os estudantes avaliaram como um grande êcxito para um primeiro protesto a mobilização de cerca de mil participantes e já agendaram um novo protesto para a próxima reunião do COPOM, que está prevista para 10 de maio, reforçando o movimento nacional que tem se realizado na Avenida Paulista. De agora em diante, o COPOM se reunirá com a voz rouca das ruas a questionar a motivações de suas decisões, se são tomadas em favor do Brasil ou em função dos interesses dos especuladores que prejudicam o país.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CTB espera que mudanças na economia não se limitem à queda dos juros

CTB espera que mudanças na economia não se limitem à queda dos juros
logo_ctbPor conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa de juros do país em 0,5%, anunciada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central, a Direção Nacional da CTB emitiu a seguinte nota:

Por uma nova política macroeconômica

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vê como positivo o anúncio da queda de 0,5% da taxa de juros do país, agora em 10,5% ao ano. Contudo, apesar da continuidade dessa política do Banco Central (foi a terceira redução consecutiva), a CTB entende que o governo de Dilma Rousseff precisa agir com maior intensidade para evitar que os efeitos da crise internacional afetem o país de forma mais impactante.

O início do processo da redução da taxa de juros se deu de forma tardia (somente no segundo semestre do ano passado), visto que já sabia, desde o início de 2011, que a crise internacional não havia sido debelada. A CTB, as demais centrais sindicais, diversos movimentos sociais populares e uma série de economistas já vinham alertando para os riscos que a política macroeconômica conservadora poderia trazer para o desenvolvimento do país.

A despeito da nova queda anunciada hoje, os juros reais cobrados no Brasil ainda são os maiores do mundo. Esse cenário, somado a uma política cambial inadequada e à manutenção do pagamento de um gigantesco superávit primário, tem se refletido na queda de investimentos produtivos no país. A perspectiva de crescimento para 2012 é tímida e a desindustrialização é a maior consequência dessas escolhas inapropriadas.

A CTB entende que o governo federal precisa adotar uma nova postura neste segundo ano de mandato da presidenta Dilma, na contramão dos interesses do mercado financeiro e em benefício da classe trabalhadora. Medidas como o corte de R$ 60 bilhões do Orçamento para 2012 significam o oposto daquilo que a maioria da população anseia e podem colocar em risco os recentes avanços conquistados.

O Brasil não foi afetado diretamente pela crise internacional de 2008 devido à postura corajosa do ex-presidente Lula, que ignorou os anseios conservadores e optou por uma política ousada, de incentivo à produção, ao consumo e à geração de empregos. É essa mesma postura que a CTB e a classe trabalhadora esperam da presidenta Dilma daqui por diante, a partir de uma nova política macroeconômica que tenha o desenvolvimento da nação e a valorização do trabalho como prioridade.

São Paulo, 18 de janeiro de 2012.

Wagner Gomes
Presidente nacional da CTB

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Movimento Sindical realiza ato e exige redução da taxa de juros - Portal Vermelho

Movimento Sindical realiza ato e exige redução da taxa de juros - Portal Vermelho


“Não queremos importar a crise para o Brasil, queremos aumentar as exportações, ampliar o número de empregos e fortalecer a indústria nacional”. Foi com esse grito que a Centrais Sindicais (CTB, Força Sindical, CUT, NCST, CGTB e UGT), com o apoio dos movimentos sociais e do movimento estudantil, realizaram nesta quarta-feira (18), em São Paulo, ato pela redução da taxa de juros em frente à sede local do Banco Central.


De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, as Centrais não concordam com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir os juros em apenas 0,5%, como está sendo anunciado. Ele disse que a mobilização é resultado de uma agenda deliberada pelas Centrais desde 2011, que busca combater os juros e retomar do crescimento do país.

“Essa bandeira pela redução dos juros foi definida em 1° de junho de 2010, durante a Conclat. Em 2011, as Centrais afinaram o coro e deliberaram que todas as vezes que o Banco Central se reunisse, o movimento sindical faria manifestação em frente às sedes do banco em todo o país com o objetivo de pressionar a redução do juros e intervir na taxa de câmbio”, explica Wagner.

Segundo ele, “é preciso baixar os juros, mudar a política cambial, barrar o processo em curso de desindustrialização e de desaceleração da economia. Assim, garantiremos o crescimento estável, com fortalecimento da indústria, com a valorização do trabalho”, finaliza.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira, diz que essa mobilização é apenas uma prévia da agenda de ações das Centrais e informou que a partir de março o movimento sindical irá intensificar a pressão junto ao governo. Ele acrescenta que “em 2011 o governo encontrou uma economia a 7% e hoje leva a 0%. Essa situação só gera recessão e desemprego e os trabalhadores, com seus sindicatos, estão engajados nessa luta”.

“Em março as Centrais irão apertar o cerco frente à atual política econômica. Além disso, iremos fortalecer as frentes contra o processo de desindustrialização, que se alimenta dos juros altos e do câmbio desvalorizado”, esclarece Paulinho da Força.





União das Centrais

Ubiraci Dantas, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), afirmou que a pedra de toque para vencer a luta pela redução da taxa de juros, bem com outras bandeiras defendidas pelas Centrais, é a união das entidades. Além disso, o apoio dos movimentos sociais e do movimento estudantil reflete o novo cenário que vem sendo construído no Brasil. Segundo ele, a mobilização ocorrida nesta terça-feira (17) no Rio de Janeiro só demonstra que o brasileiro está se conscientizando de que é através da luta que conseguiremos desenvolvimento com valorização do trabalho.

“Nossa luta é por uma política industrial que privilegie o desenvolvimento do Brasil, que privilegie os trabalhadores, a classe operária, os estudantes e a indústria nacional. E a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras ampliará as frentes de luta pela valorização do trabalho, além de garantir uma economia segura e mais igual para a sociedade brasileira”, finaliza Ubiraci.

Outras frentes

Como no Rio de Janeiro, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) esteve presente e declarou seu apoio às bandeiras levantadas pelas Centrais.

“A executiva nacional da Ubes reitera o apoio à luta do movimento sindical, pois a opressão sofrida pelo trabalhador também atinge os estudantes. A alta dos juros, além de precarizar o emprego, reduz os investimentos em outras áreas, como educação, ciência e tecnologia e saúde, o que impacta diretamente no processo de desenvolvimento do país”, declara Lucas Chequetti, diretor de assistência estudantil da Ubes

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), diz que 2012 será um ano de intensa luta pelos rumos do Brasil. Ele frisa que “o momento agora é de união dos movimentos sociais, para assim pressionar o governo e o Congresso Nacional. Precisamos levar essa discussão para a sociedade brasileira e assim conquistar avanços democráticos já em 2012. A Une se junta ao movimento sindical na briga pela aceleração da queda da taxa de juros, para que assim possamos liderar investimos e desenvolver o pais”.

De São Paulo, Joanne Mota

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país

Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país
O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (16) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do país registrou alta de 1,15% em novembro do ano passado, em relação ao mês de outubro. Não por acaso, o crescimento se deu em meio ao processo de redução da taxa de juros iniciado pelo próprio BC, no segundo semestre de 2011.

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Alexandre Tombini, presidente do BC: nova fase na política de juros do país?
O IBC-Br é um indicador criado pelo Banco Central para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic). Antes divulgado por estados e por regiões, desde o início deste ano o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além dos impostos.

"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção+importações)", explica o Banco Central.

Para Wagner Gomes, presidente da CTB, a realidade fria dos números mostrados pelo BC se soma ao que a população em geral tem sentido na prática: com juros menores, a economia do país se aquece, mais empregos são gerados e o que se vê é um cenário mais positivo em todos os aspectos. “Nossa história recente mostra que juros altos só beneficiam uma parcela muito pequena da sociedade”, comentou o dirigente.

O presidente da CTB reconhece que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC agiu corretamente em suas últimas três reuniões, ao decidir por consecutivas reduções da taxa de juros, mas entende que ainda há uma boa margem para novas quedas. “O Brasil ainda lidera um ranking vergonhoso, de país com a maior taxa de juros real do mundo. É por isso que esperamos uma nova queda para esta quarta-feira”, afirmou.

Expectativa

O IBC-Br é um dos indicadores de atividade econômica utilizados pelo Copom para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic. O BC inicia nesta terça-feira (17) a primeira reunião de 2012. A definição sobre a taxa de juros será conhecida na noite de quarta-feira.

Atualmente, a taxa Selic está em 11% ao ano. A expectativa dos analistas ouvidos pelo BC é de que os juros recuem 0,5% nesta semana, para 10,5% ao ano. Se essa projeção se confirmar, será o quarto corte consecutivo na Selic. O BC começou o ciclo de redução da taxa de juros na reunião de agosto do ano passado.

Analistas têm dito, de forma quase unânime, que ainda haverá mais dois cortes em 2012, até que a taxa de juros estacione em 9,5%. Para Wagner Gomes, é importante que o BC não se deixe influenciar pelos interesses do mercado financeiro. “Esperamos que os membros do Copom vejam a realidade da economia brasileira, da classe trabalhadora, das indústrias, do mercado de trabalho em geral para tomar uma decisão que não coloque em risco o desenvolvimento do país”, afirmou.

Ato

Diante desse delicado cenário, mais uma vez as centrais sindicais se reunirão em São Paulo, em frente à sede local do BC, para exigir uma nova queda da taxa de juros.

O ato está marcado para as 10h, na Avenida Paulista. Clique aqui para mais detalhes.

Fernando Damasceno – Portal CTB, com agências

domingo, 8 de janeiro de 2012

Juros: um gráfico que precisa ser divulgado - Portal Vermelho

Juros: um gráfico que precisa ser divulgado - Portal Vermelho

8 DE JANEIRO DE 2012 - 7H00





Os juros vão consumir 47,19 % do orçamento da União para 2012

Juros: um gráfico que precisa ser divulgado

A Folha Online mostra a aprovação do Orçamento para 2012, pelo Congresso Nacional. A proposta prevê a destinação de R$ 1,014 trilhão para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública no ano que vem, o que representa 47,19% de todo o orçamento. Enquanto isso, serão destinados apenas 18,22% para a Previdência Social, 3,98% para a saúde, 3,18% para a Educação, e 0,25% para a Reforma Agrária, conforme se vê no gráfico acima.

Apesar de grande mobilização dos aposentados (reivindicando aumento real para as aposentadorias maiores que um salário mínimo) e dos servidores públicos do Judiciário (pela recomposição de perdas inflacionárias), o governo não acatou nenhum destes pleitos, alegando “falta de recursos” e a crise internacional. Desta forma, o governo “combate” a crise da mesma forma que os países do Norte: cortando gastos sociais para salvar o setor financeiro.

A extrema intransigência da Presidente Dilma gerou revolta entre os parlamentares da própria base do governo. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) chegou a executar uma manobra de “obstrução”, por meio do pedido de verificação de quorum, o que faria a sessão se encerrar, e a votação do orçamento ser adiada para o ano que vem. Porém, diante da pressão da base do governo, Paulo Pereira aceitou retirar o pedido de verificação, aceitando em troca apenas a promessa do governo de que irá negociar tais pleitos, além da mera troca do negociador do governo (Duvanier Ferreira seria substituído pela Secretária da Ministra do Planejamento, ou pelo Ministro Gilberto Carvalho). Ou seja: na prática, nada garante que haja um aumento nos recursos para os aposentados ou servidores públicos.

As aposentadorias no valor de um salário mínimo receberão um aumento real, equivalente aos 7,53% aplicados ao salário mínimo. Apesar do governo festejar este aumento, cabe ressaltar que, desta forma, o governo Dilma acumulará, em seus dois primeiros anos, um aumento real médio anual de 3,4%, inferior até mesmo à média de FHC. Continuando-se nesta média anual, serão necessários 37 anos para se chegar aos R$ 2.349,26 exigidos pelo art. 7º, IV da Constituição, que garante um salário que garanta “moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

Outras notícias importantes de hoje – dos jornais Estado de S. Paulo e Correio Braziliense – mostram o crescimento brutal do endividamento devido às altas taxas de juros, e também à emissão de mais títulos da dívida para a obtenção de recursos – aos maiores juros do mundo – para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) emprestar a empresas privadas cobrando taxas bem menores.

Finalmente, no plano externo, é interessante destacar também duas notícias – dos jornais Valor Econômico e O Globo – que mostram os privilégios dos bancos, que são salvos pelo estado com dinheiro público. Enquanto o primeiro traz artigo de um ex-economista chefe do FMI, reconhecendo que os bancos privados foram salvos às custas do Estado, o segundo mostra a ajuda de meio trilhão de euros do Banco Central Europeu aos bancos privados, a juros de 1% ao ano, para que estes bancos emprestem aos países, ganhando taxas de juros 5 vezes maiores, ou seja, ganhando às custas do povo.

Fonte: Auditoria da Dívida Cidadã

sábado, 24 de dezembro de 2011

Juros "levam" 47% do Orçamento: R$ 1,014 trilhão - Portal Vermelho

Juros "levam" 47% do Orçamento: R$ 1,014 trilhão - Portal Vermelho

"A proposta prevê a destinação de R$ 1,014 trilhão para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública ano que vem, o que representa 47,19% de todo o Orçamento. Enquanto isso, serão destinados apenas 18,22% para a Previdência Social, 3,98% para a Saúde, 3,18% para a Educação, e 0,25% para a Reforma Agrária."

A comparação é do economista Rodrigo Ávila, da Auditoria Cidadã da Dívida, ao comentar o Orçamento da União para 2012, aprovado no fim da noite da última quinta-feira pelo Congresso Nacional.

O governo, porém, insiste em que o Orçamento dá prioridade aos investimentos públicos, com crescimento de 13,2% em relação ao projeto original do Executivo, de R$ 164,7 bilhões para R$ 186,5 bilhões; às ações sociais, beneficiadas com mais recursos para Saúde e Educação (respectivamente, R$ 5,9 bilhões e R$ 1,8 bilhão) e aos municípios com até 50 mil habitantes, que ganharam R$ 2,2 bilhões em emendas para Saúde e Saneamento, escolhidas pela própria população.

Do ponto de vista fiscal, a proposta não acrescenta despesas obrigatórias para o Executivo. Os gastos com funcionalismo público, por exemplo, somam R$ 203,2 bilhões, o mesmo número do projeto original. Os valores da Previdência Social também mudaram pouco.

Nos gastos por função, que traz o maior número por despesa agregada, a dotação da Previdência saiu de R$ 391,77 bilhões para R$ 391,86 bilhões.

No geral, a atuação dos parlamentares garantiu acréscimo de R$ 32,1 bilhões ao projeto enviado pelo Executivo. O texto inicial previa um Orçamento efetivo (conceito que exclui os gastos com refinanciamento da dívida pública) de R$ 1,572 trilhão. Após acréscimos de receita e despesa pelo Congresso, o valor ficou em R$ 1,602 trilhão.

Fonte: Monitor Mercantil

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.

O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.

Previsões em baixa

O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.

Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).

Cenário crítico

O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.

As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.

Política econômica

A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.

Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.

Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.

Déficit comercial da indústria

As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.

O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.

Correndo atrás do prejuízo

A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.

A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.

Fiesp

Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.

“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.

Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.

Da Redação, Umberto Martins, com agências

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Jurômetro"da Fiesp evidencia os males dos juros altos - Portal Vermelho

"Jurômetro"da Fiesp evidencia os males dos juros altos - Portal Vermelho

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou nesta terça-feira (29) o Jurômetro, uma ferramenta online que calcula quanto o governo brasileiro pagou em juros da dívida no acumulado do ano. Além disso, o instrumento permite comparar o que o governo poderia fazer com o dinheiro em relação à educação, habitação, renda e transportes; quantas escolas ou casas populares poderiam ser construídas, quantas cestas básicas poderiam compradas ou quantos novos aeroportos inaugurados.

De acordo com o Jurômetro, o País já pagou cerca de R$ 216 bilhões em juros no acumulado de 2011, montante suficiente para construir 332 aeroportos. Toda esta dinheirama é desviada pelo governo dos investimentos em saúde, educação, infraestrutura e outras áreas para o pagamento de juros.

896 milhões de Bolsa Família

Ainda no transporte, o dinheiro poderia ser destinado à construção de 90 mil km de ferrovias e 166 km de rodovias. Caso fosse destinado à renda, daria para pagar 397 milhões de salários mínimos, ou 896 milhões de benefícios do Bolsa Família. O montante poderia arcar com os custos de 667 milhões de cestas básicas.

Na educação, o total pago daria para manter cerca de 104 milhões de crianças estudando, além de equipar 527 mil escolas e construir outras 234 mil. Já na habitação, os R$ 216 bilhões poderiam ser destinados à constução de cerca de 3 milhões de casas populares, 100 milhões de novas ligações de água e 64 milhões de ligações de esgoto.

Conscientização

A ferramenta utiliza dados oficiais do Banco Central (BC), corrigidos com base em mudanças na meta da taxa básica de juros (Selic) e do número de dias. Segundo o BC, a dívida pública líquida do País é de 37,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado em 12 meses. De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o objetivo é mostrar para a população o que ocorre quando a taxa de juros aumenta ou diminui.

"Quantos sabem o que representa 1 ponto percentual nos juros? Além disso, o objetivo é haver mais conscientização por parte da sociedade, e talvez lembrar as pessoas do BC que aqueles valores são muito elevados", afirmou Skaf. A Fiesp está construindo paineis do Jurômetro para serem colocados diante da sede da instituição, na avenida Paulista em SP, e próximo ao BC em Brasilia.

Agiotagem

A Fiesp acredita que se a Selic for mantida em 11,5% até o fim do ano serão pagos pelo governo R$ 240 bilhões em juros da dívida pública. A média de juros reais no mundo é de 0,04%, enquanto no Brasil é quase de 6%, segundo a entidade. Ou seja, pagamos juros de agiota.

O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira à tarde e termina amanhã a última reunião de 2011. A expectativa dos analistas financeiros da iniciativa privada é de redução de 0,5%, o que reduziria a Selic a 11% ao ano. Ainda assim o Brasil continuaria pagando os mais altos juros reais do mundo.

Uma redistribuição perversa da renda

O que se dá na prática é uma escandalosa redistribuição de riquezas que o Estado recolhe de toda sociedade para um reduzido grupo de credores. A DRU (Desvinculação das Receitas da União) viabiliza o negócio que beneficia os rentistas, possibilitando o desvio de recursos que a Constituição destina à saúde e outras áreas essenciais. O chamado superávit primário, que neste ano deve ultrapassar a casa dos R$ 100 bilhões, é o realizado precisamente para garantir o pagamento dos juros.

Além de prejudicar a saúde e educação do povo, a agiotagem praticada com dinheiro público impede o Brasil de crescer a taxas mais altas, como fazem a China e Argentina, entre outros, uma vez que quase todo o superávit primário é feito à custa dos investimentos públicos, como mostra recente estudo do Ipea, e o dinheiro pago aos credores geralmente não é reciclado para atividades produtivas.

Com agências

Ato contra juros altos ocupa Paulista, em São Paulo - Portal Vermelho

Ato contra juros altos ocupa Paulista, em São Paulo - Portal Vermelho

Manifestantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Nova Central e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, nesta terça-feira (29), para exigir que o Banco Central (BC) reduza os juros no país, dando continuidade ao processo de redução da taxa Selic. O ato ocorreu em frente à sede do BC e contou com a participação de movimentos sociais.


Ato contra juros altos em São Paulo
Movimentos sociais e centrais sindicais fazem ato na Paulista / crédito: CTB

Aos gritos de “1, 2, 3, 4, 5, 1000, ou abaixam os juros, ou paramos o Brasil!”, cerca de 200 estudantes e trabalhadores chamaram a atenção da população para explicar o que representa para o país a manutenção de juros exorbitantes.

Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, somente com juros menores será possível o Brasil se tornar uma nação mais desenvolvida, com um parque industrial forte e competitivo, que seja capaz de criar mais empregos e diminuir a desigualdade social.

“Ainda temos a taxa de juros real mais alta do mundo. Apesar das recentes quedas, é preciso dizer que essa redução em conta-gotas não resolve o problema do Brasil”, afirmou Wagner Gomes, referindo-se às duas mais recentes decisões do Copom, de queda de 0,5%, nos meses de setembro e outubro.

Para o dirigente, é fundamental a mobilização de toda a classe trabalhadora pela queda dos juros no Brasil. “Chega de dar dinheiro para banqueiro. Esperamos do Copom (Comitê de Política Monetária) uma atitude patriota, em um nível necessário para que o país possa se desenvolver”, declarou.

Entre hoje e amanhã (30), o Copom do BC estará reunido em Brasília para decidir qual será a nova taxa de juros.

da redação, com informações da CTB



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Centrais consideram insuficiente redução de 0,5% na Selic - Portal Vermelho

Centrais consideram insuficiente redução de 0,5% na Selic - Portal Vermelho

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) emitiu nota, em seu portal, criticando a redução de somente meio ponto percentual da taxa básica de juros, baixando de 12% para 11,5% ao ano. Força Sindical e UGT também criticaram a timidez da decisão.

Confira o comunicado da CTB:

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado formado pelos diretores e presidente da autoridade monetária, em reunião nesta quarta-feira, 19/10, anunciou uma nova redução na taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 0,5 ponto percentual, caindo de 12% para 11,5% ao ano.

Leia também:

BC mantém tendência e reduz Selic para 11,5% ao ano
A redução na taxa de juros foi uníssona na reunião que aconteceu nesta terça-feira, 18/10, no lançamento do movimento “Por um Brasil com juros baixos: mais empregos e maior produção”, quando empresários, economistas e sindicalistas se reuniram em São Paulo para assinar um documento a favor da redução da taxa básica de juros.

Tinha uma grande expectativa entre os presentes que esperavam uma queda acentuada, apesar da expectativa dos economistas dos bancos que previam uma redução de 0,5 ponto percentual nos juros, para 11,50% ao ano, o que acabou se confirmando.

O presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Wagner Gomes, declarou: “Considero insuficiente a queda de 0,5% para que o país continue a enfrentar a crise financeira internacional e espero que a taxa de juros continue caindo em um percentual maior ainda”.

CTB


Outras centrais também cobraram maior redução

As centrais sindicais consideraram que a redução de 0,50% na taxa básica de juros (Selic), anunciada hoje (19) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi “muito pequena”.

Por meio de nota, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, voltou a dizer que o Banco Central “acertou no remédio, mas errou na dose”.

“A redução é positiva, mas insuficiente. O que há para comemorar é que a redução do índice – que foi de 12% para 11,50% – reflete a pressão da sociedade, especialmente do movimento sindical, que constantemente tem-se manifestado a favor de queda ousada na taxa básica de juros. Esperamos, agora, que o Copom ao menos mantenha esse ritmo de queda, que, apesar de suave, serve de alento para a economia”, disse o presidente da Força Sindical.

Para Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), faltou ousadia ao Banco Central para reduzir ainda mais os juros. “A UGT apoia a decisão do Copom em reduzir a taxa Selic em 0,5%. Lamenta apenas ter faltado ousadia a favor do Brasil e se adotar uma redução mais enérgica, de pelo menos um ponto percentual. Isso sim, seria uma decisão pelo Brasil, pela geração de empregos e pela produção”, disse Patah, por meio de nota.

Com agências

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Opinião do governo: Brasil Maior desonera folha de confecções, calçados, móveis e softwares

www.presidencia.gov.br

Presidenta Dilma Rousseff lança o Plano Brasil Maior, a nova política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do país. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A nova política industrial brasileira – o Plano Brasil Maior, lançado nesta terça-feira (2/8) pela presidenta Dilma Rousseff – reduz a zero a alíquota de 20% para o INSS de setores sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional e intensivos em mão de obra, como confecções, calçados, móveis e softwares. Em contrapartida, será cobrada uma contribuição sobre o faturamento com alíquota a partir de 1,5% de acordo com o setor.
O plano garante que o Tesouro Nacional arcará com a diferença para cobrir a eventual perda de arrecadação da Previdência Social. A medida funcionará como um projeto piloto até dezembro de 2012 e seu impacto será acompanhado por uma comissão tripartite, formada por governo, setor produtivo e sociedade civil.
“Esse plano tem uma principal característica, que é a de ser um plano corajoso, um plano ousado, um plano audaz, que não fugiu ao desafio imposto pelo cenário internacional (…). Vamos defender nosso mercado interno”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que as medidas são uma resposta “à concorrência predatória” imposta pelos países desenvolvidos frente à crise econômica internacional. Na opinião dele, a atual conjuntura financeira mundial prejudica em especial o setor manufatureiro, que “busca mercados a qualquer custo”.
“Vamos tomar conjunto de medidas para dar mais condições de competitividade à indústria brasileira”, afirmou.
Além da desoneração da folha, o Brasil Maior prevê uma série de ações iniciais que vão desde a desoneração das exportações, com a criação do Reintegra, até a regulamentação da Lei de Compras Governamentais, passando pelo fortalecimento da defesa comercial e pela criação de regimes especiais setoriais, com redução de impostos.

Veja abaixo as principais medidas do Brasil Maior

Devolução em dinheiro
Criado por medida provisória, o Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras) irá devolver ao exportador de bens industrializados 0,5% da receita da exportação, nos mesmos moldes da restituição do Imposto de Renda. Por meio de decreto presidencial, a presidenta da República poderá elevar esse percentual para até 4%. O valor em espécie será depositado na conta do exportador, mas quem desejar também poderá usar os recursos para quitar débitos existentes junto à Receita Federal.
O objetivo do regime é desonerar as exportações de bens industrializados de tributos pagos ao longo da cadeia de produção que, hoje, não são desonerados pelas sistemáticas vigentes, como ISS, IOF e CIDE, entre outros. O benefício é linear e está de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio.
Compras governamentais
Para fortalecer a indústria brasileira, o decreto de regulamentação da Lei 12.349/2010, a Lei de Compras Governamentais, estipula uma margem de preferência de até 25% nos processos de licitação para produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam às normas técnicas brasileiras.
Essas margens serão definidas levando em consideração a geração de emprego e renda e o desenvolvimento e a inovação tecnológica realizados no país. O dispositivo será usado também para fortalecer pequenos e médios negócios e será focado nas áreas de Defesa, Saúde e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
Um dos exemplos de aplicação da nova política poderá vir com a preferência para o produto nacional em licitações do Ministério da Defesa para compra de fardas e coturnos.
Defesa comercial
A defesa comercial brasileira também será reforçada. A principal medida é o aumento do número de investigadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que passará de 30 para 120. O prazo de investigação para aplicação de medidas antidumping será reduzido de 15 para 10 meses e, para aplicação de direito provisório, cairá de 240 para 120 dias. Também será negociada no âmbito do Mercosul a flexibilização da administração das alíquotas de importação.
Serão reforçados ainda o combate à circunvenção, por meio da extensão do direito antidumping ou de medidas compensatórias a importações que estejam tentando burlar o mecanismo de defesa comercial, à falsa declaração de origem, com o indeferimento da licença de importação quando constatada a prática, e ao subfaturamento de preços. Outra medida prevê o aumento do número de produtos sujeitos à certificação compulsória.
Modernização do Inmetro
Para fazer frente à ampliação do número de produtos certificados, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) terá sua estrutura modernizada e ampliada. Passará a se chamar Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e atuará em aeroportos e portos para atestar a qualidade das mercadorias importadas que terão de respeitar as mesmas normas impostas aos produtos nacionais.
Para isso, a autarquia terá livre acesso às alfândegas de portos e aeroportos do país e será chamado a participar da formulação de acordos de livre comércio quando os temas forem “barreiras técnicas” e “harmonização de regulamentos”. O Inmetro também terá a função de autoridade notificadora dos regulamentos técnicos federais ao Comitê do Acordo sobre Barreiras Técnicas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O órgão ainda vai expandir suas atividades científicas e tecnológicas  para apoio à inovação da indústria com a implantação de uma rede de laboratórios em todo o país.
Regime automotivo
O Plano Brasil Maior inclui um novo regime automotivo. Os benefícios ainda estão em estudo, mas envolverão veículos acabados e autopeças. Como contrapartida, um decreto presidencial vai definir as exigências para enquadramento no regime como aumento de investimento, agregação de valor, transferência tecnológica, emprego e inovação.
PIS-Cofins e desonerações
O Brasil Maior também contempla pedido antigo do setor produtivo ao prever a devolução imediata de créditos de PIS-Cofins sobre bens de capital – o prazo já havia sido reduzido de 48 meses para 24 meses e, posteriormente, para os atuais 12 meses.
O plano prevê o processamento automático dos pedidos de ressarcimento e o pagamento em 60 dias para empresas com escrituração fiscal digital a partir de outubro deste ano. A partir de março de 2012, a escrituração digital será obrigatória.
Ainda na área de desonerações, estão previstos o atendimento mais célere dos pedidos de ressarcimento dos 116 maiores exportadores que somam R$ 13 bilhões e a extensão, por mais 12 meses, da redução de IPI sobre bens de capital, material de construção, caminhões e veículos comerciais leves.
Inovação e financiamento
A política industrial reserva ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) papel de relevo no financiamento à inovação e ao investimento. Uma das principais medidas nesta área é a concessão de crédito de R$ 2 bilhões à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, para ampliação da carteira de inovação da instituição.
O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com orçamento de R$ 75 bilhões, será estendido até dezembro de 2012 e incluirá novos programas para componentes e serviços técnicos especializados; equipamentos de Tecnologias da Informação Comunicação (TICs) produzidos no país; e ônibus híbridos, entre outros.
O BNDES Revitaliza, também de financiamento ao investimento, terá R$ 6,7 bilhões e incluirá um novo setor: o de autopeças. As taxas de juros para micro e pequenas empresas serão de 6,5% ao ano e para grandes empresas, de 8,7% ao ano.
Conselho industrial
Mais medidas se somarão às anunciadas hoje nos próximos dias. Outras serão construídas em parceria com o setor privado ao longo do período de vigência do plano (2011-2014). As propostas serão elaboradas no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que tem a função de propor ao presidente da República políticas nacionais e medidas específicas destinadas a promover o desenvolvimento industrial do país e também irá estabelecer as orientações estratégicas gerais do Brasil Maior.

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