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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Podcast Coletivizando 2 - Quinta, 28/5, às 14h30, com Dra Tais Matos #FimdaEscala6x1 e as mulheres

🎙️ PODCAST COLETIVIZANDO 🎙️
🗓️ Nesta quinta-feira, 28/05, às 14h30

Prepare-se para mais um episódio com debate político de qualidade, informação de utilidade pública e muita cultura!

🗣️ 1. PAPO POLÍTICO
🔹 Tema: #FimdaEscala6x1 e a vida das Mulheres
🔹 Convidada: Dra. Taís Matos

📌 2. CUIDA
🔹 Destaque: ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio (inscrições abertas!)

🎵 3. CANTA, MINHA GENTE
🔹 Música: Sueño con serpientes (de Silvio Rodríguez - Cuba)
🔹 Apresentação: Paulo Vinícius da Silva

https://youtu.be/h9fn6beyZ58 Neste episódio, recebemos a Dra. Taís Matos para um debate sobre o fim da escala 6x1 e os impactos diretos na vida das mulheres. Também abordamos a democratização do ensino superior através do ENEM e a obra do músico cubano Silvio Rodríguez.


Capítulos:

00:00 - Introdução e Boas-vindas à Dra. Taís Matos

01:36 - Trajetória da Dra. Taís Matos e Formação em Cuba

04:51 - Intensificação da luta pelo Fim da Escala 6x1

06:08 - Relatório do Deputado Léo Prates e Regras de Transição

10:46 - Impactos da escala 6x1 na vida das mulheres

14:13 - A necessidade de compartilhamento das tarefas domésticas

19:35 - Tecnologia, redes sociais e a violência contra a mulher

22:07 - Conceito de feminismo emancipacionista

30:51 - Mensagem sobre a importância da luta e fim da escala 6x1

35:30 - Discurso do deputado Inácio Arruda sobre a jornada de trabalho

38:58 - História e evolução do ENEM

44:27 - O papel do ENEM e do SISU na democratização do ensino superior

50:09 - Expansão das instituições públicas de ensino superior

59:47 - Informações sobre as inscrições e provas do ENEM 2026

01:10:05 - A obra do músico cubano Silvio Rodríguez e a Nova Trova

01:13:52 - Solidariedade internacional e a campanha por Cuba

01:23:59 - Análise da música "Sonho com Serpentes"

01:43:04 - Encerramento e considerações finais





Apoio: CTB Bancários, Metamorfose Comunicação e Blog Coletivizando.
Não perca! Compartilhe com os amigos e participe com a gente! ✊🏽🔥

#Brasil #Cuba #Solidaridad #ENEM 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Dentista grátis é Brasil Sorridente, SUS melhor com Lula







O programa Brasil Sorridente em Fortaleza oferece atendimento odontológico gratuito pelo SUS, incluindo consultas, restaurações e próteses dentárias nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs). Pacientes em Fortaleza agora recebem confirmação de consultas e procedimentos nos CEOs via WhatsApp.
Como acessar o Brasil Sorridente em Fortaleza:
  • Locais: Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para agendamento.
  • Especialidades: Casos complexos são encaminhados para os CEOs.
  • Próteses: O serviço de próteses dentárias é oferecido após avaliação nas unidades de saúde.
  • Novidades: O Governo do Ceará recebeu novas unidades móveis de odontologia para ampliar o atendimento, inclusive em Fortaleza, beneficiando áreas vulneráveis.
O programa, que completou 20 anos, teve reforço de investimentos no Ceará, com aumento de 85% no financiamento das equipes de saúde bucal
Saiba mais:
Brasil Sorridente — Ministério da Saúde https://share.google/U17Dnl9uwoLxZBWHk

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Brasília recebe o filme Doutor Araguaia, no Liberty, dia 8/4, 20h, GRATUITO


João Carlos Haas Sobrinho (Juca)
Médico do povo e Guerrilheiro do Araguaia

No próximo dia 08 de abril de 2025, às 20h, no Cinema Cultura do Liberty Mall, teremos a exibição GRATUITA do DOUTOR ARAGUAIA.

O documentário é um convite à reflexão sobre a luta pela democracia e os horrores da ditadura militar no Brasil.

A produção retrata a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho, jovem médico gaúcho que, movido pelo compromisso com a justiça social, uniu-se ao PCdoB e às Forças Guerrilheiras do Araguaia. Como profissional de saúde, prestou atendimento a camponeses das regiões de Porto Franco (MA) e Xambioá (TO), tornando-se uma figura admirada pela população local. Perseguido pelo regime militar, foi assassinado pelo Exército em setembro de 1972. Até hoje, seus restos mortais nunca foram entregues à família.

Dirigido por Edson Cabral e com roteiro de Sônia Haas, irmã do protagonista, o documentário é uma realização independente da TG Economia Criativa, com gravações em diversos estados do país e depoimentos de ex-guerrilheiros, camponeses, amigos e estudiosos. 

São 90 minutos de narrativa intensa, com cinco músicas inéditas e cerca de 50 entrevistas, costurando o legado de um homem que dedicou sua vida à causa do povo.



Entrada Gratuita mediante Sympla.

https://www.sympla.com.br/evento/exibicao-do-documentario-doutor-araguaia--a-historia-de-joao-carlos-haas-sobrinho/2885538


Fundação Maurício Grabois :: João Carlos Haas Sobrinho: homenagens ao médico guerrilheiro 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Bancários lutam pela vida sob crescimento exponencial de contaminados de COVID Ómicron e Gripe

 

Informativo da CTB Bancários DF com a agenda de Luta contra a COVID, a Gripe e o Negacionismo



Check List de condições de saúde no ambiente bancário para colegas, clientes e terceirizados,


Covid: Brasil tem quase 100 mil novos casos conhecidos de covid em 24 h



 







sábado, 8 de maio de 2021

Parar o genocídio é uma tarefa política - In memorian de Leonardo Caverna e Júlio Salas - Paulo Vinícius da Silva

Perdemos mais um veterano da UJS para o genocídio. Outro dia, o Júlio Salas, grande líder secundarista do Amazonas da minha geração. Hoje, Leonardo Caverna. Quem será o(a) próximo(a). E é um problema político. A culpa é do Bolsonaro. 

Leonardo Caverna, lembro de você arrombando o portão do 7 de Setembro no dia da manifestação que reuniu 70 mil pessoas no Fora Collor, a maior de todas. Não sei se eu estava ao carro de som, 1992, e vejo ele, a barriguinha, de chinela havaiana, pendurado na marquise e as pernas como um aríete, de calça jeans e sem camisa. Pou! E a estudantada do 7 saiu às ruas (nunca saía). 

Leonardo caverna, sempre feliz e na luta. Segura a bandeira da CTB.

 

Ele era o mais animado dos estudantes das escolas privadas do Corredor da Av. Imperador. Sua energia e combatividade foram centrais para desenhar o mapa das passeatas de Fortaleza, ele e nossa galera  (Andrea, Zizia, Paulinha, Huston, Cristóvão, Pádua, Rogério, Aírton, Paulo Henrique, Flávio Arruda, Saulo, Johnson, etc) e todas as correntes do ME alencarino, nós desenhamos aquele mapa. E ele arrastava a Imperador, aonde era sua escola, o Anglo. Por três caminhos (Liceu do Ceará - Adauto Bezerra-ETFCE e Justiniano de Serpa) dirigiam-se milhares de estudantes ao Centro de Fortaleza. 

O cabelo grande e desalinhado, um cordão de osso no pescoço, nem sempre de camisa. Caverna foi consequência, como apelido - pra nós Caverninha. Depois, Leonardo Leite. Era um dos mais ensandecidos membros da terrível comissão de vacilos, até o Marcelo Nogueira, reitor da URBI -universidade regional dos brutos e ignorantes -tinha medo de levar uns sabacús, se vacilasse... Não era raro o Caverna surpreender a mim ou a outro amigo com- literalmente - uma mordida na bunda. Vinha ardiloso, com um sorriso moleque, vc tava em pé conversando, e, do nada, surgia o Caverna dando uma mordida de varar calça jeans! Como doía, mas, como não rir?! 


 

Era uma força da vida, meu amigo Leonardo Leite. Era combativo, teimoso, socialista do PSB de raiz desde o leite materno, militante da UJS que me ensinou na prática como levávamos a sério a UJS ser maior que o Partido, reunindo a juventude socialista. Era um cara que era povo. No meio dos secundaristas, dos trabalhadores, da massa, ele era peixe dentro d'água. Torcedor Tricolor (Fortaleza) fanático, puxador de palavra de ordem, lembro dos pulinhos dele, com os pés unidos, cantando as mais fuleiras palavras de ordem que eu já ouvira. Formiguinha, vovó, elefante, todo tipo de loucura e todo os gritos da TUF. Dirigente sindical da CTB Ceará, pai, meu amigo, mais um da minha geração que tomba diante de o Brasil ter se tornado uma ameaça à vida, à saúde pública global. 

Caverna não morreu só de COVID, ele não sobreviveu ao governo Bolsonaro. Você, que me lê, sabe se nós sobreviveremos?! 

Não é uma questão teórica, mas político-prática. Não foi individual. As pessoas morrem por falta de vacina, por projeto, por corrupção descarada, pelo culto à ignorância, à burrice, ao crime. Nós estamos perdendo pessoas, inteligências, amores e isso é um problema político. Nos EUA, lembrou-me um amigo, a saída foi pelas ruas e com a eleição, e é verdade. O PCUSA resumiu, à época: tem de votar no Biden e mudar a política. Não podia vacilar. E deu certo. 

No Brasil, mudaram bastante as coisas nos últimos dois meses e Lula retoma um digno protagonismo.  A hora é de apostar na unidade, na ousadia, na esperança, na iniciativa política. Vislumbra o povo brasileiro retomar o governo? Sim, nós podemos. 

Que fazer? No curso da CPI, o que fazer? Qual a unidade, quais as ações que possam parar o genocídio? Responder é o nosso compromisso com cada um que perdemos, com o nosso futuro, com a vida, com o Brasil. 

Temos de lutar muito mais, unir muito mais, mudar o jogo! Retomar a vida, a democracia, o Brasil, cobrar tantos crimes contra o povo brasileiro, é nosso compromisso, é a saída, é como sobreviveremos! Leonardo Caverna, presente! Fora Bolsonaro Genocida!

domingo, 18 de abril de 2021

Professoras(es) e trabalhadoras(es)da Educação privada do DF fazem carreata por Vacina, Saúde e Vida! 21/04, FUNARTE às 9h00 - SINPROEP

Carta do SNPROEP À CTB DF: 

O SINDICATO DOS PROFESSORES EM ESTABELECIMENTOS PARTICULARES DE ENSINO DO DISTRITO FEDERAL, CNPJ n.º 07.695.678/0001-85, neste ato representado por sua Presidente, Sra. KARINA BARBOSA DE JESUS DA SILVA, vem expor ao Companheiro o que se segue:

 Os trabalhadores da rede particular de ensino no Distrito Federal, desde o início da decretação do estado de calamidade pública pelo governo Ibaneis Rocha, em março de 2020, vêm enfrentando uma séria luta com o setor patronal e com o governo do Distrito Federal, pela isonomia de tratamento com a rede pública de ensino, que está laborando em atividades remotas, desde o começo da pandemia da COVID-19. Durante todo esse período de pandemia, o Sinproep-DF recorreu às diversas instâncias administrativas e judiciárias. 

Conseguimos uma liminar que obrigou o GDF a suspender as atividades presenciais das entidades parceiras (creches conveniadas), que não foram incluídas no decreto de paralisação da rede pública e privada. O governador Ibaneis Rocha, cedendo à pressão do capital, determinou a volta das aulas presenciais da rede privada, quatro meses após o início da pandemia. Recorremos ao MPT e com o apoio dessa magna instituição, conseguimos adiar por quatro meses a volta às aulas presenciais. Em fevereiro, outra vez, os donos de escolas, com apoio do GDF, em pleno lockdown, conseguiram à volta das atividades presenciais.

 Com o recrudescimento dos níveis de contaminação, vários profissionais se infectaram, foram hospitalizados e perderam a suas vidas. Em virtude do número de mortes de trabalhadores da educação privada no DF nas últimas semanas, a categoria passou a pressionar o Sindicato por medidas mais efetivas, por entender que, somente os caminhos institucionais, por si só, não estavam atingindo os objetivos desejados.

 Nesse sentido, em assembleia, a categoria decidiu realizar uma “Carreata em defesa da Saúde e da Vida e pela Vacinação Já”, dos trabalhadores da educação pública e privada do DF e diante disso, vimos solicitar a importante participação dessa prestigiosa entidade à nossa mobilização. O evento será realizado no dia 21 de abril de 2021, com concentração a partir das 09 horas, no estacionamento do Complexo Cultural da FUNART, junto a Torre de TV, no Eixo Monumental e desde já, agradecemos o importante apoio nesse momento fundamental na defesa da saúde e da vida, dos trabalhadores na educação pública e privada do DF.

VAMOS SOMAR À LUTA POR VACINA JÁ!




terça-feira, 13 de abril de 2021

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Propostas do PCdoB-65 para a eleição de 2020 na defesa do - SUS


O PCdoB lançou, na sexta-feira (25), sua Plataforma de Saúde para as eleições municipais com a participação da presidenta Luciana Santos, do governador Flávio Dino e da deputada federal Jandira Feghali. Diretrizes consideram medidas de combate à pandemia, assim como de fortalecimento do atendimento universal e gratuito à saúde.

Lançamento da Plataforma de Saúde para as Eleições Municipais.

O lançamento virtual da Plataforma de Saúde para as Eleições Municipais defendeu diretrizes básicas para a defesa d saúde pública nas eleições municipais de 2020, como forma de garantir um sistema universal, inclusivo e solidário para a população mais vulnerável em meio a políticas de desmonte do estado brasileiro. 

Essas diretrizes foram defendidas e analisadas durante o ato de lançamento da Plataforma para a Saúde nas Eleições Municipais, ocorrido nesta sexta (25), com presença do governador do Maranhão, Flávio Dino, da vice-governadora de Pernambuco e presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, do secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, de Jorge Venâncio, conselheiro nacional de saúde e coordenador do Conep (Conselho Nacional de Ética em Pesquisa) e do farmacêutico Ronald Santos da Comissão Nacional de Saúde do partido. O evento foi mediado pelo jornalista e escritor Osvaldo Bertolino.

Ronald Santos destacou a intervenção e presença do partido na elaboração de políticas públicas para a área que é considerada em pesquisas a principal preocupação da população. “Além de defensores do povo, temos propostas e capacidade de gestão. Temos a convicção de que é possível colocar os serviços públicos sob os interesses da população e ter mecanismos e caminhos para dar concretude a isso, agora, nas eleições municipais de 2020”, afirmou.

Luciana Santos ressaltou o momento afirmativo do partido, em que apresenta essa plataforma voltada para o fortalecimento do SUS, num momento de pandemia de Covid-19, em que o sistema público de saúde se mostrou absolutamente necessário para a defesa da vida.

“A defesa da proteção social e a defesa da vida está no DNA do nosso partido. Não somos um partido só de eleição, mas somos um corpo que vive o dia a dia do país, que pensa no cotidiano do nosso povo”, declarou.

Ela reafirmou que a plataforma é um verdadeiro programa, que precisa se transformar em bandeiras com ideias-força para estar na boca da militância. “Estamos próximos das 150 mil mortes e a defesa da vida e do SUS se tornaram movimentos centrais da atual conjuntura, em que vivemos a pior crise sanitária e social do último século”.

Luciana enfatizou o papel da bancada omunista de parlamentares, que atuou na linha de frente para aprovar medidas como o auxílio emergencial, recursos extraordinários na compra de equipamentos e a constituição de unidades de terapia intensiva, como a relatoria da Lei Aldir Blanc, por Jandira Feghali.

Para ela, a Covid-19 demonstrou a forte desigualdade do país. “O CEP, o local onde as pessoas moram, se tornou um forte indicativo do número de mortes. As periferias são os locais onde os pretos e pobres mais perdem as vidas nessa pandemia”, criticou.

Ela também mencionou a experiência em políticas públicas de saúde do PCdoB. “Temos a experiência no governo federal, com a criação e implementação de muitos programas inovadores de saúde, assim como nas prefeituras e governos estaduais, com particular atenção à população negra e pobre, mais vulnerável aos problemas de saúde”, lembrou.

Ela terminou destacando o “caráter nocivo” da intervenção de Bolsonaro, “sabotando as medidas de isolamento social, recursos de emergência, dois ministros da saúde caindo durante a pandemia, mostrando o descaso com a saúde da população”.

A parlamentar Jandira Feghali considera estratégico o embate sobre a importância do Sistema Único de Saúde, pois a pandemia não garante a interrupção do desmonte do estado e da saúde pública.

Ela defendeu diretrizes básicas nas eleições municipais de 2020, como forma de garantir, em meio a políticas de desmonte do estado brasileiro, saúde pública de qualidade, gratuita e para todos, especialmente para a população mais vulnerável.

Jandira ressaltou o caráter histórico do PCdoB lançar, pela primeira vez, uma plataforma de saúde num momento dramático de pandemia. “Os comunistas participam, há décadas, desse debate sobre a construção do Sistema Único de Saúde desde a redemocratização e na Constituinte, numa luta de resistência e conquista permanente”, afirmou.

“As eleições vão estabelecer um quadro de quantos prefeitos vamos ter que defendem o SUS, quantos vereadores vão fazer essa defesa, para que a gente tenha um tecido social para as disputas maiores que vamos fazer a partir de então, para resgatar essa contribuição histórica dos comunistas na defesa do SUS, da vida, da tecnologia e da qualidade de vida das pessoas”, anunciou. 

Com todas as políticas de redução do estado e políticas de desconstitucionalização do SUS, de acordo com a parlamentar, foi essa capilaridade, controle social e capacidade de resiliência que deu a condição de resistir e não perder o SUS no texto constitucional. “Apesar de todos os limites, as asfixias, e os embates que ele sofreu, foi o que fez o SUS acontecer até hoje”.

Apesar do SUS ter tornado visível sua importância na pandemia, com a vigilância em saúde ter sido visível e fundamental, tanto do ponto de vista epidemiológica, sanitário, ambiental e no trabalho dos profissionais de saúde, ele continua em risco. “Diante de um governo de características fascistas e de uma agenda que faz parte de uma meta que é o desmonte do estado brasileiro, o desfecho não está dado. É um alerta sobre o desmonte do estado pelo confronto com o SUS e as reformas em andamento com imensa precarização no mundo do trabalho e necessidade de ameaça de muitos setores de privatização”.

Ela pontuou as diretrizes defendendo um plano permanente de enfrentamento da pandemia nas gestões municipais, medidas preventivas como segurança alimentar e saúde da família, investimentos e estímulo à tecnologia e inovação para reduzir a dependência de importados na saúde. Outros pontos que a pandemia reforçou foi a necessidade de manter a capacidade instalada com a emergência da Covid-19, assim como o combate efetivo às fake news e à desinformação em saúde.

A luta contra a emenda do teto é decisiva, na opinião da parlamentar. “Mesmo que lutemos pela reforma tributaria, tributação progressiva, tributação das fortunas, sobre o patrimônio, com a emenda do teto, a gente arrecada e não pode gastar. Temos que arrebentar com o teto!”, concluiu.

Nésio Fernandes imagina um novo SUS, que atenda melhor a realidade do povo, a partir da ocupação de espaços de poder político pelos setores avançados das classes populares e os setores progressistas. Como secretário de Estado, ele enfatizou o privilégio de trabalhar no município, no bairro, com a unidade básica de saúde, criando vínculos com a população e suas necessidades.

“Ter na carteira de serviços, na agenda política, um conjunto de medidas capazes de transformar o SUS da Constituição no SUS real da vida do povo, é uma agenda possível que qualquer gestor que ocupa espaço de poder político, mesmo em momentos de adversidade, pode fazer muita coisa”, defendeu o médico formado em Cuba, salientando a capacidade daquele país em oferecer a melhor saúde do mundo apesar das dificuldades econômicas.

“Isso só é possível em contexto de adversidade, quando há projetos reais concretos e ousadia; e é isso que nossa organização propõe ao povo brasileiro: que participe das eleições para construir um projeto de nação mais avançado”, declarou o gestor.

Ele pontuou medidas tomadas em sua gestão em Palmas (TO), que levaram ao avanço da atenção primária em saúde, por meio de coordenação complexa do sistema. Também falou da ousadia de criar formação municipal em saúde para garantir qualificação profissional. “Foi uma gestão premiada nacionalmente porque havia um prefeito avançado, gestão avançada e comprometimento dos trabalhadores”, ressaltou.

Essa é, na opinião dele, uma característica importante da gestão municipal, ao criar movimento entre os trabalhadores da saúde, a população precisa reconhecer, participar e se sentir pertencente das conquistas e avanços da saúde. A gestão precisa ter uma escuta qualificada das demandas da população. “Esse componente protetor da política pública que é o controle social, precisa ser valorizado por qualquer candidatura do nosso campo”, defendeu.

Nésio considerou que, quando se otimiza os recursos mínimos de saúde, sem terceirização, é possível testemunhar o fenômeno da classe média utilizando a atenção básica em saúde. Em Palmas, ele observou isso, devido à sensação de segurança da população no serviço de atenção primária em saúde se comparado com os planos de saúde.

Ele destacou entre as diretrizes da plataforma, o estímulo a formação de polos de tecnologia e inovação em saúde nos municípios. Para isso, ele considera que recursos de custeio investidos em terceirização e políticas de baixo desempenho sejam absorvidos para isso, especialmente em grandes municípios com impacto regional.

Ele ainda mencionou o trabalho exitoso da gestão estadual do Espírito Sando na contenção da pandemia, por meio de informação diária para a população, sem ter colapsado o sistema em nenhum momento. A expansão da testagem também foi considerada, por ele, fundamental para o controle da pandemia no estado.

Jorge Venâncio considera que o principal mérito da plataforma é demarcar com os principais erros cometidos no enfrentamento da pandemia. “A primeira demarcação que acho importante é com a postura de que não há nada a fazer diante da pandemia. Que estamos condenados a assistir esse festival de óbitos, enquanto as pessoas no governo defendem a inércia, não fazer nada, sob a justificativa falsa de que o STF o proibiu de agir”, disse.

Ele também avalia que a proposta de um isolamento social por tempo indeterminado também é inviável, como demonstram os fatos. Por isso, a proposta da plataforma visa a expandir a testagem e a vigilância sanitária para manter confinamento somente para contaminados. “Temos um exército de 300 mil agentes comunitários de saúde que ficaram praticamente inertes nesse processo por falta de comando centralizado”, lamentou.

Ele também reforçou o papel do método científico para desmascarar falsas polêmicas como a de que a cloroquina seria um remédio milagroso para Covid-19. Podiam ter sido realizadas duas vezes pesquisas que comprovassem a eficácia da cloroquina, no entanto, não foram feitas, e se foram tiveram o resultado escondido. “Essa tentativa de fabricar falsas soluções faz parte do sentimento de impotência desse governo, que não acredita em si mesmo, nem merece nossa confiança. Esta é a mensagem central dessa plataforma”, concluiu.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, encerrou o lançamento dizendo da primazia que o tema da saúde ganhou no debate eleitoral. Ele considera que podemos ter a convicção de terminar 2020 com a vitória da batalha da reafirmação do SUS. “Havia uma visão de que o SUS era acessível, mas ineficiente. Conseguimos virar a chave que evidenciou para a sociedade a eficiência do sistema, que nós já sabíamos”, observou.

Ele acredita que o SUS pode se tornar, como no Reino Unido, um patrimônio da sociedade que nem a direita ataca, porque a população protege.

Flávio diz que pegou o Maranhão com 80 leitos de tratamento intensivo e, independente da pandemia, ampliou para 310 em cerca de cinco anos. “Isso determinou que pudéssemos enfrentar a pandemia com poucos hospitais de campanha, apenas dois”, relatou.

O governador alertou para o iceberg de crise econômica que o país vive, em que se enxerga apenas o preço do arroz e o câmbio descontrolado, mas que a maior parte do problema ainda está submersa. Segundo ele, a inviabilidade fiscal do país é expressa abertamente pelo governo no rebaixamento do piso de orçamento da saúde e da educação para atender ao teto de gastos, o que ele considera “criminoso e uma falácia”.

Ele alerta para que esta plataforma eleitoral proteja a saúde, já que o governo não sabe o que fazer para resolver a crise fiscal. “Eles vão tentar a CPMF porque não querem mexer no patrimônio dos ricos bilionários”, analisou. “Precisamos estar atentos para que eles não queiram resolver o problema que eles criaram com a equivocada e inusitada emenda 95, em cima dos recursos do SUS e da educação”.

“Nenhum país do mundo tem esse teto de gastos. E eles criaram um impasse brutal, em que, mesmo que eles tenham receita, não podem gastar, por isso enxergam como saída constranger os gastos com serviços públicos, o que é inegociável”, concluiu o governador.

Assista à íntegra do lançamento, abaixo:

 

terça-feira, 7 de abril de 2020

FORTALECER O SUS – TAREFA NACIONAL*1 A propósito da epidemia do CoVID -19 no Brasil Eduardo de Azeredo Costa*2


Vai passar? Sim, vai passar. E ninguém tem dúvida de que a humanidade sobreviverá e continuará sua história na Terra. Cremos que deixará legados. Bons e maus. Quais serão, para além de uma tênue memória do episódio, 100 anos depois, como a da pandemia da gripe espanhola de 1918/19?
Algumas publicações científicas e de imprensa jornalística relembraram que a espanhola foi provavelmente Americana, disseminada no mundo pela participação de soldados na Guerra de 1914, e do impacto que teve, em grande parte pela negação de que havia um novo virus circulando. Ao lado dessas informações pouco valorizadas, quase lúdicas na abordagem da imprensa brasileira, aproveitamos agora a necessidade de usar o isolamento social e a quarentena para combater o Coronavirus, graças em particular, a efeitos positivos demonstrados nos Estados Unidos.
A economia agro-exportadora continuou no Brasil, apesar dos episódios nefastos como o de navios não poderem atracar por epidemias à bordo (menos significativos do que à época da epidemia de Febre Amarela no Rio de Janeiro - poucos anos antes). Afinal, o modelo tinha sobrevivido também à Greve Geral de 1917.
A explosão de alegria no Carnaval seguinte precisou ser lembrada por pesquisa aos periódicos de então. Mas, houve hipótese também de dano mais prolongado do que as milhares de mortes daqueles meses. Suspeita-se que a epidemia de infartos e doença coronariana, das décadas 1940-50, possa ter sido um legado tardio.
Antes, perdido na rememoração do final de 1918 no Brasil, veio à tona que o quinino foi usado para tratar pacientes, o antimalárico usado à época. Não surpreende, pois, que agora, por analogia, a cloroquina venha à cena.
Não veio, no entanto, uma ação do Governo na área de saúde que dá frutos até hoje, em que pesem problemas variados ao longo da história das instituições nacionais de saúde.
A criação do “Serviço de Produção de Medicamentos Officiaes” (SPMO) data de 1o. de maio de 1918, por Decreto Presidencial no. 13.000, que definia que se localizaria no Instituto Oswaldo Cruz; seu objetivo era produzir quinino e outros medicamentos. A epidemia no Brasil aparentemente começou em setembro daquele ano, a ação foi preparatória e de longo alcance. E o presidente atento à saúde e higiene, que antes nomeara Oswaldo Cruz, e agora depositava a confiança em Carlos Chagas, faleceria vítima da espanhola. Passada a epidemia, o medicamento ainda interessava, foi construída a pioneira fábrica de quinino na fazenda de Manguinhos, logo atrás do Castelo de Oswaldo Cruz. Farmanguinhos/Fiocruz é sua sucessora.
Em 2008, descortinado esse fato, descerramos uma placa comemorativa no Complexo Tecnológico de Produção de Medicamentos em Jacarepaguá, com a presença
de Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff e do Ministro José Temporão. Mais tarde ainda entregamos a primeira partida de Efavirenz (medicamento crítico para a AIDS), totalmente produzido no Brasil e sob controle direto de Farmanguinhos em ação inovadora. Essa ação estatal, ao contrário de prejudicar iniciativas produtivas farmoquímicas privadas nacionais, iniciou o processo de salvá-las e desencadeou outras ações de governo coerentes.
Talvez, possamos estar errados quanto à opinião de que a criação do SPMO foi o maior benefício para o Brasil trazido pela gripe espanhola há cem anos.
Diferente da pandemia de gripe espanhola o surto inicial dessa coronavirose, com manifestção clínica classificada como Sindrome Respiratória Aguda Severa – SARS, logo que identificado foi notificado ao mundo inteiro. E o material genético do mesmo foi enviado para os principais laboratórios do mundo, permitindo avanços diagnósticos e pesquisas descentralizadas, antes que muitos países fossem acometidos. Uma nova ética para um mundo em conflitos permanentes.
Mas a tradição bélica norte-americana prossseguiu com difamação e atos de gangsterismo internacional, confiscando materiais necessários a outros paises, inclusive brasileiro, que passassem pelo seu território.
E agora? Além de importar equipamentos, como respiradores e produtos, como testes diagnósticos, o que faremos? A produção nacional diz da soberania, mas principalmente de não ficar inermes frente à escassez mundial, deixando de servir ao povo brasileiro. Temos capacidade tecnológica para tanto, mas as armadilhas da tradição exportadora de produtos primários nos fez refém de importações que destruiram nossas indústrias privadas.
E quem trabalhou em laboratórios como o Instituto de Pesquisas Biológicas de Porto Alegre, Instituto Adolfo Lutz, Instituto Oswaldo Cruz, Instituto Evandro Chagas, Instituto Vital Brazil e outros, sabe da capacidade que é atropelada pela importação, mas também pela falta de planejamento na saúde, que depende da definição de programas de grupos técnicos ad hoc, e, antes de nos preparamos para supri-los, deslancha-se programas de compras por importação.
Assim, somos levados a pensar no tipo de legado para o SUS, agora. A defesa da indústria nacional é crítica para os sistemas de saúde, especialmente nos momentos de crise. Enquanto a criação do Serviço Nacional de Saúde inglês alavancou a indústria britânica de medicamentos que, de importadora, passou a exportadora, não criamos as bases para isso na farmoquímica brasileira. Na área de imunobiológicos, liquidamos com nossos produtos pioneiros por falta de inovação e passamos a importar tecnologia das multinacionais.
Esse fato demonstra que o projeto nacional de desenvolvimento é condição necessária para o fortalecimento do SUS. E para ele estabelecer um planejamento do Ministério da Saúde que o respeite e para ele contribua – uma interação necessária.
FORTALECER O SUS é também liberá-lo de riscos do trabalho e do ambiente, através de todo o sistema produtivo e ambiental, bem como do efeito danoso do abandono social da população, da cruel desigualdade social.
FORTALECER O SUS é propiciar educação para todo o povo brasileiro para que possa se proteger e cuidar dos seus familiares. Assim o SUS poderia dedicar-se ao que é central na sua missão.
Dito isto, há também de FORTALECER O SUS por dentro ou em si. O que precisa ser o SUS renovado? Um sistema de saúde universal que garanta a prestação de serviços de saúde adequados à população brasileira com equidade.
O SUS, no entanto, não é o único prestador de serviços de saúde no Brasil. Aliás, como sistema, ele não é um ente, não presta qualquer serviço. As entidades de saúde, públicas e privadas, filantrópicas ou lucrativas é que prestam os serviços. E o SUS os financia. Paralelamente ao SUS, há outros prestadores de saúde privados do sistema de saúde dos planos privados ou autônomos (muito marginalmente) hoje, que não são financiados diretamente pelo SUS, mas sim diretamente por usuários, ainda que recebam indiretamente benefícios do Estado (inclusive como abatimento de imposto de renda dos que ganham mais). Para regulamentar o segmento de prestação de serviços privados de saúde foi criada a Agência Nacional da Saúde Suplementar. Como também foi criada a ANVISA para cuidar dos padrões de qualidade de produtos sanitários.
Das características do SUS, enquanto tal, e não de todo o setor saúde brasileiro, resultam alguns problemas que precisam ser sanados para que seja fortalecido internamente. Vamos focar em apenas dois deles.
A fragmentação dos prestadores por entidades com abordagens e interesses diferentes, reduz a capacidade de planejar nacionalmente e mesmo localmente, resultando daí a má distribuição dos recursos, provocando inequidade no acesso e na qualidade dos serviços. Isso, no caso brasileiro, fica mais sério ainda, dada a urbanização descontrolada na falta de políticas habitacionais, de saneamento, de transportes, educacionais, enfim, econômicas e sociais agravadas durante a ditadura militar e não respondidas a contento nesses 30 anos, pós CF88 e Lei 8080/1990.
Na crise atual agrava-se na distribuição dos leitos de UTI, que seguem padrões mercadológicos, como já mostrou a tese de doutorado de De Negri Fo. de 2016, ficando distantes do densos núcleos urbanos de mais baixa renda e da população do interior que os tem com baixa tecnologia, ainda que o legado que deixamos no Rio de Janeiro em 1985, tenha se consolidado no Brasil com o SAMU.
A outra questão se refere aos recursos humanos para a saúde. Essa mesma característica do SUS, não permitiu a criação nacional de uma carreira de servidores do SUS. Ora, há prestação por entidades públicas de saúde federais, estaduais e municipais e privadas. E mesmo na área pública, inclusive com políticas neo-liberais de precarização de contratos trabalhistas e de legislação de controle fiscal, grande parte dos trabalhadores da saúde são terceirizados ou seja, não têm a característica de estabilidade para o treinamento continuado e o convívio prolongado com as comunidades, que são a melhor característica da atenção primária de qualidade.
Os servidores do front sanitário, particularmente nos hospitais, nessa epidemia, como soe acontecer, são os mais expostos ao risco de adoecer e morrer. Pela natureza da exposição ser íntima, como especialmente com o pessoal de enfermagem e serviços de limpeza, por ser prolongada e submetida a altas cargas virais.
Nessa pandemia, a sociedade tem manifestado seu reconhecimento pela dedicação e tem valorizado os trabalhadores da saúde, em todo o mundo. Na Espanha criou-se um ritual matinal de aplaudir das janelas os trabalhadores da saúde que vão assumir seus postos. E mais deveriam ser aqui no Brasil, onde suas condições de contrato e trabalho são precários. Não é incomum que um técnico de enfermagem trabalhe em até três hospitais diferentes, no regime de plantão, com contratos diferentes, para poder ganhar o suficiente para manter sua família. Com isso, também são vetores de transmissão da doença para suas famílias e comunidades, e vários mandaram seus filhos para casa de outros parentes nesse momento.
No entanto, isso não acontece só agora, a incidência mais elevada de várias doenças está entre o pessoal da saúde todo o tempo. Um dos exemplos críticos é com a hepatite C.
Por tudo isso, está na hora da Carreira da Saúde. Preferentemente em tempo integral. É tão estratégico quanto a das forças armadas para a segurança nacional. E nos deixa um legado indelével do enfrentamento ao Coronavírus, que vai nos servir por mais 100 anos. Será sempre lembrado que a outorga foi por sua dedicação ética, seu destemor e sua disciplina profissional.
Claro que para isso precisamos fazer do SUS um Serviço Universal da Saúde, o fortalecendo. Planejamento central, que não seja o apenas o orçamentário, mas o estratégico, voltado para a equidade. E preparo de unidades flexíveis de saúde para movimentação tática.
De início criar os SES – Serviços Estaduais de Saúde, públicos, universais a nível estadual. Os serviços municipais deverão ser diretamente coordenados por cada estado.
Outro arranjo poderia ser a criação de um Instituto Nacional de Saúde Pública.
Não propomos, portanto, Mais SUS, ou Defender o SUS, a proposta é a união nacional para FORTALECER O SUS, como Objetivo Nacional permanente, com a criação do Quadro Nacional de Servidores Públicos da Saúde.
____________________________________________________
*
1 - Esse artigo foi redigido em 5 de abril, revisto em 6 de abril, para publicar no dia 7 de abril de 2020,
celebrando o dia mundial da saúde.
*
2 – Eduardo Costa é médico-sanitarista, PhD em epidemiologia. Atualmente é Assessor de Cooperação Internacional da ENSP/Fiocruz.
1) SUGESTÃO DE CAMPANHA: #FORTALECER O SUS É CRIAR A CARREIRA NACIONAL DA SAÚDE!
2) REFERÊNCIAS DO AUTOR SOBRE O TEMA:
- Matérias de Ana Helena Tavares a partir de entrevistas com o autor publicadas em QTMD?
https://quemtemmedodademocracia.com/
- SUS – Uma visão crítica de sua definição constitucional. Questão democrática sem projeto nacional? http://www.escs.edu.br/revistaccs/index.php/comunicacaoemcienciasdasaude/ article/view/521

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Goiânia recebe Encontro com Sindicalistas: “Vigilância em Saúde do Trabalhador no SUS”


DATA: 07/04/17
LOCAL: Hotel Golden Tulip
ENDEREÇO: Av. Repúblida do Líbano nº 2526 Setor Oeste
HORÁRIO: 07h às 13h

OBJETIVO: Promover a articulação entre as instâncias públicas, os trabalhadores e suas representações na relação saúde e trabalho com a criação do Fórum Intersindical.

PARTICIPANTES: Vigilância em Saúde do Trabalhador (SUVISA), Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) Estadual e regionais, Universidade Federal de Goiás, universidades públicas locais, Função Oswaldo Cruz, Conselho Estadual de Saúde, instituições com interesse nas relações saúde-trabalho, Representações de sindicatos locais, associações de trabalhadores nos Conselhos de Saúde e nas Comissões Intersetoriais de Saúde do Trabalhador (CIST) e demais representações de trabalhadores.

PROGRAMAÇÃO

07h – Recepção e Café da Manhã

07h30min - Credenciamento

08h – Abertura

Atividade cultural – a definir
Recepção/Acolhida/Abertura – SUVISA (Maria Cecília), Vigilância Ambiental-SUVISA (Magno),  Cerest Estadual/Goiás (Marimerce), Cerest Regional/Goiânia (Ana Maria), Cerest Regional/Itumbiara (Rita), Cerest Estadual/MT (Lilian).
Saudações Sindicais – Todos os representantes das Centrais Sindicais

09h – Vigilância em Saúde do Trabalhador em Goiás: Cenário e Perspectivas

Roda de Conversa:
“O que cada uma das instituições tem feito e como pode contribuir para a consolidação do Fórum Intersindical Saúde – Trabalho - Direito no Estado de Goiás?”

Instituição Pública
Coordenação-Geral de Saúde do Trabalhador/MS (Roque); Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal de Goiás/UFG (Prof. Dr. Eguimar) e Vigilância em Saúde do Trabalhador - SUVISA (Sander). 30min
Representação Sindical
FTIEG/ CUT GO / FETAEG / FETAER-GO / Representações Sindicais (comércio, construção civil, saúde, telecomunicação, postos de combustíveis, etc)

*Facilitadores: Vigilância em Saúde do Trabalhador -SUVISA (Lucimeira), Saúde do Trabalhador  - Aparecida de Goiânia (Ana Mari) e Cerest Estadual – GO (Wellington).

11h30min – Encaminhamentos

*Facilitadores: Ensino, Pesquisa e Extensão - Universidade Federal de Goiás/UFG (Prof. Ubiratan) e Vigilância em Saúde do Trabalhador - SUVISA (Larissa, Wesley e Márcia).

13h - Encerramento

domingo, 9 de novembro de 2014

Conceição Lemes - o Mais Médicos em Novo Hamburgo: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar” - Blog VioMundo

Viomundo e o Mais Médicos em Novo Hamburgo

Conceição Lemes: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar”

publicado em 6 de novembro de 2014 às 21:04
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O secretário Luiz Carlos Bolzan e o médico cubano Antonio Betancourt fazem  a diferença. Fotos: Robson Nunes 
por Conceição Lemes
Novo Hamburgo, capital nacional do Calçado, fica a 40 km de Porto Alegre (RS).
Até o ano passado, como a maioria das cidades brasileiras, esse município gaúcho tinha falta de médicos.
Não era por escassez de recursos, mas por falta de profissionais para contratar.
Eram 160 para cuidar de 240 mil habitantes. Cobriam apenas 28% da população.
Em setembro de 2013, Novo Hamburgo recebeu os três primeiros médicos do programa Mais Médicos: duas argentinas e um brasileiro formado em Cuba.
Hoje, são 40, dos quais 29 cubanos. Os demais são dois brasileiros formados fora do país (um em Cuba e uma na Venezuela), quatro argentinos, três uruguaios, um dominicano e um venezuelano.
O doutor Antonio Betancourt Léon é um deles. Foi o primeiro médico cubano a atender na Vila Palmeira, uma das áreas mais carentes da cidade. Chegou no início de 2014.
Antes, trabalhou durante dois anos na Guiana Inglesa, num programa de Saúde da Família, parecido com o Mais Médicos, que visa à atenção básica de saúde, ou atenção primária.
Jaci da Silva Carvalho (69), Santa Emília Alves de Almeida (75 anos) e Roseline Quadros Abreu (35) são algumas das dezenas de pacientes que já passaram em consulta com ele. As três moram na Vila Palmeira.
Dona Jaci padece com uma ferida na perna, diagnosticada como úlcera varicosa, há seis anos.
– Quando começa a doer, fico louca. Me tratei no Hospital Operário. Depois, no posto de saúde Santo Afonso. Aí, faziam curativos a cada 15 dias. Não davam nenhum remédio para eu aguentar a dor na hora do curativo. Eu tinha que suportar tudo ali, no osso… Pior é que não melhorava. Eu pedia pra eles trocarem a pomada que eu usava em que casa, porque custava caro, eles não ligavam.
Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"
Dona Jaci: “Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?”
– Hoje em dia, estou me tratando no posto mais ali para baixo, com o doutor Antonio,  do Mais Médicos. Eles tratam a gente com mais carinho. As gurias são muito boas.
– Agora, faço curativo todo dia. Engraçado…devido ao jeito de a guria fazer o curativo, não dói tanto como antes… Estou com muita esperança de que agora vai dar certo…Ah, ia me esquecendo. Não preciso mais comprar a pomada, eles dão pra mim.
-- Se eu entendo o que o doutor Antônio fala? Entendo um pouco, sim, mas levo sempre o meu filho que entende melhor do que eu.
– Guria, tu acreditas que eu estava tomando 25 comprimidos por dia?!  Eu já nem podia mais comer de tanta dor no estômago. O doutor Antonio achou que era muito remédio. Tirou uma parte. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?
Dona Santa Emília está muito empolgada:
– Os do Mais Médicos atendem, mesmo, bem melhor. Dão mais atenção ao que gente sente do que os outros médicos. Eu tenho diabetes, hipertensão arterial e problema de coluna, que toda pessoa velha tem…
Roseline tem quatro filhos: 15, 14, 13 e 4 anos de idade:
– Para a minha família, o atendimento está sendo ótimo. Eles examinam a gente!
– Até achei que a comunicação com eles [os médicos cubanos] iria ser difícil. Mas está muito tranquilo. Eles falam bem devagar.
– No outro posto que a gente frequentava antes, às vezes, eu chegava lá com o meu gurizinho de 4 anos com febre, dor de garganta…Os médicos nem examinavam, davam direto ampicilina [um tipo de antibiótico]!
– O meu filho de 15 anos tem muita acne, também está se tratando. O rosto estava se deformando. Ele se sentia tão mal que se fechava em casa. O resultado está bem bom.
– Um dia desses, levei o meu gurizinho. Precisa ver como eles são atenciosos. Eles examinam os olhos, a barriguinha, abrem a boca para ver como estão os dentinhos, garganta…
– A gente não tinha isso antes! Os médicos do Mais Médicos são mais humanos. Eles trabalham com gosto. Eles tocam na gente para examinar! Já os outros a gente percebe não gostam de pôr a mão na gente; às vezes nem olham para o nosso rosto.
AGENTE DE SAÚDE: “TODO MUNDO QUER SE CONSULTAR COM OS CUBANOS”
Emília, Jaci e Roseline estão entre as 215 famílias que a agente de saúde Altiva Motta dos Santos acompanha mensalmente em casa.
Atuando há cinco anos na Vila Palmeira, Altiva tem a mesma percepção das suas pacientes, como mostra esta breve entrevista que fizemos com ela:
– Como está sendo trabalhar com os médicos cubanos? 
– Muito boa. Eles são muito atenciosos. Examinam bem as pessoas. Todo mundo está gostando muito. Eles falam com calma para as pessoas entenderem.
– Algum paciente recusou ser atendido por eles?
– Nããããããão! Todo mundo quer se consultar com eles.  Não é propaganda, falo a verdade.
– O que os pacientes te contam?
– Sobre os outros médicos, era comum eu ouvir: “Fulano não examina, sicrano atende a gente em pé, até na porta; não faz isso, não faz  aquilo…”
Já sobre cubanos, eles dizem: “perguntam tudo sobre a saúde da gente, ouvem o que estamos sentindo, examinam bem, tiram a pressão, colocam a gente na maca…”
– Mudou alguma coisa?
– Melhorou bastante a adesão ao tratamento, às orientações. Os usuários estão mais felizes. E eles estando mais felizes, nós, agentes de saúde, também ficamos mais felizes.
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: "Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros"
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: “Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros”
DR. ANTONIO: “A GENTE TEM DE LEMBRAR QUE O PACIENTE NÃO É UMA DOENÇA”
Entrevistando o doutor Antonio, fica claro por que tanto as usuárias quanto a agente de saúde derramam-se em elogios à sua atuação.
Principais observações do médico cubano às minhas perguntas:
– Eu fico muito contente com a reação dos pacientes. O acolhimento foi muito bom.
– No início, por causa da língua diferente, tivemos algumas incongruências, mas agora a comunicação está muito boa. Além disso, a relação médico-paciente é muito, muito, muito legal!
– Eu falo devagar para eles. Ao final da consulta, pergunto se entenderam tudo. E, ainda, peço para eles repetirem pra mim.
– Nós estamos trabalhando com uma população muito pobre. Eles precisam de mais atenção e amor, nós estamos fazendo o possível para dar isso.
– A reação dos médicos brasileiros contra nós, cubanos, foi também político-ideológica e não apenas corporativa.
– Logo que cheguei, fui trabalhar com uma médica brasileira totalmente contrária ao Mais Médicos. Ela não queria saber  da gente. Mas, depois de algum tempo, mudou de opinião e me disse: “Eu gosto de trabalhar com os médicos cubanos. Vocês dão mais atenção aos pacientes e nós temos de aprender como vocês fazem isso”. Hoje somos muito bons colegas. Eu acho que com o tempo a opinião dos médicos brasileiros em relação a nós vai mudar.
– Qual a principal diferença entre a nossa escola de medicina e a brasileira?Pelo que eu detectei até agora, a nossa preconiza fazer muita clínica médica. Ensina-nos a conversar bastante com o paciente, o que é muito importante.  É, para mim, a principal diferença.
– A gente tem que lembrar que o paciente não é uma doença. Às vezes só de conversar com conosco, ele melhora. O entorno dele é quase sempre complicado e nós não podemos ignorar isso.
– Em minha modesta opinião, no Brasil, é preciso fortalecer a atenção básica à saúde.  E o primeiro contato com a população tem de ser o melhor possível. Estamos aqui para ajudar como irmãos, para que o primeiro contato da população com o sistema de saúde seja o melhor possível.
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no país: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Nessa foto, durante a capacitação dos médicos, ele faz uma demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini 
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no Brasil: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Na foto, durante uma capacitação, ele faz demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de blusa azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini
FIM DA CONSULTA DE TRÊS MINUTOS E ASSISTÊNCIA MAIS HUMANA
Pesquisa realizada de janeiro a julho de 2014 pela Secretaria de Saúde de Novo Hamburgo com 564 usuários do programa revela o êxito do Mais Médicos junto à população: 98,6% estão satisfeitos, sendo que 90% deram-lhe notas 9 e 10.
“É o serviço público mais bem avaliado pelos usuários, supera o Samu, os correios e os bombeiros”, observa Luiz Carlos Bolzan, secretário de Saúde do município e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Consems/ RS).
Os gestores também estão satisfeitos:
* Os médicos do programa estão oito horas por dia na comunidade.
* Têm o perfil para trabalhar com saúde da família e atenção básica.
* Se propõem a atuar em equipe e fazer visitas domiciliares.
Resultado: em Novo Hamburgo, a cobertura da assistência à população saltou de 30% para 76%.
Além disso, a pesquisa feita em Novo Hamburgo já permite detectar alguns resultados positivos Mais Médicos.
O secretário Luiz Carlos Bolzan destaca três:
1. Resgate da prática clínica e da assistência mais humana nos serviços públicos de saúde
Antes a consulta durava três a cinco minutos e se resumia à prescrição de medicamentos a partir de uma queixa, sem fazer qualquer exame clínico. Os pacientes diziam que às vezes o médico nem olhava no rosto deles.
Essa prática está sendo deixada de lado.
Agora, a consulta demora de 20, 30, 40 minutos, permitindo ao médico fazer realmente uma avaliação clínica do pacientes, discutir e prescrever o tratamento.
É justamente a clínica que permite a criação do vínculo médico-paciente.
E se isso acontece, é maior a possibilidade de o paciente seguir as recomendações e retornar à reconsulta. Consequentemente, maior possibilidade de sucesso do tratamento em relação à queixa apresentada.
2. Prescrição mais criteriosa de medicamentos
A pesquisa realizada em Novo Hamburgo revela que os profissionais do Mais Médicos dão menos remédios por receita do que fora do programa.
E quanto menos medicamentos, menor o risco de danos colaterais e maior a possibilidade de o paciente seguir o tratamento recomendado.
3. Aumento das imunizações que não fazem parte das campanhas de vacinação
Por exemplo, a vacina contra a febre amarela, recomendada para quem mora ou vai viajar para áreas de risco da infecção.
Em Novo Hamburgo, o pico coincidiu com a chegada do Mais Médicos.
Isso tem muito a ver com a maior atenção na consulta e no enfoque da prevenção de doenças. Afinal, faz parte uma consulta bem feita, o médico perguntar a todo paciente se está em dia com as vacinas.
SE AÉCIO TIVESSE SIDO ELEITO, MAIS MÉDICOS ACABARIA; IMPOSSÍVEL SEM OS CUBANOS
Não é à toa que, quando questionadas por mim, Conceição Lemes, sobre a hipótese do fim do Mais Médicos e os cubanos irem embora, Jaci, Emília e Rosilene foram taxativas: “De jeito, nenhum!”
Rosilene, mãe de quatro filhos, argumenta: “Todos nós só ganhamos com a vinda deles. Eu acho que eles deveriam ficar aqui para sempre”.
Não é o que aconteceria se Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, tivesse ganhado as eleições.
Explico.
Em julho, durante ato, em Brasília, na Associação Médica Brasileira (AMB), quando recebeu apoio de representantes da entidade, Aécio afirmou, sob os aplausos: “Os cubanos têm prazo de validade, ficarão aqui por três anos”.
O número de médicos existentes hoje no Brasil é insuficiente para atender às necessidades do país.
Novos cursos de Medicina estão sendo abertos. Porém, como a formação é demorada – 6 anos de graduação, mais 2 ou 3 de Residência Médica –, esses novos médicos só estarão disponíveis no mercado por volta de 2022.
Cuba é o único país do mundo que forma grande número de médicos. Os cubanos estão sendo fundamentais na epidemia de ebola, na África.
Consequentemente, sem os cubanos é impossível manter o Mais Médicos. Haveria um hiato entre os médicos que estão se formando aqui e as necessidades da população brasileira.
Novo Hamburgo é a prova. Sem o programa, no mínimo 12 mil consultas por mês deixariam de ser feitas, retardando  a sequência de atendimento.
Repercutiria, aliás, em todo o Rio Grande do Sul, onde 76% dos municípios aderiram aos Mais Médicos, que hoje chega a pessoas que antes não tinham acesso à assistência médica: populações rurais, indígenas, de assentamentos dos trabalhadores sem terra, quilombolas, periferias das grandes cidades, pessoas atingidas por barragens.
“O Mais Médicos está democratizando o acesso à assistência médica como nunca se viu antes no país”, avalia Bolzan.
“Contudo, por má-fé ou motivos político-ideológicos, dirigentes de entidades médicas continuam difundindo informações equivocadas. Pena que eles tenham uma visão corporativa tão limitada, a ponto de relegar a saúde da população a segundo plano.”
Em tempo 1: Convictamente. durante anos e anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) bateram na mesma tecla: no Brasil não havia falta de médicos, mas má distribuição deles pelo país.
O Mais Médicos provou que essa afirmação era corporativista e não baseada em evidências científicas: no Brasil, os médicos estão mal distribuídos, sim, mas também faltam muitos profissionais.
O primeiro especialista a mostrar a realidade foi o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FMUSP), em entrevista, aqui no Viomundo.
Em tempo 2: Como repórter especializada na área de saúde há 34 anos e usuária do SUS, observo que, no Brasil, a prática da clínica médica é cada vez menos valorizada, prejudicando os pacientes. Há médicos que sequer ouvem direito as queixas dos doentes. Nesse particular,acredito eu, muitos profissionais brasileiros têm a aprender com os cubanos.
Em tempo 3: Se a presidenta Dilma Rousseff  teve a ousadia de bancar o Mais Médicos – afinal, quem precisa de assistência médica, não pode esperar a solução ideal, que é a criação da carreira de Estado –, Novo Hamburgo tem a sorte de contar com um secretário da Saúde exemplar.
Luiz Carlos Bolzan é competente, ótimo gestor, humano e ético. Além disso tudo, 100% comprometido com o SUS, ao contrário de uns e outros que se fantasiam de “susetes” para ficar bem na fita com o pessoal da saúde pública.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Dia da Vergonha - No Ceará a xenofobia veste branco - Rosemberg Cariri - Cineasta Cearense



(Este texto é dedicado ao Dr. Luiz Teixeira Neto e à memória do Dr. Caetano Ximenes de Aragão, dois médicos-poetas e humanistas, que muito me ensinaram da vida e da solidariedade).

Um choque profundo, uma sensação de mal-estar, uma vontade de vomitar... Algo me atingiu em cheio, acho que não no corpo, mas no espírito. Não posso precisar o que senti naquele momento, em que vi, pela TV, o constrangimento que alguns médicos cearenses infligiram aos aqui aportados médicos estrangeiros, em franca ação de hostilidade. Esses senhores, vestidos de branco, em nome dos seus interesses corporativos e econômicos, fizeram um espécie de “corredor polonês”, por onde os médicos estrangeiros, que vieram para trabalhar pela saúde da população, nos mais distantes e miseráveis rincões do país, foram obrigados a passar, entre vaias e xingamentos. Talvez o melhor termo para traduzir o que senti seja a palavra VERGONHA. Acreditem, fui acometido de uma profunda vergonha, ao ver um ato de tamanha hostilização e incivilidade acontecer na minha terra, sob a tutela do Sindicato dos Médicos do Ceará. Pensei comigo: chegamos ao fundo do poço!

Posso compreender toda a mística que se faz em torno do “Ceará Moleque” e do sentido cultural do uso da vaia, ao longo de toda a nossa história. Porém, se ser “Ceará Moleque” é vaiar médicos estrangeiros, afasto-me por inteiro de sua valia como modo de expressão, porque isto me cheira muito mais a xenofobia e a fascismo. Quanto ao significado deste ato, como ação política, podem os senhores sindicalistas ter a certeza de que atraíram para si o desprezo de milhões de cearenses e de brasileiros. Em todo canto deste imenso Brasil, nos últimos dias, não se comenta outra coisa, a não ser esta atitude vergonhosa.

Eu sou de um tempo em que os médicos eram conhecidos pela civilidade, pela erudição, pelo humanismo, pelo saber profundo que nascia de uma vocação, do ser e do construir-se na vida dentro de uma comunidade de destinos. A maioria destes médicos de boa cepa, pois, além de grandes profissionais, eram ainda homens que cultivavam as artes, que sabiam filosofia, que refletiam sobre a vida e o destino da humanidade, colocando a ética como um bem supremo.

Eram homens sábios, homens de tal grandeza, dos quais as comunidades se orgulhavam, chegando a nomear ruas e praças para que as futuras gerações deles se lembrassem, quando eles deixavam o nosso convívio. Quem na vida não conheceu um desses médicos, também escritores, poetas ou filósofos, com os seus ensinamento de caráter iniciático na vida e nas artes? Quem poderia imaginar um médico desta envergadura espiritual vaiando um colega estrangeiro, em um ato cheio de ódio e xenofobia? Impossível imaginar!

Mas o que acontece hoje? No Ceará, alguns médicos hostilizam, de forma escandalosa, estrangeiros com ameaças e xingamentos. É bem possível, que as universidades, sobretudo as universidade e faculdades particulares, fábricas de lucro e de técnicos destituídos de cultura e de humanismo, estejam produzindo estes “monstrinhos vestidos de branco”, analfabetos de qualquer humanismo, incapazes de ler a dimensão humana de um romance de Dostoievsky ou a metafísica de um conto de Guimarães Rosa. Falar em Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Gilberto Freire, Graciliano Ramos ou Euclides da Cunha, perto deles, é falar em javanês. Pobres médicos-tecnocratas, jogados a um convívio viciado e naturalizado com a indústria farmacêutica, quantas vezes submetidos aos grandes laboratórios que, em nome do lucro e da ganância capitalista, erguem o seu reinado da morte, travestidos de tecnologias arrojadas e mascarados de patentes.

Quando vi estes jovens médicos, feito moleques incultos e incivilizados, vaiando e xingando os seus colegas estrangeiros de profissão, pensei comigo mesmo: esperem, mas não somos todos netos de estrangeiros? Não vivemos em um país que nasceu de um grande encontro de povos e culturas? Não é esta a grande característica do nosso país? Não é a generosidade e a hospitalidade o nosso maior tesouro? A cena brutal e humilhante imposta aos médicos estrangeiros, fez-me imaginar os nossos avós estrangeiros sendo vaiados, forçados a passar pela humilhação do xingamentos e do preconceito, nos corredores poloneses armados pelos “reacionários nacionalistas” da época (filhos também de estrangeiros).

Não devíamos receber estes irmãos cubanos, espanhóis, portugueses, ucranianos, venezuelanos, mexicanos e de tantos outros países, com água de coco e maracatu? Não devíamos recebê-los ao som de violas e rodas de coco? Não deveríamos aplaudir aqueles que quisessem ficar e ajudar na construção da grande nação, da mesma forma que fizeram os nossos avós, que aqui chegando, casaram-se com gente de todas as raças e nos fizeram mestiços e multiculturais? Não somos nós os herdeiros de mil e um povos e de mil uma culturas?

O que aconteceu no Ceará neste triste episódio ficará registrado nos anais da nossa história como o Dia da Vergonha, o dia em que o fascismo triunfou sobre a solidariedade e a universalidade que tem marcado, por definição cultural, o espírito do povo cearense e brasileiro.

Acredito que os médicos cearenses, humanistas e éticos, farão uma “Carta de Desagravo”, pedindo desculpas aos colegas estrangeiros que aqui chegaram. Da minha parte, como cidadão cearense, torno público que não compartilho com esta vileza e, em meu próprio nome, peço desculpas aos médicos estrangeiros hostilizados, acreditando que este pedido de desculpas é o pedido de milhões de cearenses e de brasileiros que padecem nos mais profundos sertões, praias, florestas e montanhas, sem médicos e solidariedade nenhuma por parte daqueles que deviam ter como missão o sagrado dever do amor e da solidariedade, acima da sede do lucro e da ascensão social.

Para concluir este meu simples ato de indignação, cito um fato cotidiano. Discutia o grave acontecimento com um motorista de táxi e dizia a ele que iria escrever sobre o assunto. Do alto da sua sabedoria, o motorista de táxi, aconselhou-me: “Escreva não. Um dia o senhor pode chegar em um hospital, cair nas mãos de um deles e eles podem desligar os aparelhos”. Eu que preparava-me para fazer duras acusações contra os “vândalos vestidos de branco”, terminei defendendo-os, quando de pronto respondi: “Nisto eu não posso acreditar! Sei sim, que estes médicos que hostilizaram os médicos estrangeiros, com vaias e xingamentos, agem como moleques, como xenófobos pequeno-burgueses e corporativistas, mas não acredito que as faculdades de medicina do meu país estejam também forjando potenciais assassinos”. Acreditar nisto seria descrer não apenas da medicina, mas da sua deontologia, como princípio e garantia de regulação ética das normas que regulam esta profissão, cunhada, desde os seus primórdios, para proteger e salvar a vida humana.

De qualquer forma, cito o fato, para que estes equivocados “médicos-moleques” saibam qual o conceito que terminaram por cravar no coração das pessoas, com tal espetáculo público de despreparo profissional.

(Escrito por Rosemberg Cariry, cineasta. Fortaleza – Ceará, 27 de agosto de 2013).

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