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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Justiça autoriza técnicas de tortura para forçar desocupações no DF - UBES

Justiça autoriza técnicas de tortura para forçar desocupações no DF Com cortes de luz e água, isolamento físico e privação de alimentos, policiais fazem reintegração em escolas   http://ubes.org.br/2016/justica-autoriza-tecnicas-de-tortura-para-forcar-desocupacoes-no-df/#sthash.bXO9sjhU.dpuf




O governo do Distrito Federal realizou na manhã desta quinta-feira (3/11), no Centro Educacional Gisno, na Asa Norte, reintegração de posse usando técnicas de tortura para “restrição à habitabilidade” das escolas. A ação foi determinada pelo juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, com estratégias semelhantes às utilizadas no período da ditadura militar para reprimir e amedrontar secundaristas.

Durante a ação, os estudantes denunciaram pelas redes sociais o abuso de poder da polícia militar. “No momento estamos cercados. A princípio havia uma viatura do Bope na frente da nossa instituição. Som alto na frente da escola. Cortaram a luz. Estão andando pelos corredores. Avistados com armas nas mãos”, diz publicação.

A tática repressora acontece também no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul. Em relato, estudantes contam que após quatros horas de isolamento dos portões de entrada do colégio, com três camburões da polícia, o oficial de Justiça informou a ação de reintegração.

“Informaram às 14hs que, se não desocuparmos em uma hora, haveria invasão. É assustador, porque a repressão que sempre vimos da polícia na rua, agora está dentro da escola. Estamos presenciando a repressão aos estudantes, à educação, usando essa perturbação psicológica para acabar com a nossa luta contra a MP 746 e a PEC 55”, conta o secundarista do 2º ano, Marcelo Acácio.
ORDEM JUDICIAL VIOLENTA

Apesar das ocupações ocorrerem pacificamente no DF, o mecanismo de repressão foi deferido pelo juiz no domingo (30), que expediu a decisão de reintegração a partir da ação no Centro de Ensino Asa Branca (Cemab). Entre os abusos está a suspensão da entrada de alimentos, corte do fornecimento de água e energia, utilização de instrumentos sonoros para que os ocupantes não conseguissem dormir.

A decisão judicial inclui o uso de técnicas como corte de gás das unidades de ensino; restrição ao acesso de familiares e amigos, inclusive que estejam levando alimentos aos estudantes. O juiz ainda ressalta que tais medidas ficam mantidas, “independentemente da presença de menores no local”.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, que é Coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho de Direitos Humanos de São Paulo, a decisão é “uma afronta ao próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”. Ele explica que, ao impedir a entrada de alimentos e familiares nas ocupações e de familiares, a ação expõe os jovens à violência, crueldade e opressão. “O juiz está legitimando a tortura. É incompatível que um juiz da infância tenha essas práticas, ilegais, inconstitucionais e que podem configurar crimes de tortura e maus tratos”, diz. A pena por crime de tortura é de reclusão de dois a oito anos, segundo a Lei 9455/1997, que define os crimes de tortura.
ESTUDANTES REPUDIAM REPRESSÃO

Assim como a UBES, a União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), que participa das ocupações, lançou nota de repúdio à liminar e à atuação da polícia militar.

“A PM chega nas escolas causando terror psicológico nos estudantes, isolando as entradas e impedindo os estudantes de sair e entrar na instituição. Duas escolas foram desocupadas em pleno feriado, por pressão e terror psicológicos. Está claro que se trata de Estado de exceção. Todo apoio aos estudantes que ocupam as escolas, resistiremos”, diz nota.

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NOTA DA UBES, UNE E ANPG SOBRE ADIAMENTO DO ENEM





O movimento de ocupações de escolas e universidades tomou o Brasil contra a Medida Provisória 746 da Reforma do Ensino Médio e contra a PEC 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado Federal. Este movimento é claramente legítimo ao sair em defesa intransigente da educação pública, gratuita, de qualidade e inclusiva, e já é vitorioso pela dimensão da sua mobilização – já são mais de 1.200 escolas e institutos federais ocupados, além de 139 universidades em todo o país.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades nacionais representativas dos estudantes, vêm a público condenar o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para os estudantes que fariam provas nas escolas ocupadas. O ato do Ministério da Educação causará transtornos a mais de 190 mil estudantes em 304 locais de prova.

O diálogo poderia ter garantido a realização do ENEM em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC, que desde o princípio ameaçou os estudantes por meio do cancelamento do ENEM e da responsabilização das entidades e ocupantes. Vivemos nas eleições municipais no último final de semana a realização da votação em coexistência com as escolas ocupadas, propiciado pelo diálogo entre a Justiça Eleitoral e os ocupantes. Hoje mesmo aconteceu uma reunião entre o Inep, a Secretaria de Educação de Minas Gerais e os estudantes que chegaram à conclusão que é possível garantir o ENEM no Estado. Seguiremos nos empenhando nesse diálogo torcendo para que a decisão precipitada do MEC possa ser revertida.

É necessário ressaltar que a existência do ENEM é uma conquista do movimento estudantil que lutou em toda a sua história pela democratização da universidade. Por esse motivo, nunca seria o movimento estudantil a impedir a realização das provas, porque sabemos que isso significa a oportunidade de milhares de nós – estudantes de escolas públicas – a ingressarem na universidade. É bom lembrar que vários estudantes ocupantes farão a prova do ENEM.

Reafirmamos com a presente nota a luta contra a MP 746 porque achamos que a Reforma do Ensino Médio não cabe numa medida provisória, queremos ser ouvidos para a necessária reforma, queremos o envolvimento de toda a comunidade acadêmica nesse processo. Queremos que pare a PEC 241 (agora PEC 55 no senado), pois ela congela os investimentos em educação e junto inviabilizam o Plano Nacional de Educação.

Ao adiar a realização do ENEM nas instituições ocupadas para o mês de dezembro, o ministério tenta lamentavelmente colocar os estudantes uns contra os outros, buscando enfraquecer o movimento legítimo das ocupações. No entanto, não terá sucesso. A juventude se ergueu contra o congelamento do seu futuro, vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC e a MP do ensino médio com toda a nossa força. Nossa luta não acabou, segue e se fortalece por meio de novas instituições ocupadas e mobilizadas.

Reivindicamos:

* Pela retirada imediata da MP 746 de reforma do Ensino Médio;
* Pela retomada da discussão do PL 6840/2013 sobre a Reformulação do Ensino Médio, em sua Comissão Especial no Congresso;
* Por um calendário de audiências públicas para discutir e debater a Reformulação do Ensino Médio com a sociedade civil, intelectuais, entidades educacionais;
* Pela não aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241);
* Contra a Lei da mordaça (escola sem partido)


União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
União Nacional dos Estudantes – UNE
Associação Nacional dos Pós-graduandos – ANPG

1º de novembro de 2016

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A secundarista Ana Júlia explica a luta dos estudantes nas ocupações na Assembleia do Paraná - vídeo histórico



Por que os secundaristas ocupam suas escolas? Ana Roxo no Nocaute


https://www.nocaute.blog.br/brasil/ana-roxo-porque-se-ocupa.html

Os acendedores de manhãs  Joan Edesson de Oliveira * - Portal Vermelho

Ah! Esses meninos. Ah! Essas meninas. 
Espalham-se pelas ruas, pelas escolas, pelas universidades. Não se contentam mais em esperar pelo amanhã, não querem apenas, como deles dizia Máximo Górki, ter a face do amanhã. Têm sede de hoje, estão famintos pelo agora.

Quem são esses meninos, que ocupam o Brasil, que transbordam em sua juventude e em sua rebeldia, que não podem mais ser escondidos, por mais que tentem? São herdeiros de outros meninos, em lugares e em tempos tantos da nossa história. São herdeiros daquele menino baiano Antônio de Castro Alves, abolicionista e republicano, voz tão poderosa a pregar aos séculos que “toda noite tem auroras” e a dizer aos moços como ele que “não tarda a aurora da redenção”. Descendem eles do menino alagoano Zumbi, que imberbe ainda comandou homens e sonhou a liberdade.

Quem são essas meninas, buliçosas e de olhar tão vivo, que transpiram beleza e coragem, que erguem a voz doce e firme em tribunas hostis, obrigando velhos conservadores a desviar o olhar, envergonhados e derrotados, por mais que se vistam de vencedores? São descendentes diretas daquela menina Anita Garibaldi, que aos dezoito anos fazia guerra e amor, incendiando o sul do Brasil com a chama da liberdade. Elas vêm da baiana Maria Quitéria, pondo em fuga o opressor português. Vêm de outra baiana, Maria Bonita, que aos vinte anos armou a ternura e alou-se em lenda na caatinga sertaneja. 

Por que despertam tanto ódio nas elites, por que são tão atacados? Não são um exército com tanques, mísseis, fuzis. Não são uma força estrangeira a nos invadir. Qual o perigo que representam, então? Por que jornais e emissoras de TV se empenham tanto em atacá-los? Por que representantes de um governo ilegítimo, velho, machista e misógino, atacam com tal força essas meninas que discursam? Por que recrutam milícias que parecem integralistas saídos de um mofado livro de história para atacar esses jovens?

É que esses meninos, essas meninas, riso solto e gargalhada livre, são uma grande ameaça. Os alicerces desse edifício secular das classes dominantes tremem ante o riso deles, temem a sua gargalhada. Mas acima de tudo, o que causa temor mesmo são os sonhos desses meninos e meninas. Sim, eles sonham. Sonham com educação de qualidade, sonham com justiça, sonham com uma polícia que não seja executora da juventude, sonham com um Brasil novo e têm a mais pura e justa certeza de que o novo sempre vem. 

É por isso que eles são tão perigosos. É por isso que há jornalistas vendidos que os atacam. É por isso que há promotores de justiça que ordenam que eles sejam algemados. É por isso que há juízes que autorizam e recomendam o uso de técnicas de tortura contra eles. É por isso que há policiais prontos a bater, a socar, a prender. Porque esses meninos e essas meninas são perigosos, porque eles agarraram o futuro com as mãos e querem que o futuro seja aqui e agora, e não num tempo que nunca chega. Esses meninos são perigosos porque eles podem colocar o mundo de ponta cabeça, e de virá-lo em festa, trabalho e pão, como sonhou o poeta.

E esses meninos e essas meninas estão armados. Suas armas são as ideias que carregam, são o verbo que corta, a voz que inflama. Estão armados, eles. Trazem consigo a arma mais poderosa que há. Como em Pessoa, trazem em si todos os sonhos do mundo.

Parece que saíram de algum poema, esses meninos, essas meninas. Parecem que saíram de algum poema, para em tempos de tanta escuridão, de noite tão comprida, correrem pelas esquinas do Brasil, chamando pela aurora, acendendo as manhãs.

* Educador, Mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará.



sábado, 6 de abril de 2013

Sonhar, sacudir, mudar o Brasil: velhos hábitos secundaristas. Paulo Vinícius Silva

"A juventude brasileira mais uma vez provará que está certa quanto ao caminho para o desenvolvimento do país" - Presidenta da UBES, Manuela Braga, a jornalista que duvidava da possibilidade de a juventude convencer o Congresso dos 100% dos royalties para a Educação, na coletiva após a conversa da Jornada com a Presidenta Dilma, em 04 de abril de 2013.


A UBES mais uma vez foi decisiva para fazer as mais avançadas bandeiras da juventude se expressarem de modo massivo para o benefício e a visibilidade das maiores causas nacionais. Que seria da nossa Jornada de Lutas sem a meninada com cabeça de gente grande que é a militância secundarista? Tomando umas, recordava de meu ingresso na militância juvenil e comunista ainda no Salomé Bastos, na 8ª série, com 14 anos, de onde partiria ao glorioso Liceu do Ceará para as jornadas do Fora Collor. Lembrava que à época, tinha cabelo na cabeça ainda. Lembrava dos amigos que fiz e que permanecem até hoje, como Andrea Oliveira, Flávio Arruda, Joao Marcelo Nogueira Martins, Viviane Rodrigues, Paulo Rogério Gomes de Sousa e tantos! 


Lembrava dos primeiros amores escruciantes e do conjunto dessa época, no Salomé, no Liceu, na ETFCE, de onde peguei as emoções que me impulsionam na luta até hoje. E lembro, sobretudo, daquela força das multitudinárias marchas do Fora Collor que plasmaram em mim a convicção do poder da juventude nas ruas e com bandeiras claras, como é hoje a defesa dos 10% do PIB, os 100% dos Royalties e os 50% do fundo social do pré-sal. Ontem, quando estivemos com a Presidenta Dilma, ficou cristalina a responsabilidade da juventude fazer tremer o país e o povo entender o que está em jogo no destino do pré-sal. Pela primeira vez a riqueza do país ser destinada ao seu povo, à superação da miséria e da desigualdade, ao futuro, ao desenvolvimento, à base de educação e ciência que permita ao trabalho brasileiro libertar-se da vergonhosa proeminência da produção da matéria prima que, esclarece-nos Tom Zé é "o grau mais baixo da capacidade humana" e que ainda domina - e com grande e crescente margem - a nossa relação comercial com o mundo.

Quando ouvia sobre essa imensa responsabilidade que cabia à juventude, pensava comigo mesmo: "olha só como a juventude consegue - a despeito dos imbecis que a menosprezam, inclusive com um discurso pseudo-esquerdista - pautar o centro do projeto nacional"! E pensava, sobretudo: "É, Dilminha, moçada, para demover esse congresso atrasado, para calar a boca da imprensa bandida, para amedrontar os interesses das multinacionais e do imperialismo, para sacudir o país, só se a base da UBES encher novamente as ruas e praças do país, para - com toda a paixão da passagem da adolescência e da juventude - indicar ao Brasil o caminho do futuro".

E essa mesma moçada, espremida nos ônibus, alvo da violência, com uma escola que não serve, que não teve educação infantil e creche, cujas mães e pais ralam em empregos sofridos, essa moçada que representa a base do movimento hip hop, a base das periferias, a moçada que é segregada pela falta de mobilidade urbana, toda essa galera, será que eles e elas sabem, que a escola integral do Brizola, as creches que abrirão caminho à igualdade, a reforma do ensino médio para que todo jovem possa escolher se será um técnico ou um universitário, a revolução do ensino técnico que o PRONATEC apenas sinaliza timidamente, as reformas e as novas escolas, os salários das professoras(es) e profissionais, será que sabem que tudo isso está à mão, como nunca antes? Será que os estudantes secundaristas sabem como pode ser importante - mais uma vez - a sua ação para o futuro do Brasil?!

Talvez não, porque a exclusão é demais, e porque o movimento secundarista sofreu duríssimo golpe na sua organização local e nacional quando nos anos de FHC se legalizou o liberou geral para as máfias e os inimigos da meia entrada a desmoralizarem com a MP 2208, com as infinitas e falsificadas carteiras que minaram a realidade do direito à meia entrada - que virou desconto e que justificou o encarecimento dos ingressos. A identidade estudantil, ao contrário de antes, perdeu muito daquela força que impulsionava a juventude à luta, à cidadania, à politização, às mobilizações, sedes, carros de som, panfletos da juventude secundarista.

É esse desmonte que ainda vigora a base para que tanta maldade se cometa com a juventude mais carente e linda das periferias, as crianças de rua a consumir o crack, a moçada que deixa a sala de aula porque não tem o que lá aprender e são seduzidas pela imprensa bandida e seus valores consumistas e desesperadores.
Marcha da Jornada de Lutas em BH - é só olhar para qualquer foto: estudantes secundaristas são ampla maioria.

Essa é a consequência da desestruturação material da mais importante alavanca da luta de massas na juventude, representada na mais que gloriosa União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e sua base infinita de dezenas de milhões de jovens de todos os municípios brasileiros e que o estatuto da Juventude pode corrigir. É uma imensa força potencial, mas que necessita de poder estruturar-se, para cumprir o transcendente papel de celeiro de quadros, reserva mais combativa, aríete das massas juvenis contra as estruturas arcaicas. É esse o desafio que a Presidenta da UBES, Manuela Braga, e nossa meninada enfrenta quando dirige, com valentia, abnegação, militância apaixonada, tantos grêmios, UMES e Uniões Estaduais, mesmo sem um tostão, mesmo pedindo grana pro passe e pro almoço. São obstáculos tamanhos que só os secundaristas topam enfrentá-los. A vida dos secunda nunca foi fácil. Por isso eles e elas, filhos dos trabalhadores e trabalhadoras, são a parcela que sempre mais me emocionou na juventude, porque eu nunca deixei de ser secunda. Por isso a UBES não precisa ser a UNE, porque quando a UBES se move, o Brasil treme, já que o outro nome para os secundaristas é povo nas ruas, o que a Jornada de Lutas da Juventude outra vez comprovou, indiscutivelmente.

E isso, mais que nunca, estimula a responsabilidade dos movimentos juvenis e do movimento sindical da educação apoiarem a UBES. Essa unidade é sumamente potente: trabalhadores e estudantes, foi ela que garantiu o caráter de massas do Fora Collor em todo o país, e são animadoras as ações conjuntas, como a própria Jornada de Lutas, em que estão a s juventudes da CTB, da CUT, a CONTEE, a APEOESP, a CONTAG e o MST (esses últimos com o desafio de impulsionar a educação no campo).

Esse entendimento é decisivo sobretudo ao movimento sindical, de que é nos estudantes secundaristas, na possibilidade de atuação de suas direções junto a essa imensurável base, que repousa o maior potencial tectônico da luta para que o Brasil revolucione a Educação, e em benefício também de seus trabalhadores e trabalhadoras. Que fará o Congresso se a juventude secundarista se levantar pelos 100% dos royalties, os 50% do Pré-Sal e os 10% do PIB? Que farão os secundaristas se a UBES conseguir lhes dizer o que está em jogo?

O que aconteceria se, em junho, os 10 mil universitários e universitárias participantes do Congresso da UNE em Goiânia se unissem, e viessem a Brasília, com caravanas secundaristas de todo o país e os secundas do DF, para pressionar lotar a Esplanada e sacudirem os bolores do Congresso Nacional, dando aquele puxão de orelha que a meninada dá, em defesa dos grandes objetivos do Brasil?

Desculpem, eu sei que sonho muito... é um velho hábito secundarista.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vídeo da UJS convoca “Ocupe Brasília” no 39º Congresso da Ubes - Portal Vermelho

Vídeo da UJS convoca “Ocupe Brasília” no 39º Congresso da Ubes - Portal Vermelho

Cinco mil estudantes de todo país estarão reunidos, entre hoje (1º) e domingo (4), no 39º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o Conubes, que acontece na capital paulista. Há a expectativa de que os jovens decidam realizar um grande acampamento em Brasília (DF), para pressionar pela aprovação de projetos importantes para a juventude, como o Plano Nacional de Educação (PNE). Confira vídeo produzido pela UJS, com edição da TV Vermelho.



Vídeo produzido pela União da Juventude Socialista (UJS)

A Ubes defende a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país exclusivamente na Educação. Por isso, para pressionar pelo índice no PNE, pretende mobilizar os estudantes para ocupar a cidade de Brasília, levando o movimento global Ocupar Wall Street para a capital federal.

Com o tema “Todos juntos por uma educação do tamanho do Brasil”, o congresso acontecerá nos dois primeiros dias (1º e 2) no Expo Center Norte (Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme, Zona Norte e, no sábado (3) e domingo (4), no Colégio Salesiano Santa Teresinha (R. Dom Henrique Mourão, 201, Santana).

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Além das discussões centradas na Educação, também serão debatidos temas que permeiam esse universo, como drogas, saúde, desenvolvimento do país, mobilidade e transporte, meia-entrada em eventos culturais e na Copa do Mundo de 2014.

Hoje, a partir das 20h, haverá a cerimônia de abertura que terá como tema “30 anos de reconstrução da UBES... e ainda tem gente que diz que isso é coisa de criança”, que contará com a presença do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab . O evento será no Expo Center Norte, onde diversas personalidades importantes para o país, que iniciaram sua trajetória na Ubes, serão homenageadas. Entre eles, a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira.

Sábado: Fernando Haddad participa de debate

Outro convidado que já confirmou presença no congresso é o ministro da Educação, Fernando Haddad, que vai participar do debate “Todos juntos por uma educação do tamanho do Brasil”, juntamente com estudantes secundaristas, que vão expor as reivindicações do movimento estudantil. A atividade será no sábado, a partir das 10h da manhã, no Ginásio Poliesportivo do Colégio Salesiano Santa Teresinha. Milhares de jovens são esperados para o debate. Entre os temas estão: políticas públicas do ministério como a expansão do ensino técnico, acesso ao ensino superior e assistência estudantil.

Passeata

Com a chamada “Estudantes e professores juntos contra a violência escolar, mais investimentos na educação e em defesa da meia-entrada”, os jovens vão tomar a Avenida Paulista na sexta-feira (2), segundo dia do congresso. Seguindo o mesmo roteiro da primeira manifestação “Fora Collor”, dos caras-pintadas em 1992, o ponto de encontro da passeata será o vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), às 14h, e terminará na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Programação e outras informações do Conubes aqui

Fonte: Comunicação UBES e Imprensa UNE

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

UMA UBES MAIOR POR UMA EDUCAÇÃO DO TAMANHO DO BRASIL



Nesses últimos 30 anos, não existe nenhuma luta em nosso país que não tenha a marca da juventude. Para UBES, foram anos de muitas disputas e vitórias. É bom ressaltar que, nem sempre, o movimento estudantil teve as condições políticas de dialogar com governos e com o Congresso Nacional – esse é um momento recente que o Brasil vive, com grande protagonismo dos movimentos sociais.

A juventude brasileira, em especial a UBES, mesmo diante de um cenário de muita instabilidade política, com o primeiro governo eleito após a ditadura militar, teve a ousadia de sair às ruas e pedir o impeachment do presidente. Os estudantes coloriram o rosto de verde e amarelo e ficaram marcados como os “caras-pintadas”. A partir daí, mudaram definitivamente o rumo do país.

Esse é um dos muitos momentos da história em que a juventude se organizou para fazer a diferença, assim como na aprovação do voto aos 16 anos e da Lei do Grêmio Livre, o processo de luta pela redemocratização e pela reconstrução da UBES, o combate ao neoliberalismo e a permanente luta por melhorias na educação e democratização do seu acesso.



Esses 30 anos não foram marcados só por muita luta, mobilização e formulação. Também foi marcado por muita indignação. Mesmo agora, que o Brasil passa por um processo de transformação – e tem avançado – ainda não está no patamar que gostaríamos que estivesse. Essa ainda não é a educação brasileira que queremos.

Nós firmamos muita força no passado, em uma outra conjuntura política, um outro tempo de fazer política. A política pública para juventude não era ProUni, não era Pronatec, ProJovem. Era construir reformatórios e reprimir a organização estudantil. A forma com que se recebia a juventude brasileira era debaixo do cacete, debaixo da bota.

Esses 30 anos de reconstrução da entidade traz consigo essa marca: 30 anos de muita luta. Agora, a gente espera que os próximos tempos que virão para UBES sejam de muito mais conquistas, mais formulação e mais mobilizações, porque nenhuma vitória do povo brasileiro foi viabilizada somente pelo diálogo, mas em especial, pelo poder de pressão da nossa juventude.

Yann Evanovick

Presidente da UBES

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Coletivizando outra vez: Secundarista: teu nome é povo na rua - Portal Vermelho

Inaugurei ontem uma seção que recolhe uma série de artigos publicados, muitos dos quais no Vermelho. Dentre eles, gosto muito desse. Como agora é UBES (cujo congresso acontece no final do ano), em sua homenagem republico essa mistura de memória e defesa do movimento secundarista, grande força de massas da luta estudantil.


A foto abaixo reúne algumas lideranças secundaristas e juvenis de minha geração. Pela ordem: Roberto dos Santos (Hilza Diogo), Ana Lúcia Viana (minha Secretária de Juventude e de toda uma geração), Leonardo Caverna (Anglo da 24 de maio), Andrea Oliveira ( presidenta do grêmio do Liceu do Ceará, minha escola à época) e Paulo Rogério Gomes de Sousa (nosso tesoureiro no Liceu). A foto foi no 1º de maio que a CTB realizou em 2009, na Messejana.


O texto foi escrito antes das últimas eleições presidenciais e o Brasil segue a precisar de mobilização popular!



O Fora Collor no Ceará muito teve da contribuição dessa turma, que puxava o cordão das passeatas desde o Liceu do Ceará






Secundarista: teu nome é povo na rua - Portal Vermelho

Paulo Vinícius *

Desde 2002, com a vitória de Lula, os movimentos sociais se defrontam com difíceis questões. Pela correlação de forças e a composição heterogênea do governo, pelo peso relativo dos partidos de esquerda na sociedade brasileira, e também pelas dificuldades


Ademais, a “defensiva” vai mudando à medida que os povos encontram caminhos. Deste modo, são questões complexas por serem de tempos de transição. Uma delas, central, é encontrar a linguagem, as bandeiras, a unidade e o tom que permitam fazer o povo tomar um papel mais ativo na batalha de idéias que se desenrola diariamente.
Observamos neste segundo mandato uma evolução da tática da direita conservadora. O jogo é bruto, e percebemos a série de experimentos tentativa-e-erro, articulados, visando a impedir o êxito do governo, defender teses derrotadas nas urnas e nas ruas, abrir caminho para o retrocesso. É uma luta prolongada, cuja definição – espera-se – só terá desenlace em 2010. O 16 de Agosto de 2005 quando, em Brasília, estudantes, na maioria secundaristas, e o movimento comunitário em conjunto com outras organizações do movimento social neutralizaram uma escalada de cunho claramente golpista ilustra muito bem como é importante a mobilização popular, como faz a balança pesar.

Por isto, encontrar o tom, as bandeiras, as formas que permitam levar as multidões a ocupar o centro da cena política pode apoiar avanços como as reformas tão necessárias para blindar as conquistas obtidas nos últimos 5 anos, quanto para palmilhar o caminho da vitória do povo brasileiro em 2010. Minha opinião é que isto não é um “problema de gestão”, não será apenas através dos espaços institucionais que solucionaremos tal dilema, vide inclusive eventos como a perda de 40 bilhões para a Saúde com o fim da CPMF. A justa articulação das formas de luta, com a ação nos espaços político-institucionais, a luta de idéias e de ampla mobilização social, este é o tripé que pode nos fazer chegar mais adiante. E, no tripé, a mobilização popular é a arte.

Deste modo, revisitar as experiências de ascenso de massas no nosso país, refletir sobre nossa ação militante é muito importante. Ao preparar o 14o. Congresso da UJS, assim como a estruturação da Central de Trabalhadores e Trabalhadores Brasileiros neste semestre, temos a oportunidade de refletir com a juventude e os trabalhadores sobre estas questões, grande parte do nó górdio da mudança: que formas, que bandeiras podem expressar na prática para amplos contingentes a mudança em cada área; como unir amplos setores em mobilizações que combatam a direita e seus propósitos desestabilizadores, que pressionem e ofereçam ao governo a possibilidade de ações mais ousadas; como dizer não quando se colocarem propostas contrárias ao interesse do povo; como neste processo plasmar o elemento consciente, preparando milhares de lutadores(as) para as batalhas que, acerbas e ácidas, só tendem a aumentar seu potencial corrosivo.
Linda foto de passeata do grêmio da ETFCE contra o decreto 2208 que foi duro golpe contra o ensino técnico. Não estou na foto, mas à época era presidente do grêmio e tesoureiro da UMES, e ela tem muita gente querida.

Por isto este artigo artigo fala tanto de quem mais põe juventude na rua, o movimento secundarista.

Sobre a panfletagem

Se existem duas coisas que fiz durante toda a minha militância na UJS, uma foi distribuir panfleto e a outra foi “passar em sala” de aula. Militante não entrega papel; panfleta. E a panfletagem deve ser um acontecimento. É simples: tem um lugar por onde todos passam e um grupo de militantes fica no ponto exato falando para a moçada em cerca de um minuto, tempo cada vez menor quão mais perto do horário de trabalho ou do começo da aula. Aquele sono de quem acordou cinco e meia da matina – ou antes, quando o assunto é fábrica e garagem – ou então aquele sol rachando ao meio-dia. Panfletar é para quem acorda cedo e almoça rapidinho. Se a pessoa te reconhece a recepção é uma; a depender do que diga, será outra. É o convite à leitura da nossa opinião, na maioria das vezes que nós mesmos escrevemos. E poucas coisas combinam tão bem quanto uma palavra justa e um(a) estudante que tem o respeito e a amizade dos(as) colegas. Quando estes jovens se juntam seu poder é imenso e, dentre essa moçada da luta, destaca-se a galera da UJS, este pessoal que ganha congresso e faz passeata, os(as) jovens socialistas.


Que três ou quatro frases dirá o(a) jovem socialista como introdução à entrega do panfleto, no local de trabalho ou em frente à faculdade? O que dirá, dirá repetidas vezes? Quantas frases terá esse bordão? Será em hip hop, terá rimas, será em cordel? Haverá máscaras e performances? Todas estas e muitas outras perguntas são feitas por aqueles que ao panfletar inauguram sua atividade militante. Muitas vezes a pessoa jamais pensou em estar naque papel, então fala pela primeira vez em público e percebe o valor e o peso de sua voz.


Passar em sala de aula
Em sala de aula, quando o(a) professor(a) der a palavra, haverá só três minutos para a mensagem. Serão equipes que percorrerão pavilhões e blocos, identificando as turmas certas neste mapa político da escola e da universidade. Como guerrilheiros da palavra inverterão os papéis e por instantes ficarão no lugar do professor, informando algo importante, legal, útil. O que dizer em cada sala? Como, olhos nos olhos, deixar uma mensagem, motivar, provocar uma reflexão e – por que não? - um sorriso. Que tom usar ao partilhar uma indignação, um protesto, que devem calar fundo no coração dos nossos colegas? E depois, o mapa de salas, para quantos 
falamos, será que nossa mensagem foi aceita?


Esta é a escola do(a) militante estudantil. Ter a oportunidade de falar a uma sala repleta, liderar uma boa panfletagem que em uma hora atinge milhares de pessoas, estar com uma bandeira no alto significam muito. São gestos muito importantes de nossa história, vitórias que custaram muito sofrimento e heroísmo. E são um contato insubstituível com a juventude, o momento mais fácil de pedir-lhe atenção para a luta, quando nos dirigimos ao povo com nossa voz, gesto e olhar, com nossos argumentos e idéias.


E é a hora de pôr a prova a nossa mensagem. A atenção e adesão que ela recebe definem se ela é importante mesmo, ou se é só viagem nossa e não estamos errando em alguma coisa. É o termômetro da justeza de nossas idéias e do reconhecimento de nossa ação perante a parcela mais aberta à nossa mensagem, nossos colegas, que a depender do que e como digamos poderá vir a lutar ao nosso lado ou ficará só olhando.


São atos de entrega, de exposição pessoal e rebeldia ante a dispersão e a apatia. Nunca passamos em sala ou panfletamos em vão, mas sempre em função de algo especial. Passar em sala de aula e panfletar são artes, são a principal arma quando é necessária a mobilização da juventude. E que ato de rebeldia é olhar nos olhos dos estudantes e fazê-los (e até o professor) concluir que a aula mais importante é nas ruas, a passeata.


As passeatas do Fora Collor
E quanto a passeata legal, ninguém ganhou do Fora Collor, que até deu uma ajudinha, bastava olhar a figura bizarra para entender que não dava pra aguentar aquela histrionice. Mas o fato mais importante é que o movimento secundarista teve a capacidade de renovar formas e métodos de luta sem perder o centro, e valeu-se de uma palavra de ordem ajustada para mobilizar a parcela mais combativa da juventude – nas escolas – para escrever um novo e inédito capítulo na História do Brasil. À época o movimento estudantil vivia um período de refluxo, no começo, ninguém apostava naqueles adolescentes. Mas à medida que as praças foram enchendo foi ficando impossível ignorar aquele clamor.


É claro que sempre há aquela galerinha do contra. Esse pessoal nos “ajudou” muito, diga-se de passagem. Enquanto ficaram na janela reclamando, fomos construindo um movimento de massas. E tem gente muito sofisticada que tem na palma da mão a fórmula para tudo. Geralmente a fórmula é tão doida que ficam sozinhos, reclamando do povo que, por não ser besta, tem mais o que fazer que ficar ouvindo playboyzinho radical. Mas a militância secundarista não tem tempo pra isso. Seu sobrenome é luta, e sem medo de errar afirmo que nesta hora que o país atravessa os(as) secundaristas têm muito a fazer como a principal força em mobilização de massas na juventude brasileira.


O mito pseudo-esquerdista de que o Fora Collor foi algo patrocinado pelas elites sempre foi a expressão da freqüente e espúria coalizão entre a “ultra-esquerda” livresca e a direita temerosa de povo na rua. Sua crítica pseudo-esquerdista (bota pseudo nisso) era de que estávamos fazendo demasiadas concessões “na forma”, na amplitude, na universalidade da nossa mensagem.


Bobagem completa. Estávamos certíssimos, a História o provou. Em um momento de total defensiva do campo progressista – foi logo depois da Queda do Leste – os estudantes secundaristas e universitários brasileiros mobilizaram milhões de jovens desde a 5a. série, muitas vezes, até a universidade. Seu destemor contagiou o Brasil inteiro, carregou baterias e esperanças e afirmou o movimento estudantil, o protagonismo da juventude. O Fora Collor foi protagonismo do povo, da juventude e dos estudantes, a prova que após a volta da democracia era possível interferir nos rumos do Brasil e a rejeição da agenda collorida, depois implantada por FHC, o neoliberalismo.


O Fora Collor inovou na forma e ousou fazer de manifestações políticas algo legal. Tinham a trilha sonora que todos ouvíamos, dialogavam com nossas angústias, mas também com nossa vontade de curtir, pular, a rebeldia do nosso jeito. Então tinha sim muito axé, Legião Urbana, as palavras de ordem tinham ritmos variados e engraçados e a gente “tirava onda” com quase tudo, fazia gestos coletivos, verdadeiras coreografias, conversava muito com a galera da passeata, que participava bastante. Eram lugares de encontro de galeras de várias escolas, e, claro, sempre se paquerou bastante, ou seja, a passeata era um movimento da nossa época, com a nossa cara pintada e com uma linguagem adaptada, com potencialidades e limites, mas era sobretudo um espaço aberto ao povo.
Desde essa época passei a achar a coisa mais linda do mundo a multidão no meio da rua e também aprendi que o movimento também tem sua tecnologia, que estes adolescentes e jovens unidos podem inventar danações que deixam os poderosos de cabelo em pé.


O movimento é também um conjunto de técnicas que a gente inventa
Tenho muito orgulho de ter redesenhado com aquelas multidões os mapas e caminhos da mobilização estudantil em Fortaleza. O nosso era mais ou menos assim: saíamos do Liceu do Ceará, pegávamos a contramão na Liberato Barroso e juntávamos toda a galera na frente do Rio Branco. De lá, passávamos na Guilherme Rocha, parando o Oliveira Paiva, pegávamos a São Paulo e passávamos em frente ao CR (Comitê Regional), depois corredor da Imperador, onde de uma vez só parávamos Rui Barbosa, Fênix Caixeiral, Sistema, Anglo, Positivo e, finalmente, encontrávamos na praça Clóvis Bevilácqua as duas outras marchas que vinham do Justiniano de Serpa e outra lá do Adauto Bezerra. De lá para a Praça José de Alencar e/ou do Ferreira.


Era a descoberta de que podíamos inventar aquelas coisas, que dava certo, e o PCdoB sempre ali, apoiando, dando um toque, torcendo por nós, para que desse certo. Ana Lúcia, Rubens, Rodrigues, Patinhas, Chico Lopes, Inácio, a gente sentia que aquele pessoal tava do nosso lado mesmo e eu nunca esqueci, no dia do Fora Collor mesmo, quando ele caiu, o Rubens, já um senhor de idade em cima da mesa na sede do Comitê Regional do partido cantando a Internacional e com a bandeira do Partido e um monte de gente – a maioria estudantes - comemorando tão felizes!
Multidões descobriram pela primeira vez a força do movimento estudantil e afluíram para nossas reuniões, que multiplicaram por dez o número de participantes. E se é verdade que tínhamos sido capazes de chamá-los, nem sempre éramos capazes de mantê-los ativos, e assim eu aprendia esse descompasso entre a influência política e a estruturação orgânica. Ou seja, entre a nossa capacidade de falar de modo que o povo entenda, propor formas que estimulem a sua participação e a identidade com o movimento e, por fim, que tal sensação de pertencimento, efêmera naquele evento, pudesse se tornar um compromisso mais permanente, que a pessoa compreendesse mais para entrar na luta.
Rompemos ali com vários preconceitos que engessavam o movimento estudantil em uma fôrma quadrada, ignorando uma noção básica da nossa concepção de movimento, que é ele ser de todos os estudantes, porque do contrário estaremos dando as costas para muita gente que pode ajudar na luta.
O movimento pode e deve ser divertido e nem sempre as pessoas se encantam pelas mesmas coisas, ou pelos mesmos argumentos. É absolutamente legítimo participar do movimento porque é legal, por se reconhecer naquela turma de luta, por tantas razões válidas por tirar aquela pessoa da letargia, da não-participação, do ceticismo. A estranheza deve haver quando o movimento, feito de gente tão jovem, seja chato. E chatice não é profundidade e nem politização, do mesmo modo que ser legal não é ser primário, raso, despolitizado. Muito ao contrário, a juventude é generosa, vibrante, se emociona com o que é belo e justo, compreende com rapidez e é ávida pelo conhecimento. Traduzir não é rebaixar, mas inovar na forma preservando o conteúdo, instilando emoção, beleza e razão. Por isto é tão importante que cada um de nossos militantes se empodere das suas responsabilidades em seu lugar e posto, pois precisamos de sua criatividade. Sem ela não haverá as respostas desta época.
Traduzir as bandeiras e atualizar as formas de mobilização
Desde lá, muita água passou debaixo do moinho. Só para citar um dado, já faz dez anos(!) que tenho um e-mail (e nem foi o primeiro), algo que não existia em 1992. O movimento hip hop tem uma grande força, impensável para a época, e as formas de mobilização e registro dos fatos se popularizaram enormemente. Esta moçada é chamada a um grande desafio, incorporando as lições do passado, mantendo a irreverência e o conteúdo, inovando na forma e preparando uma nova vereda de possibilidades na luta de massas. O que não muda é que quando milhares de estudantes e trabalhadores tomam as ruas, impõem respeito. E estas multidões juvenis estão na escola, na universidade e no trabalho todos os dias e devemos falar para eles.


A hora é de revisitar estas criações do povo, da juventude. Reencontrar a forma e lutar para que prevaleça o conteúdo correto em novas mobilizações de massas que apontem o caminho da mudança, expressando de maneira clara objetivos que são de todos e que por isto podem levar à praça pública.


Mas encontrar a tradução para os anseios do povo não é fácil. Quando Lênin encontrou a consigna Pão, Terra e Paz, em 1917 em plena Rússia Tzarista, tais palavras interpretaram as mais profundas necessidades do povo, e isto foi o estopim de uma mobilização que mudou o planeta. Quando apontam-se seis reformas elas não estão prontas, carecem de tradução para encontrar guarida no coração do povo. Como traduzi-las na juventude? Nesta hora, o que o Brasil mais necessita é dessa energia dos estudantes secundaristas, que abraçaram desde o começo o projeto da UJS, levaram adiante a Campanha do ''Se Liga 16'', fizeram o ''Fora Collor'' e não vacilaram em enfrentar a direita golpista nas ruas de Brasília em 16 de agosto de 2005. Se é verdade que sozinhos não poderão tudo, não menos verdade é que estarão na linha de frente das decisivas mobilizações que defenderão e aprofundarão o novo tempo.

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