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terça-feira, 6 de março de 2012

Centrais do DF e estudantes realizam ato no Banco Central: "Juros Não! Trabalho, Saúde e Educação"

Paulo Vinícius Silva

As centrais sindicais unidas do Distrito Federal (CTB, Força, CGTB, UGT e NCST) e o movimento estudantil (UNE, UBES, UESB) estão decididos a não dar sossego às reuniões do COPOM que definem a taxa de juros. Prova disso foi a manifestação de cerca de 1000 participantes que lotou a frente do Banco Central nesta terça-feira às 9h00, que teve como tema "Juros Não! Trabalho, Saúde e Educação".

O protesto iniciou-se ainda na segunda-feira (05/03), com uma panfletagem denunciando à população o problema dos juros altos, realizada na Rodoviária do Plano Piloto. O ato desta terça (06/03) manteve a tônica, com a exigência por uma queda mais rápida dos juros, a crítica aos cortes orçamentários nas áreas de saúde e educação e a denúncia dos impactos negativos dessa política monetária que reúne superávit primário elevado, juros altíssimos e política de câmbio para a indústria nacional e a qualidade dos empregos.
Além das centrais sindicais, o ato contou com o Sindicato dos Aposentados e com o movimento de mulheres, mas foi graças à mobilização estudantil, capitaneada pela UBES e com o apoio da UNE, que o ato se tornou um sucesso de público, com a presença de escolas importantes do Distrito Federal que levaram a maioria dos  participantes para essa primeira manifestação. Segundo Matteus Diniz, da UBES, "a luta das centrais sindicais contra essa política monetária também é a luta dos estudantes, porque é por causa dessa política do passado, e num contexto de crise, que são cortados recursos da saúde e da educação, e que se nega a reivindicação de 10% do PIB para a Educação". O Presidente da UJS-DF, Tiago cardoso, reforçou a importância da luta dos estudantes ao lado dos trabalhadores da educação, nesse momento em que o compromisso real do governo deve ser medido em função do financiamento da educação pública.

Para o Presidente da CTB-DF, Moysés Leme, "a política de juros altos sangra o trabalhador brasileiro, e é necessário que a Presidenta Dilma reafirme seus compromissos com o desenvolvimento brasileiro". Para Mário Lacerda, do SAEP-DF, "é fundamental aproximar ainda mais o movimento dos estudantes e dos trablhadores para fortalecer a luta por um pacto pelo emprego e pela educação de qualidade, o que só se fará com recursos". Já Paulo Vinícius, da Executiva Nacional da CTB, destacou que "o impacto dos juros é sentido nas casas de todos, quando um pai de família não pode comprar um material escolar, ou corta na alimentação e no vestuário, porque os juros comem um pedaço importante do seu salário, e a culpa dissop é dos senhores reunidos no BC, que definem a táxa que é referência para todas as demais. O BC é uma mãe para os banqueiros, que pegam dinheiro lá fora a 0,25% e vem aqui ganhar 10,5% nas costas de quem produz".

Epaminondas, da Força Sindical-DF, valorizou a consciência fos participantes, numa unidade que foi "dos estudantes do ensino médio até aos aposentados". E Ubiraci, Presidente Nacional da CGTB destacou os impactos negativos da atual política monetária para a desindustrialização, exposta pela abrupta queda do crescimento da produção industrial nacional e do PIB.

As centrais e os estudantes avaliaram como um grande êcxito para um primeiro protesto a mobilização de cerca de mil participantes e já agendaram um novo protesto para a próxima reunião do COPOM, que está prevista para 10 de maio, reforçando o movimento nacional que tem se realizado na Avenida Paulista. De agora em diante, o COPOM se reunirá com a voz rouca das ruas a questionar a motivações de suas decisões, se são tomadas em favor do Brasil ou em função dos interesses dos especuladores que prejudicam o país.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CTB espera que mudanças na economia não se limitem à queda dos juros

CTB espera que mudanças na economia não se limitem à queda dos juros
logo_ctbPor conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa de juros do país em 0,5%, anunciada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central, a Direção Nacional da CTB emitiu a seguinte nota:

Por uma nova política macroeconômica

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vê como positivo o anúncio da queda de 0,5% da taxa de juros do país, agora em 10,5% ao ano. Contudo, apesar da continuidade dessa política do Banco Central (foi a terceira redução consecutiva), a CTB entende que o governo de Dilma Rousseff precisa agir com maior intensidade para evitar que os efeitos da crise internacional afetem o país de forma mais impactante.

O início do processo da redução da taxa de juros se deu de forma tardia (somente no segundo semestre do ano passado), visto que já sabia, desde o início de 2011, que a crise internacional não havia sido debelada. A CTB, as demais centrais sindicais, diversos movimentos sociais populares e uma série de economistas já vinham alertando para os riscos que a política macroeconômica conservadora poderia trazer para o desenvolvimento do país.

A despeito da nova queda anunciada hoje, os juros reais cobrados no Brasil ainda são os maiores do mundo. Esse cenário, somado a uma política cambial inadequada e à manutenção do pagamento de um gigantesco superávit primário, tem se refletido na queda de investimentos produtivos no país. A perspectiva de crescimento para 2012 é tímida e a desindustrialização é a maior consequência dessas escolhas inapropriadas.

A CTB entende que o governo federal precisa adotar uma nova postura neste segundo ano de mandato da presidenta Dilma, na contramão dos interesses do mercado financeiro e em benefício da classe trabalhadora. Medidas como o corte de R$ 60 bilhões do Orçamento para 2012 significam o oposto daquilo que a maioria da população anseia e podem colocar em risco os recentes avanços conquistados.

O Brasil não foi afetado diretamente pela crise internacional de 2008 devido à postura corajosa do ex-presidente Lula, que ignorou os anseios conservadores e optou por uma política ousada, de incentivo à produção, ao consumo e à geração de empregos. É essa mesma postura que a CTB e a classe trabalhadora esperam da presidenta Dilma daqui por diante, a partir de uma nova política macroeconômica que tenha o desenvolvimento da nação e a valorização do trabalho como prioridade.

São Paulo, 18 de janeiro de 2012.

Wagner Gomes
Presidente nacional da CTB

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Movimento Sindical realiza ato e exige redução da taxa de juros - Portal Vermelho

Movimento Sindical realiza ato e exige redução da taxa de juros - Portal Vermelho


“Não queremos importar a crise para o Brasil, queremos aumentar as exportações, ampliar o número de empregos e fortalecer a indústria nacional”. Foi com esse grito que a Centrais Sindicais (CTB, Força Sindical, CUT, NCST, CGTB e UGT), com o apoio dos movimentos sociais e do movimento estudantil, realizaram nesta quarta-feira (18), em São Paulo, ato pela redução da taxa de juros em frente à sede local do Banco Central.


De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, as Centrais não concordam com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir os juros em apenas 0,5%, como está sendo anunciado. Ele disse que a mobilização é resultado de uma agenda deliberada pelas Centrais desde 2011, que busca combater os juros e retomar do crescimento do país.

“Essa bandeira pela redução dos juros foi definida em 1° de junho de 2010, durante a Conclat. Em 2011, as Centrais afinaram o coro e deliberaram que todas as vezes que o Banco Central se reunisse, o movimento sindical faria manifestação em frente às sedes do banco em todo o país com o objetivo de pressionar a redução do juros e intervir na taxa de câmbio”, explica Wagner.

Segundo ele, “é preciso baixar os juros, mudar a política cambial, barrar o processo em curso de desindustrialização e de desaceleração da economia. Assim, garantiremos o crescimento estável, com fortalecimento da indústria, com a valorização do trabalho”, finaliza.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira, diz que essa mobilização é apenas uma prévia da agenda de ações das Centrais e informou que a partir de março o movimento sindical irá intensificar a pressão junto ao governo. Ele acrescenta que “em 2011 o governo encontrou uma economia a 7% e hoje leva a 0%. Essa situação só gera recessão e desemprego e os trabalhadores, com seus sindicatos, estão engajados nessa luta”.

“Em março as Centrais irão apertar o cerco frente à atual política econômica. Além disso, iremos fortalecer as frentes contra o processo de desindustrialização, que se alimenta dos juros altos e do câmbio desvalorizado”, esclarece Paulinho da Força.





União das Centrais

Ubiraci Dantas, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), afirmou que a pedra de toque para vencer a luta pela redução da taxa de juros, bem com outras bandeiras defendidas pelas Centrais, é a união das entidades. Além disso, o apoio dos movimentos sociais e do movimento estudantil reflete o novo cenário que vem sendo construído no Brasil. Segundo ele, a mobilização ocorrida nesta terça-feira (17) no Rio de Janeiro só demonstra que o brasileiro está se conscientizando de que é através da luta que conseguiremos desenvolvimento com valorização do trabalho.

“Nossa luta é por uma política industrial que privilegie o desenvolvimento do Brasil, que privilegie os trabalhadores, a classe operária, os estudantes e a indústria nacional. E a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras ampliará as frentes de luta pela valorização do trabalho, além de garantir uma economia segura e mais igual para a sociedade brasileira”, finaliza Ubiraci.

Outras frentes

Como no Rio de Janeiro, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) esteve presente e declarou seu apoio às bandeiras levantadas pelas Centrais.

“A executiva nacional da Ubes reitera o apoio à luta do movimento sindical, pois a opressão sofrida pelo trabalhador também atinge os estudantes. A alta dos juros, além de precarizar o emprego, reduz os investimentos em outras áreas, como educação, ciência e tecnologia e saúde, o que impacta diretamente no processo de desenvolvimento do país”, declara Lucas Chequetti, diretor de assistência estudantil da Ubes

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), diz que 2012 será um ano de intensa luta pelos rumos do Brasil. Ele frisa que “o momento agora é de união dos movimentos sociais, para assim pressionar o governo e o Congresso Nacional. Precisamos levar essa discussão para a sociedade brasileira e assim conquistar avanços democráticos já em 2012. A Une se junta ao movimento sindical na briga pela aceleração da queda da taxa de juros, para que assim possamos liderar investimos e desenvolver o pais”.

De São Paulo, Joanne Mota

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país

Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país
O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (16) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do país registrou alta de 1,15% em novembro do ano passado, em relação ao mês de outubro. Não por acaso, o crescimento se deu em meio ao processo de redução da taxa de juros iniciado pelo próprio BC, no segundo semestre de 2011.

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Alexandre Tombini, presidente do BC: nova fase na política de juros do país?
O IBC-Br é um indicador criado pelo Banco Central para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic). Antes divulgado por estados e por regiões, desde o início deste ano o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além dos impostos.

"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção+importações)", explica o Banco Central.

Para Wagner Gomes, presidente da CTB, a realidade fria dos números mostrados pelo BC se soma ao que a população em geral tem sentido na prática: com juros menores, a economia do país se aquece, mais empregos são gerados e o que se vê é um cenário mais positivo em todos os aspectos. “Nossa história recente mostra que juros altos só beneficiam uma parcela muito pequena da sociedade”, comentou o dirigente.

O presidente da CTB reconhece que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC agiu corretamente em suas últimas três reuniões, ao decidir por consecutivas reduções da taxa de juros, mas entende que ainda há uma boa margem para novas quedas. “O Brasil ainda lidera um ranking vergonhoso, de país com a maior taxa de juros real do mundo. É por isso que esperamos uma nova queda para esta quarta-feira”, afirmou.

Expectativa

O IBC-Br é um dos indicadores de atividade econômica utilizados pelo Copom para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic. O BC inicia nesta terça-feira (17) a primeira reunião de 2012. A definição sobre a taxa de juros será conhecida na noite de quarta-feira.

Atualmente, a taxa Selic está em 11% ao ano. A expectativa dos analistas ouvidos pelo BC é de que os juros recuem 0,5% nesta semana, para 10,5% ao ano. Se essa projeção se confirmar, será o quarto corte consecutivo na Selic. O BC começou o ciclo de redução da taxa de juros na reunião de agosto do ano passado.

Analistas têm dito, de forma quase unânime, que ainda haverá mais dois cortes em 2012, até que a taxa de juros estacione em 9,5%. Para Wagner Gomes, é importante que o BC não se deixe influenciar pelos interesses do mercado financeiro. “Esperamos que os membros do Copom vejam a realidade da economia brasileira, da classe trabalhadora, das indústrias, do mercado de trabalho em geral para tomar uma decisão que não coloque em risco o desenvolvimento do país”, afirmou.

Ato

Diante desse delicado cenário, mais uma vez as centrais sindicais se reunirão em São Paulo, em frente à sede local do BC, para exigir uma nova queda da taxa de juros.

O ato está marcado para as 10h, na Avenida Paulista. Clique aqui para mais detalhes.

Fernando Damasceno – Portal CTB, com agências

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.

O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.

Previsões em baixa

O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.

Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).

Cenário crítico

O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.

As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.

Política econômica

A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.

Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.

Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.

Déficit comercial da indústria

As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.

O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.

Correndo atrás do prejuízo

A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.

A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.

Fiesp

Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.

“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.

Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.

Da Redação, Umberto Martins, com agências

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CTB define como “incompreensível” novo aumento da taxa de juros

CTB define como “incompreensível” novo aumento da taxa de juros
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB classifica como “incompreensível” o novo aumento da taxa de juros, divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central. Com a medida, a chamada Selic passou de 12% para 12,25% ao ano.

Para a CTB, mais uma vez o Banco Central age em desacordo com as atuais demandas econômicas da nação, agindo em contrariedade ao que defendem as centrais sindicais, a indústria e os movimentos sociais do país.

Este já o quarto aumento seguido da Selic – todos eles durante o governo Dilma. Dessa forma, o Brasil segue com o vergonhoso título de país com a maior taxa de juros real do planeta. Juros altos significam menos empregos, menos investimentos e risco de estagnação. Para a CTB, a medida é um retrocesso que coloca em risco o crescimento vislumbrado para 2011 e os próximos anos.

As centrais sindicais, quando apoiaram a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, apostavam que a ex-ministra conduziria a política econômica do país de forma mais progressista – algo que até o momento não foi colocado em prática. Juros altos e outros agrados ao sistema financeiro do país faziam parte do projeto derrotado nas eleições passadas.

A CTB continuará a se mobilizar, ao lado das demais centrais, em torno da luta pela redução da taxa de juros. Já é hora de a presidenta Dilma Rousseff tomar o controle desse processo, em nome do crescimento e do desenvolvimento da nação.
Wagner Gomes

Presidente nacional da CTB

São Paulo, 8 de junho de 2011.

Renato Rabelo: Mais uma vez a taxa de juros - Portal Vermelho

Renato Rabelo: Mais uma vez a taxa de juros - Portal Vermelho
A decisão unânime, nesta semana, do Comitê de Política Monetária (COPOM) de aumentar em 0,25% a taxa SELIC -- que alcançou o disparate de 12,25% ao ano -- não pode ser recebida naturalmente. Além de o Brasil ser o país com as maiores taxas de juros do mundo, superior em três vezes a da segunda colocada (Austrália), o que vem à tona é a mesma discussão sobre que país e que estrutura econômica estaremos entregando às futuras gerações de brasileiros.


Por Renato Rabelo*

Conjunturalmente, todos concordamos que a alta inflacionária -- fundamentalmente importada -- dos primeiros meses do ano tornou-se um grande problema político, utilizado por uma oposição sem rumos, nem bandeiras. Medidas eram necessárias, claro, para evitar uma degringolada no sistema de preços. O próprio governo, independente das seguidas ações predatórias do BC, abriu-se a discussões sobre formas alternativas de enfrentamento à inflação. As chamadas “medidas macroprudenciais” foram postas em teste, buscando ações localizadas na contenção de crédito de longo prazo.
Mas as taxas de juros continuaram a subir, amiúde a produção industrial no mês de abril ter recuado 2% em relação ao mês anterior; e mesmo com a clara tendência de arrefecimento da alta dos preços após alguns meses de medidas conjugadas (aumento da taxa de juros, arrocho fiscal e medidas macroprudenciais).

Sob outro ângulo de visão, é importante notar que apesar do discurso de austeridade e controle rígido dos “gastos”, inclusive anunciando cortes de R$ 50 bilhões no orçamento, com este aumento último de 0,25% a dívida pública, em apenas seis meses de governo, teve acréscimo de R$ 19 bilhões e a previsão de economia do setor público para redução e pagamento de juros da dívida interna é de 45% do PIB, chegando a R$ 210 bilhões neste ano.

O efeito se espraia para todos os campos da economia. Combater a inflação utilizando a taxa de juros está fazendo o dólar despencar, chegando a R$ 1,55. De 2004 até agora a valorização do real – diante do dólar – foi de 119%. A desindustrialização vem a reboque desta valorização: as exportações primárias (minério de ferro e soja, por exemplo) que eram de 22% em 2000, aumentaram para 46% em 2010. A concorrência externa toma de assalto os mercados de empresas nacionais, dentro e fora do país: Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 45% das empresas industriais que concorrem com produtos chineses perderam participação no mercado nacional entre 2006 e 2010; e com 67% das empresas exportadoras aconteceu a mesma coisa.

Existem questões que devem – de forma definitiva – entrar no centro do debate, entre elas: continuaremos um país com papel essencialmente passivo no comércio internacional, pois nossos superávits são dependentes das flutuações dos preços das commodities? Um país com uma estrutura industrial desarticulada por importações predatórias, sem capacidade produtiva industrial para se fazer valer diante de crises externas? Um país sem capacidade de se proteger num ambiente internacional onde de um lado acirra-se a concorrência oligopólica e de outro os próprios Estados Nacionais tendem a criar mecanismos de proteção de suas economias?

Seremos o país em que os juros, somente os juros, da dívida pública consomem recursos anuais 20 vezes maiores do que os destinados ao recém-anunciado programa de combate à miséria? Existe um paradoxo nada aparente no atual estado de coisas. Algo que está colocando em xeque a própria capacidade deste ou daquele governo ser soberano diante dos grandes desafios da nacionalidade. Aos banco tudo, à esmagadora maioria do povo algumas migalhas e restos dos banquetes regados por juros da dívida pública.

*Presidente nacional do PCdoB

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ato pelo Reajuste do Salário Mínimo para R$ 580, 00 no Congresso 3ª, 15/02 - 14h00


Saudações Classistas!
Está confirmada a mobilização em defesa do aumento do salário mínimo de R$ 580,00 na terça, 15/02 às 14h00 no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.

Como tem sido noticiado amplamente pela imprensa, há uma queda de braço entre o governo e as centrais sindicais polarizando a cena política pelo que significa: a luta por mudanças na atual política macro-econômica, no que penaliza a produção e os trabalhadores com juros altos e cortes no orçamento, em favor do capital financeiro que chantageia e especula contra o país. 
Para mudar isso, é imperativo valorizar o trabalho, com uma política permanente que assegure aumentos reais para o salário mínimo. E a justeza dessa bandeira  ganha vigor graças à unidade das centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB).

Dado a ruptura unilateral das negociações por parte do governo e seu sinal de que a votação no Congresso será iminente, a população do DF está no centro da batalha. Por isso queremos CONVOCAR todos e todas a se fazerem presentes no ato e divulgar a atividade onde seja possível.


Reproduza o convite:
 As Centrais Sindicais ( CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB) convidam a todos e todas para o ato público a favor do reajuste do salário mínimo de R$580,00 e em defesa da política permanente de valorização do Salário Mínimo com ganhos reais!
Dia:15-02-2011 - Terça-feira
Horário:14h
Local: Câmara dos Deputados, Auditório Nereu Ramos, anexo 3
 
OBS: Levem suas bandeiras,vistam camisetas, levem suas faixas!


Entrevista com  o Presidente da CTB, Wagner Gomes: Política econômica conservadora impede a valorização do mínimo  

Veja também: Primeiro ano ou terceiro turno? - Paulo Vinícius



A Direção da CTB Distrito Federal

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Renato Rabelo:Fim da miséria depende de nova política de câmbio e juros



Fim da miséria depende de nova política de câmbio e juros





Na abertura do Curso de Nível 3 da Escola Nacional do PCdoB nesta sexta-feira (4), Renato Rabelo, presidente do partido, colocou em pauta a principal equação que precisa ser solucionada no governo Dilma Rousseff: garantir um desenvolvimento forte e contínuo com distribuição de renda de maneira a avançar no projeto implantado por Lula ao longo dos últimos oito anos. O cerne da questão, no entanto, é como atingir tal resultado com a atual política de juros altos e câmbio sobrevalorizado.





Rabelo aponta soluções Tendo em vista este desafio, do ponto de vista econômico o problema é como ampliar a taxa média de crescimento acima dos 4% que marcaram os dois mandatos de Lula para solucionar a questão da distribuição de renda e erradicação da pobreza. “Acabar com a miséria será um grande avanço social, mas não vemos como viabilizá-la e como possibilitar uma melhora de vida do nosso povo sem aumentar nosso índice de crescimento. E para isso, é preciso levar em conta duas questões que atravancam o processo de desenvolvimento: a alta taxa de juros e a sobrevalorização do real”, ressaltou Renato Rabelo.


A inflação, lembrou o dirigente comunista, “aumenta a dívida pública, favorece a transferência de renda para o setor financeiro – verdadeiro parasita da nossa economia – e retira os investimentos das áreas produtivas que respondem pela geração de emprego”.


A elevação cambial, por sua vez, aumenta o valor do real, o que prejudica a exportação. “Aparentemente, a moeda fica forte, mas a verdade é que se trata de um jogo em que se derruba o próprio real. Mais dólar entra, fica pouco tempo, rende com os juros e vai embora, sem beneficiar o país em nada”, enfatizou.


Rabelo defendeu também o controle da entrada, saída e tempo de permanência do dólar no país, inclusive lucros e dividendos. “Não pode existir essa movimentação livre de dólar como existe hoje. O controle é feito na maior parte do mundo. Ao lado disso, é preciso taxas de juros equivalentes às aplicadas em países semelhantes, se não o Brasil continuará atraindo especuladores”. Outro ponto destacado foi a necessidade de o Brasil diversificar em sua produção, hoje concentrada em commodities agrícolas e minério, para uma indústria de tecnologia intensiva.


Nesse contexto, “a mídia e os setores conservadores procuram saídas através dos seus interesses. Por isso, pregam o ajuste fiscal para brecar a suposta gastança do governo. Mas, o que eles chamam de gasto na verdade são investimentos. Se levarmos a sério o ajuste que eles propõem, estaremos trilhando o caminho mais curto para a recessão e a desindustrialização, barrando o processo de crescimento que o Brasil vem experimentando. O desafio de Dilma, portanto, neste começo de governo é avançar no que Lula começou, com soberania e distribuição de renda, fazendo frente à crise sistêmica do capitalismo. Precisamos alcançar taxas de investimento de, ao menos, 25% do PIB. Hoje esse índice está em 19%”.


Na avaliação de Renato Rabelo, a forma como o governo irá quebrar tal círculo vicioso enfrentando esses obstáculos é que “mostrará o seu caráter avançado”. Por enquanto, destacou, “não tem buscado soluções diferenciadas”. Ele lembrou que a experiência recente mostra que o caminho é a ampliação do crédito, o aumento real do salário – sobretudo o mínimo –, a elevação do consumo das famílias e da taxa de investimento.


Ainda no âmbito da busca por soluções, Rabelo afirmou que a questão inflacionária pode ser revista através do estabelecimento de um conjunto de medidas: deixar de fora do cálculo os produtos agrícolas e a energia – que por sua variação estrutural artificializam o índice – e a desoneração fiscal da cesta básica. “Além disso, o PAC deve ser tratado como investimento e deve-se retirar do cálculo do superávit primário os investimentos estatais”, completou.


Outro aspecto que precisa ser levado em conta é que ao contrário do que se apregoa, tais questões não são meramente econômicas ou técnicas, mas também políticas. “Nenhuma economia se desenvolveu por muito tempo com câmbio valorizado e juros altos. Mas, os setores financeiros seguirão pressionando o governo para fazer valer os seus interesses. Para inverter a lógica rentista, é preciso luta política e social. Se fizermos um trabalho mobilizado, podemos vencer essa batalha”.


Questão política


O caminho para o socialismo passa por novo projeto nacional de desenvolvimento, diz Rabelo Ao tratar da questão política envolvendo as mudanças necessárias para o país, Renato Rabelo ressaltou, no plano interno, a importância do momento atual, marcado pela terceira vitória consecutiva de um projeto popular, democrático e progressista de gestão federal; no plano internacional, recordou os efeitos da crise capitalista. “Seu centro são os países capitalistas e o Brasil se saiu bem, da mesma maneira que outros países da periferia do sistema, mas não sabemos que desdobramentos ela terá.”
Para resolver as questões de fundo que ainda emperram o progresso do país, o PCdoB tem defendido reformas estruturais (política, dos meios de comunicação, da educação, agrária, urbana e tributária) além de outros pontos fundamentais como o fortalecimento do SUS, o aprimoramento da seguridade social e o maior investimento em segurança pública. “O partido foi o primeiro a falar de reforma do sistema financeiro; é uma luta contra os poderosos agentes rentistas. A reforma tributária é necessária porque a tributação vigente é regressiva e intensifica a desigualdade”, explicou Rabelo.


No que diz respeito ao cenário político atual, se por um lado a ampla base de apoio pode dar maior sustentação ao governo, por outro sua heterogeneidade impõe a necessidade de se buscar a unidade e a prevalência dos interesses populares e democráticos. “Esta não é uma tarefa fácil. Além disso, Lula saiu com uma aprovação recorde de mais de 80%, ou seja, o governo Dilma precisará manter esse apoio respondendo aos anseios da população”.


Também é preciso levar em conta que na atual configuração das forças políticas de apoio a Dilma – uma frente ampla cujas principais forças são o PT e o PMDB –, o partido da presidente busca hegemonia, o que muitas vezes resulta em isolamento e falta de diálogo com as demais forças. “O PMDB e partidos afins buscarão compor conforme seus interesses e os demais partidos de esquerda procurarão se impor. O PCdoB tem a convicção de que é preciso instar o PT a ser mais consequente com um projeto nacional de desenvolvimento. Além disso, a maioria da base não é de esquerda, portanto, o desafio é grande”.


Segundo o dirigente, é preciso ter como horizonte a construção de um projeto nacional de desenvolvimento. “O caminho para o socialismo passa por isso e neste momento, tal projeto depende de reformas democráticas”.


A oposição, por sua vez, enfrenta forte crise desde o primeiro governo Lula, o que se intensificou nas últimas eleições. “A direita está cada vez mais contida, fragmentada e sem proposta e, por falta de uma alternativa, apela para questões morais e éticas. Parte da oposição vai se acomodando, parte procura ir para a base governista”.


Os meios de comunicação, por sua vez, “continuam sendo a grande trincheira da oposição no Brasil. Eles vão tentando impor ao novo governo bandeira deles – como o ajuste fiscal – e, depois de tentarem derrubar moralmente a então candidata Dilma, buscam elogiá-la a fim de envolver o governo”.


Identidade comunista


Alunos prestigiam aula inaugural A análise da realidade atual feita por Renato Rabelo levou à reafirmação de que no governo predominam as tendências social-democratas, cujo centro é a ação do PT. “Por isso, o PCdoB precisa sustentar sua identidade comunista, atualizada de acordo com o nosso tempo. Devemos ousar lutar com uma tática ampla e flexível em consonância com nosso rumo: a transição da sociedade atual para a superior, que é socialismo. Temos, portanto, um duplo desafio: manter a identidade com uma tática ampla e flexível”.


Finalizando sua aula, o presidente do PCdoB lembrou que para pôr em prática esses objetivos, há tarefas imediatas: construir o projeto eleitoral de 2012 desde já; mobilizar o movimento social e popular em função dos seus anseios, em conjunto com a luta política que impulsione o novo governo no sentido do avanço democrático, nacional e popular; defender o Programa Socialista do PCdoB e se orientar por ele; organizar e mobilizar o partido pela base e ampliar decididamente os meios financeiros e materiais para a sustentação do projeto partidário.


O Curso de Nível 3 acontece até o dia 16 de fevereiro na cidade de Guarulhos, em São Paulo. Os trabalhos foram abertos pela coordenadora pedagógica da Escola Nacional, Nereide Saviani, e pelo secretário de Formação, Adalberto Monteiro, que deu as boas-vindas aos alunos. Fabiana Costa, responsável pela política de quadros do PCdoB, coordenou a mesa da aula inaugural.






De São Paulo,


Priscila Lobregatte

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os lucros dos bancos e a correlação de forças



Blog do Renato

Como explicar o fato de que em um ano onde a economia internacional, na média, regrediu a patamares negativos, enquanto que em 2009 o lucro liquido dos oito principais bancos brasileiros teve crescimento de 24,1%? De maior despautério é a forma tranqüila como esse tipo de notícia se espalha.

Leia completo em: http://www.vermelho.org.br/blogs/blogdorenato/2010/02/11/os-lucros-dos-bancos-e-a-correlacao-de-forcas/

sábado, 29 de agosto de 2009

Não devemos lamentar a queda do superávit fiscal


Umberto Martins *

O superávit primário do setor público consolidado (Banco Central, Tesouro, Previdência, governos estaduais, municipais e empresas estatais) somou R$ 3,180 bilhões em julho, valor 71,2% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado (R$ 11,057 bilhões), de acordo com informações do Banco Central (BC), divulgados nesta quarta-feira (26). A direita neoliberal chiou, mas a classe trabalhadora e as forças progressistas não têm porque lamentar.

O superávit primário é a diferença entre as receitas e as despesas do setor público, excetuando os gastos com pagamentos de juros. Na verdade, é uma economia que o Estado faz para pagar os juros (extorsivos) da dívida interna, tirando dinheiro da saúde, educação, reforma agrária, aposentadorias, infra-estrutura e outras áreas.

Transferência de riqueza

A política monetária conservadora provocou o agigantamento dos débitos (que estão concentrados nas mãos de grandes investidores) e da carga de juros. Os recursos do orçamento destinados aos serviços da dívida configuram uma custosa transferência de riqueza do conjunto da sociedade para a oligarquia financeira, em detrimento dos interesses da população. É uma forma de redistribuição perversa da renda nacional, promovida pelo poder público, que requer uma carga tributária alta.

É por esta e outras razões que a CTB e outras centrais sindicais reivindicam o fim do superávit primário, bem como a redução substancial da taxa básica de juros (que serve de parâmetro para remunerar os títulos da dívida pública) e do aberrante spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram nos empréstimos). Menos dinheiro para pagamento de juros a banqueiros e especuladores insaciáveis significa mais recursos para a saúde, a educação, a reforma agrária, a infra-estrutura, o funcionalismo.

Canto de sereia

A direita, pela pena dos colunistas e editorialistas da mídia capitalista, afinados com os interesses da oligarquia financeira, criticam a redução do superávit e vociferam contra a suposta “gastança” do governo, cobrando mais cortes nas despesas públicas, que na prática significam menos saúde, menos educação, menos reforma agrária, menos infra-estrutura.
A classe trabalhadora e o movimento sindical não devem se deixar levar pelo canto de sereia neoliberal. Os problemas da economia nacional não são provocados pelos gastos e investimentos públicos, que precisam crescer mais. Resultam precisamente da hipertrofia do sistema financeiro, que suga uma parte considerável da poupança nacional, subtraída da sociedade através dos tributos e desviada para pagar dívidas. Daí provém o mal que nos incomoda e que obstrui os canais do desenvolvimento nacional.

Círculo vicioso

É conveniente lembrar que a dívida pública brasileira não foi contraída para financiar gastos e investimentos destinados a melhorar a qualidade dos serviços públicos e a vida do nosso povo. Foi produzida pela política econômica tucana, refletiu os juros altos, que criaram um círculo vicioso, levando o governo a emitir mais títulos para pagar seus credores, ou seja, a contrair dívida nova para bancar a velha, elevando o estoque de débitos.

Na verdade, o Brasil exibe uma carga tributária equiparável à europeia e um serviço público de qualidade deplorável, pois o grosso da arrecadação acaba sendo apropriado pelos credores. A demanda do movimento sindical pelo fim do superávit e uma mudança radical da política monetária, assim como da política econômica, é que pode quebrar este círculo.

Não é demais acrescentar que as despesas do setor público também têm um papel fundamental no amortecimento dos efeitos da crise econômica mundial. Não há razão para lamentar a queda do saldo entre receita e despesa primária em julho. Ademais, a sobra de 3,1 bilhões de dólares em julho não é desprezível e deveria ser canalizada para outras finalidades.

Reflexo da crise

Conforme esclarece a nota do BC, o resultado das contas públicas está associado à "queda da arrecadação das receitas federais, influenciada pelo menor nível de atividade e pelas medidas de desoneração adotadas para fazer frente à crise financeira internacional, que continua repercutindo sobre o resultado acumulado do ano".

Prudentemente, o governo resolveu ignorar a crítica dos neoliberais e reduziu a meta do superávit primário de 3,8% para 2,5% do PIB e excluiu a Petrobras do cálculo do saldo com o objetivo de aumentar a capacidade de gastos e investimentos em meio à crise internacional. Conforme admitem muitos analistas, esta orientação contribuiu para reduzir os impactos da crise. Neste sentido, o governo reconheceu implicitamente que as centrais sindicais têm razão ao criticar a política fiscal e cobrar mais gastos e investimentos do Estado.

Economia excessiva

Apesar dos pesares, o peso da economia feita pelos governos para pagar juros sobre o orçamento é grande. Nos 12 meses encerrados em julho, o superavit primário ficou em R$ 52,085 bilhões,valor que corresponde a 1,76% do PIB. Em julho, o Governo Central (Tesouro, Previdência, Banco Central) economizou R$ 1,691 bilhão. Os governos estaduais pouparam R$ 1,269 bilhão, ao passo que os municipais registraram déficit de 472 milhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, observou uma modesta redução do pagamento de juros neste ano, que chegou a R$ 16,169 bilhões em julho e a R$ 95,106 bilhões nos sete meses do ano. Esses valores foram menores do que os registrados nos mesmos períodos do ano passado: R$ 18,939 bilhões e R$ 107,833 bilhões, respectivamente, o que provavelmente reflete a redução da taxa básica de juros (Selic).

Em função disto, o déficit nominal do setor público (resultado entre despesas e receitas incluindo o pagamento dos juros) deve fechar o ano em torno de 3% do PIB, um dos menores do mundo neste momento de crise. Para se ter idéia, o rombo dos EUA pelo mesmo critério supera 13% e os neoliberais ficam de bicho fechado, não ousam criticar. Afinal, a conduta imperial paira acima de qualquer suspeita do ponto de vista dos súditos e lacaios.



* Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB.

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