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sábado, 12 de junho de 2021

#ForçaManu - ASSINE! Solidariedade à Manuela D’Ávila contra o ódio e à violência

 Pessoal, entramos na campanha de solidariedade à Manu pelas ameaças que ela e sua filha estão sofrendo.

Manu tornou público no último dia 2, que um pai da escola de Laura tirou uma foto da menina e a imagem chegou nas redes de ódio da internet. Desde então, Manuela tem sofrido ameaças de morte e Laura, que tem apenas 5 anos, de estupro. É uma monstruosidade!

Assinem o abaixo-assinado por justiça e contra a violência política de gênero.

https://m.forcamanu.com.br/apoie

Por CTB Educação – Apeoesp

Mais uma vez somos obrigadas a vir a público para externar apoio à Manuela D’Ávila. Mas desta vez os fascistas extrapolaram todos os limites até da barbárie ao ameaçar aquilo que todas nós temos de mais sagrado. Ameaçaram a pequena Laura, de apenas 5 anos, dessa violência inominável, que atinge milhares de mulheres e meninas todos os anos no país.

A agressão à Manuela D’Ávila e à sua filha, representa agressão a todas as mulheres. É inadmissível a tamanha desumanidade que o fascismo atinge. Ainda mais contra Manu, a maior vítima desses facínoras, que se dizem “cidadãos de bem”, defensores da família.

Mas destilam ódio. Ódio às mulheres, principalmente as que se destacam como Manu. Ódio às mulheres que lutam por equidade, por direitos iguais e se mostram livres, donas de seu destino. Os ataques à Manuela, atingem todas as mulheres, todas as crianças e o próprio Estado Democrático de Direito. 

Esses covardes se escondem em pseudônimos, acreditando que a internet é uma terra de ninguém, mas serão pegos e punidos como manda a lei. São extremamente covardes.

Covardes porque promovem ataques sorrateiros, tentando esconder a identidade. Covardes porque não respeitam nem a infância. Covardes porque têm medo da mulher livre. Têm medo da liberdade, das pessoas que sonham e lutam por um mundo mais igual e mais justo.

A covardia é tamanha que não mostram a cara, mas as autoridades públicas, inclusive policiais têm obrigação de localizar os criminosos e propor a punição mais exemplar, para que o fato não se repita, nem contra Manuela, nem contra nenhuma mulher. Muito menos contra nenhuma criança.

Esses ataques persistem por causa do clima de impunidade. Temos um desgoverno que incentiva esse tipo de violência contra todas as pessoas que se levantam contra o autoritarismo e a bandalheira que ocorre no país. 

Não podemos deixar passar sem resposta contundente e dizer que resistiremos sempre. Até o dia em que a civilização vencer a barbárie, a liberdade vencer o fascismo, o respeito prevalecer e o amor superar todo o ódio, que destrói a natureza, a humanidade, a vida e o mundo.

Forças reacionárias, fascistas, de direita, não aceitam que mulheres avancem nos espaços políticos, principalmente quando essas mulheres expressam de forma tão viva, tão clara, a luta pela emancipação feminina, por igualdade de direitos entre os gêneros, pela democracia e justiça social.

Força Manu!

Todas as mulheres estão com você!

CTB Educação – Apeoesp é um coletivo de professoras e professores da rede pública oficial do estado de São Paulo, filiados à Apeoesp

domingo, 27 de dezembro de 2020

Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius Silva

"... nós somos "livres" para ir aonde nos aprouver, 
livres para combater não só o pântano, 
como também aqueles que para lá se dirigem!"(*)
Lênin, Que fazer. 
 
 

Se eu perco, no dia seguinte, não dou minha tristeza como repasto aos inimigos. Nada... Na derrota, os piores conselheiros são o rancor e o medo. Mobilizam errado ou paralisam. Na vitória, o melhor conselho é o antigo, memento mori, o escravo romano agachado na biga junto ao general que entrava em Roma em triunfo, dizendo-lhe: «Respice post te. Hominem te memento» (Olhe atrás de você. Lembre-se de que você é um homem). Para isso existem a crítica e autocrítica.

Crítica e autocrítica são coisas de comunista. Rogério Lustosa definiu como nos relacionamos com a crítica e autocrítica. Dizia: "nós devemos ser os mais severos críticos de nossos próprios erros". Longe de indesejável, esse processo é ápice, é o controle dos resultados pelo próprio coletivo, é quando operário(a) e jovem pode questionar de igual para igual dirigentes e líderes partidários. As direções todas, eleitas de baixo pra cima, também todas hão de ser avaliadas no processo normal do Centralismo Democrático, o funcionamento do PC, que se ampliará ainda mais no Congresso do Centenário do Partido Comunista do Brasil.  E é um processo feito com cuidado, carinho, até. Porque se a crítica é dura, ainda mais é a auto-crítica. A síntese promovida pelo coletivo leva o processo a bom termo. O prêmio é a política justa, "só isso". Só a justa consciência organiza a ação justa e eficaz. Dizia Lenin: "Sem consciência revolucionária não há movimento revolucionário".

Por isso, nas formas de resistência dos nossos povos e ancestrais, o Partido Comunista, em especial, assegurou um lugar na História, e no futuro. Ele surgiu como novidade diante da incapacidade dos  partidos social-democratas e socialistas em levar adiante a luta contra a Guerra, pela Paz e pelo Socialismo. O PC é mais jovem historicamente que muitos partidos que passaram à história como gestores do neoliberalismo, inclusive o PT.

O Anticomunismo não é uma novidade, é o tributo que a classe dominante e o reformismo pagam aos(as) mais consequentes lutadores(as) pelo socialismo. Decorre dessa convicção funda da classe dominante e de seus aliados: não podem deixar os comunistas atuarem livremente. A razão última é que a forma Partido Comunista resume compromissos básicos: o proletariado, a classe trabalhadora, como classe referente, assim como os camponeses; o Socialismo Científico; o Marxismo-Leninismo e a base de quase um século de luta em solo Brasileiro, reunindo uma experiência nacional, democrática e popular que é um patrimônio da democracia e da História do nosso povo.
 
Dessarte, a derrota é um momento. Muitas foram as vezes em que comunistas foram, não só derrotados(as), mas aniquilados(as), torturados(as), banidos(as) e mortos(as). Tantas foram as vezes em que se anunciou a derrota dos comunistas, quantos filhos e filhas o Partido Comunista deu pela democracia e pelo povo brasileiro. Mas a derrota não te define. A gente não se abate com a derrota, está aí o sorriso do Che Guevara, em meio à morte para o provar. Exige a Dialética que miremos, mesmo em cada batalha perdida, toda uma  série de ganhos preciosíssimos, imprescindíveis, porque escassos e heróicos. 
 
Há duas perguntas: O que ganhamos? O que perdemos? Há que ver com cuidado, juntar no embornal toda fruta machucada, pois isso é acumular forças num tempo marcado pela derrota estratégica e por um período conturbado de mudança geopolítica, de crispação das contradições do capitalismo nesta etapa claramente agônica e destrutiva que ameaça a humanidade. 

E, se no meio dos gestos balsâmicos de sarar as feridas, a dúvida nos morde, sobre a justeza do que fazemos, basta olhar ao redor. Vive nosso povo bem? O Capitalismo, que consequências traz à Humanidade?! O capitalismo não tem futuro. 
 
E o perfume juvenil sempre vivo no Partido Comunista, que atrai a juventude, as mulheres, a intelectualidade, vem dessa dupla: escudo e espada - crítica-autocrítica e unidade avassaladora - aliada à causa mais justa possível, o socialismo como estrada da emancipação humana. Armados com essas certezas, podemos perceber duas importantes vitórias que poderão descortinar caminhos. A mais importante é termos derrotado Bolsonaro e a extrema direita nas urnas em 2020. Essa era a disputa principal. Vitória, digamos sem pejo.

A segunda, é que agora os e as comunistas falamos diretamente ao povo brasileiro.  Novidade, sim, comunistas serem o ponto mais alto da representação dos anseios de unidade da Frente Ampla que esboça o nosso povo. Flávio Dino e Manuela inauguraram essa época histórica: O PCdoB mostra ter condições de ser uma alternativa política viável e interlocutor na Frente Ampla. Também essa vitória podemos contabilizar em 2020. Então, falar ao povo através de Dino, Manuela, Luciana Santos, Augusto Vasconcelos, Gustavo Petta, Orlando, isso é ouro. 

Isso deveria nos animar quanto à possibilidade de mudar o quadro político em profundidade, abrindo caminho para lideranças que apontem em voto e em política como superar a Cláusula de Barreira. Provavelmente a tibieza e a perda de cara própria não ajudarão em nada, fica a dica.
 
Nós somos uma jovem geração que tem a cara do Brasil, e precisamos completar essa transição que é continuidade e é mudança, construção geracional dos comunistas e de sua permanência na História da Nação Brasileira. Esse combinado é essencial para construirmos o segundo centenário do Partido Comunista e a consecução da libertação da Nação, da Democracia e dos direitos universais que será a face do nosso socialismo verde-amarelo. 

Mas, claro, houve derrotas. Há que sopesá-las cuidadosamente, são mais preciosas e sutis as suas lições, importantíssimas. Dizia o socialista Charles Chaplin, mais importante que terem nos feito mal é saber o que fizemos com esse mal, como ele nos afetou, o que saiu de SÍNTESE. Porque isso depende de nós, não do adversário. É como digerimos, e se nos salva ou nos mata.

Minha opinião é que as derrotas e vitórias nas eleições de 2020 são ouro puro para o PCdoB, que saiu com ampla capacidade de diálogo com o campo democrático e estará à mesa da Frente Ampla Progressista que se antevê. O Brasil não é para amadores. As vacilações e  confusões no interior da esquerda já causaram imenso dano e, se persistem, conformar-se-á uma Frente Ampla Conservadora que intentará manter o neoliberalismo escravista intocado, sem os males de Bolsonaro, um domínio de direita com desodorante, mas podre, porque perpetuador da desigualdade, da preacariedade e do parasitismo rentista contra o povo brasileiro. 

Ainda que as vitórias muito ensinem, é nas derrotas que está o nosso mapa do tesouro em 2022. Isso diferencia a autocrítica comunista da depressão, dos discursos da culpa, ou das desculpas esfarrapadas que eludem e iludem, mas são certamente o buraco mais fundo. A derrota é uma mãe ou um pai severo, há que ouvir. O pior seria a imobilidade frente ao quadro político e frente a si mesmo, porque seria prostrarmo-nos contra a mudança, que é inexorável. O pior seria nosso isolamento. Ao contrário, somos cada vez mais ouvidos(as).
 
Nós mudamos sempre, faz parte da nossa capacidade básica de permanência no Brasil. Mas aqui ninguém perde o rumo. E se já mudamos muito, mudamos menos do que o mundo, e mudaremos ainda mais, mas SEMPRE a mudança é para perseguir esse curso antigo, e sob a ausculta do nosso passado, com gana de futuro. Nós não abrimos mão do símbolo, do nome, do socialismo nem mesmo ante a Queda do Leste, avalie agora, que o Socialismo aponta como única alternativa para a sobrevivência da Humanidade.  E serão diversas as formas de socialismo, inclusive a brasileira, que nos cabe construir, pelo que passa o Novo Programa Socialista para o Brasil. Mais que a convicção da vitória, tenho a aterradora certeza de que nossa vitória salva vidas, é decisiva para a democracia, para os direitos do povo, para a integridade da Nação Brasileira e a Paz.

Assim, mudamos, mas ancorados no exemplo de lutas, na força do sangue dos mártires e no ideal de servir ao povo até o fim. E ancorados nas gerações comunistas, cujo exemplo e voz está ativa e presente. Somos um conselho que tem desde anciãos a líderes secundaristas.  Há quadros, militantes e filiados(as).
 
Sob essa condução, a crítica e a autocrítica só podem nos corrigir e libertar, quando apontam o caminho justo, se não degeneram. Até porque ela obriga a mudanças duras que exigem convicção deste nosso magnífico coletivo militante. Crítica e autocrítica forjam coletivos de vencedoras, apontam o caminho da sabedoria e do coletivo, são um belo gesto de amor, coisa de camaradas... Não floresce em qualquer canto. E mais, expõem sem redenção todo joio, toda mentira, purificam de erros e vergonhas, problemas que há que sanar. E nesse caso, há luta interna. O Partido não é um lugar quentinho, mas é a casamata dos que lutam e vencem pensado sempre no melhor para a humanidade e o Brasil.

Ao longo dos últimos 98 anos, a bandeira, o ideal e o sonho tremulam, sempre, e nós não desanimamos jamais. Somos resiliência, o amor que perdura e vence, a força do povo e sua generosidade. Ano que vem cumprirei 30 anos desde que me filiei ao PCdoB, e tenho viva e intocada essa esperança cheia de método e trabalho a realizar. Longe de nós a auto-justificação cômoda, esconjuro os desesperados e amargosos, que vem de seus exílios da luta predicar o fim alheio, como se não lhes tocasse. Perto de nós, esteja toda flor que brotou nesta semeadura pedregosa e árida.
 
Nesse sentido crítico e autocrítico, pergunto-me:
 
- Nós fazemos uma divulgação eficaz do símbolo, da História e dos valores comunistas? Isso não é necessário nas batalhs eleitorais? Qual o resultado? Nosso desafio não será ser mais nítidos aos olhos do povo?! Ter candidaturas próprias, ter chapas próprias, disputar os 2% dos votos que se identifiquem com nossa linha, ninguém, exceto nós o poderemos fazer.
 
- Estamos ligados ao povo? Às vésperas do processo incerto e caótico de retomada e um duvidoso pós pandemia, somos chamados a nos perguntar sobre nossa ligação com o povo e nossa fixação nos territórios. Temos de repensar o papel das escolas e universidades, das sedes das entidades, dos sindicatos, e como esses pontos da resistência se ligam ao povo e promovem a retomada presencial da luta.
 
- Nossa política afirma a importância equânime das lutas de Ideias, de Massas e Político-Eleitoral. Ora, será que a institucionalidade não dá o tom? Não concentra os recursos? Como crscemos institucionalmente sem paralelo na centenária História do PC e perdemos ligação com o povo?  Como corrigir esse desbalanço que nos tem feito sofrer derrotas NA LUTA DE IDEIAS E DE MASSAS E NA ACUMULAÇÃO DE FORÇAS EM VOTOS?  Qual o balanço crítico e autocrítico que fazemos das filiações "democráticas" e da nossa perda de identidade face ao eleitorado? Vamos dobrar a aposta? Já é tempo de rever premissas que havia ainda antes do Golpe, e que seguem a dar resultado negativo.
 
- Como fazer da construção das chapas próprias um processo de emulação, renovação e mobilização do Partido, de correção do personalismo e da política de concentração, de construção das direções e de nossos representantes, de reafirmação da viabilidade eleitoral e uma mensagem clara ao eleitorado brasileiro?
 
A onda está virando. É preciso sentir os sinais e se postar para essa imensa alegria que é a retomada da luta nas ruas pelo povo brasileiro, tão judiado... 
Haverá dificuldades, mas é preciso rejeitar com firmeza o desalento, o derrotismo, a descaracterização, a negativa daquilo que somos. É preciso que nossa direção seja corajosa em apontar saídas que mobilizem   e culminem na vitória. Há que ter firmeza, coragem, criatividade, renovação. Há exemplos a estudar, e não são os vergonhosos liquidacionistas e transformistas dos anos 90. Não se trata de mudanças cosméticas, mas de relançar a História com sede de futuro, de socialismo, de vida. 

Devemos aproveitar a crise para dizer ao povo brasileiro em alto e bom som o que é ser comunista no Brasil de hoje. A eleição acabou, mas não a nossa atividade política. Devemos falar para o Brasil, renovar o partido, filiar, aprender, estruturar, corrigir. Não há tempo, e é um imenso trabalho.  Não cabe o comodismo diletante, o hater das redes sociais, nem abrir o flanco às provocações. Aqui o sujeito e o objeto se sabem idênticos, critica quem milita e é criticado(a). Por isso defendo que não haja antecipação, mas um processo permanente de debate que trate os diferentes problemas nos espaços que lhes cabem. Nem tudo é tema de congresso. O Congresso do Centenário deve apontar caminhos, futuro, deve afirmar o Partido. 
 
Para mim, só a resposta à última questão está clara, um ato político que plasma afirmação e mudança, continuidade e ruptura, princípios e tática, passado e futuro, Brasil e democracia. É a clara mensagem de uma candidatura Presidencial que, surgida do Centenário Partido Comunista, fale ao Brasil, à juventude, às mulheres, à classe trabalhadora, através da voz e do gênio de Manuela D'ávila. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Superar a cláusula de barreira, defender a democracia e o PCdoB - Paulo Vinícius Silva


- Se entrega, Corisco!
- Eu não me entrego, não!
Eu não sou passarinho
Pra viver lá na prisão
- Se entrega, Corisco!
- Eu não me entrego, não!
Não me entrego ao tenente
Não me entrego ao capitão
Eu me entrego só na morte
De parabelo na mão
- Se entrega, Corisco!
- Eu não me entrego, não!
(Mais forte são os poderes do povo!)

Deus e o Diabo na Terra do Sol - Glauber Rocha 


Sou comunista, e o que mais aprendi no Partido foi a defender a democracia. Os comunistas deram suas vidas incontáveis vezes pela Democracia, e, de fato, no Brasil, ela só vicejou quando os comunistas puderam atuar livremente. Hoje, seja pela estrutura do Fundo Partidário, seja pela famigerada cláusula de barreira, os partidos que tem a máquina e o poder seguirão mandando, e a democracia seguirá a definhar.

A democracia não foi violada apenas quando Dilma foi apeada. A Democracia é violada quando o mercado do voto, das mentiras e do poder proscrevem partidos como o PCdoB, o PCB, a UP, o PCO, o PSTU, o PV, a Rede e possivelmente inclusive o PSOL. Enquanto isso o golpe prossegue e triunfa, até que uma Frente Ampla Progressista o detenha ou uma Frente Conservadora consolide esse período de trevas que se segue ao golpe de 2016.

A Cláusula de Barreira exige que o Partido possua 11 deputados Federais e 2% dos votos à Câmara em 9 Estados. A onda obscurantista cobra preço altíssimo em votos para toda a esquerda, e além disso, há a COVID, o isolamento, uma campanha curtíssima, e o combate desigual das fake news. Contra essa vaga, mesmo assim, o Bolsonarismo foi derrotado. Mas é só o começo. A Frente Ampla progressista necessita de um "núcleo de afinidades de esquerda" unido, e tanto mais vencemos e avançamos quanto aplicamos a política de Frente Ampla.

A consigna Socialismo ou morte já é uma realidade. A saúde, o sofrimento, a morte, a doença em si tudo é mercadoria. A vida em função do lucro. No Brasil e nos EUA, em Cuba, China, Vietnã, Coréia Popular, bora comparar? O Socialismo é o futuro e o capitalismo é o Apocalipse. 
A minha geração perdeu muito, os mais jovens vivem uma situação de total falta de perspectivas. Sua única saída é o Socialismo com a cara do Brasil. Assim, como podemos desistir?! Como é possível abaixar a bandeira? 
 
A radicalidade da proposta da Frente Ampla é a sua abrangência democrática, ser um caminho de convergência para se sentarem à mesma mesa os comunistas, socialistas, democratas e setores patronais, conformando uma maioria para contrarrestar as criminosas ações do governo genocida. Essa política permitiu conter a extrema direita eleitoralmente e tornou a Frente Ampla uma realidade eleitoral e política. Se a oposição marcha unida na disputa da Presidência da Câmara, abrimos uma nova vereda da resistência e da retomada da iniciativa política. Para isso tem sido indispensável o protagonismo do PCdoB.

Nós passamos por uma eleição atípica. Nem campanha se pôde fazer direito. Como Manuela fez? Como fizemos? O que erramos? O que acertamos? Debate essencial o da crítica e da autocrítica.

Mas, no meio disso, apareceu um tatu no toco. A tese de que o problema é ser comunista. É, no fundo, a opinião de Bolsonaro. Que síndrome de Estocolmo é essa?! Quem esposa essa tese e propõe abandonar símbolo e nome é liquidacionista. Simples. E é preciso lutar contra o liquidacionismo, decididamente. O mundo precisa de mais Socialismo, ou se sucederão as hecatombes.

Quem põe a culpa nos temas cosméticos decide por não debater as causas reais do fracasso de uma política eleitoral que vigorou por mais de uma década, de busca de candidaturas posicionadas à centro-esquerda e que chegou ao Movimento 65. Esse fenômeno trouxe lideranças com diferentes histórias, de Dino a Cadoca, um movimento que não se mostrou sempre bem sucedido. Em vez de marcar um eleitorado comunista, perdeu votos.

Acho que o fim da política de concentração, a personalização da direção do Partido nos Estados, a não execução de uma correta transição geracional, o burocratismo sindical e institucional (bem maior) e os desvios institucionalizantes são razões muito mais concretas, e palpáveis da autocrítica que deve ser feita. O declínio de liderancas parlamentares de mais de 3 décadas, a dificuldade de plasmar novas lideranças também é outro aspecto, assim como a excessiva dependência face ao PT na política de alianças e no governo. O Partido perdeu tempo precioso de se apresentar ao povo Brasileiro.

Temos muitas autocríticas a fazer, mas foice e o martelo não estão entre elas. Aliás, nós fazemos propaganda da foice e do Martelo nas campanhas eleitorais? Talvez fosse melhor enfrentar que fugir desse debate. Afinal, estamos certos. Ou não acreditamos mais que é a unidade de quem trabalha no campo e na cidade que parirá um novo mundo?

O jeito certo de abordar o símbolo e a temática, a Manuela ensinou. Por que para ela não houve teto de 2%, como ela chegou aos 40%? Como Dino virou Governador? Não há 2% de votos para o PC do Brasil? Há, sim! Mas somos os que representamos esse ideal socialista no Brasil? Estamos à altura de nossa História? É uma prioridade a ligação com as massas? Será que não dá para ver que há um desbalanço na relação das formas de acumulação Luta de Ideias, Luta de Massas, Luta Político-eleitoral?

Por que unificar o PC não é uma pauta no seu Centenário? Que diacho é isso que haja quem debata mudancas de símbolo e nome em pleno Centenário do PC? Absurdo! Deve ser rejeitado em uníssono pela militância. Todo/a militante comunista deve lutar contra o liquidacionismo.
De que serve mais um partido reformista no Brasil? Por que não escolhem entre os existentes?

Em vez de WO, temos de mostrar nosso valor. O eleitor quer as nossas verdades, não mais disfarces. Há um dever de casa que só pode ser feito junto ao povo, não é um problema cosmético, mas a própria afirmação da condição de vanguarda do Partido Comunista. O que levou a resultados declinantes não foram a foice e o martelo. Há problemas bem mais comezinhos na política do Partido real. Precisamos renovar nossas lideranças e enterrar a política de concentração, precisamos nos ligar com o povo. Precisamos ser mais comunistas porque o contexto é mais difícil, e não o inverso.

Há também uma confusão entre radicalidade de ação política e as alianças que se pode e se deve fazer. Nossa base social é muito influenciada pela militância petista. E esta, acorde à orientação de seus próceres, tem se oposto à Frente Ampla, colocando como condição a hegemonia petista e mesmo a candidatura de Lula, como premissa. Não é "Frente de Esquerda", é Frente sob eles, a Frente Estreita. Então, por isso, o que não for assim, é feio, é mal, é vil. E somos sistematicamente atacados por isso. Exemplo atual é o Maia. No passado, foi Tancredo. Antes, JK, e mesmo Vargas. Todas essas alianças são/foram "denunciadas". Mas com o Meireles e o Temer, podia.

Essa hipocrisia é a herança do udenismo e de sua reencarnação na ética de classe média, que hegemoniza ainda hoje o pensamento político no PT. Parte dessa malta encheu as hostes bolsonaristas, parte permanece fiel aos seus "ideais" de uma suposta pureza em alianças, que confundem com a tática política. A influência trotsquista e reformista cobra preço alto nessa pueril tentativa de "não pecar" de novo. Não entenderam o básico: o maior pecado é a derrota.

À negativa de apoio de Ciro a Haddad em 2018 e à cegueira tática do PT, ao clima de guerra entre PT e PDT, eu atribuo a pulverização da esquerda e sua perda de competitividade relativa para os setores de centro-direita neoliberais, que se fortaleceram no curso das eleições municipais. O PT trucou e perdeu. O PDT ganhou o que? Parte desse trucar é como o PT e o PDT, e até o PSOL - como Orlando expôs -, mordem e assopram, combatendo e diminuindo o espaço do PCdoB, às vésperas da Cláusula de Barreira. Ciro cooptou Edvaldo que há muito perdera a perspectiva revolucionária, em Sergipe. Em São Luís, bandeou-se o PDT para o lado da oposição, rachando a base de Dino para apoiar Braide. No Pernambuco, o PT não apenas implodiu a Frente Popular,  mas se indispôs com o PSB e ainda queria que a gente tomasse as dores... 
 
Parafraseando Dilma, "Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder." Essa cínica autofagia já foi um fracasso eleitoral, mas há de custar ainda muito caro por ser um fracasso político. Traficam interesses aqueles que atribuem vitudes democráticas à cláusula de barreira. Os partidos ideológicos deviam somar filas ao PCdoB para a manutenção da legalidade de todos e pela autonomia da legenda centenária no Brasil.

Nesse contexto difícil, ascendem Flávio Dino e Manuela Dávila como expressões públicas dos comunistas no debate nacional e vocalizadoras da Frente Ampla. Completa-se a vitória sobre uma barreira de um ciclo anterior à redemocratização. Clandestino, chacinado, torturado, perseguido e caluniado, o PCdoB finalmente tem sua própria voz para ser alternativa e partícipe na mesa da Frente Ampla.

A transição geracional, o fenômeno Manuela e a minha geração tem responsabilidades históricas inescapáveis nesse momento. Eu sigo ansiando por manhãs de sol e Socialismo.

Manuela Presidenta, o Novo Programa Socialista e a transição estudante-juventude-trabalho são a saída. Mais protagonismo e identidade, e não diluição, estado de geléia, cooptação.

Viva o Centenário do PCdoBrasil. Vamos derrotar Bolsonaro, retomar a democracia e vencer em 2022. Mais fortes são os poderes do povo!

domingo, 29 de novembro de 2020

RESISTÊNCIA - Paulo Vinícius Silva - Aprendamos com Manuela



RESISTÊNCIA - Paulo Vinícius Silva

E quando parecia ser tudo derrota,

Ela veio.


E disse com uma firmeza ainda mais assentada:

Perdêramos uma batalha, 

mas a luta segue, amigas, camaradas!

E a gente pensou... como  pode? Tão forte!


Então, democrática e serena, ela nos contou seu segredo.

Disse-nos porque tinha fé.


E ela chamou sua força e a mostrou diante de todos:

- seu esposo, seu enteado, sua filhinha.

Era essa a sua Fortaleza.


Mas, olhando melhor, ao redor, 

perto dela, 

no mesmo espírito de união e amor pela cidade, há líderes do povo.

E há as mulheres,

a juventude e as crianças,

as mães e muitos pais, todas as cores, idades, amores,

e os sonhos, e a verdade

e todo o universo. 


A força de Manuela é 

a força das pessoas comuns.


Elas perdem, elas ganham, elas lutam, mas 

jamais desistem.


Assim nossas mães nos ensinaram.


E esses elos frágeis, evanescentes,

de seres humanos tão limitados,

à luz do Coletivo,

da História.

Oh! Quanta potência! Quanta transformação!


E nós que ansiamos tanto pela alvorada, 

é certo que verteremos uma lágrima.


Mas olhamos para o que se ergueu indômita, 

numa semeadura por entre pedras...

Cada semente que cresceu tem o brilho dos sóis, porque filha do combate, filha da provação. 

E olhamos os aliados, olhamos uma ampla resistência.

Que importa se a hora não é agora?!

Com o povo saberemos fazer a hora.


É preciso sentir o cheiro da chuva.

Já podemos sentir nos ossos a chuva que vem?

É preciso semear. 

É preciso lutar.

Aprender a resistência com ela,

Manuela.

Manuela se dirige à militância e à população de porto Alegre ao fim do 2o. turno

Manuela se dirige à militância e à população de porto Alegre.

sábado, 21 de novembro de 2020

SARTO E ELCIO EM FORTALEZA, VOTE 12, O AMOR À NOSSA CIDADE NÃO DÁ PASSO ATRÁS - Paulo Vinícius Silva


Não tenho a menor dúvida. Peço voto para o Sarto e o Elcio, 12. Não adianta conversa fiada: a única maneira de derrotar as forças trevozas do obscurantismo e da ditadura na eleição em Fortaleza, é defendendo e votando no 12, elegendo Sarto e Elcio para prefeitura de Fortaleza.
Elcio, o vice, é um bom colega, Sociólogo, muito capaz, da minha época de UFC, qualificado e hábil; entende de segurança pública, não pela violência, mas com a Ciência. Sempre foi um amigo e um democrata.
Forma uma dupla boa com o Sarto, quadro muito experiente da política cearense, numa Fortaleza que já avançou muito, mas guarda chagas terríveis e precisa de gente competente, e não do perigo da extrema direita violenta, cujo ódio conhecemos. Fortaleza é terra de liberdade, e seguirá livre e guerreira.
Não podemos dar um passo atrás, deixar o obscurantismo e a violência vencerem. Sarto representa o PDT de Ciro, e Elcio é uma renovação importante. Não são amadores, tem toda chance de zelar e melhorar a cidade. Prometem o mais importante: diálogo.
Voto nulo, abstenções, deixar de votar, tudo isso é cumplicidade com o fascismo, a violência, a incompetência, na nossa cidade... Já houve sangue demais.NÃO! O que Fortaleza precisa é de emprego, cultura, alegria, Desenvolvimento e paz. Por isso, é fundamental a eleição de Sarto e Elcio, com voto no 12.
Saúdo ao mesmo tempo a pronta ação de Ciro, no sentido de angariar apoio a Manuela d'Ávila, 65, do PCdoB, na cidade de Porto Alegre e no PDT, contando com a força de Juliana Brizola e todo um simbolismo.
É a hora de fazer gestos assim, pela democracia, para derrotar o fascismo. É preciso entender que a pátria e a democracia correm perigo, e centrar fogo no inimigo maior. É preciso ter grandeza entre nós.
Ser realista é compreender a necessidade de unir as forças democráticas, patrióticas e de esquerda contra os asseclas de Bolsonaro. É a hora de Derrotar a Extrema direita com a Frente Ampla e a recomposição da democracia do nosso país. Vamos vencer!
É preciso resistir, não retroceder, e avançar! E é possível. Então, sem distrações: Frente Ampla em Fortaleza com Sarto e Elcio, vote 12! Fortaleza avançará muito mais com a derrota da extrema direita em todo o Brasil!
Frente AMPLA contra o Fascismo!
Democracia sempre!@ Sarto e Elcio 12 para a Prefeitura de Fortaleza.



terça-feira, 17 de novembro de 2020

NERVO, AMOR E ATITUDE- Frente Ampla e vencer o Segundo Turno - Paulo Vinícius Silva


NERVO, AMOR E ATITUDE.
PARA VENCER, SÓ COM UNIÃO.
FRENTE AMPLA E PROTAGONISMO POPULAR
Já vencemos o 2° turno em Porto Alegre, São Paulo e Fortaleza - no mínimo?
Não.
Já estamos unidos?
Não.
Já ampliamos para poder ter a metade mais um voto?
Não.
Já preparamos como vencer nas ruas, numa onda avançada para afirmar a frente ampla?
Não.
Já acabou a pandemia?
Não.
Então, meu camarada, minha camarada, dediquemo-nos a isso, porque a avaliação tem espaço e sobretudo tem tempo: o da decisão das coisas da vida que ainda estão em curso... O povo nos deu o caminho, há muito que fazer! Batalhas de tiro curtíssimo!
Parafraseando a canção portuguesa: Avante, camarada avante! Faz do povo a tua voz! Avante camarada, avante camarada, e o sol brilhará para todos nós!
A vitória do povo e a derrota do bolsonarismo é a única coisa que importa nesse momento. Vamos para dentro do segundo turno com toda a força! Frente Ampla e protagonismo redobrado dos/as comunistas.
Nós podemos vencer! Manuela, Rosseto são 65, e com o povo podem resgatar Porto Alegre. Quanto poderá a esquerda unida em São Paulo? Haveremos de derrotar o fascismo em Fortaleza para que ela siga exemplo de liberdade, como Bárbara de Alencar! São Luís voltará ao passado? Nunca mais grilhões!
E há mais tantas batalhas, agora! Como dizia Diógenes Arruda Câmara Ferreira: "ampliar radicalizando e radicalizar ampliando". Estamos sempre aprendendo a justeza dessa relação dialética e a oportunidade de implementá-la é agora. A crítica justa é sempre movida pelo amor e pela preocupação da síntese libertadora, catalisadora do melhor em nós.
Força, Brio, Atitude, é a hora!
Avante camaradas!

domingo, 4 de agosto de 2019

Caetano: O Brasil precisa de uma Segunda Abolição - veja o vídeo

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Hoje às 18h00, no Beijódromo da UnB, Manuela D'Ávila lança Revolução Laura

Do Portal Vermelho - Manuela d’Ávila lançará seu livro em Brasília dia 23





Depois de passar por cidades como São Paulo, Campinas e Porto Alegre, ela lança a obra na capital federal.

A sessão de autógrafos ocorrerá no próximo dia 23 de maio, às 18h, no Memorial Darcy Ribeiro, também conhecido como Beijódromo da Universidade de Brasília (UnB).

No livro, Manuela conta as experiências da maternidade, com o nascimento da filha Laura, inclusive os desafios da maternidade durante o último pleito.
Vejam o que diz o jornalista André Cintra, também no Portal Vermelho, que nos esclarece porque ler Revolução Laura:
Um furacão que não tardou a se revelar. Laura nasceu em 27 de agosto de 2015, nove dias depois de Manu completar 34 anos. O pai, o músico Duca Leindecker, tinha uma agenda de shows programados. Na medida do possível, Manu procurou acompanhar o marido, levando a filha recém-nascida. Em outubro, quando Laura tinha menos de dois meses de vida e estava num show do pai, uma mulher começou, do nada, a xingar Manuela e atacar a bebê, que estava num sling.

A cena foi tão rápida quanto desconcertante. “Eu nem tive tempo para reagir. Quando percebi ela [a mulher] já estava longe. Não lembro direito de nada”, registra Manu, no início do livro. “Esta agressão, por mais contraditória que possa parecer, mudou o rumo de nossas vidas. Ali decidi que ia carregá-la mais comigo, protegê-la mais.”

Desde então, as aparições públicas de Laura ficaram, de fato, frequentes. Numa delas, Manu foi fotografada enquanto amamentava em meio à sessão de uma comissão parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A foto viralizou nas redes sociais e foi alvo de um sem-número de comentários machistas – mas também de uma onda de solidariedade. Aos poucos, Manu foi descobrindo os tabus de um tema que, em tese, deveria ser o mais natural possível, de tão corriqueiro.

“Levar Laura comigo tornou-se, sem que eu percebesse, uma forma de resistência à política que desumaniza”, resume Manu. Nas eleições municipais de 2016, embora a então deputada estadual do PCdoB não fosse candidata a nenhum cargo, mãe e filha foram juntas a diversas atividades de campanha pelo interior gaúcho – “Quaraí, Begé, Cruz Alta, Rio Grande, Pelotas, Erechim”. Foi o prenúncio da pré-campanha e da campanha presidencial de 2018, quando Laura foi companhia da mãe em nada menos que 19 estados – a começar pelo Pará.

Revolução Laura é um livro que emana afeto e comove em meio a tantas reflexões – o que poderia soar como um estímulo a que toda e qualquer mulher seja mãe. Para evitar generalizações e ruídos, Manu é direta: “Eu ouvi dizer que levar a Laura comigo para atividades públicas significa reivindicar a maternidade. Reivindicar a maternidade no mau sentido, naquele que diz que só existimos sendo mães ou, melhor dizendo, que estaria fazendo apologia à maternidade. Eu nunca o fiz. Sempre deixei claro o conjunto de privilégios que marcam minha decisão de engravidar e de me tornar mãe e minha militância para que deixem de ser privilégios".

Mais do que uma obra autobiográfica, Revolução Laura é um livro-testemunho, talvez um livro-blog, permeado de divagações e citações. A sem-cerimônia é uma marca dos comentários de Manu. Embora goste da vida de mãe, a autora faz igualmente questão de intitular certos capítulos de seu livro sem floreamento nenhum: “Mar de rosas não existe”, “Contos de fada machucam”, “Como eu também sou machista” e por aí vai. Não se trata – ainda bem – de literatura de autoajuda.

O mais importante do relato é que, diante do preconceito e da dor, ambos onipresentes, Manuela pode até chorar, mas jamais desmorona. A maternidade fortaleceu a mulher, a ativista e a política. Deu-lhe mais dimensão, coragem e envergadura. Tanto que, no prefácio do livro, a amiga Marcia Tiburi faz uma confissão a Manu: “Eu te conheço melhor a partir do momento em que há Laura em tua vida”.

Vale a pena encarar o livro por tais méritos e também pelas singularidades desta mãe e desta filha em particular. De resto, a linguagem informal, o projeto gráfico leve e baseado em duas cores (o laranja e o azul), a imensa quantidade de fotos, tudo isso torna a leitura mais acessível aos jovens – o público mais afim à trajetória de Manuela D’Ávila. Não deixe de ler Revolução Laura.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Vídeo - 20ª Conferência dos Bancários - Falei pela CTB sobre as eleições de 2018 - Rosolução



RESOLUÇÃO 
As delegadas e os delegados eleitos e reunidos na 20ª Conferência Nacional dos Bancários, reforçam a importância do respeito à democracia, da realização das eleições 2018 e orientam a escolha de candidatos comprometidos com a classe trabalhadora. 
Isso significa candidatos à Presidência da República que se comprometam 
com a revogação da reforma trabalhista, 
revogação da PEC da Morte, 
da revogação da lei das terceirizações e 
em defesa das empresas públicas, da democracia brasileira e da soberania nacional. 
Também candidatos que se posicionem contrários à criminalização da política e dos movimentos sociais e sindical.

ELEIÇÕES 2018: POR UM CONGRESSO NACIONAL COMPROMETIDO COM O POVO 

Pela revogação da reforma trabalhista, pelo direito à aposentadoria, em defesa das empresas públicas, da democracia e da soberania nacional

Em 2017, quase 200 mil estudantes matriculados abandonaram o ensino superior. E este ano, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, teve 1,2 milhão de inscritos a menos.

O Brasil tem atualmente quase 14 milhões de desempregados. Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas com força de trabalho subutilizada. Se comparado com 2014, o número de desempregados cresceu 94,2%, o que significa que há 6,6 milhões de pessoas a mais procurando emprego no país desde o golpe por meio do qual Michel Temer (MDB-SP) assumiu o governo no Brasil. São 4,6 milhões os trabalhadores que sequer têm forças para procurar uma vaga no mercado de trabalho, depois de meses e meses de tentativas frustradas. A maioria (60,6%) vive na região Nordeste, onde estão 2,8 milhões dos desalentados.

Desalento é a palavra que hoje, talvez, melhor defina o povo brasileiro, antes conhecido por sua alegria e disposição de viver. Mas isso é passado e o que vemos hoje é um país que voltou atrás, 20 anos em dois. Um país onde não há emprego, onde não há estudo, onde a crueldade sob a alcunha de austeridade fiscal mata. A taxa de mortalidade na infância (proporção de óbitos de menores de 5 anos para cada mil nascidos vivos), que durante de mais de uma década teve quedas consecutivas, subiu 11% em 2016, em comparação com o ano anterior.

Enquanto isso, seis milionários brasileiros têm a mesma riqueza que 50% dos mais pobres no país.

Já somam 40% os municípios brasileiros que não contam com uma agência bancária. E em muitos onde ainda há esse serviço, prestado prioritariamente pelos bancos públicos, já não chega mais dinheiro. Cidades abandonadas, desemprego que assombra.

O resultado do golpe, para onde quer que se olhe, é mais pobreza, o estrangulamento do desenvolvimento nacional, o aumento do desrespeito aos direitos dos trabalhadores, dívidas interna e externa em alta, o caos.

Quando da última eleição, mesmo antes do golpe, o perfil dos eleitos dava uma ideia, ainda que distante da terrível realidade vivida agora, do país que teríamos. A bancada de deputados federais que defende a causa dos trabalhadores caiu quase pela metade. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em outubro de 2014, identificava que os eleitos pela classe trabalhadora diminuíram de 83 representantes para 46. E que do outro lado, a
bancada empresarial contaria com 190 parlamentares.

O resultado foi visto ao longo dos últimos anos, com medidas que praticamente inviabilizaram o governo de Dilma Rousseff. Foi esse Congresso – majoritariamente patronal e com bancadas relacionadas a igrejas (“da bíblia), avessas aos direitos humanos (“da bala”), ex-jogadores de futebol (“da bola”) e ruralistas – que votou, em 2016, o impeachment da presidenta eleita.

As consequências foram nefastas para a sociedade brasileira, com o avanço de ditas reformas que na verdade estão levando ao desmonte de setores estratégicos da economia nacional.

Assim, foi aprovada a toque de caixa, em dezembro de 2016, a Emenda Constitucional 95, devidamente apelidada de PEC da Morte, por meio da qual foram congelados por 20 anos os investimentos nas áreas de Saúde, Educação, infraestrutura. Vai faltar dinheiro também para a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro. E para programas de combate à violência contra a mulher – isso em um país que registra uma agressão contra elas a cada quatro minutos.  Outro ataque frontal à maioria do povo brasileiro foi a “reforma” trabalhista. A lei 13.467, sancionada em julho do ano passado, praticamente rasga a CLT, retirando direitos e reduzindo a força do movimento sindical. Entre as mudanças, autorização para o trabalho intermitente e temporário, liberação da terceirização, fim das homologações nos sindicatos, prevalência do negociado sobre o legislado, o que possibilita o desrespeito a conquistas históricas dos trabalhadores.

O governo tentou ainda promover uma reforma da Previdência, por meio da PEC 287 protocolada em dezembro de 2016. As mudanças praticamente extinguiam o direito à aposentadoria, inviabilizando a Previdência pública e penalizando principalmente os que ingressaram mais cedo no mercado de trabalho, os mais carentes. Os movimentos sindical e social se uniram e conseguiram barrar a proposta até agora. O decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro, de fevereiro de 2018, suspendeu as votações de Proposta de Emenda Constitucional até dezembro deste ano. Esse é o cenário em que se darão as campanhas salariais do segundo semestre de 2018, quando ocorrerão também as eleições que definirão o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O PCdoB acerta e muda o jogo: Manuela Pré-Candidata a Presidenta - Paulo Vinícius Silva

O PCdoB acerta ao lançar Manuela Pré-Candidata a Presidenta da República. Esse gesto, absolutamente normal para um Partido (ter candidato), anunciado há tempos, causa surpresa pelo significado e pela sua própria qualidade. Denota uma realista análise de impossibilidade de unificação de esquerda no primeiro turno, qualifica a disputa, que estava até agora num nível da rede de esgoto. O PCdoB demonstra autonomia e desejo de protagonismo e formulação na unidade da esquerda, dos democratas e patriotas. Essa formulação já é um diferencial: o PCdoB propõe uma Frente, mas uma Frente Ampla.

Como expressão do PCdoB, teremos essa jovem mãe, guerreira, política experiente e habilíssima, brilhante, umas das melhores oratórias do Brasil. Ela expressará magistralmente a política do PCdoB, política complexa, mas combativa, radical, mas com capacidade de diálogo respeitoso e democrático. Será uma mensagem em defesa do Brasil, da Democracia e das conquistas do povo. Quando uma tão necessária mensagem encontra porta-voz à altura, isso é mais que alvissareiro. O resultado imediato é o impacto na cena política. O fato teve ampla repercussão, e isso é, de saída, uma vitória, um tento da Presidenta Luciana Santos e do Comitê Central dos comunistas, que mostram possuir uma nova geração disposta a ousar nas lutas que antecedem à comemoração do Centenário do PCdoB em 2022.

Manu vai dar trabalho e eleva o potencial eleitoral do PCdoB em um momento grave e urgente da luta pela democracia, que tem como uma de suas colunas a legalidade dos partidos de esquerda, e do PCdoB, o mais antigo, ameaçados pelas maquinações da maioria no Congresso, que joga com todas as cartas na Reforma Política e na cláusula de barreira.

Manuela e o PCdoB são necessários para o debate da esquerda e do Brasil. Manuela debaterá o Brasil, a Democracia, os direitos do povo, a juventude.Significa uma grande vitória tê-la como candidata pelo significado para as mulheres, para a luta contra o ódio; será uma coisa linda de se ver.

O PCdoB terá de revolucionar suas campanhas eleitorais nessa experiência eleitoral alvissareira. Treino é treino, mas, agora, jogo é jogo. Que bote em campo um símbolo da juventude e das mulheres - como é a camarada Manuela Dávila - , mostra habilidade, ousadia, sabedoria.

Quanto à unidade? É a bandeira da esperança. Mas fazer unidade é bicho enjoado, dá trabalho. E a primeira condição para a unidade é o respeito, reconhecer o outro como igual, e também constituir relações políticas democráticas, sem hegemonismo, para unificar programas; vai muito além de ter inimigos comuns. Há diversos graus de unidade. Atualmente não existe esse ente unificador de uma Frente Política, Social e Eleitoral. Não somos o Uruguai. E nem o PCdoB rompe nada, só atua com realismo político ante a incerteza na eleição de 2018, as exigências da cláusula de barreira, o baixo nível do debate político e o esgotar de todas as gestões que tem feito há cerca de 30 anos pela constituição de uma Frente Popular.

Mais que uma ruptura, o gesto ilustra tirocínio político e uma novidade para a construção da UNIDADE na esquerda, que agora passará pela voz ativa dos comunistas no conjunto das Forças de que possam compor a Frente Ampla, e que pode ocorrer em qualquer dos turnos da eleição de 2018. O PCdoB, que sempre apoiou o PT, de saída, quer ser ouvido, e não apenas pelo PT, ou pela esquerda. O PCdoB quer falar ao Brasil.

Fala, Manuela, o Brasil vai te ouvir.

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