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sexta-feira, 14 de março de 2014

PCdoB encerra em Brasília 8° Encontro s/ Questões de Partido e define ação nas eleições - Portal Vermelho

PCdoB define ação política para garantir êxito nas eleições   - Portal Vermelho

Após dois dias de debates, no 8º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, realizado esta semana em Brasília, o PCdoB definiu as diretivas imediatas para o ano de 2014, referentes à construção partidária. A orientação do secretário nacional de Organização, Walter Sorrentino, que presidiu os debates, é de que as Comissões Políticas Estaduais e Municipais em todo o país adotem essas diretrizes, fazendo os ajustes à realidade de cada região.




Portal da Organização
As convenções estaduais, que devem ocorrer entre 10 a 30 de junho, deve contar com mobilização e demonstração de força e prestígio político das candidaturas. As convenções estaduais, que devem ocorrer entre 10 a 30 de junho, devem contar com mobilização e demonstração de força e prestígio político das candidaturas. 


O foco do trabalho do PCdoB em todo o país em ano de eleições gerais é garantir o êxito do projeto eleitoral 2014. Para isso, as instâncias partidárias de direção devem assumir a tarefa ancorado nas lutas sociais e na estruturação partidária.


Sorrentino destaca que “o eixo central dos esforços serão as capitais, dado o desempenho verificado nos últimos dois anos e pelo papel que ocupam na vida do país, sem prejuízo da linha permanente de fortalecer o trabalho partidário nos grandes municípios”.

O projeto eleitoral 2014, a ser elaborado, deve considerar as alianças, candidaturas, chapas, montagem dos comandos de campanha e os planos definidos de ação política e eleitoral para os Comitês Municipais (CMs) e os Organismos de Base (OBs), das capitais e grandes cidades.

Demonstração de força e prestígio

A diretriz aprovada entre os comunistas é de que as convenções estaduais, que devem ocorrer entre 10 a 30 de junho de 2014, devem contar com mobilização partidária organizada, demonstração de força e prestígio político das candidaturas, construção de unidade em torno do projeto político eleitoral e servir de alavanca para filiações massivas ao Partido.

O evento, que reuniu os membros do Comitê Central, da Comissão Política, o secretariado nacional, parlamentares e presidentes estaduais do Partido, também definiu um calendário de ações que devem ser desenvolvidos nos estados. “Na ação política de massas, será imperativo relançar, em todos os Estados, o Fórum dos Movimentos Sociais, coordenados pela Presidência e Secretaria de Movimentos Sociais, amplos, plurais, com funcionamento regular mensal para firmar, politizar, unificar e controlar pauta e agenda da intervenção dos comunistas nos movimentos sociais e no âmbito da sociedade civil”, explicou Sorrentino.

Também ficou decidida, como ação de caráter mais imediato e de alcance universal no país, a defesa da Copa do Mundo - que tem papel protagonista dos comunistas, com a demonstração da enorme importância econômica e cultural para o projeto de desenvolvimento, bem como para a afirmação nacional e autoestima popular.

Campanha de filiação

Segundo Walter Sorrentino, “essas atividades devem ensejar uma Campanha Nacional de Filiações, manifestando-se num crescendo até as Convenções partidárias de junho”. Para isso, o Encontro propôs uma ampla agitação pública, com bandeiras e materiais partidários, em torno do aniversário do PCdoB em 25 de março, além de outras iniciativas de filiação ao longo do período e do Programa de TV que vai ao ar em maio.

Para fortalecer os CMs dos maiores municípios do país e ativar as organizações de base nesses municípios, serão realizados Seminários ou Encontros para debater um diagnóstico e a reformulação de linhas de construção político-organizativos do Partido nas capitais, à luz do estudo da realidade social em transformação.

Também faz parte da agenda do Partido, a criação de Fóruns de Quadros de Bases nas Capitais, para garantir a ativação dos organismos diretamente ligados ao povo, propiciando troca de experiências, formulação de lutas e potencialização de suas ações.

“Ele estabelecerá um funcionamento regular e sistemático, para firmar pautas e agendas de atividade, controlá-las e oferecer apoios das direções ao trabalho de base, por meio dos comitês auxiliares e do próprio comitê da capital”, explicou Sorrentino, enfatizando a necessidade de manter em funcionamento os Fóruns de Macrorregião em cada Estado, que deve pautar e controlar as diretivas para os municípios do interior.

Este ano, o PCdoB vai também relançar os Departamentos de Quadros tendo como responsáveis titulares que sejam lideranças prestigiadas e com autoridade, integrantes do Comitê Estadual, atuando com linhas de indução claras e concretas, planos e metas definidas, conforme plano específico aprovado neste Encontro com respeito à atividade do Departamento Nacional de Quadros João Amazonas.

De Brasília
Márcia Xavier

CTB: Encontro Sindical Nossa América será determinante para AL - Portal Vermelho

CTB: Encontro Sindical Nossa América será determinante para AL - Portal Vermelho

O 6º Encontro Sindical Nossa América (Esna), será realizado em Havana, Cuba, nos dias 3 e 4 de maio. O evento se insere em um contexto geopolítico incerto, ao mesmo tempo determinante para as forças políticas populares e democráticas da América Latina e do Caribe, afirmou o secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Divanilton Pereira.






No encontro as lideranças sindicais aprovaram uma nota de apoio ao
presidente Nicolás Maduro| Foto: CTB-RJ

O objetivo do encontro é ser mais que uma plenária sindical e social com fim em si mesma. “É preciso dar efetivação prática e política para garantir um efetivo protagonismo político da classe trabalhadora em nossa região”, afirmou Divanilton Pereira em nota divulgada nesta quinta-feira (13).



O Esna é realizado desde 2008. O primeiro encontro foi realizado em Quito (Equador), seguido por São Paulo, Caracas (Venezuela), Manágua (Nicarágua) e Cidade do México nos anos seguintes. Centenas de delegados de organizações sociais e sindicais de diversos países da América Latina e Caribe participaram dos eventos.

Divanilton afirmou que “esse encontro deve se constituir num grande espaço político para que a classe trabalhadora e seus aliados de Nossa América reafirmem sua estratégia anti-imperialista, antineoliberal e socialista, disputando a integração latino-americana e caribenha de uma forma soberana, complementária e valorizando o trabalho”.

O secretário da entidade sindical ressaltou a importância do momento histórico atual para toda a América Latina: “destacamos que uma nova ofensiva estadunidense e de seus aliados nessa região alcança novos patamares de virulência política e econômica. De um lado, patrocina golpes e desestabilizações contra as experiências governamentais progressistas; por outro, desencadeia ofensiva econômica, tentando inviabilizar os resultados até então alcançados por esses projetos”.

Para ele, “uma nova ofensiva liberal ronda o mundo e a região. Após a sua derrota com a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), os EUA buscam por outros meios novas rendições, anexações e controle. O alvo nesse atual estágio está focado na Venezuela, Argentina e Brasil – dentre outros importantes processos –, com o nítido objetivo de fragilizar as maiores bases produtivas e sociais do continente”.

No entanto, o texto garante que “o pensamento sindical classista e socialista em nossa região” seguirá “mantendo sua independência (o que não significa neutralidade política), não permitirá retrocessos e continuará disputando os rumos dessas inéditas experiências governamentais em Nossa América”.

Leia a Declaração de Princípios do 6º Encontro Sindical Nossa América


I. Um importante e nunca suficiente número de trabalhadoras e trabalhadores da nossa América, criamos juntos um espaço de unidade, debate, reflexão e coordenação, com a finalidade de contribuir à unidade de ação, à solidariedade e à luta de toda a nossa classe.

II. Não perguntamos de onde vêm. Queremos – unidos – direcionar para onde a nossa classe e nossos povos caminham juntos. Queremos contribuir com a nossa luta, para a urgente e necessária justiça social relacionada à definitiva libertação da nossa América.

III. Para esta luta estão convocados todos os lutadores e todas as organizações sindicais e sociais com base de trabalhadores que defendam os interesses de classe, sem importar sua afiliação internacional.

IV. Este espaço não tem uma junta de direção com distribuição de cargos, mas um grupo de trabalho coordenador renovável a cada encontro, onde existe a mais ampla e representativa trincheira de luta possível.

V. Abraçamos os interesses comuns da nossa classe, todas as formas de luta e propomos redobrar esforços para conquistar a necessária unidade de ação de todas as organizações existentes, sem que haja competição com elas. Somos internacionalistas.

VI. Caminhamos desde o âmago de nossa história; recolhemos a rebeldia de nossos libertadores, acumulamos a experiência de milhares de batalhas lideradas pelos trabalhadores, estudantes, aposentados e pensionistas, mulheres, indígenas, negros e camponeses por todos os tempos e lugares na nossa América. Acreditamos no socialismo como sistema para o desenvolvimento humano.

VII. Por essa razão, diante do permanente ataque do imperialismo e em meio às diversas crises do capitalismo; resgatamos o crescimento da luta de classes que gera a elevada consciência política, possibilitando a existência dos atuais processos revolucionários e governos de esquerda.

 
VIII. Podemos, devemos e queremos fazer parte da construção histórica da transformação da nossa América, que passa necessariamente pela integração econômica, política e social dos povos da região.

IX. A defesa da democracia, a autodeterminação dos povos e a participação ativa nos processos de transformação social que vive nosso continente.

Da Redação do Portal Vermelho,
com informações da CTB

Escute e veja o Presidente João Goulart e o histórico discurso das Reformas de Base na Cenral do Brasil

Devo agradecer em primeiro lugar às organizações promotoras deste comício, ao povo em geral e ao bravo povo carioca em particular, a realização, em praça pública, de tão entusiasta e calorosa manifestação. Agradeço aos sindicatos que mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os brasileiros que, neste instante, mobilizados nos mais longínquos recantos deste país, me ouvem pela televisão e pelo rádio.
Dirijo-me a todos os brasileiros, não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas, mas também aos milhões de irmãos nossos que dão ao Brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em miséria, em privações, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste país.
Presidente de 80 milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios.
Vou falar em linguagem que pode ser rude, mas é sincera sem subterfúgios, mas é também uma linguagem de esperança de quem quer inspirar confiança no futuro e tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade do presente.
Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país.
Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas. Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas. (...)
A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.
A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.
Ainda ontem, eu afirmava, envolvido pelo calor do entusiasmo de milhares de trabalhadores no Arsenal da Marinha, que o que está ameaçando o regime democrático neste País não é o povo nas praças, não são os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspirações ou de sua solidariedade às grandes causas nacionais. Democracia é precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas praças públicas, sem que daí possa resultar o mínimo de perigo à segurança das instituições. (...)
Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.
Ameaça à democracia não é vir confraternizar com o povo na rua. Ameaça à democracia é empulhar o povo explorando seus sentimentos cristãos, mistificação de uma indústria do anticomunismo, pois tentar levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos últimos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado brasileiro. (...)
Àqueles que reclamam do Presidente de República uma palavra tranqüilizadora para a Nação, o que posso dizer-lhes é que só conquistaremos a paz social pela justiça social.
Perdem seu tempo os que temem que o governo passe a empreender uma ação subversiva na defesa de interesses políticos ou pessoais; como perdem igualmente o seu tempo os que esperam deste governo uma ação repressiva dirigida contra os interesses do povo. Ação repressiva, povo carioca, é a que o governo está praticando e vai ampliá-la cada vez mais e mais implacavelmente, assim na Guanabara como em outros estados contra aqueles que especulam com as dificuldades do povo, contra os que exploram o povo e que sonegam gêneros alimentícios e jogam com seus preços.
Não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar, e tenho proclamado e continuarei a proclamando em todos os recantos da Pátria “ a necessidade da revisão da Constituição, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação.
Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facultado participar da vida política através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e seja assegurada a representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações religiosas ou ideológicas.
Todos têm o direito à liberdade de opinião e de manifestar também sem temor o seu pensamento. É um princípio fundamental dos direitos do homem, contido na Carta das Nações Unidas, e que temos o dever de assegurar a todos os brasileiros. (...)
É apenas de lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados à realidade nacional.
São certamente, trabalhadores, os piores surdos e os piores cegos, porque poderão, com tanta surdez e tanta cegueira, ser os responsáveis perante a História pelo sangue brasileiro que possa vir a ser derramado, ao pretenderem levantar obstáculos ao progresso do Brasil e à felicidade de seu povo brasileiro. (...)
E podeis estar certos, trabalhadores, de que juntos o governo e o povo: “operários, camponeses, militares, estudantes, intelectuais e patrões brasileiros, que colocam os interesses da Pátria acima de seus interesses, haveremos de prosseguir de cabeça erguida, a caminhada da emancipação econômica e social deste país.
O nosso lema, trabalhadores do Brasil, é progresso com justiça, e desenvolvimento com igualdade. (...)
Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se ao homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento.
Não, trabalhadores; sabemos muito bem que de nada vale ordenar a miséria, dar-lhe aquela aparência bem comportada com que alguns pretendem enganar o povo. Brasileiros, a hora é das reformas de estrutura, de métodos, de estilo de trabalho e de objetivo. Já sabemos que não é mais possível progredir sem reformar; que não é mais possível admitir que essa estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salvação nacional para milhões de brasileiros que da portentosa civilização industrial conhecem apenas a vida cara, os sofrimentos e as ilusões passadas.
O caminho das reformas é o caminho do progresso pela paz social. Reformar é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada pelas realidades do tempo em que vivemos.
Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da SUPRA com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa Pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos.
Ainda não é a reformulação de nosso panorama rural empobrecido. Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado. Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.
O que se pretende com o decreto que considera de interesse social para efeito de desapropriação as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.
Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, que se apoderaram das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou 70 bilhões de dinheiro do povo, não deve beneficiar os latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas sim o povo. (...)
Reforma agrária com pagamento prévio do latifúndio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. É negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso o decreto da SUPRA não é a reforma agrária.
Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária. Sem emendar a Constituição, que tem acima de dela o povo e os interesses da Nação, que a ela cabe assegurar, poderemos ter leis agrárias honestas e bem-intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.
Graças à colaboração patriótica e técnica das nossas gloriosas Forças Armadas, em convênios realizados com a SUPRA, graças a essa colaboração, meus patrícios espero que dentro de menos de 60 dias já comecem a ser divididos os latifúndios das beiras das estradas, os latifúndios aos lados das ferrovias e dos açudes construídos com o dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da Nação. E, feito isto, os trabalhadores do campo já poderão, então, ver concretizada, embora em parte, a sua mais sentida e justa reivindicação, aquela que lhe dará um pedaço de terra para trabalhar, um pedaço de terra para cultivar. Aí, então, o trabalhador e sua família irão trabalhar para si próprios, porque até aqui eles trabalham para o dono da terra, entregam, como aluguel, metade de sua produção. E não se diga, trabalhadores, que há meio de se fazer reforma sem mexer a fundo na Constituição. Em todos os países civilizados do mundo já foi suprimido do texto constitucional parte que obriga a desapropriação por interesse social, a pagamento prévio, a pagamento em dinheiro.
No Japão de pós-guerra, há quase 20 anos, ainda ocupado pelas forças aliadas vitoriosas, sob o patrocínio do comando vencedor, foram distribuídos dois milhões e meio de hectares das melhores terras do país, com indenizações pagas em bônus com 24 anos de prazo, juros de 3,65% ao ano. E quem é que se lembrou de chamar o General MacArthur de subversivo ou extremista?
Na Itália, ocidental e democrática, foram distribuídos um milhão de hectares, em números redondos, na primeira fase de uma reforma agrária cristã e pacífica iniciada há quinze anos, 150 mil famílias foram beneficiadas.
No México, durante os anos de 1932 a 1945, foram distribuídos trinta milhões de hectares, com pagamento das indenizações em títulos da dívida pública, 20 anos de prazo, juros de 5% ao ano, e desapropriação dos latifúndios com base no valor fiscal.
Na Índia foram promulgadas leis que determinam a abolição da grande propriedade mal aproveitada, transferindo as terras para os camponeses.
Essas leis abrangem cerca de 68 milhões de hectares, ou seja, a metade da área cultivada da Índia. Todas as nações do mundo, independentemente de seus regimes políticos, lutam contra a praga do latifúndio improdutivo.
Nações capitalistas, nações socialistas, nações do Ocidente, ou do Oriente, chegaram à conclusão de que não é possível progredir e conviver com o latifúndio.
A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver.
Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças, porque não tem dinheiro para comprar.
Assim, a reforma agrária é indispensável não só para aumentar o nível de vida do homem do campo, mas também para dar mais trabalho às industrias e melhor remuneração ao trabalhador urbano.
Interessa, por isso, também a todos os industriais e aos comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim, à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo.
Como garantir o direito de propriedade autêntico, quando dos quinze milhões de brasileiros que trabalham a terra, no Brasil, apenas dois milhões e meio são proprietários?
O que estamos pretendendo fazer no Brasil, pelo caminho da reforma agrária, não é diferente, pois, do que se fez em todos os países desenvolvidos do mundo. É uma etapa de progresso que precisamos conquistar e que haveremos de conquistar.
Esta manifestação deslumbrante que presenciamos é um testemunho vivo de que a reforma agrária será conquistada para o povo brasileiro. O próprio custo daprodução, trabalhadores, o próprio custo dos gêneros alimentícios está diretamente subordinado às relações entre o homem e a terra. Num país em que se paga aluguéis da terra que sobem a mais de 50 por cento da produção obtida daquela terra, não pode haver gêneros baratos, não pode haver tranquilidade social. No meu Estado, por exemplo, o Estado do deputado Leonel Brizola, 65% da produção de arroz é obtida em terras alugadas e o arrendamento ascende a mais de 55% do valor da produção. O que ocorre no Rio Grande é que um arrendatário de terras para plantio de arroz paga, em cada ano, o valor total da terra que ele trabalhou para o proprietário. Esse inquilinato rural desumano é medieval é o grande responsável pela produção insuficiente e cara que torna insuportável o custo de vida para as classes populares em nosso país. (...)
E é claro, trabalhadores, que só se pode iniciar uma reforma agrária em terras economicamente aproveitáveis. E é claro que não poderíamos começar a reforma agrária, para atender aos anseios do povo, nos Estados do Amazonas ou do Pará. A reforma agrária deve ser iniciada nas terras mais valorizadas e ao lado dos grandes centros de consumo, com transporte fácil para o seu escoamento. (...)
Não me animam, trabalhadores e é bom que a nação me ouça quaisquer propósitos de ordem pessoal. Os grandes beneficiários das reformas serão, acima de todos, o povo brasileiro e os governos que me sucederem. A eles, trabalhadores, desejo entregar uma Nação engrandecida, emancipada e cada vez mais orgulhosa de si mesma, por ter resolvido mais uma vez, pacificamente, os graves problemas que a História nos legou. Dentro de 48 horas, vou entregar à consideração do Congresso Nacional a mensagem presidencial deste ano.
Mas estaria faltando ao meu dever se não transmitisse, também, em nome do povo brasileiro, em nome destas 150 ou 200 mil pessoas que aqui estão, caloroso apelo ao Congresso Nacional para que venha ao encontro das reinvindicações populares, para que, em seu patriotismo, sinta os anseios da Nação, que quer abrir caminho, pacífica e democraticamente para melhores dias. Mas também, trabalhadores, quero referir-me a um outro ato que acabo de assinar, interpretando os sentimentos nacionalistas destes país. Acabei de assinar, antes de dirigir-me para esta grande festa cívica, o decreto de encampação de todas as refinarias particulares.
A partir de hoje, trabalhadores brasileiros, a partir deste instante, as refinarias de Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas, e Destilaria Rio Grandense passam a pertencer ao povo, passam a pertencer ao patrimônio nacional.
Ao anunciar, à frente do povo reunido em praça pública, o decreto de encampação de todas as refinarias de petróleo particulares, desejo prestar homenagem de respeito àquele que sempre esteve presente nos sentimentos do nosso povo, o grande e imortal Presidente Getúlio Vargas. (...)
Na mensagem que enviei à consideração do Congresso Nacional, estão igualmente consignadas duas outras reformas que o povo brasileiro reclama, porque é exigência do nosso desenvolvimento e da nossa democracia. Refiro-me à reforma eleitoral, à reforma ampla que permita a todos os brasileiros maiores de 18 anos ajudar a decidir dos seus destinos, que permita a todos os brasileiros que lutam pelo engrandecimento do país influir nos destinos gloriosos do Brasil. Nesta reforma, pugnamos pelo princípio democrático, princípio democrático fundamental, de que todo alistável deve ser também elegível.
Também está consignada na mensagem ao Congresso a reforma universitária, reclamada pelos estudantes brasileiros. Pelos universitários, classe que sempre tem estado corajosamente na vanguarda de todos os movimentos populares nacionalistas. (...)
Dentro de poucas horas, outro decreto será dado ao conhecimento da Nação. É o que vai regulamentar o preço extorsivo dos apartamentos e residências desocupados, preços que chegam a afrontar o povo e o Brasil, oferecidos até mediante o pagamento em dólares. Apartamento no Brasil só pode e só deve ser alugado em cruzeiros, que é dinheiro do povo e a moeda deste país. Estejam tranqüilos que dentro em breve esse decreto será uma realidade. (...)
Ao encerrar, trabalhadores, quero dizer que me sinto reconfortado e retemperado para enfrentar a luta que tanto maior será contra nós quanto mais perto estivermos do cumprimento de nosso dever. À medida que esta luta apertar, sei que o povo também apertará sua vontade contra aqueles que não reconhecem os direitos populares, contra aqueles que exploram o povo e a Nação.
Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira. Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neonazistas - Portal Vermelho

Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neonazistas - Portal Vermelho




Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, as demonstrações de extremistas fascista e neo-nazista assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas.

Por Max Blumenthal, no Outras Palavras*




EFE
Obcecada em vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus.Obcecada em vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus.
Desde de o inicio dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a policia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza ética de seu país.

Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev.

Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, disse um integrante do grupo.

“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”

Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalistas Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “mafia judaico-moscovita”. Após da condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas, no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazista, como o Right Sector.

O Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a ums constelação de partidos neofascistas internacionais através da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.

As politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com o líder do Svoboda, em fevereiro. Ansioso para se defender de acusações de anti-semistismo, o dirigente hospedou recentemente o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir que aos israelenses respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também”.

Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu deseja de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.

“O movimento da praça Maiden, incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.

Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimôniacom tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.

Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor hipótese. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele travara uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.

As conexões da Direita

Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para Euopa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA — onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.

Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador em Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.

“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”

Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades no início, no final dos anos 1970″, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”

Ainda hoje uma força de lobby ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupo homenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”

De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo do OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamção de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.

Após a derrubada de Yanukovich neste mês, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marcharam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.

(Tradução de Cauê Seignemartin Ameni, reproduzido na Opera Mundi)

Neo-Nazism: Who we back in the Ukraine - Sleep No more - Assustador


Neo-Nazism: Who we back in the Ukraine:


(Reblogged from Infowars)

The original stylized Nazi Logo of the Svoboda Party
U.S. Senator John McCain, center, Democratic senator Chris Murphy, second left, Sovoboda leader Oleh Tyahnybok, right, stand around him during a Pro-European Union rally in Independence Square in Kiev, Ukraine, Sunday, Dec. 15, 2013
U.S. Senator John McCain, center, Democratic senator Chris Murphy, second left, Sovoboda leader Oleh Tyahnybok, right, stand around him during a Pro-European Union rally in Independence Square in Kiev, Ukraine, Sunday, Dec. 15, 2013
“Representatives of parties of all stripes—the US Democrats and Republicans, the Conservatives, Social Democrats, Greens and Pirates from Germany and other European countries—have made pilgrimages to Kiev to express their solidarity with the right-wing mob. In particular, Germany’s social-democratic Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier played a key role in the coup against Yanukovych.” — Global Research
Paul Joseph Watson
Infowars.com
February 28, 2014
Confirmation that a US-backed neo-nazi party has been handed key positions within the newly formed Ukrainian government illustrates the fact that the Euromaidan uprising was a contrived coup d’etat and has very little to do with freedom and democracy.
Back in December, around the same time that top U.S. diplomat Victoria Nuland announced that the United States had invested $5 billion dollars to help Ukrainians achieve a new form of government, Senator John McCain met with Svoboda Party leader Oleh Tyahnybok, sharing the stage with him at an event during which McCain gave the United States’ blessing for the opposition revolt.
“…anti-Semitism is part of the extremist party’s platform; until 2004, they called themselves the Social-National Party of Ukraine in an intentional reference to Adolf Hitler’s National Socialist party. Just last summer, a prominent leader of party youth was distributing texts from Nazi propaganda head Joseph Goebbels translated into Ukrainian…” – Der Spiegel
US Senator John McCain meets with Svoboda Party leader Oleh Tyahnybok and newly installed Prime Minister Arseniy Yatsenyuk.
As recently as three weeks ago, Nuland met with both Tyahnybok and Arseniy Yatsenyuk, who is now Ukraine’s interim Prime Minister. In a leaked phone conversation, Nuland was caught red-handed scheming to install Yatsenyuk in the government before President Viktor Yanukovych had even fled Kiev.
The fact that both Tyahnybok and Yatsenyuk have been handed the reigns of power following the ouster of President Yanukovych just weeks after Nuland afforded them Washington’s seal of approval clearly reveals the United States’ central role in the overthrow of a democratically elected government.
Yatsenyuk’s history as a banker makes him the perfect candidate to assume the role of technocrat in selling Ukraine into IMF debt slavery. However, the Svoboda Party’s rise to prominence is even more chilling given the organization’s clear links to extremist groups and anti-Semitism.

Top U.S. diplomat Victoria Nuland meets with Tyahnybok and Yatsenyuk weeks before they were handed power under Ukraine’s new US-backed interim government.
Despite Svoboda’s neo-nazi connections, the party has been handed three key positions in the newly formed government.
“…On New Year’s Day, Svoboda led about 15,000 people in a torchlight march in honor of Stepan Bandera, the controversial leader of the wartime Ukrainian Insurgent Army, which fought the Soviets for an independent Ukrainian state but also ethnically cleansed tens of thousands of Polish civilians. (Right Sector also announced its own march that day in honor of Bandera.) Some historians have accused the Ukrainian Insurgent Army of cooperating in the massacres of thousands of Ukrainian Jews during the Nazi occupation, and Tyahnybok even commended the rebels in 2004 for fighting “Russians, Germans, Jewry and other crap.” The Simon Wiesenthal Center put Svoboda at number five on its 2012 list of top anti-semitic slurs, citing Tyahnybok’s “Moscow-Jewish mafia” comment and Miroshnychenko calling Ukrainian-born actress Mila Kunis a “dirty Jewess…” — The Nation
“These posts include the deputy prime minister and the heads of the agriculture and environmental ministries. In addition to these positions, a Svoboda lawmaker was appointed the new prosecutor general in the interim government,” reports the Daily Caller.
In backing Svoboda’s role in the coup, the United States, just as it backed extremists in Syria, is throwing its weight behind one of the most notorious political parties in Europe.
Supporters of the party were pictured during the recent uprising in Ukraine wearing “wolfsangel” armbands, the same logo used by Hitler’s Waffen SS and numerous neo-nazi factions worldwide.
US-backed Svoboda supporters pictured during recent uprising wearing SS-style armbands.
While party officials have repeatedly made brazenly anti-Semitic statements over recent years, perhaps the most shocking insight into the group’s ideology is the fact that one if its top members, Yuriy Mykhalchyshyn, founded a think tank named the Joseph Goebbels Political Research Centre as an homage to the Nazi propaganda minister.
“According to Per Anders Rudling, a leading academic expert on European neo-fascism, the self-described “socialist nationalist” Mykhalchyshyn is the main link between Svoboda’s official wing and neo-Nazi militias like Right Sector,” writes Salon’s Max Blumenthal.
The party itself denies that it is xenophobic or anti-Semitic, part of a re-branding effort designed to increase its legitimacy which included ditching a Swastika-style symbol that was once the organization’s main motif.
However, despite the clear documented ties that bind Svoboda to neo-nazi extremists, some quarters of the US media have attempted to downplay their role in the Ukrainian uprising, with Time Magazine ludicrously suggesting that, “Nowhere in Ukraine has the uprising involved neo-Nazi groups.” One would suspect that if Tea Party supporters started wearing SS armbands, Time’s take on the issue would be somewhat different.
Svoboda’s integral involvement in the Ukrainian uprising and their reward of several key positions within the post-coup government underscores once again how the United States is willing to back some of the most repulsive and dangerous organizations on the planet, so long as they are on board with the long term goal of US hegemony and geopolitical domination.
Sieg heil? US-backed Svoboda leader Oleh Tyahnybok.

Mauro Santayana - O Ovo da Serpente - Carta Maior

 Há um ditado que reza que, toda vez que o capitalismo se vê ameaçado, ele sai para passear com o fascismo. A Europa mostra que não aprendeu nada com o passado

Há um velho ditado que reza que, toda vez que o capitalismo se vê ameaçado, ele sai para passear com o fascismo.

Como um skinhead e seus pit-bulls, que pode ser por eles atacado, depois de tentar prendê-los à força no canil, ao voltar para casa, bêbado drogado, a Europa mostra que não aprendeu nada com as notícias dos jornais, nem com as lições do passado.

Dirigentes europeus - e norte-americanos - tiram fotos, sorridentes, ao lado dos líderes do Partido Svoboda ucraniano, que podem ser vistos, em outras fotos, recentes, discursando em tribunas nazistas e saudando com a palma da mão levantada.

A cruz celta, símbolo da supremacia branca, as suásticas, os três dedos que lembram o tridente tradicional usado pelos neofascistas ucranianos, os raios assassinos das SS nazistas, destacam-se nas bandeiras e braçadeiras portadas pela multidão, na qual desfilam, triunfantes, membros das 22 organizações neonazistas que existem no país, que, segundo analistas locais, são muito mais radicais que o “Svoboda”.

As notícias que vem de Kiev dão conta de que há indícios de que os atiradores que mataram manifestantes durante os protestos, antes do golpe, teriam sido contratados pelos próprios neonazistas para fazê-lo. Sinagogas têm sido incendiadas nos úlimos meses, professores e estudantes de Yeshivas – assim como estrangeiros e homossexuais - têm sido insultados e espancados pelas ruas.

Na Ucrânia atual o anti-semitismo é tão forte, que nos últimos 20 anos, depois da derrocada da União Soviética – que sempre protegeu os judeus como etnia – 80% dos 500.000 hebreus que viviam no país o abandonaram, desde 1989, em um êxodo sem precedentes no pós-guerra. Hoje, em uma população mais de 44 milhões de habitantes, há menos de 70.000 judeus ucranianos.

Se a situação é ameaçadora para a população judaica, é ainda pior para os cerca de 120.000 a 400.000 ciganos que vivem na Ucrânia, uma minoria que não conta com recursos para deixar o país, nem com um destino, como Israel, que os possa receber.

Com a desmobilização da polícia e do exército, e sua substituição por brigadas paramilitares compostas de vândalos e arruaceiros, os neonazistas têm circulado livremente pelos bairros ciganos da periferia de Kiev e de cidades do interior do país, insultando e agredindo. impunemente, qualquer homem, mulher, criança, idoso, que encontrem pela frente.

Não é preciso lembrar que os roms, assim como os judeus, foram torturados e mortos – seis milhões de judeus e um milhão de ciganos, pelo menos – nos campos de concentração e de extermínio nazistas, a maioria deles pelas mãos de voluntários ucranianos, que serviam de “guarda” auxiliar para os alemães, em lugares como Treblinka, Auschwitz e Sobibor.

Os nazistas ucranianos não apenas forneceram assassinos e torturadores para o holocausto - e a eliminação de prisioneiros políticos e de homossexuais - mas também lutaram ao lado dos alemães, por meio da sua famigerada Legião Ucraniana de Autodefesa e da Divisão SS Galitzia, contra os russos, na Segunda Guerra Mundial.

Longe de renegar esse passado, do qual toma parte o extermínio da própria população ucraniana – em Baby Yar, uma ravina perto de Kiev, foram massacrados, com a ajuda de soldados e policiais ucranianos, 150.000 mil civis, entre ciganos, comunistas, e judeus ucranianos, 33.700 deles apenas nos dias 29 e 30 de setembro de 1941 – a direita ucraniana o venera e honra.

No dia primeiro de agosto de 2013, com a presença de um padre ortodoxo, dezenas de pessoas vestindo uniformes da Waffen SS, em meio a uma profusão de bandeiras ucranianas e de suásticas, se encontraram na cidade de Chervone, na Ucrânia, para honrar o “sacrifício” dos “heróis” ucranianos da Divisão SS Galitzia.

Os nazistas ucranianos não foram os únicos a combater, ao lado de Hitler, contra a União Soviética e a colaborar no extermínio de judeus e ciganos e da sua própria população.

O massacre de Odessa, também na Ucrânia, de outubro de 1941, no qual morreram 50.000 judeus, foi cometido, sob “organização” alemã, por tropas do exército romeno, um dos diversos países que participaram, como aliados do nazismo, da invasão da URSS na Segunda Guerra Mundial.

Entre elas, estavam, além da Itália, da Espanha e da Romênia, Bulgária, Hungria e Eslováquia, países não por acaso colocados - para que isso não viesse a acontecer de novo - sob a esfera de influência soviética, após o fim do conflito.

Engrossada pela deterioração do estado de bem-estar social, a crise econômica, o desemprego e a pressão migratória - criada em boa parte pela própria Europa com o incentivo ao terrível pesadelo da “Primavera Árabe” - a baba do racismo, do ódio contra os ciganos e os árabes, do antissemitismo e do anticomunismo mais arcaico e bestial, espalha-se como peste seguindo o curso de grandes rios como o Dnieper e o Danúbio, criando uma sopa densa e corrosiva, apropriada para alimentar as ovas - nunca totalmente inertes - da serpente nazista.

Fruto de uma nação multiétnica, que estabelece seu passado e seu futuro na diversidade universal de sua gente, nenhum brasileiro pode ficar ao lado dos golpistas neofascistas ucranianos.

Não é possível fazê-lo, não apenas pelo senso comum de não apoiar uma gente que odeia e despreza tudo o que somos.

Mas, também, porque não podemos desonrar o sangue e a memória daqueles cujos ossos descansaram no solo sagrado de Pistóia.

De quem, em lugares como Monte Castelo e Fornovo di Taro – onde derrotamos, em um único dia, a 148 Divisão Wermacht e a Divisão Bersaglieri Itália, obtendo a rendição incondicional de dois generais e de milhares de prisioneiros – combateu, com a FEB, o bom combate.

Dos soldados e aviadores que, com a força e a determinação de 25.700 corações brasileiros, ajudaram a derrotar, naquele momento, a serpente hitleriana.

No afã de prejudicar e sitiar a Rússia, criando problemas à sua volta, em países que já a atacaram no passado, o que a UE não entendeu, ainda, é que o que está em jogo na Ucrânia não é o apenas o futuro do maior país europeu em extensão territorial, nem mesmo o de Putin, mas o da própria Europa.

Até agora, o neonazismo se ressentia de um território grande e simbólico o suficiente, do ponto de vista de uma forte ligação com o anticomunismo e com o nacional-socialismo, no passado, para servir de estuário para o ressentimento e as frustrações de um continente decadente e nostálgico das glórias perdidas, que nunca se sentiu realmente distante, ou decididamente oposto, ao fascismo.

Faltava um lugar, um santuário, onde se pudesse perseguir o mais fraco, o diferente, impunemente. Um front ideológico e militar para onde pudessem convergir – como voluntários ou simpatizantes - militantes da supremacia branca de todo o mundo.

Um laboratório para a criação de um novo estado, com leis, estrutura e ideologia semelhantes às que imperavam na Alemanha há 70 anos.

Se, como tudo indica, os neonazistas se encastelarem no poder em Kiev, por meio de eleições fraudadas, ou da consolidação de um golpe de estado desfechado contra um governante eleito, o ninho da serpente poderá renascer, agora, no conflagrado território ucraniano.

Ucrânia - Expulsan a los fascistas e izan en el edificio del gobierno de Lugansk la bandera soviética - La República

 
         
Fuente: La Republica
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    Este domingo se han desarrollado en todas las ciudades del Este y Sur de Ucrania numerosas y multitudinarias manifestaciones por la democracia y en contra de la dictadura fascista del Euromaidan, implantada en Kiev con el dinero y asesoramiento de la hidra occidental.
    En la ciudad de Lugansk el pueblo salió masivamente a la calle y se dirigió al edificio del gobierno regional que estaba tomado por un grupo de neo nazis de la organización paramilitar “Right Sector”.
    Es la primera vez que se hiza la bandera roja en la ciudad después de más de 20 años de saqueo y latrocionio neoliberal.
    El edificio fue desalojado por la multitud y los individuos que allá se encontraban fueron reducidos. La multitud tomó el edificio e izó la bandera roja con el martillo y la hoz. Es la primera vez que se hiza la bandera roja en la ciudad después de más de 20 años de saqueo y latrocionio neoliberal. Los fascistas de Svovoda y “Right Sector” utilizan simbología neonazi.
    La ciudad de Lugansk prefiere utilizar viejos símbolos del movimiento obrero internacional. La ciudad de momento ha quedado bajo el control de las milicias populares y limpia de fascistas.

    Discurso de Dilma no dia Internacional da Mulher - Trabalho, educação, empreendedorismo e crédito mostram como as mulheres estão a mudar o Brasil

    Discurso do presidente cubano, Raúl Castro, no 20º Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) - Prensa Latina - Português

    Imagen activa23 de febrero de 2014, 11:01Havana, 23 fev (Prensa Latina) Prensa Latina transmite a seguir o texto íntegro do discurso pronunciado pelo presidente cubano, Raúl Castro, nas conclusões do XX Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC).

    Discurso do presidente cubano, Raúl Castro, no 20º Congresso da CTC         
    Prensa Latina, traduzido por Camila Carduz, com ajustes de Paulo Vinícius Silva, de Coletivizando   
    domingo, 23 de febrero de 2014
      Companheiras e companheiros

    Correspondem-me as conclusões deste importante Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba, as quais certamente não se limitam a estes três dias de trabalho dos delegados na capital, senão a um processo que se iniciou faz mais de 15 meses, com o debate sindical em todo o país, que incluiu a ampla e democrática discussão do anteprojeto do Código de Trabalho, aprovado na Assembleia Nacional no passado mês de dezembro.

    Igualmente o Congresso operário nos coletivos trabalhistas e nas instâncias de município e província levou a cabo uma profunda análise do Documento Base em quase 66 000 assembleias de filiados, com uma participação de mais de 2 milhões 850 000 trabalhadores focados no aperfeiçoamento do labor das organizações sindicais.

    No marco dos trabalhos prévios ao Congresso comemoramos o passado 28 de janeiro, o 75 aniversário da fundação da CTC, que nasceu como a primeira organização unitária dos trabalhadores cubanos nas difíceis condições da república burguesa e neocolonial e teve que enfrentar, durante anos, a repressão e o assassinato de vários de seus líderes mais revolucionários, a maioria comunista, entre eles o aguerrido dirigente sindical sucro-alcoleiro e militante comunista Jesús Menéndez, fundador junto ao saudoso Lázaro Peña desta organização.

    As presentes e futuras gerações de dirigentes sindicais devem ser nutridas do valioso legado que encerra a vida e obra do Capitão da classe operária, merecido título que Lázaro Peña soube ganhar entre os trabalhadores cubanos, forjador e fervente defensor da unidade das forças revolucionárias antes da Revolução e depois do triunfo, quem acolhendo como própria a linha de Fidel, se consagrou na organização e brilhante condução do histórico XIII Congresso da CTC, em 1973.

    A diferença de congressos anteriores que se concentravam na análise e discussão de temas específicos e geravam propostas de modificações pontuais à legislação trabalhista, este XX Congresso teve a vantagem de contar com os Alinhamentos da Política Econômica e Social do Partido e a Revolução, aprovados no VI Congresso do Partido, bem como os objetivos de trabalho lembrados em sua Primeira Conferência Nacional.

    A etapa preparatória do Congresso pôs de manifesto o apoio majoritário da classe operária ao rumo traçado para a atualização de nosso modelo econômico, ao mesmo tempo em que se expressaram com clareza as insatisfações pela lentidão com que se aplicam na base determinadas decisões aprovadas pelo governo, em ocasiões sem se ter criado as condições apropriadas e brindado a argumentação e informação oportunas, nem exercido o devido controle sobre sua implementação.

    Apesar da sensível e complexa questão do sistema salarial vigente na economia estatal, não posso deixar de a abordar, ainda que outras vezes tenha me referido a este tema.

    Coincido plenamente com vocês em que o atual sistema salarial não corresponde com o princípio de distribuição socialista "da cada qual segundo sua capacidade à cada qual segundo seu trabalho", ou o que é o mesmo, não garante que o trabalhador receba segundo sua contribuição à sociedade.

    Também é verdadeiro que o salário não satisfaz todas as necessidades do trabalhador e sua família, o que gera desmotivação e apatia para o trabalho, influi negativamente na disciplina e incentiva o êxodo de pessoal qualificado para atividades melhor remuneradas,  independente do nível profissional requerido. Assim mesmo, desestimula a promoção dos mais capazes e abnegados para cargos superiores, e tem como consequência o daninho fenômeno da "pirâmide investida", que se traduz em que, geralmente, à maior responsabilidade corresponda menor rendimento pessoal.

    Ao próprio tempo, temos padecido da ausência de um enfoque integral ao aplicar a política salarial e de estímulos, o que conduziu à aprovação pontual ao longo dos anos de diferentes sistemas de bonificação extrassalarial em setores e atividades, que nem em todos os casos estão vinculados ao resultado do trabalho e ao incremento de sua produtividade.

    Também não podemos esquecer-nos de quase um milhão e setecentos mil cidadãos que dedicaram dezenas de anos ao trabalho e hoje desfrutam do direito a sua merecida aposentadoria, cujas pensões são reduzidas e insuficientes para enfrentar o custo da cesta de bens e serviços.

    Ao constatar esta crua realidade, em cuja solução integral temos trabalhado intensamente, não podemos semear em nossa população falsas expectativas em curto prazo. Seria irresponsável e de efeitos contraproducentes um aumento generalizado dos salários no setor estatal, já que o único que ocasionaria seria uma escalada inflacionária nos preços, por não estar devidamente respaldado por um incremento suficiente da oferta de bens e serviços.

    Fazer isso pareceria fácil, se aplica em muitos lugares do mundo, inclusive na rica Europa, em alguns de seus países em crises, é a fórmula neoliberal que se aplicou em várias regiões do mundo para preservar e multiplicar a fortuna dos mais ricos e condenar à marginalidade a milhões de habitantes do planeta.

    Ainda que o expressei em outras ocasiões não é ocioso e muito menos ante o Congresso operário, reiterar que na Cuba revolucionária ninguém ficará desabrigado e não terá espaço para as denominadas terapias de choque contra o povo. Nenhuma das mudanças que realizaremos poderá jamais atentar contra as conquistas sociais fruto da Revolução.

    Se o salário médio cresce mais rápido que a produção de bens e serviços, os efeitos para a economia e o povo seriam fatais, isso equivaleria a "comer" o futuro, aumentar irracionalmente a dívida externa e, em definitiva, engendrar instabilidade na sociedade cubana por causa de uma inflação galopante que destruiria a capacidade aquisitiva do salário e as pensões.

    Tenhamos presente o princípio essencial de que para distribuir riqueza, primeiro há que a criar e para fazê-lo temos que elevar constantemente a eficiência e a produtividade.

    Neste tema deixo à parte os serviços médicos, a que sim, aumentaremos o salário proximamente, porquanto o rendimento fundamental do país nestes momentos obedece ao trabalho de milhares de médicos prestando serviços no exterior.

    Na mesma medida em que avancemos neste propósito, se irão conformando as condições para melhores salários e pensões.

    Precisamente a esse fim vão encaminhado as decisões já adotadas pelo governo, e outras muitas em estudo, para suprimir gradualmente as diversas travas que subsistem no gerenciamento do sistema empresarial, sobre as quais vocês receberam uma ampla informação.

    Esse é também o objetivo fundamental do processo de eliminação da dualidade monetária e cambial cuja etapa inicial de preparação de condições se encontra em marcha e na qual se prevê deslanchar um sistema salarial flexível e consequente com o já mencionado princípio de distribuição no socialismo.

    No meio destas circunstâncias e em cumprimento dos acordos do VI Congresso do Partido, propiciou-se o crescimento de formas de gerenciamento não estatal em nossa economia, cujos trabalhadores recebem rendimentos significativamente superiores aos do setor estatal, já seja orçado ou empresarial. Esta realidade, que a ninguém surpreendeu, não pode nos conduzir a gerar estigmas contra os trabalhadores por conta própria e cooperativistas, quem em sua maioria se têm filiado ao movimento sindical, se atém ao estabelecido e cumprem com suas obrigações tributárias.

    Agora bem, não ignoramos que este fator objetivo acrescenta pressão às aspirações dos trabalhadores estatais, contidas durante anos, de ver incrementados seus rendimentos o antes possível. Nunca devemos esquecer que o sistema econômico que prevalecerá na Cuba socialista, independente e soberana, continuará baseando na propriedade de todo o povo sobre os meios fundamentais de produção e que a empresa estatal é e será a forma principal na economia nacional, de cujos resultados dependerá a construção de nosso socialismo próspero e sustentável.

    Por tanto, o processo de atualização do modelo econômico e social vai dirigido a criar as condições que permitam o incremento sustentado e sustentável do rendimento dos trabalhadores estatais e ao mesmo tempo preservar as conquistas sociais da Revolução.

    Nestas circunstâncias cresce o papel do movimento sindical cubano e as importantes missões que lhe correspondem: por uma parte, organizar, integrar e mobilizar aos trabalhadores em interesse da formação de valores trabalhistas, patrióticos e morais, e pela outra, representá-los e defender seus direitos ante a administração em um clima de exigência mútua.

    Para atingir este objetivo o labor sindical deve ser despojado de formalismos e da velha mentalidade, surgida ao longo de anos de paternalismo, igualitarismo, gratuidades excessivas e subsídios indevidos. Sabemos que há magníficos colegas que ainda sentem nostalgia por tempos passados, quando nos duros momentos do início do período especial nos vimos obrigados a implementar soluções emergentes; não obstante, é preciso superar velhos hábitos e a barreira psicológica a eles associada para compreender que jamais retrocederemos àquela função do sindicato como revendedor de estímulos de diversos tipos.

    A CTC e seus sindicatos devem ser concentrado no essencial, que é exercer sua atividade em interesse da implementação exitosa dos Alinhamentos e desenvolver um trabalho político-ideológico diferenciado e abrangente em defesa da Unidade dos cubanos, tendo em conta que seu labor se complexa em condições de um crescente setor não estatal na economia, onde não são aplicáveis os métodos e o estilo tradicionalmente utilizados no setor estatal, os que por demais, também deverão ser aperfeiçoado.

    Neste sentido devemos ter em conta a imperiosa necessidade de fomentar e atrair o investimento estrangeiro em interesse de dinamizar o desenvolvimento econômico e social do país, propósito em que avançamos com a criação da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel e na elaboração de um projeto de Lei sobre o Investimento Estrangeiro, que submeteremos à Assembleia Nacional no próximo mês de março.

    O labor sindical nas empresas mistas ou de capital estrangeiro logicamente se diferenciará não em sua essência, mas sim na forma da que temos praticado até hoje e para isso há que se preparar desde agora.

    Em particular faz-se necessário potenciar o vínculo permanente dos quadros sindicais com as organizações de base, sua participação nas assembleias de filiados e a atenção aos jovens que se iniciam na vida trabalhista, para o qual deverá ser assegurado a preparação prévia e o conhecimento da situação concreta de cada lugar em interesse de influir no labor político-ideológico e produtiva com os trabalhadores.

    Também é imprescindível assegurar a permanente capacitação e superação dos quadros sindicais quanto ao conteúdo e alcance das políticas e medidas que se vão aprovando no marco do processo de implementação dos Alinhamentos, dominar a nova legislação, de maneira que contem com a informação requerida para esclarecer dúvidas, supervisionar seu cumprimento, alertar oportunamente sobre qualquer desvio e somar aos coletivos trabalhistas a sua materialização prática.

    Esta direção de trabalho cobra maior relevância quando observamos o alto grau de renovação na direção dos executivos sindicais na base,de quase 44%, enquanto se renovou 35% dos secretários gerais de seções e escritórios sindicais e 17% deles são jovens menores de 30 anos.

    Igualmente, desde o anterior congresso produziu-se uma significativa renovação nos cargos principais da CTC e os diferentes sindicatos. Hoje acompanha-nos o anterior Secretário Geral, parceiro Salvador Valdés Mesa, quem em virtude de seu relevante labor foi promovido a Vice-presidente do Conselho de Estado e em sua condição de membro do Bureau Político do Partido manteve-se muito ao tanto do desenvolvimento deste evento. Creio justo reconhecer, assim mesmo, o ativo labor despregado nos últimos oito meses, à frente da Comissão Organizadora, pelo colega Ulisses Guilarte de Nascimento, a quem vocês elegeram hoje como novo Secretário Geral da CTC.

    Antes de finalizar devo referir-me aos acontecimentos que têm lugar na fraterna República Bolivariana de Venezuela. Temos condenado energicamente os incidentes violentos desatados por grupos fascistas, que têm ocasionado mortes, dezenas de feridos, ataques a instituições públicas e destruição. Sabemos, por experiência própria, quem estão detrás, financiam e apoiam essas brutais ações para derrocar ao governo constitucional venezuelano.

    Estes fatos confirmam que onde quer que tenha um governo que não convenha aos interesses dos círculos do poder em Estados Unidos e alguns de seus aliados europeus se converte em alvo das campanhas subversivas. Agora usam novos métodos de desgaste mais sutis e mascarados, sem renunciar à violência, para avariar a paz e a ordem interna e impedir aos governos concentrar na luta pelo desenvolvimento econômico e social, se não conseguem os derrubar.
    Não poucas analogias podem ser encontradas nos manuais de guerra não convencional, aplicados em vários países de nossa região latina americana e caribenha, como hoje sucede em Venezuela e com matizes similares se tem evidenciado em outros continentes, anteriormente em Líbia e atualmente em Síria e Ucrânia. Quem tenha dúvidas ao respeito convido-o a consultar a Circular de treinamento 18-01 das Forças de Operações Especiais norte-americanas, publicada em novembro de 2010, baixo o título "A Guerra não Convencional".
    Agora mesmo em Ucrânia estão ocorrendo acontecimentos alarmantes. A intervenção de potências ocidentais deve cessar para permitir ao povo ucraniano exercer de forma legítima seu direito à autodeterminação. Não deve ser ignorado que estes fatos podem ter consequências muito graves para a paz e a segurança internacionais.

    Temos expressado e ratifico hoje aqui, nosso pleno apoio à Revolução Bolivariana e Chavista e ao colega Nicolás Maduro, quem com inteligência e firmeza tem manejado esta complexa crise.

    Temos a convicção de que o povo venezuelano saberá defender suas irreversíveis conquistas, o legado do Presidente Hugo Chávez e o Governo que elegeu livre e soberanamente, como expressa nossa Declaração do passado dia 12 de fevereiro.

    Parceiros e colegas: Considero que temos efetuado um magnífico Congresso operário, que alicerça pautas para o futuro do movimento sindical cubano, já que as questões analisadas tocam muito de perto o papel da CTC e seus sindicatos no processo ideológico, político e econômico da Revolução. Por tal motivo, em nome do Partido Comunista e do Governo Revolucionário felicito a nossa classe operária e a todas e todos os que têm participado diretamente neste XX Congresso.

    Neste sentido, creio apropriado recordar um fragmento do discurso de Fidel ao encerrar o histórico XIII Congresso faz algo mais de 40 anos, quando expressou, cito: "Não se impõe um ponto de vista, se discute com os trabalhadores. Não se adotam medidas por decreto, não importa quanto justa ou quanto acertada possam ser... as decisões fundamentais que afetam à vida de nosso povo têm que ser discutidas com o povo e essencialmente com os trabalhadores". Fim de cita-a.

    Assim, como nos ensinou Fidel, e continuaremos fazendo,

    Viva a classe operária cubana!

    Muito obrigado.

    Jf/cc
    Modificado el ( domingo, 23 de febrero de 2014 )

    Discurso de Raúl Castro en el del XX Congreso de la Central de Trabajadores de Cuba, 22 de febrero de 2014| Cubadebate

    Discurso de Raúl en la CTC: Para distribuir riqueza, primero hay que crearla | Cubadebate

    Raúl Castro en el Congreso de la CTC.
    Raúl Castro en el Congreso de la CTC.
    Discurso pronunciado por el General de Ejército Raúl Castro Ruz, Primer Secretario del Comité Central del Partido Comunista de Cuba y Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros, en las conclusiones del XX Congreso de la Central de Trabajadores de Cuba, 22 de febrero de 2014, “Año 56 de la Revolución”. (Versiones Taquigráficas – Consejo de Estado)

    Compañeras y compañeros:

    Me corresponde hacer las conclusiones de este importante Congreso de la Central de Trabajadores de Cuba, el cual ciertamente no se limita a estos tres días de trabajo de los delegados en la capital, sino a un proceso que se inició, hace más de 15 meses, con el  debate sindical a lo largo y ancho del país e incluyó  la amplia y democrática discusión del anteproyecto del Código de Trabajo, aprobado en la Asamblea Nacional el pasado mes de diciembre.

    Igualmente el Congreso obrero en los colectivos laborales y en las instancias de municipio y provincia llevó a cabo un profundo análisis del Documento Base en casi 66 000 asambleas de afiliados, con una participación de más de 2 millones 850 000 trabajadores enfocados en el perfeccionamiento de la labor de las organizaciones sindicales.

    En el marco de los trabajos previos al Congreso conmemoramos, el pasado 28 de enero, el 75 aniversario de la fundación de la CTC, que nació como la primera organización unitaria de los trabajadores cubanos en las difíciles condiciones de la república burguesa y neocolonial y tuvo que enfrentar, durante  años, la represión y el asesinato de varios de sus líderes más revolucionarios, la mayoría comunistas, entre ellos el aguerrido dirigente sindical azucarero y militante comunista Jesús Menéndez, fundador junto al inolvidable Lázaro Peña de esta organización.
    Las presentes y futuras generaciones de dirigentes sindicales deben nutrirse del valioso legado que encierra la vida y obra del Capitán de la clase obrera, merecido apelativo que Lázaro Peña supo ganarse entre los trabajadores cubanos, forjador y ferviente defensor de la unidad de las fuerzas revolucionarias antes de la Revolución y tras el triunfo, quien acogiendo como propia la línea de Fidel, se consagró en la organización y brillante conducción del histórico XIII Congreso de la CTC, en 1973.
    A diferencia de congresos anteriores que se concentraban en el análisis y discusión de temas específicos y generaban propuestas de modificaciones puntuales a la legislación existente en el ámbito laboral, este XX Congreso tuvo la ventaja de contar con los Lineamientos de la Política Económica y Social del Partido y la Revolución, aprobados en el Sexto Congreso del Partido, así como los objetivos de trabajo  acordados en su Primera Conferencia Nacional.
    La etapa preparatoria del Congreso puso de manifiesto el apoyo mayoritario de la clase obrera al rumbo trazado para la actualización de nuestro modelo económico, al tiempo que se expresaron con claridad las insatisfacciones por la lentitud con que se aplican en la base determinadas decisiones aprobadas por el gobierno, en ocasiones sin haberse creado las condiciones apropiadas y brindado la argumentación e información oportunas, ni ejercido el debido control sobre su implementación.
    A pesar de lo sensible y compleja que resulta la cuestión del sistema salarial vigente en la economía estatal, no puedo dejar de abordarla, aunque otras veces me he referido a este tema.
    Coincido plenamente con ustedes en que el actual sistema salarial no se corresponde con el principio de distribución socialista “de cada cual según su capacidad a cada cual según su trabajo”, o lo que es lo mismo, no garantiza que el trabajador reciba según su aporte a la sociedad.
    También es cierto que el salario no satisface todas las necesidades del trabajador y su familia, lo que genera desmotivación y apatía hacia el trabajo, influye negativamente en la disciplina e incentiva el éxodo de personal calificado hacia actividades mejor remuneradas con independencia del nivel profesional requerido. Asimismo, desestimula la promoción de los más capaces y abnegados hacia cargos superiores, a consecuencia del dañino fenómeno de la “pirámide invertida”, que se traduce en que, generalmente, a mayor responsabilidad menor ingreso personal.
    Al propio tiempo, hemos adolecido de un enfoque integral en la aplicación de la política salarial y de estimulación, lo que condujo a la aprobación puntual a lo largo de los años de disímiles sistemas de bonificación extrasalarial en sectores y actividades, que no en todos los casos están vinculados con el resultado del trabajo y al incremento de su productividad.
    Tampoco podemos olvidarnos de casi un millón 700 000 ciudadanos que dedicaron decenas de años al trabajo y hoy disfrutan del derecho a su merecida jubilación, cuyas pensiones son reducidas e insuficientes para enfrentar el costo de la canasta de bienes y servicios.
    Al constatar esta cruda realidad, en cuya solución integral no hemos dejado de trabajar intensamente, no podemos sembrar en nuestra población falsas expectativas a corto plazo.  Sería irresponsable y con efectos contraproducentes disponer un aumento generalizado de los salarios en el sector estatal, ya que lo único que causaría es una espiral inflacionaria en los precios, de no estar debidamente respaldado por un incremento suficiente de la oferta de bienes y servicios.
    Hacer eso parecería fácil, se aplica en muchos lugares del mundo, incluso en la rica Europa, en algunosde sus países en crisis, es la fórmula neoliberal que se ha aplicado en varias regiones del mundo para preservar y multiplicar la fortuna de los más ricos y condenar a la marginalidad a millones de habitantes del planeta.
    Aunque lo he expresado en otras ocasiones no es ocioso y mucho menos ante el Congreso obrero, reiterar que en la Cuba revolucionaria nadie quedará desamparado y no habrá espacio para las denominadas terapias de choque contra el pueblo. Ninguno de los cambios que realizaremos podrá jamás atentar contra las conquistas sociales fruto de la Revolución.
    Si el salario medio crece más rápido que la producción de bienes y servicios, los efectos para la economía y el pueblo serían fatales, ello equivaldría a “comernos” el futuro, aumentar irracionalmente la deuda externa y, en definitiva, engendrar inestabilidad en la sociedad cubana a causa de una inflación galopante que destruiría la capacidad adquisitiva del salario y las pensiones.
    Tengamos presente el principio esencial de que para distribuir riqueza, primero hay que crearla y para hacerlo tenemos que elevar sostenidamente la eficiencia y la productividad.
    En este tema dejo aparte los servicios médicos, que sí se les aumentará el salario próximamente, por cuanto el ingreso fundamental del país en estos momentos obedece al trabajo de miles de médicos prestando servicios en el exterior.

    En la misma medida en que avancemos en este propósito, se irán conformando las condiciones para mejores salarios y pensiones.
    Precisamente a ese fin van encaminadas las decisiones ya adoptadas por el gobierno, y otras muchas en estudio, para suprimir gradualmente las diversas trabas que subsisten en la gestión del sistema empresarial, sobre las cuales ustedes recibieron una amplia información.
    Ese es también el objetivo fundamental del proceso de eliminación de la dualidad monetaria y cambiaria cuya etapa inicial de preparación de condiciones se encuentra en marcha y en la cual se prevé desplegar un sistema salarial flexible y consecuente con el ya mencionado principio de distribución en el socialismo.
    En medio de estas circunstancias y en cumplimiento de los acuerdos del Sexto Congreso del Partido, se ha propiciado el crecimiento de formas de gestión no estatal en nuestra economía, cuyos trabajadores reciben ingresos significativamente superiores a los del sector estatal, ya sea presupuestado o empresarial.  Esta realidad, que a nadie sorprendió, no puede conducirnos a generar estigmas contra los trabajadores por cuenta propia y cooperativistas, quienes en su mayoría se han afiliado al movimiento sindical, se atienen a lo establecido y cumplen con sus obligaciones tributarias.
    Ahora bien, no ignoramos que este factor objetivo añade presión a las aspiraciones de los trabajadores estatales, contenidas durante años, de ver incrementados sus ingresos lo antes posible.
    Nunca debemos olvidar que el sistema económico que prevalecerá en la Cuba socialista, independiente y soberana, continuará basándose en la propiedad de todo el pueblo sobre los medios fundamentales de producción y que la empresa estatal es y será la forma principal en la economía nacional, de cuyos resultados dependerá la construcción de nuestro socialismo próspero y sostenible.
    Por tanto, el proceso de actualización del modelo económico y social va dirigido a crear las condiciones que permitan el incremento sostenido y sustentable del ingreso de los trabajadores estatales y a la vez preservar las conquistas sociales de la Revolución.
    En estas circunstancias crece el papel del movimiento sindical cubano y las importantes misiones que le corresponden:  por una parte, organizar, integrar y movilizar a los trabajadores en interés de la formación de valores laborales, patrióticos y morales, y por la otra, representarlos y defender sus derechos ante la administración en un clima de exigencia mutua.
    Para alcanzar este objetivo la labor sindical debe despojarse de formalismos y de la vieja mentalidad, surgida a lo largo de años de paternalismo,  igualitarismo, gratuidades excesivas y subsidios indebidos.  Sabemos que hay magníficos compañeros que todavía sienten nostalgia por tiempos pasados, cuando en los duros momentos del inicio del período especial nos vimos obligados a implementar soluciones emergentes; no obstante, es preciso superar viejos hábitos y la barrera psicológica asociada a ellos para comprender que jamás retrocederemos a aquella función del sindicato como distribuidor de estímulos de diversos tipos.
    La CTC y sus sindicatos deben concentrarse en lo esencial, que es ejercer su actividad en interés de la implementación exitosa de los Lineamientos y desarrollar un trabajo político-ideológico diferenciado y abarcador en defensa de la Unidad de los cubanos, teniendo en cuenta que su labor se complejiza en condiciones de un creciente sector no estatal en la economía, donde no son aplicables los métodos y el estilo tradicionalmente utilizados en el sector estatal, los que por demás, también deberán perfeccionarse.
    En este sentido debemos tener en cuenta la imperiosa necesidad de fomentar y atraer la inversión extranjera en interés de dinamizar el desarrollo económico y social del país, propósito en el que avanzamos con la creación de la Zona Especial de Desarrollo de Mariel y en la elaboración de un proyecto de Ley sobre la Inversión Extranjera, que someteremos a la Asamblea Nacional el próximo mes de marzo.
    La labor sindical en las empresas mixtas o de capital extranjero lógicamente se diferenciará, no en su esencia, pero sí en la forma de la que hemos practicado hasta hoy y para ello hay que prepararse desde ahora.
    En particular se hace necesario potenciar el vínculo permanente de los cuadros sindicales con las organizaciones de base, su participación en las asambleas de afiliados y la atención a los jóvenes que se inician en la vida laboral, para lo cual deberá asegurarse la preparación previa y el conocimiento de la situación concreta de cada lugar en interés de influir en la labor político-ideológica y productiva con los trabajadores.
    También es imprescindible asegurar la permanente capacitación y superación de los cuadros sindicales en cuanto al contenido y alcance de las políticas y medidas que se van aprobando en el marco del proceso de implementación de los Lineamientos, dominar la nueva legislación, de modo que cuenten con la información requerida para esclarecer dudas, supervisar su cumplimiento, alertar oportunamente sobre cualquier desviación y sumar a los colectivos laborales a su materialización práctica.
    Esta dirección de trabajo cobra mayor relevancia cuando observamos el alto grado de renovación en la dirección de los ejecutivos sindicales en la base, casi el 44%, mientras que se renovó el 35% de los secretarios generales de secciones y burós sindicales y el 17% de ellos son jóvenes menores de 30 años.
    Igualmente, desde el anterior congreso se ha producido una significativa renovación en los cargos principales de la CTC y los diferentes sindicatos. Hoy nos acompaña el anterior Secretario General, compañero Salvador Valdés Mesa (Aplausos), quien en virtud de su relevante labor fue promovido a Vicepresidente del Consejo de Estado y en su condición de miembro del Buró Político del Partido se ha mantenido muy al tanto del desarrollo de este evento.
    Creo justo reconocer, asimismo, la activa labor desplegada en los últimos ocho meses, al frente de la Comisión Organizadora, por el compañero Ulises Guilarte de Nacimiento (Aplausos), a quien ustedes eligieron hoy como nuevo Secretario General de la CTC.
    Antes de finalizar debo referirme a los acontecimientos que tienen lugar en la hermana República Bolivariana de Venezuela.  Hemos condenado enérgicamente los incidentes violentos desatados por grupos fascistas, que han ocasionado muertes, decenas de heridos, ataques a instituciones públicas y destrucción. Sabemos, por experiencia propia, quiénes están detrás, financian y apoyan esas brutales acciones para derrocar al gobierno constitucional venezolano.

    Estos hechos confirman que dondequiera que haya un gobierno que no convenga a los intereses de los círculos del poder en Estados Unidos y algunos de sus aliados europeos se convierte en blanco de las campañas subversivas.  Ahora usan nuevos métodos de desgaste más sutiles y enmascarados, sin renunciar a la violencia, para quebrar la paz y el orden interno e impedir a los gobiernos concentrarse en la lucha por el desarrollo económico y social, si no logran derribarlos.

    No pocas analogías pueden encontrarse en los manuales de guerra no convencional, aplicados en varios países de nuestra región latinoamericana y caribeña, como hoy sucede en Venezuela y con matices similares se ha evidenciado en otros continentes, con anterioridad en Libia y actualmente en Siria y Ucrania.  Quien tenga dudas al respecto lo invito a hojear la Circular de entrenamiento 18-01 de las Fuerzas de Operaciones Especiales norteamericanas, publicada en noviembre de 2010, bajo el título “La Guerra no Convencional”.
    Ahora mismo en Ucrania están ocurriendo acontecimientos alarmantes.  La intervención de potencias occidentales debe cesar, para permitir al pueblo ucraniano  ejercer de forma legítima su derecho a la autodeterminación.  No debe ignorarse que estos hechos pueden tener consecuencias muy graves para la paz y la seguridad internacionales.
    Hemos expresado y ratifico hoy aquí, nuestro pleno apoyo a la Revolución Bolivariana y Chavista y al compañero Nicolás Maduro (Aplausos), quien con inteligencia y firmeza ha manejado esta compleja crisis.

    Albergamos la convicción de que el pueblo venezolano sabrá defender sus irreversibles conquistas, el legado del Presidente Hugo Chávez y el Gobierno que eligió libre y soberanamente, como expresa nuestra Declaración del pasado día 12 de febrero.

    Compañeras y compañeros:
    Considero que hemos efectuado un magnífico Congreso obrero, que sienta pautas para el futuro del movimiento sindical cubano, ya que las cuestiones analizadas tocan muy de cerca el papel de la CTC y sus sindicatos en el proceso ideológico, político y económico de la Revolución.  Por tal motivo, en nombre del Partido Comunista y del Gobierno Revolucionario felicito a nuestra clase obrera y a todas y todos los que han participado directamente en este XX Congreso (Aplausos).
    En este sentido, creo apropiado recordar un fragmento del discurso de Fidel al clausurar el histórico XIII Congreso hace algo más de 40 años, cuando expresó, cito:
    “No se impone un punto de vista, se discute con los trabajadores.  No se adoptan medidas por decreto, no importa cuan justas o cuan acertadas puedan ser… las decisiones fundamentales que afectan a la vida de nuestro pueblo, tienen que ser discutidas con el pueblo y esencialmente con los trabajadores”. Fin de la cita.
    Así, como nos enseñó Fidel, lo continuaremos haciendo,
    ¡Viva la clase obrera cubana!  (Exclamaciones de: “¡Viva!”)
    Muchas gracias (Aplausos).

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