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domingo, 30 de setembro de 2018
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Xadrez da recuperação da economia, por Luis Nassif - Jornal GGN
Xadrez da recuperação da economia, por Luis Nassif
QUA, 26/09/2018 - 00:23 - ATUALIZADO EM 26/09/2018 - 07:17
Luis Nassif
A crise brasileira será solucionada pela política. Caso seja eleito presidente, Fernando Haddad contará com uma série de fatores que permitirá uma rápida recuperação da economia, sem grandes rupturas. O desafio maior será recompor as alianças com as forças democráticas de vários campos, e selar acordos de governabilidade com o STF (Supremo Tribunal Federal),
Os trunfos são os seguintes:
Recuperação no preço das commodities, especialmente petróleo e grãos.
Desvalorização cambial que se seguirá à vitória de Haddad.
Espaço para redução dos juros, liberando recursos para o mercado de renda variável, especialmente debêntures de infraestrutura.
Uma carteira de projetos de infraestrutura já licitados e negociados com o BNDES, aguardando apenas que se espante o fantasma da Lava Jato.
Vamos por partes:
Peça 1 - recuperação das commodities
Uma das grandes manipulações da mídia nos últimos anos foi associar os problemas da Petrobras apenas à corrupção e ao congelamento de tarifas do governo Dilma Rousseff. Os problemas maiores foram decorrência da queda brutal dos preços do petróleo, de mais de 100 dólares o barril para um fundo do poço.
Os tais R$ 20 bilhões que a Petrobras abateu do seu balanço referem-se exclusivamente ao ajuste para acompanhar o novo preço dos combustíveis, e não às propinas, como falsamente foi espalhado pela Lava Jato. E nunca esteve à beira da insolvência, como fez crer uma propaganda maciça de fakenewspela mídia.
Com a recuperação das cotações internacionais, os ganhos serão imediatos. Além disso, embora não se vislumbre em Haddad a disposição de denunciar os contratos já fechados para a exploração do pré-sal, é quase certo que interromperá os leilões e irá recuperar os princípios básicos da lei da partilha: voltar os componentes de conteúdo nacional, retomar as encomendas para a indústria naval e interromper os leilões de exploração.
Peça 2 – a política cambial
Sem afrontar os dogmas do sistema de metas inflacionárias, o novo presidente poderá se valer das próprias regras do mercado para flexibilizar a política monetária e cambial.
Especialistas do mercado enxergam as seguintes possibilidades.
Câmbio - Receberá o país com o câmbio desvalorizado e com as contas externas em dia. Aliás, uma das grandes heranças do lulismo foi ter aproveitado a enchente de dólares da economia mundial para zerar o passivo externo e montar uma boa base de reservas cambiais.
Fluxo cambial - A recuperação do preço das commodities injetará uma boa quantidade de divisas na economia. Será importante não permitir uma nova apreciação do real. Isso será possível em duas pontas:
Ponta 1 - a redução do diferencial de juros entre o real e o dólar.
Espera-se uma elevação na taxa de juros americana. Estima-se que poderá chegar a 3% ao ano. A estratégia brasileira consistiria em reduzir ainda mais a Selic, eliminando o diferencial de juros com os EUA.
Será possível mesmo incorporando uma miragem criada pelo mercado: a taxa de juros de equilíbrio, ou seja, a taxa de juros que seja neutra em relação à inflação e à atividade econômica.
Essa miragem foi desenvolvida por Pérsio Arida anos atrás. Estimava, então, que o Brasil jamais conseguiria conviver com taxas reais de juros de um digito apenas. Com o tempo deu um desconto para 10%, Depois, para 8%. Hoje em dia, a taxa real oscila entre 3% e 4% e a inflação continua domada.
O mercado também desenvolveu cálculos sobre o chamado PIB potencial - isto e, o crescimento possível dadas as condições da economia. Hoje em dia, há um hiato de PIB. Ou seja, o país cresce abaixo do PIB potencial. Significa que as taxas de juros deveriam estar abaixo da tal taxa de equilíbrio.
O real está colado nas moedas dos emergentes. Mas é a moeda de maior liquidez. A cada crise, é a primeira moeda a ser vendida. Passada a crise, a primeira a ser comprada.
Mesmo assim, fechando o diferencial entre juros americanos e brasileiros, se ainda assim houvesse um fluxo de dólares, ele poderia ser esterilizado com operações de swap - que tem um custo, mas não impactam a dívida líquida nacional.
Peça 3 – a política monetária
Confirmada a vitória de Fernando Haddad, o mercado tenderia a puxar as taxas de juros longas, da NTNB.
Trata-se de um título da dívida que paga IPCA mais uma taxa de juros negociada a mercado. Com a Selic elevada, as NTN-Bs se tornaram um sorvedouro da poupança privada, especialmente dos fundos de pensão, por oferecer rentabilidade maior do que a taxa atuarial necessária, sem risco algum. O patrimônio total dos fundos chega a R$ 1 trilhão. Sua meta atuarial é de IPCA + 5,5%. As NTNBs longas pagam 6,5% mais IPCA, sem risco nenhum.
Com um diretor de política monetária habilidoso, será possível montar a seguinte estratégia:
Se o mercado puxa a taxa de juros para cima, há uma queda no valor do título à vista - o chamado PU (Preço Unitário). É simples entender. O preço de vencimento do papel é, digamos, 100. Se ele rende 10% ao ano, e falta um ano para o vencimento, seu PU será de 90,91 (100 / 1,10 = 90,91). Se a taxa sobre para, digamos, 15% ao ano, o valor do PU cairá para 86,96 (100 / 1,15 = 86,96). O BC pode se aproveitar desse movimento para recomprar as NTNBs e substituí-las por LTNs (Letras do Tesouro Nacional), pré-fixadas. O aumento da demanda por LTNs promoverá uma elevação no seu PU – resultando em menor custo para o BC.
Com esse movimento, e com a redução das taxas de juros, os fundos de pensão terão que buscar papéis mais rentáveis. E aí, abre-se o mercado para papéis privados, os CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) e debêntures de infraestrutura.
O mesmo ocorrerá com os bancos que emitem CDBs e que não terão mais as facilidades dos juros da dívida pública para se remunerar.
Haverá outro ganho indireto. Com as NTNBs, o mercado sempre apostava no caos: quando mais desarrumada a economia, mais elevadas são as taxas das NTNBs. Com os pré-fixados, passarão a ser sócios da estabilidade.
Peça 4 – retomada das obras paradas
Para completar o quadro, há uma imensidão de projetos públicos já licitados, analisados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e suspensos devido aos receios com a irracionalidade da Lava Jato e seus filhos.
Esses projetos foram completados no governo Dilma. Para cada um deles exigiu-se a constituições de SPEs (Sociedades de Propósito Específico), com o capital blindado em relação aos acionistas principais – as grandes empreiteiras.
Mas, depois dois abusos do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, com condução coercitiva de dezenas de técnicos do BNDES, criminalização de qualquer operação, houve o chamado apagão das canetas – nada se aprovava, nenhuma medida era tomada, porque tudo estava exposto à criminalização pelo MPF.
Um pacto entre o governo, o STF, a PGR, destravaria os investimentos que seriam rapidamente colocados em marcha. Vale o exemplo dos EUA. A Odebrecht recebeu uma multa bilionária da SEC (a CVM dos EUA). Imediatamente após a aplicação da multa, a própria SEC entrou em conta com os bancos norte-americanos solicitando que destravassem os financiamentos à Odebrecht, inclusive para que a multa pudesse ser honrada.
Além disso, com a taxa de juros em 6,5%, o governo poderia injetar recursos no BNDES sem impacto na dívida pública. O impacto ocorria devido ao diferencial entre as taxas do BNDES e a Selic de 14%. Com Selic próxima às taxas do BNDES, não há impacto na dívida pública.
Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), cada R$ 1 milhão investido no setor gera, em média, 26 empregos.
Só a Linga 6 do Metrô de São Paulo exigirá R$ 15 bilhões de investimento. O PAC Mobilidade, outros R$ 32 bilhões espalhados por várias capitais.
A terceira etapa de concessão de rodovias, outros R$ 13 bilhões, divididos entre a BR 153, BR 101, BR 163, BR 050.
No setor ferroviários, apenas o Ferroanel de São Paulo exigirá outros R$ 3,5 bilhões; a Norte-Sul, mais R$ 4 bilhões. A modernização da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) outros R$ 6 bilhões. Há R$ 3,5 bilhões de projetos parados dos aeroportos.
Destravando os investimentos, só nessa retomada de obras haverá condições de gerar, por baixo, 2 milhões de empregos.
Sem contar os investimentos externos. Os chineses, por exemplo, estão aguardando os primeiros sinais de estabilidade política para voltar a investir.
Peça 5 – a PEC do gasto
A desastrada PEC do Gasto produziu um pterodátilo nas contas públicas. A alegação final era a necessidade de conter gastos para aumentar os investimentos públicos. Mas incluiu-se o investimento público na lei.
Então, se o PIB crescer, digamos, 2,5% ao ano, os investimentos públicos permanecerão congelados, sem conseguir acompanhar o PIB e, por consequência, sem conseguir melhorar a produtividade da economia.
De alguma maneira terá que ser revista.
QUA, 26/09/2018 - 00:23 - ATUALIZADO EM 26/09/2018 - 07:17
Luis Nassif
A crise brasileira será solucionada pela política. Caso seja eleito presidente, Fernando Haddad contará com uma série de fatores que permitirá uma rápida recuperação da economia, sem grandes rupturas. O desafio maior será recompor as alianças com as forças democráticas de vários campos, e selar acordos de governabilidade com o STF (Supremo Tribunal Federal),
Os trunfos são os seguintes:
Recuperação no preço das commodities, especialmente petróleo e grãos.
Desvalorização cambial que se seguirá à vitória de Haddad.
Espaço para redução dos juros, liberando recursos para o mercado de renda variável, especialmente debêntures de infraestrutura.
Uma carteira de projetos de infraestrutura já licitados e negociados com o BNDES, aguardando apenas que se espante o fantasma da Lava Jato.
Vamos por partes:
Peça 1 - recuperação das commodities
Uma das grandes manipulações da mídia nos últimos anos foi associar os problemas da Petrobras apenas à corrupção e ao congelamento de tarifas do governo Dilma Rousseff. Os problemas maiores foram decorrência da queda brutal dos preços do petróleo, de mais de 100 dólares o barril para um fundo do poço.
Os tais R$ 20 bilhões que a Petrobras abateu do seu balanço referem-se exclusivamente ao ajuste para acompanhar o novo preço dos combustíveis, e não às propinas, como falsamente foi espalhado pela Lava Jato. E nunca esteve à beira da insolvência, como fez crer uma propaganda maciça de fakenewspela mídia.
Com a recuperação das cotações internacionais, os ganhos serão imediatos. Além disso, embora não se vislumbre em Haddad a disposição de denunciar os contratos já fechados para a exploração do pré-sal, é quase certo que interromperá os leilões e irá recuperar os princípios básicos da lei da partilha: voltar os componentes de conteúdo nacional, retomar as encomendas para a indústria naval e interromper os leilões de exploração.
Peça 2 – a política cambial
Sem afrontar os dogmas do sistema de metas inflacionárias, o novo presidente poderá se valer das próprias regras do mercado para flexibilizar a política monetária e cambial.
Especialistas do mercado enxergam as seguintes possibilidades.
Câmbio - Receberá o país com o câmbio desvalorizado e com as contas externas em dia. Aliás, uma das grandes heranças do lulismo foi ter aproveitado a enchente de dólares da economia mundial para zerar o passivo externo e montar uma boa base de reservas cambiais.
Fluxo cambial - A recuperação do preço das commodities injetará uma boa quantidade de divisas na economia. Será importante não permitir uma nova apreciação do real. Isso será possível em duas pontas:
Ponta 1 - a redução do diferencial de juros entre o real e o dólar.
Espera-se uma elevação na taxa de juros americana. Estima-se que poderá chegar a 3% ao ano. A estratégia brasileira consistiria em reduzir ainda mais a Selic, eliminando o diferencial de juros com os EUA.
Será possível mesmo incorporando uma miragem criada pelo mercado: a taxa de juros de equilíbrio, ou seja, a taxa de juros que seja neutra em relação à inflação e à atividade econômica.
Essa miragem foi desenvolvida por Pérsio Arida anos atrás. Estimava, então, que o Brasil jamais conseguiria conviver com taxas reais de juros de um digito apenas. Com o tempo deu um desconto para 10%, Depois, para 8%. Hoje em dia, a taxa real oscila entre 3% e 4% e a inflação continua domada.
O mercado também desenvolveu cálculos sobre o chamado PIB potencial - isto e, o crescimento possível dadas as condições da economia. Hoje em dia, há um hiato de PIB. Ou seja, o país cresce abaixo do PIB potencial. Significa que as taxas de juros deveriam estar abaixo da tal taxa de equilíbrio.
O real está colado nas moedas dos emergentes. Mas é a moeda de maior liquidez. A cada crise, é a primeira moeda a ser vendida. Passada a crise, a primeira a ser comprada.
Mesmo assim, fechando o diferencial entre juros americanos e brasileiros, se ainda assim houvesse um fluxo de dólares, ele poderia ser esterilizado com operações de swap - que tem um custo, mas não impactam a dívida líquida nacional.
Peça 3 – a política monetária
Confirmada a vitória de Fernando Haddad, o mercado tenderia a puxar as taxas de juros longas, da NTNB.
Trata-se de um título da dívida que paga IPCA mais uma taxa de juros negociada a mercado. Com a Selic elevada, as NTN-Bs se tornaram um sorvedouro da poupança privada, especialmente dos fundos de pensão, por oferecer rentabilidade maior do que a taxa atuarial necessária, sem risco algum. O patrimônio total dos fundos chega a R$ 1 trilhão. Sua meta atuarial é de IPCA + 5,5%. As NTNBs longas pagam 6,5% mais IPCA, sem risco nenhum.
Com um diretor de política monetária habilidoso, será possível montar a seguinte estratégia:
Se o mercado puxa a taxa de juros para cima, há uma queda no valor do título à vista - o chamado PU (Preço Unitário). É simples entender. O preço de vencimento do papel é, digamos, 100. Se ele rende 10% ao ano, e falta um ano para o vencimento, seu PU será de 90,91 (100 / 1,10 = 90,91). Se a taxa sobre para, digamos, 15% ao ano, o valor do PU cairá para 86,96 (100 / 1,15 = 86,96). O BC pode se aproveitar desse movimento para recomprar as NTNBs e substituí-las por LTNs (Letras do Tesouro Nacional), pré-fixadas. O aumento da demanda por LTNs promoverá uma elevação no seu PU – resultando em menor custo para o BC.
Com esse movimento, e com a redução das taxas de juros, os fundos de pensão terão que buscar papéis mais rentáveis. E aí, abre-se o mercado para papéis privados, os CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) e debêntures de infraestrutura.
O mesmo ocorrerá com os bancos que emitem CDBs e que não terão mais as facilidades dos juros da dívida pública para se remunerar.
Haverá outro ganho indireto. Com as NTNBs, o mercado sempre apostava no caos: quando mais desarrumada a economia, mais elevadas são as taxas das NTNBs. Com os pré-fixados, passarão a ser sócios da estabilidade.
Peça 4 – retomada das obras paradas
Para completar o quadro, há uma imensidão de projetos públicos já licitados, analisados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e suspensos devido aos receios com a irracionalidade da Lava Jato e seus filhos.
Esses projetos foram completados no governo Dilma. Para cada um deles exigiu-se a constituições de SPEs (Sociedades de Propósito Específico), com o capital blindado em relação aos acionistas principais – as grandes empreiteiras.
Mas, depois dois abusos do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, com condução coercitiva de dezenas de técnicos do BNDES, criminalização de qualquer operação, houve o chamado apagão das canetas – nada se aprovava, nenhuma medida era tomada, porque tudo estava exposto à criminalização pelo MPF.
Um pacto entre o governo, o STF, a PGR, destravaria os investimentos que seriam rapidamente colocados em marcha. Vale o exemplo dos EUA. A Odebrecht recebeu uma multa bilionária da SEC (a CVM dos EUA). Imediatamente após a aplicação da multa, a própria SEC entrou em conta com os bancos norte-americanos solicitando que destravassem os financiamentos à Odebrecht, inclusive para que a multa pudesse ser honrada.
Além disso, com a taxa de juros em 6,5%, o governo poderia injetar recursos no BNDES sem impacto na dívida pública. O impacto ocorria devido ao diferencial entre as taxas do BNDES e a Selic de 14%. Com Selic próxima às taxas do BNDES, não há impacto na dívida pública.
Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), cada R$ 1 milhão investido no setor gera, em média, 26 empregos.
Só a Linga 6 do Metrô de São Paulo exigirá R$ 15 bilhões de investimento. O PAC Mobilidade, outros R$ 32 bilhões espalhados por várias capitais.
A terceira etapa de concessão de rodovias, outros R$ 13 bilhões, divididos entre a BR 153, BR 101, BR 163, BR 050.
No setor ferroviários, apenas o Ferroanel de São Paulo exigirá outros R$ 3,5 bilhões; a Norte-Sul, mais R$ 4 bilhões. A modernização da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) outros R$ 6 bilhões. Há R$ 3,5 bilhões de projetos parados dos aeroportos.
Destravando os investimentos, só nessa retomada de obras haverá condições de gerar, por baixo, 2 milhões de empregos.
Sem contar os investimentos externos. Os chineses, por exemplo, estão aguardando os primeiros sinais de estabilidade política para voltar a investir.
Peça 5 – a PEC do gasto
A desastrada PEC do Gasto produziu um pterodátilo nas contas públicas. A alegação final era a necessidade de conter gastos para aumentar os investimentos públicos. Mas incluiu-se o investimento público na lei.
Então, se o PIB crescer, digamos, 2,5% ao ano, os investimentos públicos permanecerão congelados, sem conseguir acompanhar o PIB e, por consequência, sem conseguir melhorar a produtividade da economia.
De alguma maneira terá que ser revista.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
A Privataria Tucana - A entrevista completa dos Blogueiros Progressistas com Amaury Ribeiro Jr.
trevista Enviado por HervalJR em 10/12/2011
Em entrevista concedida aos blogueiros progressistas ,o jornalista Amaury Ribeiro Jr revela a ferida tucana jamais citada no jornalismo brasileiro. Como bem disse Luís Nassif , é a reportagem investigativa da década .
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A era da selvageria - Luis Nassif
Historicamente, as jovens gerações de jornalistas entram com todo gás, querendo fazer carreira e, para tanto, seguindo os critérios de avaliação das direções. Se os critérios são tortos, forma-se uma geração torta. Foi assim com o rescaldo da campanha do impeachment, que consagrou os profissionais que mais atentaram contra os princípios jornalísticos, os que mais inventaram notícias, que se apossaram de matérias de terceiros.
O momento atual é o mais escabroso da moderna história da imprensa brasileira.
Na transição de gerações, existem os jornalistas experientes, servindo de referência e de moderação para os mais apressados. Cabe a essas figuras referenciais ensinar os limites entre jornalismo e ficção, o respeito aos fatos e as técnicas que permitam tornar as matérias atraentes sem apelar para a ficção ou para os ataques difamadores. Principalmente, cabe a eles mostrar os valores universais da civilização, o respeito ao direito sagrado da reputação, o pressuposto de que as acusações precisam vir acompanhadas de provas ou indícios relevantes, o direito de se ouvir, sem viés, a defesa do acusado, o uso restrito do jornalismo declaratório.
A questão é que esse meio campo está com lacunas.
O episódio Orlando Dias mostrou jornalistas consagrados, que deveriam fazer o contraponto, ajudando a criar o clima de expectativa em cima das capas de Veja. São jornalistas que estão fartos de saber que a revista não segue princípios jornalísticos, que mente, difama, blefa, que promete provas que nunca aparecem. Mas não se pejaram de aproveitar o embalo para atacar adversários históricos.
Outros jornalistas, com história e credibilidade, preferiram recolher-se ao seu próprio trabalho, pela notória impossibilidade de remar contra uma tendência irreversível de consolidação do jornalismo de esgoto.
Fazem bem em se poupar e não tentar remediar o irremediável.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Blog do Nassif: As bobagens na denúncia da UOL - Portal Vermelho
Blog do Nassif: As bobagens na denúncia da UOL - Portal Vermelho
O jornalista Luís Nassif destrincha as denúncias publicadas pelo UOL, hoje (19), e conclui que se trata de um jornalismo "de suposições, impossível de levar a sério". Para completar sua argumentação, Fernando Souza Jr acrescenta, em novo texto, que a matéria induz o leitor a acreditar que o ministro comprou o terreno para faturar com futura desapropriação. Confira as duas matérias, abaixo.
Um dos principais recursos nas campanhas midiáticas é sufocar o leitor com uma série infindável de manchetes com supostas denúncias. Mesmo que, analisadas individualmente, a maioria se mostre inconsistente, atinge-se o objetivo de aumentar a marola e sufocar o alvo.
Tome-se a denúncia que acabou de ser publicada pela UOL, sobre a compra de um terreno em Campinas por Orlando Silva, que "poderia" ser desapropriado pela Petrobras.
Denúncia 1
A Petrobras teria desapropriado parte da propriedade, antes da venda para o ministro, pagando ao proprietário um preço maior por m2 do que aquele pago ao ministro.
A petrolífera pagou R$ 5,96 pelo m², enquanto para o ministro cada m² custou cerca de R$ 4.
A desapropriação de parte do terreno foi para construir uma servidão de passagem. Não é necessário ser consultor imobiliário para saber que terreno cercado por servidões de passagem perde valor.
Denúncia 2 – Orlando fez negócio da China.
Orlando fez um negócio da China em comparação com os terrenos à disposição no mesmo condomínio. Sem dutos por perto, as propriedades custam entre R$ 15 e R$ 20 cada m², de acordo com um corretor consultado pela reportagem. Nessa área, um terreno de 20 mil m² está sendo oferecido por R$ 380 mil, quase a mesma quantia paga pelo ministro em 90.000 m².
Denúncia 3 – Orlando não fez um negócio da China
Apesar de poucas casas por perto, o lote escolhido pelo ministro não favorece quem busca tranquilidade para passar os finais de semana com a família. Fica em frente a um pesqueiro, o que provoca grande movimentação aos sábados e domingos. O local é de acesso razoavelmente difícil, com um trecho de 9 km em estrada de terra.
Ou seja, o Ministro pagou menos por um terreno que vale menos, porque com servidões de passagem e em frente a um pesqueiro movimentado e com 9 km de estrada de terra para se chegar a ele. E se é princípio de todo condomínio ter as estradas internas asfaltadas, como se explica a afirmação de que o terreno está no condomínio e o acesso a ele é por 9 km de estrada de terra?
Cadê o escândalo, então, cadê o negócio da China?
Denúncia 4 - Orlando está escondendo a propriedade do terreno por não constar seu título de ministro na relação de condôminos.
Para chegar ao terreno, precisou passar pelo portão 3 do Condomínio Atibaia. Na parede da portaria, foi colocado um papel com o nome de todos os moradores. À caneta, por serem mais recentes, aparecem Silva Júnior e Ana Cristina. A patente ministerial não aparece.
Aí se envereda por um jornalismo de suposições impossível de levar a sério. Ele teria pagado menos (por um terreno que vale menos) porque no futuro, algum dia, quem sabe, a Petrobras irá desapropriar o terreno ou parte dele (que ela já desapropriou para construir a servidão de passagem) e talvez, quem sabe, pagar um preço maior pela desapropriação.
Está difícil fazer jornalismo hoje em dia.
Luís Nassif é jornalista político e econômico
Além desta questão lógica, há outros absurdos na matéria, sobretudo do ponto de vista jurídico:
1) servidão de passagem não é espécie de desapropriação. Isso é uma bobagem sem tamanho. Na servidão de passagem não há qualquer modificação na propriedade do imóvel, logo não há "desapropriação". São figuras jurídicas absolutamente distintas.
2) a matéria induz o leitor desavisado a acreditar que o ministro comprou o terreno para faturar com futura desapropriação (mesmo depois admitindo que não é desapropriação, e sim servidão de passagem). E afirma que o ministro, por ter proximidade com a Petrobras, pode negociar um preço melhor na futura desapropriação. Ora, qualquer pessoa minimamente informada sabe que processo de desapropriação não é um negócio entre particulares, onde se pode barganhar um preço melhor. E a maioria esmagadora das desapropriações hoje em dia são feitas amigavelmente mediante intermediação do Ministério Público e do Poder Judiciário, vide os casos das obras do metrô em SP e outras obras da própria Petrobras em que se necessita desapropriar imóveis de particulares.
3) o autor da denúncia afirma que o terreno está em condomínio, depois admite que a escritura não diz isso. Ou seja, para a matéria, o que vale é a palavra do repórter, e não o documento de propriedade do imóvel registrado no cartório de imóveis. Coisa absurda.
4) a matéria "denuncia" que a esposa do ministro é atriz e trabalha para uma companhia teatral patrocinada pela Petrobras, como se isso por si só fosse algo condenável ou ilegal. A Petrobras é a grande patrocinadora da cultura nacional. Talvez o jornalista esteja insinuando que ministro de Estado não possa ser casado com atrizes. Imagino se ele fosse caso com uma frentista de um posto de gasolina com bandeira BR, que "escândalo" seria...
5) a matéria diz que o ministro mentiu ao dizer que pagou pelo terreno com recursos próprios porque o pagamento teria sido feito com cheque administrativo. Ora, qualquer pessoa que tenha conta em banco pode se utilizar de um cheque administrativo, cujos recursos para compensação saem, evidentemente, da conta do titular. Isso não significa que ele não tenha utilizado recursos próprios para pagar o terreno.
6) A confusão na matéria me parece proposital. Exemplo: ela não esclarece que a compra foi feita junto a um particular. Um leitor mais desavisado pode facilmente concluir, pela precariedade do texto, que o ministro comprou o terreno da própria Petrobras e agora espera lucrar com futura desapropriação.
7) porque diabos ele deveria se identificar como ministro na lista de proprietários a porta do suposto condomínio? Ministro é ocupação, não é profissão. Ele está ministro, não será ministro para sempre. Coisa ridícula.
Fernando Souza Jr.
Fonte: Blog do Luís Nassif
O jornalista Luís Nassif destrincha as denúncias publicadas pelo UOL, hoje (19), e conclui que se trata de um jornalismo "de suposições, impossível de levar a sério". Para completar sua argumentação, Fernando Souza Jr acrescenta, em novo texto, que a matéria induz o leitor a acreditar que o ministro comprou o terreno para faturar com futura desapropriação. Confira as duas matérias, abaixo.
Um dos principais recursos nas campanhas midiáticas é sufocar o leitor com uma série infindável de manchetes com supostas denúncias. Mesmo que, analisadas individualmente, a maioria se mostre inconsistente, atinge-se o objetivo de aumentar a marola e sufocar o alvo.
Tome-se a denúncia que acabou de ser publicada pela UOL, sobre a compra de um terreno em Campinas por Orlando Silva, que "poderia" ser desapropriado pela Petrobras.
Denúncia 1
A Petrobras teria desapropriado parte da propriedade, antes da venda para o ministro, pagando ao proprietário um preço maior por m2 do que aquele pago ao ministro.
A petrolífera pagou R$ 5,96 pelo m², enquanto para o ministro cada m² custou cerca de R$ 4.
A desapropriação de parte do terreno foi para construir uma servidão de passagem. Não é necessário ser consultor imobiliário para saber que terreno cercado por servidões de passagem perde valor.
Denúncia 2 – Orlando fez negócio da China.
Orlando fez um negócio da China em comparação com os terrenos à disposição no mesmo condomínio. Sem dutos por perto, as propriedades custam entre R$ 15 e R$ 20 cada m², de acordo com um corretor consultado pela reportagem. Nessa área, um terreno de 20 mil m² está sendo oferecido por R$ 380 mil, quase a mesma quantia paga pelo ministro em 90.000 m².
Denúncia 3 – Orlando não fez um negócio da China
Apesar de poucas casas por perto, o lote escolhido pelo ministro não favorece quem busca tranquilidade para passar os finais de semana com a família. Fica em frente a um pesqueiro, o que provoca grande movimentação aos sábados e domingos. O local é de acesso razoavelmente difícil, com um trecho de 9 km em estrada de terra.
Ou seja, o Ministro pagou menos por um terreno que vale menos, porque com servidões de passagem e em frente a um pesqueiro movimentado e com 9 km de estrada de terra para se chegar a ele. E se é princípio de todo condomínio ter as estradas internas asfaltadas, como se explica a afirmação de que o terreno está no condomínio e o acesso a ele é por 9 km de estrada de terra?
Cadê o escândalo, então, cadê o negócio da China?
Denúncia 4 - Orlando está escondendo a propriedade do terreno por não constar seu título de ministro na relação de condôminos.
Para chegar ao terreno, precisou passar pelo portão 3 do Condomínio Atibaia. Na parede da portaria, foi colocado um papel com o nome de todos os moradores. À caneta, por serem mais recentes, aparecem Silva Júnior e Ana Cristina. A patente ministerial não aparece.
Aí se envereda por um jornalismo de suposições impossível de levar a sério. Ele teria pagado menos (por um terreno que vale menos) porque no futuro, algum dia, quem sabe, a Petrobras irá desapropriar o terreno ou parte dele (que ela já desapropriou para construir a servidão de passagem) e talvez, quem sabe, pagar um preço maior pela desapropriação.
Está difícil fazer jornalismo hoje em dia.
Luís Nassif é jornalista político e econômico
Além desta questão lógica, há outros absurdos na matéria, sobretudo do ponto de vista jurídico:
1) servidão de passagem não é espécie de desapropriação. Isso é uma bobagem sem tamanho. Na servidão de passagem não há qualquer modificação na propriedade do imóvel, logo não há "desapropriação". São figuras jurídicas absolutamente distintas.
2) a matéria induz o leitor desavisado a acreditar que o ministro comprou o terreno para faturar com futura desapropriação (mesmo depois admitindo que não é desapropriação, e sim servidão de passagem). E afirma que o ministro, por ter proximidade com a Petrobras, pode negociar um preço melhor na futura desapropriação. Ora, qualquer pessoa minimamente informada sabe que processo de desapropriação não é um negócio entre particulares, onde se pode barganhar um preço melhor. E a maioria esmagadora das desapropriações hoje em dia são feitas amigavelmente mediante intermediação do Ministério Público e do Poder Judiciário, vide os casos das obras do metrô em SP e outras obras da própria Petrobras em que se necessita desapropriar imóveis de particulares.
3) o autor da denúncia afirma que o terreno está em condomínio, depois admite que a escritura não diz isso. Ou seja, para a matéria, o que vale é a palavra do repórter, e não o documento de propriedade do imóvel registrado no cartório de imóveis. Coisa absurda.
4) a matéria "denuncia" que a esposa do ministro é atriz e trabalha para uma companhia teatral patrocinada pela Petrobras, como se isso por si só fosse algo condenável ou ilegal. A Petrobras é a grande patrocinadora da cultura nacional. Talvez o jornalista esteja insinuando que ministro de Estado não possa ser casado com atrizes. Imagino se ele fosse caso com uma frentista de um posto de gasolina com bandeira BR, que "escândalo" seria...
5) a matéria diz que o ministro mentiu ao dizer que pagou pelo terreno com recursos próprios porque o pagamento teria sido feito com cheque administrativo. Ora, qualquer pessoa que tenha conta em banco pode se utilizar de um cheque administrativo, cujos recursos para compensação saem, evidentemente, da conta do titular. Isso não significa que ele não tenha utilizado recursos próprios para pagar o terreno.
6) A confusão na matéria me parece proposital. Exemplo: ela não esclarece que a compra foi feita junto a um particular. Um leitor mais desavisado pode facilmente concluir, pela precariedade do texto, que o ministro comprou o terreno da própria Petrobras e agora espera lucrar com futura desapropriação.
7) porque diabos ele deveria se identificar como ministro na lista de proprietários a porta do suposto condomínio? Ministro é ocupação, não é profissão. Ele está ministro, não será ministro para sempre. Coisa ridícula.
Fernando Souza Jr.
Fonte: Blog do Luís Nassif
domingo, 16 de outubro de 2011
Luís Nassif desmascara as fontes de Veja
Luis Nassif Online
Enviado por luisnassif, dom, 16/10/2011 - 10:46Por Vladimir Kotler
Do Blog Amigos do Presidente Lula
PF investiga suborno de testemunha de acusação, do mesmo esquema que acusa Orlando Silva.
Jaqueline Roriz, Weslian e Joaquim Roriz. Campanha acusada de tentar subornar falsa testemunha por R$ 200 mil
Jaqueline Roriz, Weslian e Joaquim Roriz. Campanha acusada de tentar subornar falsa testemunha por R$ 200 mil
Para se ver o quanto a Revista Veja está se fiando em fontes corruptas e barra pesada, daquelas que não dá para confiar denúncias apenas na lábia, é bom relembrar esse episódio de 2010:
O ex-policial João Dias Ferreira e o contador Miguel Santos Souza foram presos em abril de 2010 pela Polícia Civil do Distrito Federal, por causa de um esquema para fraudar convênios junto ao Ministério do Esporte.
Hoje, João Dias Ferreira faz denúncias contra o ministro dos esportes, Orlando Silva, na revista Veja, na lábia, sem apresentar provas.
Em 2010, o contador Miguel Santos Souza recebeu oferta de R$ 200 mil do advogado Clauber Madureira Guedes da Silva, para fazer uma denúncia falsa dizendo que teria visto Agnelo Queiroz (PT/DF) manuseando dinheiro (coisa muito semelhante à denúncia que apareceu na revista Veja, agora contra Orlando Silva).
Era campanha eleitoral e disputavam o governo do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e Weslian Roriz (PSC), mulher de Joaquim Roriz (ele estava impedido de se candidatar pela Justiça Eleitoral, devido à ficha suja).
No dia 15 de setembro de 2010, o contador Miguel prestou depoimento aos policiais civis e entregou uma gravação com 34 minutos de conversa com o advogado Clauber.
Eis alguns trechos transcritos da gravação:
Trecho 1Advogado — Você não vai assumir nada. Vai simplesmente dizer que viu, sim.
Miguel — Mas viu o quê?
Advogado — Viu o Agnelo (inaudível) manuseando dinheiro.
Miguel — Manuseando dinheiro?
Advogado — É.
Trecho 2Miguel — Eu quero saber o que que é pra mim fazer (sic) e o que que eu vou receber por isso, o que que eu vou ganhar com isso, né? Isso que eu preciso saber. Porque tudo tem seu preço, né?
Advogado — Lógico.
Miguel — Eu preciso saber o que que é mesmo e tal.
Advogado — O combinado é aquilo que a gente conversou. É aquilo mesmo.
Miguel — Aquilo seria o quê? Você falou R$ 200 mil mais um cargo no primeiro escalão. É no primeiro escalão, no segundo? E como é que eu vou ter certeza que eu vou receber esse dinheiro?
Advogado — Na mão.
Trecho 3Miguel — Me diz uma coisa, já que a gente está confiando um no outro, eu tô confiando em você… Da onde é que vem mesmo esse dinheiro? Quem é que vai pagar? Só para mim me situar, para mim ter uma ideia, entendeu? É o Roriz? É o pessoal dele? O coordenador de campanha? Quem é?
Advogado — O pessoal dos coordenadores de campanha.Agnelo, ao ficar sabendo, deu queixa à Polícia Federal, que abriu investigação sobre o caso.
A OAB-DF instaurou processo disciplinar-ético, para apurar a conduta do advogado:
(dos Arquivos do Correio Braziliense)
Miguel — Mas viu o quê?
Advogado — Viu o Agnelo (inaudível) manuseando dinheiro.
Miguel — Manuseando dinheiro?
Advogado — É.
Trecho 2Miguel — Eu quero saber o que que é pra mim fazer (sic) e o que que eu vou receber por isso, o que que eu vou ganhar com isso, né? Isso que eu preciso saber. Porque tudo tem seu preço, né?
Advogado — Lógico.
Miguel — Eu preciso saber o que que é mesmo e tal.
Advogado — O combinado é aquilo que a gente conversou. É aquilo mesmo.
Miguel — Aquilo seria o quê? Você falou R$ 200 mil mais um cargo no primeiro escalão. É no primeiro escalão, no segundo? E como é que eu vou ter certeza que eu vou receber esse dinheiro?
Advogado — Na mão.
Trecho 3Miguel — Me diz uma coisa, já que a gente está confiando um no outro, eu tô confiando em você… Da onde é que vem mesmo esse dinheiro? Quem é que vai pagar? Só para mim me situar, para mim ter uma ideia, entendeu? É o Roriz? É o pessoal dele? O coordenador de campanha? Quem é?
Advogado — O pessoal dos coordenadores de campanha.Agnelo, ao ficar sabendo, deu queixa à Polícia Federal, que abriu investigação sobre o caso.
A OAB-DF instaurou processo disciplinar-ético, para apurar a conduta do advogado:
(dos Arquivos do Correio Braziliense)
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