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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Chile: Estudantes fazem novo protesto. Piñera aumenta repressão - Portal Vermelho

Chile: Estudantes fazem novo protesto. Piñera aumenta repressão - Portal Vermelho



Estudantes chilenos e mais de 70 organizações sociais, além da Central Única de Trabalhadores (CUT), vão marchar, nesta quarta-feira (19), pelas ruas de Santiago para exigir uma educação pública, gratuita e de qualidade. A manifestação ocorre um dia após a jornada que deixou 60 presos e fez ressurgir a ameaça do governo de aplicar a Lei de Segurança de Estado para reprimir os protestos sociais. Os protestos no país já duram cinco meses e a negociação entre governo e estudantes está emperrada.
Efe
Protestos Chile
Confrontos no início da mobilização de 48 horas dos estudantes chilenos

O anúncio da aplicação da lei foi feito pelo ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, como resposta à ação de um grupo de encapuzados que, na terça-feira (18), queimou um ônibus nas proximidades da Faculdade de Humanidades da Universidade do Chile. Não houve vítimas, apenas o motorista teve ferimentos leves. Os estudantes também fizeram barricadas em mais de dez pontos da capital, paralisando o trânsito.

A Lei de Segurança de Estado pune quem cometer delitos contra instalações ou meios utilizados para a operação dos serviços públicos. Também obriga os tribunais a aplicarem as sanções mais duras para as infrações. Neste caso, os eventuais responsáveis podem receber penas entre cinco e dez anos de prisão. Esta será a primeira vez que o governo de Sebastián Piñera invoca tal legislação contra as manifestações estudantis. Em janeiro, porém, a norma foi utilizada contra manifestantes que protestavam contra o aumento no preço do gás natural. Eles bloquearam, por uma semana, estradas na região de Magalhães, na região antártica chilena.

"Estou seguro de que a grande maioria dos chilenos não queria chegar a este ponto e nosso governo também não. Mas, a violência e a ferocidade destes fatos colocam o governo na obrigação de invocar a lei vigente, que deve se fazer cumprir", como declarou Hinzpeter à Telesur.

Piñera vai à guerra

Em seu último editorial, publicado no dia 14, a revista chilena Punto Final ressalta o caráter intransigente da administração Piñera, baseado no terror e cuja intenção é “paralisar os protestos sociais no país”. De acordo com a publicação, o presidente deixa de fingir simpatia e compreensão pela marcha estudantil, que ele mesmo elogiou durante a Assembleia Geral da ONU, para seguir o caminho da repressão, “impulsionado possivelmente pelas correntes fascistoides se refugiam tanto na Renovação Nacional como na UDI [forças de direita do país]”.

Dessa forma, o “governo tenta derrotar o protesto social para sustentar artificialmente um modelo de dominação profundamente rachado e que a imensa maioria da população rechaça. Tudo isso em meio a uma crise capitalista mundial que confirma a agonia do neoliberalismo e cujas repressões podem ser sentidas no Chile. A farsa do ‘governo dos melhores’ prometido por Piñera em sua campanha eleitoral, chega ao fim. A tradição repressiva da direita surge outra vez”, afirma o texto.

O texto observa, no entanto, que as manifestações estudantis têm produzido uma mudança de mentalidade muito profunda nos chilenos, que tampouco se deixarão amedrontar ela repressão: “A unidade das organizações sociais, o entendimento em torno de objetivos que vão além da educação e que apontam para uma nova Constituição e a uma reforma tributária, que permita redistribuir a riqueza, assim como a preparação de novas mobilizações – que prosseguirão enquanto não forem produzidas mudanças profundas – demonstram o vigor do protesto social e da mudança revolucionária que está provocando na consciência da nação”.

Da redação do Vermelho,
Vanessa Silva

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Líder estudantil chilena é ameaçada de morte pelo twitter - Portal Vermelho



Líder estudantil chilena é ameaçada de morte pelo twitter


Mais de três mil estudantes se encontram em Montevidéu para o 16º Congresso da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae). Na ocasião o joenal La República publicou um artigo em que comenta as ameaças sofridas pela líder estudantil Camila Vallejo e saúda os delegados provenientes de toda a América Latina e Caribe. O Congresso se desenvolve até opróximo domingo (14)


“A repressão contra os estudantes chilenos não só foi feita pela policía, mas agora estão amedrontando pelo twitter a líder Camila Vallejo. Um usuário apelidado como @el_yorchi divulgou dados pessoais da dirigente estudiantil, como seu endereço, número de telefone, que rapidamente foram retuitados por várias contas, entre elas @derechatuitera.

O massivo repúdio da comunidade fez com que derechatuitera tivesse que pedir desculpas e que os pais da líder dos estudantes interpelassem instâncias judiciais para buscar proteção do assédio.

Porém, algo mais grave aconteceu quando uma funcionária do gobierno de Sebastiaan Piñera, Tatiana Acuña Selles, secretária executiva do Fundo do Livro, dependente do Ministério da Cultura, pediu literalmente a morte de Vallejo em sua conta de Twitter. “Se mata a la perra y se acaba la leva” escreveu a funcionária em sua conta @Tati_Acuna”.(1)

Até agora a informação da imprensa dos últimos dias, que mostra a gravidade da situaçãon chilena, onde a direita perde lo sorriso falso do presidente Sebastiaan Piñera, cujo período de governo se transforma crescentemente em uma imagen muito semelhante ao obscurantismo de Pinochet.

Por sua vez o senador Carlos Larraín, presidente de Renovação Nacional (direita), disse que o movimento pela educação é de “subversivos inúteis”. Ele inclusive usou esta categoria, inclusive para definir alguns parlamentares do atual Congresso.

A qualificação de seres humanos de “subversivos inúteis” abre as portas para o ataque direto e a agressão física. A lógica é clara: os inúteis não servem à sociedad, portanto é melhor que não existam, já os subversivos querem terminar com a paz do país, portanto sua existencia é nefasta, escreveu na Rádio Cooperativa do Chile o colunista Juan Pablo Letelier, que indignado com estas declarações reclamou: “devemos banir a desqualificação e a desumanização de quem pensa diferente. O Chile não quer voltar a tempos obscuros e a direita debe entender entender que sua nostalgia por essa época (a de Pinochet) é inaceitável”.

Não se debe crer que esta radicalização dos estudantes chilenos, que não ocorre em outros países da região, seja produto apenas de fenômenos autóctones, como a educação chilena - tanto pública como privada - baseada no lucro, mas que pode estar mostrando um “cansaço” das novas gerações com o discurso e as propostas dos mais adultos.
Este cansaço, no caso chileno, não é apenas com as heranças da política de Pinochet, mas também com os governos moderados e progresistas da Concertacion.

Tudo indica que estamos em um momento em que a América Latina necessita de um encontró das forças progressistas con as desanimadas gerações juvenis, para que o processo de transformações se aprofunde sem fraturas no bloco social de mudança. E os estudantes são uma força imprescindível dessa mudança. Por isso, é saudável a realização de novo em Montevidéu do 16º Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes, convocado pela Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).

Bem-vindos, estudantes da América Latina e do Caribe, para ficar em volta do Chile e seus estudantes!

(1)Com esta frase, a funcionária sugere que matando a líder, a quem chamou de cachorra, as mobilizações estudantis iriam cessar. O ex-ditador Augusto Pinochet usou a mesma frase referindo-se ao presidente Salvador Allende quando lhe propôs transporte aéreo para qualquer lugar do mundo que desejasse. (Nota da tradução)

Fonte: Cubadebate
Tradução: Redação do Vermelho




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